sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Feliz Natal e Próspero Ano Novo!

Faço meus ou eles (gato Malandro e Pai Natal) fazem dos meus... enfim não interessa... os nossos votos de um Feliz Natal e Próspero Ano Novo para todos!! Dica para o próximo ano: se ainda não têm animal de estimação experimentem adoptar um e serão surpreendidos com a enorme quantidade de afecto que ele vos pode dar. Tratem-nos como gostariam que vos tratassem a vocês (isto aplica-se não apenas a animais de estimação mas a todos os que vos rodeiam), não deixando de os educar e ensinar qualquer coisita... e no retorno ganham um amigo que sempre vos acompanhará e nunca vos exigirá nada em troca. Puro amor!

História de Amorrrrr

Começaram por disfarçar, ignorar...fingir que nenhum dos dois se importava um com o outro...era cada um para seu lado...
... Mas rapidamente passaram para a fase do conhecimento através do toque, do cheiro... dos abraços envolventes e prolongados...
Depois foi apanhá-los em cenas pouco ingénuas de mordidelas de amorrrrr....
E pronto...nos tempos de hoje não se espera muito... Não tardou a acontecer!... cenas escaldantes....
... de tão quentinhos que eles dormiam os dois, bem juntinhos e agarradinhos!!!! :D:D Não interessa entre quem e o quê... interessa sim cultivar o amor em nosso redor. Respeitarmo-nos e aceitarmo-nos, sem olhar a cores, ideologias, objectivos, religião, sexo, e etecetera e tal!!! Just Be Happy! ( please...) :)

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Este rapaz não é normal

Este (ele sabe quem!) rapaz não é normal... :)

esta é a frase que não me sai da cabeça, juntamente com uma boa-disposição e uma vontade de rir que, dadas certas circunstâncias (que tanto ele como eu sabemos!), não é.... simplesmente normal! Passo a explicar. Tomámos a decisão. Aquilo que achamos melhor, aquilo que tem de ser feito, tanto faz, tomámos-la (não...não é tomásia, isso é nome de gente e gente outra que não eu e o tal rapaz não são para aqui chamados!). Uma decisão difícil, daquelas que fazem os senhores que vendem lenços de papel ganharem muuuito dinheirinho...e enfim... Eis se não quando o outro assinante deste triste (des)contrato que vos estava aqui a falar me acaba de proporcionar uma gargalhada daquelas e um súbito sentimento de certeza de que na vida não há razão para levar as coisas a sério. Adoro-te. E sempre te agradecerei por me ensinares a rir em todos os momentos da vida, mesmo quando achamos que é impossível que isso aconteça. Nada é então impossível. E é uma estupidez não viver de acordo com a leveza que a vida afinal é. É uma estupidez não apreciar cada momento. Isso é estúpido!! (como tu dirias...)...
A vida junta, a vida separa. A vida reúne, a vida afasta... A vida justifica tudo quanto aconteça. E acontece precisamente tudo aquilo que quisermos e deixarmos que aconteça, quando tiver de acontecer. Se seguirmos aquilo que achamos correcto e melhor para nós e para os que muito gostamos, então só podemos estar no bom caminho. Devemos seguir com confiança e com um sorriso nos lábios.
LU.
Always will.

domingo, 4 de dezembro de 2011

E o gato Malandro... já está assim!


Passados cerca de 6 meses Sua Excelência o Gato Malandro já está deste tamanho, continua muito curioso, mal me vê abrir uma gaveta ou armário atira-se logo lá para dentro, segue-me o tempo todo de tal forma juntinho às pernas que muitas vezes dou-lhe pisadelas porque simplesmente não o vejo (!!), já sobe para cima das coisas sem grandes medos, adora ver água mas senti-la no pêlo "ta quieto", gosta de morder sem força e atirar-se para cima de nós só para brincar, mal me apanha sentada vem logo para o meu colo aninhar-se, de manhã bem cedo mia como se não houvesse amanhã a chamar por mim, gosta de brincar ao toca e foge..., e pronto.... às vezes também leva no focinhito quando faz marotices a mais :). Fora isso é uma grande companhia num pequeno corpo, já faz parte da minha casa e esta não tem sentido sem ele. Outro dia sonhei que o tinha perdido, não sabia dele nem onde procurá-lo. Acordei assustada... percebi que já me apeguei a esta criatura de tal forma que sinto medo de perdê-lo. Assim como sinto medo de perder tantas outras coisas que tanto gosto. Acerca dessas outras coisas, tomo por vezes decisões que provocam esse tão temido afastamento, mas essas decisões, que acarretam um risco elevado, são conscientes e visam um melhoramento e um assegurar que o que é especial tem de ser mantido assim. Não deve deixar-se exposto ao desgaste nem ao seu esmorecimento. Por isso se tratam de decisões de grande risco... porque comportam em si um grande investimento.

