segunda-feira, 17 de dezembro de 2007


Alvor - Portugal - 2007

Pior que não ter
é ter
Ter falta.
Pior que não sentir
é sentir
Sentir dormência.
Pior que não saber
é saber
Saber que se sabe pouco.
Pior que acreditar
é não acreditar
Não acreditar em nada.
Pior que escutar
é não escutar
Não escutar a melodia no silêncio.
Melhor que fazer
é não fazer nada
Não fazer nada igual a tudo.
Melhor que ser
é não ser
Não ser só por ser.
Melhor que cantar
só cantar
Bem ou mal tanto faz, mas cantar.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Ogiva I



Vila Viçosa - Portugal - 2007

O que são mundos paralelos e realidades alternativas?

"Now we are free"

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

sábado, 3 de novembro de 2007

Cavalo III


Outubro 2007 - Terreiro do Paço - Vila Viçosa - Portugal
Estátua Equestre de D. João IV

terça-feira, 23 de outubro de 2007

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Cavalo II


Foto II cavalo branco - Mina - Portugal - Outubro 2007
Efeito contorno

Cavalo I


Foto cavalo branco - Mina - Portugal - Outubro 2007
Negativo verde vermelho de foto cavalo branco

terça-feira, 9 de outubro de 2007

"A mente sã mente somente.
Louca a outra desmente."
Há anos atrás recebi de presente um separador de livros muito simples e normal com uns desenhos tipo banda desenhada, em que um homem conversa consigo próprio. As falas nos balões têm estas duas frases que aqui apresento, e que desde essa altura me fazem pensar no que será supostamente aquilo a que chamamos loucura versus razoabilidade ou normalidade. Estarão os conceitos trocados? Será o louco são e o são demente? Será o génio só fruto de loucura ou tem uma percepção acima do normal? Serão as pessoas ditas normais as que vivem no "tudo ao contrário" e sem certo sentido, sem um rumo certo, mas com regras e bóias de salvação? Talvez esta discussão não interesse nem sirva para muito pois cada um será aquilo que quiser. Já diz o provérbio que "de médico e de louco todos temos um pouco", e penso que não precisamos necessariamente de catalogar este e aquele para nos identificarmos e sabermos com o podemos contar.
Há um suposto "sem abrigo", a quem deram uma alcunha igual ao nome de um conhecido filósofo grego, que costumo ver muitas vezes e com quem até já falei. É uma figura que não passa despercebida a ninguém. Magro, alto, cabelos e barbas enormes e brancas. A estória dele, que qualquer dia se transformará em lenda, é que ele era um homem igual a tantos outros, que estudou, casou, trabalhou, até um dia...um dia em que a mulher o deixou e ele deixou também de acreditar no sentido que a sua vida supostamente tinha. Licenciado em Filosofia, com casa própria, começou a viver na rua por vontade própria também...e desde há anos entre outras coisas passa os dias a vaguear pelas ruas conversando com aquilo a que ele chama de entidades superiores, recebendo informações sobre o futuro e arquitectando com os anjos os desígnios de cada um. Mas há uma coisa diferente nesta pessoa. O olhar dele, que de louco não tem nada. E não sei até que ponto o será. Quem encarar a forma como ele vive de forma diferente, como algúem que não vagueia mas que passeia, alguém que não passa fome nem frio mas que sobrevive e faz aquilo que quer, alguém que inventa e teatraliza que é louco para poder viver como vive e saber que "louco é quem diz...eu não, eu sou feliz" (expressão na música "Balada do Louco" de Rita Lee e que se pode ouvir no link abaixo) talvez se pergunte se não será tanto ou mais sanu que outro sanu qualquer...

segunda-feira, 1 de outubro de 2007


Sagres - Portugal - Setembro 2007

África é para ali.
Por ali está África.
África é já ali.
Por aqui ver-se-á, África.