miau, diz o malandro! ;)

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Zoo de Lagos

Foi nestas últimas férias que, inesperadamente, tive oportunidade de visitar o Parque Zoológico de Lagos. Gostei muito. Obviamente que não é megalómano, muito pelo contrário, mas é uma visita muito agradável e acho que vale sempre a pena vermos (ou revermos) espécies diferentes, ficar a saber de onde provêm e como vivem... ainda que seja apenas uma pequena amostra e também um sacrifício desses espécimes é muito importante que conheçamos todos os animais e aprendamos a apreciá-los e a respeitá-los. Há linces, tartarugas terrestres africanas (são enormes!), suricatas (adoro estes bichinhos...), grous, ibis escarlates, catatuas, araras, tucano, calau rinoceronte (este nunca antes tinha visto!), flamingos, coruja, hipopótamos, crocodilos-anão, burros, porquinhos da índia, coelhos, vacas, entre outros. Sugiro a todos quantos gostem de animais, natureza e de simplesmente passear!
(peço desculpa não consegui colocar as fotos mais pequenas e portanto tiveram de ficar assim....tipo torre!)





















terça-feira, 11 de outubro de 2011

O Suicídio

Ontem, dia 10 de Outubro, assinalou-se do Dia Mundial da Saúde Mental. Entretanto no dia 10 de Setembro foi o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.
Houve um homem que se suicidou ontem aqui nos arredores.

O Suicídio (enquanto acto voluntário e intencional de alguém colocar termo à sua própria vida) sempre foi um assunto que me interessou porque não consigo decidir se este será um acto de coragem ou de cobardia. Talvez o que leve alguém a suicidar-se seja mesmo este "estar" entre extremos, um "estar" perdido entre o total desespero e a esperança e força de enfrentar os problemas.

Há algumas celebridades que se suicidaram e isso foi notícia a nível mundial, mas acho que toda a gente já conheceu alguém, relativamente próximo (familiar, amigo, conhecido...) que também cometeu suicídio. A primeira vez que isso me aconteceu foi chocante e intrigante. Era um rapariga de 15 anos, sobrinha de uns amigos dos meus pais. Eu cheguei a conhecê-la, brincámos algumas vezes no monte dos pais dela e daquilo que me recordava era uma criança meiga, simpática e completamente normal. Passados alguns anos dessas brincadeiras oiço o meu pai chegar a casa e dizer que tinha acontecido uma tragédia... a ... tinha sido encontrada morta. Deu um tiro na cabeça, tinha a arma do pai ao lado do corpo, estava completamente vestida de preto, e tinha deixado uma rosa vermelha e uma carta escrita. Foi um choque... e ainda hoje quando penso nisso, continua a ser. Veio-se a a saber (ou deduzir) depois, pela carta e pelas conversas das amigas, que ela terá sido influenciada pela morte de Kurt Cobain, o famoso vocalista dos Nirvana. Este tipo de fenónemo já está identificado e tem (supostamente) explicação - de pessoas que se deixam influenciar.
Enfim... acho que períodos de dúvida e sofrimento (físico ou espiritual) toda a gente tem na vida, e muito possivelmente às vezes pensa-se em terminar de forma rápida e definitiva com tudo isso, mas colocar essa ideia em prática é algo demasiado complexo e cujo comportamento exige que nos debrucemos com cuidado sobre ele.

Actualmente o suicídio é a 10.ª causa de morte no mundo (com cerca de 1 milhão de pessoas por ano). No entanto se falarmos de suicídio não-fatal (o indivíduo não chega a falecer) os números sobem para os 15 milhões de pessoas por ano (em média). De facto, quando se fala de Para-Suicídio (este é mais frequente nas mulheres e não tem intenção efectiva de cumprir o acto para morrer mas antes serve para chamar a atenção ou mudar comportamentos) e Tentativa de Suicídio (o indivíduo tenta intencionalmente a morte mas é impedido antes que isso aconteça) os número são bastante superiores.