terça-feira, 25 de setembro de 2007


Igreja em Arraiolos - Portugal - Abril 2007 - Positivo e Negativo - Pinhole

... and the difference between the the opposites... is only a slight change in perspective.
Qualquer número elevado a infinito é igual a zero. E zero (0), fora teorias revolucionárias, não é positivo nem negativo, é o tudo e o nada simultaneamente, e simultameamente também delimita a fronteira entre um lado e outro. Daqui uma das derivações da perspectiva: um lado e outro lado. Está então parcialmente explicado. No limite, na intersecção de todas as perspectivas, não existem diferenças. O Uno é a sua soma sinergética.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007


Sagres - Portugal - Setembro 2007
Quero ser vento
Para poder ir a todo o sítio e continuar aqui
Para tudo ver, tudo escutar, tudo saber
E continuar assim

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Máscaras



"O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração."
O Poeta é um Fingidor - Autopsicografia (Fernando Pessoa)

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Tempo para pensar


Para quê pedir ao Tempo um pouco de tempo,
se se desperdiça todo o tempo que o Tempo nos dá, a pensar.
Será preciso? Mesmo quando é bom?!... o tempo lá fora?

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Ser livre



Liberdade é nome.
Liberdade é substantivo feminino.
Liberdade tem história e significado.
Liberdade pressupõe ser e ter, dispor de si próprio, e também saber.
Se estar preso é não estar em liberdade, ser livre não é somente não estar preso, ser livre é não estando preso, saber gerir e tomar decisões para continuar nesse estado. Estado físico, emocional, psicológico e mental. Estar preso será diferente de ser preso, consoante o nível de imposição, exterior ou interior.
Estar ou ser preso.... é ter grades que limitam o nosso espaço, é querer e não poder, é conter, é ter rotinas, é ter preconceitos, é ter relógio, é ter ideais, é ter sonhos, é ter desejos, é ter tradições, é ter orgulho, é ter humildade, é não ter amor, é nunca sentir raiva, é ter regras, é ter certezas, é ter medos, é aceitar sem questionar que 1 + 1 = 2, é ter manias, é ter gostos é vícios, é pensar, é ter dinheiro, é ter expectativas e ambição, é tentar desenhar figuras geómétricas perfeitas, é não fazer nada, é nunca trocar o certo pelo incerto, é não tentar, é não acreditar, é chorar, é sorrir, é ter dados adquiridos, é não se surpreender, é ter falta de força, é não ter saúde, é ter frio e fome, é ter inveja, é sentir-se inseguro, é ter saudade, é sentir angústia ou alegria em demasia, é não ter amigos, e ás vezes é ter amigos, é estar aqui e agora, neste espaço e tempo infinitos, ilimitados.
Quem é completamente livre não tem cordas. Cordas que nos prendem mas que também nos seguram e nos ajudam a crescer. Quem é completamente livre não existe. É mas não tem nada.
A foto foi tirada em Julho de 2005, numa rua central na cidade de Roma. Quem quer que tenha sido o "artista" que pintou naquela parede e quem depositou naquele passeio, naquele sítio preciso, aquela carcaça de lambretta deve tê-lo feito para se sentir ou sentido-se muito livre. Mas um livre só de ser contra, preso à necessidade de precisar de mostrá-lo.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Escrevo para ti.
Invento sobre ti.
Imagino-te a ti,
mesmo quando confirmo que não sabes do que escrevo,
e que nem sabes que escrevo.
Mas escrevo.
E escrevo como se estivesses a ler.
Escrevo, mesmo sabendo que já está tudo escrito.


Ti voglio...