As formas de encarar e até de realizar o acto de suicídio diferem consoante a religião, parte do mundo e até ao longo dos anos. Por exemplo, no Japão, o seppuku que os samurais exerciam era um acto respeitado que tinha como significado expiação de fracasso ou como forma de protesto. Há religiões em que a viúva se autoimula no funeral do marido. Há também os kamikazes ou atentados suicidas que desde o 11 de Setembro entraram (infelizmente) no nosso quotidiano de notícias mundiais. Não esqueçamos a controversa eutanásia e a ortotanásia. E ainda o suicídio em massa, normamente associado a seitas ou grupos religiosos.

Penso que a forma mais comum de suicídio será a automutilação (intoxicação, afogamento, auto-agressão, utilização de arma de fogo, etc), embora não tenha confirmação disso.

Não sei se já ouviram falar do Efeito de Wherter, faz referência a um livro de Goethe (séc. XVIII) em que a personagem principal é um jovem que sofre desventuras amorosas e não vendo outra saída práctica comete suicídio para acabar com o seu sofrimento. Este efeito é também chamado de efeito imitação pois naquela altura houve uma onda de suicídios entre jovens europeus que pelos vistos pensaram que a saída para os seus problemas era a mesma que Wherter tinha escolhido... Aqui se discute muito o grau de susceptibilidade de ser influenciado que cada pessoa tem. De que depende isso? É que esse é um factor muito importante na decisão de cometer ou não o suicídio. Sabem que há estudos que referem a existência de relação positiva entre a quantidade e nível de descrição das notícias nos media sobre suicídio e o número de suicídios ou tentativas? Não é por acaso que normamente os casos de suicídios não são abordados de forma muito aberta ou descritiva, porque há a consciência social de que isso impulsiona e incentiva algumas pessoas a fazê-lo também... especialmente se as notícias forem de pessoas famosas que colocaram termo à vida.

Mas o que leva alguém a terminar com a própria vida??!! Pode ser fruto de doença ou transtorno mental, abuso de drogas, pode até ser genético e pode simplesmente ser resultado de problemas a nível social. Uma coisa é certa, têm de existir um conjunto de factores que expliquem isso. Já há tempo que ando com esta ideia na cabeça e talvez agora, terminado o dos doentes com VIH/SIDA (foi a minha tese de mestrado....ufa!) em que identifiquei alguns factores de risco e factores protectores no seu tempo de sobrevivência, seja altura de começar a concretizar o estudo sobre o indivíduo suicida.

Sei que o post já vai extenso mas há dados importantes e que não quero deixar de referir. É incrível como o nível de vida das populações têm vindo a aumentar ao longo dos anos mas a taxa de suicídios cresceu 60% nos últimos 50 anos. Talvez porque o facto de termos "coisas" não significa que tenhamos felicidade... e a felicidade dependerá então do quê? De nós mesmos? Do meio em que vivemos? Da nossa cultura? Da etnia (sabiam que a taxa de suicídio entre hispânicos e africanos é das mais baixas no mundo)?...

O país com maior número absoluto de suicídios é a China (obviamente....dada a sua extensão territorial densamente habitada...), seguida da Índia e Japão. Por isto é que a nível mundial a Ásia apresenta o maior número aboluto de suicídios.
Na Europa, países como a Lituânia, Estónia, Rússia, Letónia e Hungria apresentam os maiores rácios de suicídio por 100 mil habitantes.
Em Portugal ocorrem actualmente cerca de 1200 casos por ano. A taxa de suicídio nacional é de 11,1 pessoas por 100 mil habitantes. Por sexo há uma grande disparidade. Os homens têm uma taxa de 17,1 e as mulheres de 5 suicídios por cada 100 mil habitantes, respectivamente. Os meios mais comuns são o enforcamento, arma de fogo (no caso dos homens)  e afogamento (no caso das mulheres). O país tem das taxas mais baixas de suicídio nos jovens masculinos dos 15 aos 24 anos e nas mulheres em geral. Portanto, o grupo mais crítico são os homens com mais idade (especialmente acima dos 50 anos).
O concelho de Odemira, no Baixo Alentejo (este com 24 suicídios por 100 mil habitantes), é um caso de estudo a nível mundial, especialmente a freguesia de Sabóia. O concelho apresenta (só...) a mais elevada taxa a nível mundial: 61 suicídios por 100 mil habitantes. Isto porque, dado o número de população residente (que como sabemos é bastante reduzido e talvez até seja um dos factores principais) há um número muito elevado de pessoas que se suicidam. Especialmente idosos do sexo masculino. O que provoca isto? O isolamento? O clima seco? O efeito-imitação? As cores melancólicas da região? Os genes? A cultura destas gentes?... O que é???