Foto tirada em Julho de 2005, num concerto de Daniela Mercury, no Alandroal.
Música: "Santa Helena" - Daniela Mercury

segunda-feira, 16 de julho de 2007


Foto a sépia.
É parte de uma cama de ferro antiga, cuja estrutura com as cores originais é branca e dourada.
Talvez as figuras marinhas digam algo do acto de dormir. Do mundo profundo e vasto que por lá se encontra, como se de um mar se tratasse. Onde flutuamos e nos deixamos libertar.

terça-feira, 3 de julho de 2007



"Olha que coisa mais linda,
Mais cheia de graça.
É ela a menina que vem e que passa,
Num doce balanço a caminho do mar."
(Música brasileira, Samba Bossa Nova, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, 1962)

quinta-feira, 21 de junho de 2007




"She faced him, waiting.
And Odysseus came,
debating inwardly what he should do:
embrace this beauty's knees in suplication?
Or stand apart, and, using honeyed speech,
inquire the way to town,
and beg some clothing?
In his swift reckoning,
he thought it best to trust in words to please her - and keep away:
he might anger the girl, touching her knees."
(Homer, The Odyssey, Book Six, The Princess at the River)



Estas palavras terão com certeza significados diferentes para diferentes pessoas. Estão como todas as coisas limitadas às circunstâncias e à perspectiva de cada um.
Também não sei o que concretamente terá o poeta grego Homero (séc. VIII a. C.) querido transmitir ao longo de toda a Odisséia, mas sei o que penso quando leio este trecho, de forma isolada. Sei o que me faz lembrar. A mim lembra-me daquele momento crucial em que se decidem as relações humanas. Daquela mistura entre vontade e hesitação, que aproxima ou afasta as pessoas, que ainda não se conhecem, ou já se conhecem mas não "dão" mais.
Eu gosto de conhecer, observar, ouvir, estar e conversar com pessoas. Como toda a gente tenho momentos, momentos em que fazem todo o sentido essas pessoas, outros que não. Mas muitas vezes sinto que, nos dias de hoje em que tudo corre demasiado rápido, o limite que nos separa é tão frágil, que a maior parte das pessoas é desconfiada ou tem medo (medo do outro, dos outros, do presente e especialemente do futuro). E assim, como o homem no texto, aquele momento de "vou não vou", "faço não faço" está cada vez mais dilatado, e a maior parte das vezes não dá em nada, por deixar-se passar. E passam os dias, e os anos, a correr. E nós a fugir atrás de qualquer coisa que não vemos mas que todos afirmam existir. E hoje, quase tudo se subentende e por essa razão, temos medo ou nem nos queremos dar ao trabalho de mostrar o nosso afecto ou admiração por alguém (se é que temos tempo para criá-lo), alguém que podemos conhecer há muito tempo ou conhecemos recentemente, não interessa, porque logo se imagina que essa exposição não é bem-recebida ou pode ser mal-interpretada, ou que criará dependência e maior exigência da outra parte. E muitas coisas se podem perder assim, muitas palavras, muitas imagens, muitos silêncios, muitos outros momentos. Não pode ser. Sou contra essa dormência e limitação demasiado evidentes hoje em dia, esse egoísmo e cobardia. Hoje penso assim....depois de ter tido tempo para pensar numa relação que começou num (com um) daqueles momentos, e ainda bem que assim foi.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Mina de S. Domingos



Quem puder vá conhecer a Mina de S. Domingos (concelho de Mértola). É um local muito especial e bonito. E muito susceptível a fotografias...
Uma mina de cobre e pirite, que foi a maior da Península Ibérica, fez nascer a aldeia que era essencialmente povoada pelos mineiros e respectivas famílias, ou outros profissionais, todos ligados à exploração da mina, no caso, por uma empresa inglesa, e desde 1857 até 1968. Se antes se vivia num autêntico rebuliço, hoje a aldeia está quase deserta, mas cheia de encanto.
Quem lá vai, volta com certeza.
Esta imagem foi tirada na Estalagem São Domingos (uma casa senhorial completamente reconstruída e remodelada, e transformada em hotel), lindíssima também.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Sé - Évora

Sé - Évora



Foram precisos 7 anos a viver em Évora, para me vir embora e ter de lá voltar para conhecer a Sé por dentro. Peguei no carro e na máquina fotográfica, mascarei-me de turista, e fui conhecer o museu, a catedral e os jardins interiores, que tanto gostei. São de uma magnificência, serenidade e perfeição arquitectónica sublimes, mas também de alguma obscuridade... como em tantas outras coisas da Igreja, para as quais haverá por certo uma explicação. (?!)
"A Sé de Évora é a maior Catedral medieval do país. A um primitivo templo construído entre 1186 e os primeiros anos do século XIII, sucedeu-se o grandioso monumento que hoje existe, resultado essencialmente de duas notáveis campanhas da Baixa Idade Média." (in site IPPAR)

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Dia da Criança


Não se vê bem, mas está ali uma menina...e está despenteada!!! :)

Quanto a este dia em especial...gosto de viver acreditando que não há assim tanta diferença entre criança e adulto, que os adultos que conheço mantêm a mesma genuidade, e as crianças a mesma paciência (com os adultos)... :)

"A Vida é Bela", de Roberto Benigni. Um filme excelente. Um pai judeu, no tempo da II GG, é enviado junto com o filho para um campo de concentração. Durante todo o tempo que lá estiveram o menino não chega a perceber a morte, a tortura e a injustiça que o cerca, cada dia é um jogo e uma brincadeira. E todos os dias o pai inventa novas estórias e palhaçadas para manter intacto o mundo de fantasia do menino, num cenário completamente destruidor.
Já que a realidade por vezes é tão dura, e se nem todos os meninos podem ter as mesmas coisas, pelo menos que nunca percam o poder de sonhar e brincar.

sexta-feira, 25 de maio de 2007



Curso em Arraiolos. Não só novos conhecimentos como muitos e bons momentos.

Pessoal genial... :)

Só a magana da pinhole é que nos ia dando cabo do juízo, mas afinal resultou bem. Já podemos dizer àquelas pessoas que nos olhavam de forma esquisita, com as caixas de um lado para o outro, a contemplar a paisagem, a medir a luz , a contar segundos, e a enquadrar tudo e mais alguma coisa...que eram só fotografias, à maneira antiga, ta bem?! Houve um senhor que num desses dias tomou coragem e me perguntou muito desconfiado, com a sobrancelha erguida, o que andava eu a fazer com a aquela caixa... Depois de saber, pediu-me que lhe tirasse uma fotografia...Eu sorri...ok, pensei...vamos a isso! Posou, sentado, de pernas cruzadas e sorriu. E assim permaneceu imóvel durante 12 segundos... Eu só não tive tempo foi para lhe explicar que estas fotografias primeiro "saíam" assim diferentes do que ele estava a pensar...mas... não lhe quis tirar o prazer e o contentamento de posar e de ser fotografado naquele momento. A foto não ficou boa, mas ele ficou tão contente, que isso agora é irrelevante.

segunda-feira, 14 de maio de 2007




O louva-deus é um insecto oriundo de climas quentes e tropicais. Um predador paciente, que caça
de emboscada por facilmente se camuflar com a vegetação. Alimenta-se de presas vivas...muitas vezes do próprio parceiro!
Costumam ficar horas à espera da vítima, com as patas dianteiras erguidas. Como se estivessem a orar.
Os gregos antigos acreditavam que esta espécie tinha poderes sobrenaturais, e na China, alguns estilos de Kung Fu basearam-se nos seus movimentos.

Cá no Alentejo também são sagrados e sinal de boa sorte. O melhor é deixá-los mesmo
em paz porque se algum dia se inverterem os papéis ou os tamanhos...só resta mesmo orarmos!
E ainda assim, já há por aí tanta gente a orar. À espera de um momento certo para atacar...

quarta-feira, 2 de maio de 2007




"Quando começo a cantar,
eu bem quisera agradar.
Mas nem sempre sou capaz.
Só quando o coração canta,
é que a minha pobre garganta
faz o que nem sempre faz."
.... um verso de António Aleixo

A maior parte das coisas, incluindo a fotografia, só têm brilho se tiverem sido feitas com amor.
Esta era uma simples e pequena flor, quase incógnita no meio de um jardim abandonado, e no entanto estava lá, e tinha um "brilho" demasiado especial para não ser captado. Ainda que tenha sido só uma simples e pequena tentativa. Cá está ela.

segunda-feira, 5 de março de 2007