Como é que a região espanhola da Andaluzia, mesmo ao lado Baixo Alentejo, tem das taxas de suicídio mais reduzidas do mundo, e embora o clima seja muito semelhante apresentam um nível de alegria e felicidade incomparáveis? Têm vida e sentem ter razões suficientes para bater o pé no chão e fazer frente, cantar e dançar as sevilhanas, num espetáculo de cores, movimento e paixão. Porque é que alguns povos parecem ter mais alegria inata do que outros?

O que é que leva alguém a querer deixar de viver? E que decidido, faça para isso acontecer?

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Muito, muito interessante!


Estudo da Cinesia, Paralinguística, Proxémica e Morfologia/Morfopsicologia.

Alguém sabe o que são e para que servem estas coisas?!

Pois bem, assim "muito por alto" parece-me que:

Estudo da Cinesia - inserido na área da Cinésica trata-se do estudo da linguagem corporal, dos gestos e movimentos corporais, das expressões faciais, dos movimentos oculares e da postura enquanto representantes da mente e emoções do indivíduo. Estuda a comunicação não-verbal.
ex. ao falarmos de algo que estamos a tentar recordar, se o nosso olhar se direccionar para cima então a nossa memória é essenciamente visual, se se direccionar para o lado então será uma memória mais auditiva...

Paralinguística - estuda os aspectos não-verbais que acompanham a comunicação verbal, isto é, presta atenção à forma como se dizem as coisas (à voz, entoação, ritmo, pausas e afins), mais do que propriamente ao conteúdo das palavras utilizadas. Tenta apurar as emoçoes por detrás das palavras e do discurso.
ex. Se estiver a tentar afirmar algo em que não se acredite verdadeiramente é muito provável que se hesite e até que haja enganos nas palavras...

Proxémica - um conceito criado por um antropólogo, cujo estudo incide sobre o que o indivíduo faz do espaço enquanto produto cultural específico. Estuda o espaço/distância entre os indivíduos e como estes gerem o "seu" território.
ex. a distância dita "íntima" é de cerca de 45 cm. Isto quer dizer que se deixamos, por vontade própria, alguém aproximar-se esse perto de nós então é alguém em quem confiamos, de quem gostamos e com quem partilhamos intimidade...

Morfopsicologia - "O rosto diz quem somoS". Estuda as emoções, capacidades, tendências e personalidade do indivíduo de acordo com os seus traços fisionómicos, fruto de factores genéticos e da própria vivência do indivíduo.
ex. pessoas com a boca demasiadamente grande face às proporções do seu rosto são pessoas que gastam energia a mais, ou seja, são pessoas que têm tendência a dispersar-se e falam muito. Possivelmente não sabem guardar segredos...

Exemplos: http://gabinetedemorfopsicologia.blogspot.pt/

Não sabendo muito acerca destas coisas, interessam-me e sempre me interessaram muito. Porquê? Porque têm como objectivo conhecer as pessoas sem que elas precisem sequer falar (e se falarem não interessa o que dizem mas apenas como o dizem), apenas pela sua forma de ser e estar. Isso exige concentração e aceitação de quem está a analisar o outro. Gosto disso!
Penso que existem pessoas com talento natural para descodificar os outros mas também acredito que se tratam de um conjunto de técnicas que estão na sua maioria identificadas e portanto podem ser estudadas.
Obviamente que este tipo de conhecimento tem imensas aplicações mas talvez as mais conhecidas sejam a nível criminal no traçar de perfis psicológicos e a nível social, na caracterização de figuras públicas de diversas áreas.
E obviamente também que existirão pessoas com maior capacidade de dissimular e portanto confundir os outros. E há também que referir as cirurgias estéticas que, principalmente, no estudo da cinesia e morfopsicologia, podem invalidar algumas conclusões. 

Tenho um livro sobre morfopsicologia e já li bastante sobre os outros itens mas gostava de saber mais.
Sei que há uma série televisiva sobre estes temas ("Lie to me" - já estou a ver e é EXCELENTE!). Onde é que podemos estudar estas coisas? E livros/artigos sobre isto, recomendam? Se alguém souber avise!
E já agora deêm mais exemplos e opiniões também!!

domingo, 18 de setembro de 2011

Leituras - "Sputnik, Meu Amor"

de Haruki Murakami. 2002.

 "A 4 de Outubro de 1957, a União Soviética lançou, a partir do Centro Espacial de Baikonour, na República do Cazaquistão, o primeiro satélite artificial do mundo, o Sputnik I. Media 58 cm de diâmetro, pesava 83,6 kg e completou a órbita da Terra em 96 min e 12 segundos.
A 3 de Novembro do mesmo ano, o Sputnik II foi por sua vez lançado com êxito. A bordo seguia a cadela Laika, que se tornou a primeira criatura viva a sair da atmosfera da Terra, mas o satélite nunca foi recuperado, e Laika foi assim sacrificada em nome da pesquisa biológica no espaço". (in The Complete Chronicle of World History")

É interessante como o autor faz paralelismo entre coisas que à partida não parecem ter nada a ver. O livro trata de um triângulo amoroso em que K ama S, S ama M, e M anda perdida entre dois mundos. Trata de amizade, amor, relações homossexuais, existencialismo, realidade versus sonho, solidão, escrita e música clássica. Creio que muito resumidamente é isto.

Gostei porque mais uma vez H. Murakami consegue escrever de forma ondulante... o romance ora nos prende ora nos afasta mas quando nos afasta imediadamente recapta a nossa atenção. Gosto disso.

Mais uma vez aqui ficam as frases ou ideias que me ficaram, agora sim por sua vez, deste livro:

Primeiro que tudo o paralelismo. O satélite representa aqui o indivíduo. Lançado ao espaço (realidade) onde nada mais encontra do que escuridão (solidão) e o seu trajecto (vida) a ser bem-sucedido implica manter-se intacto e não se desintegrar ainda que tudo pareça forçá-lo a isso.
A história do cão sacrificado também tem um simbolismo. Antigamente na China as cidades estavam rodeadas por altas muralhas onde se abriam portas enormes e imponentes. As pessoas acreditavam que nelas residia a alma da cidade. Tal como na Europa medieval as gentes consideravam a catedral e a praça como o coração da cidade.
Aquelas portas (sagradas) eram criadas da seguinte forma: as pessoas iam de carroça até aos antigos campos de batalha e recolhiam as ossadas que por lá se encontrassem espalhadas ou enterradas. Depois construíam uma porta enorme à entrada da cidade e deixavam ficar todos aqueles ossos lá dentro. Esperavam dessa forma que os soldados mortos, honrando as suas almas, continuariam sempre a proteger a cidade. Além disso, após a contrução da porta eram também levados até lá cães vivos aos quais se lhes cortava a goela, aspergindo o portão com o sangue ainda morno. Estas gentes acreditavam que só essa mistura de sangue fresco e ossos ressequidos, como que por magia, daria vida às almas dos guerreiros mortos. Um ritual de baptismo mágico que fazia a ligação entre dois mundos.

"...enchi os pulmões de ar e mergulhei no mar da minha consciência... afastando as águas pesadas com a força das mãos fui até ao fundo e agarrei-me a uma pedra... a água fazia uma pressão enorme sobre os meus tímpanos...tentei a todo o custo resistir. Uma vez tomada a decisão, não foi assim tão difícil. Aclimatei-me aos repetidos sinais de caos - à pressão da água, à falta de ar, à escuridão gelada. O tempo invertera-se, andava para trás, desaparecia, reorganizava-se. O mundo expandiu-se infinitamente... Imagens nítidas passavam sem fazer barulho por corredores escuros, como medusas, almas à deriva. Evitei olhar para elas. Se desse sinal de tê-las reconhecido começariam de imediato a fazer sentido. O sentido estava ligado à temporalidade e esta obrigava-me a regressar à superfície das águas. Fechei a mente o mais possível, até a procissão acabar de passar."
Pergunto-me se será assim uma viagem à nossa mente? Um limiar de loucura que nos permita por breves momentos discernir um mínimo de coerência e verdade no total e aparente caos das coisas vividas e das coisas por descobrir.

"Não sou do género de odiar pessoas...
- Isso é porque não esperas nada de ninguém..."
Talvez isto seja verdade. Apenas sentimos ódio após expectativas desfeitas, durante um período de desilusão. Se nada esperarmos, se nada exigirmos e apenas aceitarmos... nunca nos iremos sentir inseguros, feridos ou odientos.

"Porque será que estamos condenados a ser assim tão solitários? Qual a razão de tudo isto? Há tanta, tanta gente neste mundo, todos à espera de qualquer coisa uns dos outros, e, contudo, irremediavelmente afastados. Porquê? Continuará a Terra a girar unicamente para alimentar a solidão dos homens?"
Sim, e talvez por isso mesmo. Porque estamos todos à espera de qualquer coisa uns dos outros...

"Que bom. Estamos ambos a olhar para a mesma Lua do mesmo mundo. Estamos ligados à realidade através do mesmo fio. Só preciso de o ir puxando devagarinho para mim." 

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Leituras - "Viagem ao Centro da Terra"

de Júlio Verne. 1864.

Este livro surpreendeu-me, pela positiva. Primeiro porque me veio parar às mãos um pouco por acaso (vi-o numa banca, achei barato e comprei... sem muito interesse), mal sabia eu que iria adorar lê-lo!  E depois voltou a surpreender-me quando vi o ano em que foi publicado pela primeira vez.... porque a linguagem utilizada no livro é tão actual que custa a crer que tenha sido escrito há quase 150 anos...
Quanto ao que trata e retrata acho que se pode afirmar que é ficção-científica. Científico é sem dúvida (tem imensas descrições e explicações de fenómenos físicos), se é ficção ou não é que chegamos a um ponto em que nos perguntamos se aquilo que estamos a ler será ou não um relato de uma aventura que de facto  aconteceu...
 Pelo que apurei a posteriori  a estória não é verídica mas bem podia ser tal não é o grau de descrição, e exactidão dos acontecimentos, dos dados geográficos e históricos a que recorre.
Gostei muito desta aventura que envolve o cientista Otto Lidenbrock, o seu sobrinho Axel e o fiel Hans nas profundezas da terra, onde descobrem um sub-mundo e assim esta ida ao interior da terra é um regressar às origens e às primeiras eras da vida no planeta.
Recomendo!

PS: Quantas línguas e dialectos existem no mundo? É só ler... e descobrir! E já agora qual é a diferença entre lingua e dialecto?

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Aos Bloguistas!

Eu roubei ao Luís (em http://egosciente.wordpress.com/) que roubou à tal de Mónica... que.... vai se lá saber agora onde é que foi buscar isto!! 
Resumindo: Ladrão que rouba ladrão tem cem (ou sem?!) anos de perdão!!!

Aos bloggers aqui vai uma piadinha. A brincar, a brincar...:

Leituras - "A insustentável leveza do ser"

de Milan Kundera. 1983.

Gostei imenso deste livro. Porque tem história (período da invasão russa na Checoslováquia), tem romance (acontecimentos e ligações entre homens e mulheres, que são amantes, marido e mulher, mãe e filha, filho e pai.... o peso da família naquilo que somos....), e nas entrelinhas tem bastantes reflexões sobre as coisas que se fazem, que se pensam...na vida.

Frases ou ideias que me ficaram deste livro:
Despidos de medos, vaidades, preconceitos e afins nada mais somos do que uma coisa incorpórea e intangível: a nossa essência.

"...as perguntas verdadeiramente importantes são as que uma criança pode formular - e apenas essas. Só as perguntas mais ingénuas são realmente importantes. São as interrogações para as quais não há resposta. Uma pergunta para a qual não há resposta é um obstáculo para lá do qual não se pode passar. Ou, por outras palavras: são precisamente as perguntas para as quais não há resposta que marcam os limites das possibilidades humanas e traçam as fronteiras da nossa existência."

"Todos nós temos necessidade de ser olhados. Podíamos ser divididos em quatro categorias consoante o tipo de olhar sob o qual desejamos viver." Há aquele que procura o olhar anónimo, do público, sem qual se sente vazio e perdido. Há aquele cuja sobrevivência implica o "olhar de uma multidão de olhos familiares", diz-se que serão mais felizes que os primeiros, porque é mais fácil conseguir o olhar e companhia dos que nos estão ou são mais próximos. A terceira categoria inclui os que precisam de "estar sempre sob o olhar do ser amado", o que por si é uma condição perigosa face à escuridão que enfrentam caso os olhos do ser amado se fechem. E por último há aqueles que "vivem sob os olhares imaginários de seres ausentes". São os sonhadores, que delineiam toda a sua vida com base nas expectativas que pensam que outros têm sobre si.

"Será sempre impossível determinar com um mínimo de segurança em que medida é que as nossas relações com outrem resultam dos nossos sentimentos, do nosso amor, do nosso desamor, da nossa benevolência ou do nosso ódio, e em que medida é que estão condicionadas pelas relações de forças existentes entre os indivíduos. A verdadeira bondade do homem só pode manifestar-se em toda a sua pureza e em toda a sua liberdade com aqueles que não representam força nenhuma. O verdadeiro teste moral da Humaninade são as relações com quem se encontra à sua mercê: isto é, com os animais" Este raciocínio é apresentado eqnauanto a personagem Tereza acaricia a cabeça de Karenine, o seu cão.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Aqui está ele! O gato Malandro

Este é o gato Malandro!! O tal que eu ia atropelando e sem pensar nas consequências meti dentro do carro. Bem... não só do carro... pois esta fofa, e por vezes arisca!, criatura acabou por entrar na minha casa, na minha rotina, na minha vida, e também na vida das pessoas que me são próximas. Se primeiro estranhei agora acho que "entranhei" porque já acho piada a tudo quanto este malandreco se lembra de fazer. Às vezes ralho com ele porque tem de ser, mas já lhe tenho tanto amor que nunca consigo ficar muito tempo sem lhe fazer uma festa  ;) :)
Isto de ter um animal de estimação tem muito que se lhe diga... Porque não obstante a alegria que trazem ao nosso dia-a-dia, dar-lhes aquilo que eles merecem - em termos de condições de vida e o tempo que lhes devemos dedicar - implica que pensemos a fundo se temos ou não possibilidade de concretizar essa decisão. Porque a partir do momento em que o animal entra na nossa casa e decidimos cuidar dele, então não podem haver limites ao tempo, à dedicação, e à paciência que o seu bem-estar exige. E não se devem esquecer também as despesas... porque se antigamente se davam aos animais os restos da nossa comida e veterinários ou vacinas nem vê-los, hoje em dia não é bem assim e somos quase levados a crer que se não lhes comprarmos a melhor ração, etc, não os estamos a tratar bem. Tem de haver ponderação nestes aspectos para tomar a melhor decisão. E a melhor decisão penso que é ficar com o animal tendo a certeza ou pelo menos a vontade verdadeira de lhe proporcionar o melhor possível em todos os aspectos, principalmente no amor que lhes damos.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Miau! Encontrei um gato...

Ou melhor... ia atropelando um gato! Um gatinho. Uma coisinha preta com a barriga branca que ao longe parecia apenas um pedaço de borracha ou um saco de plástico ou qualquer uma dessas coisas que as pessoas às vezes atiram para a rua. Foi perto do estádio de futebol, entre um e o outro lado da mata. Ia-lhe passando por cima não fosse o bicho mexer-se e olhar mesmo na minha direcção. Parei logo o carro. Saí, peguei no bichinho que entretanto já estava à beira da estrada e perguntei a quem passava se lhes pertencia. Nada, niente... Presumo que tenha sido abandonado. Com o carro no meio da estrada procurei ali por perto por gatos e gatinhos mas nada.... e o que é que eu faço agora!?!?! Bolas... não o consegui deixar ali. Meti-o no carro e lá está ele hoje na minha cozinha, na sua nova alcofa, brinquedos variados, caixa com areia, água fresca e ração.... Onde é que me fui meter?!

Gosto de gatos no sentido de apreciá-los. Acho que são animais belos pela sua agilidade, astúcia, leveza, pelo seu olhar... felino! Mas (MAS...MAS....MAS...) sinceramente nunca tinha pensado ter um. Até porque tenho um certo medo (injustificado é certo!!) deles. Das suas garras e daqueles dentes afiados. Fico um bocadinho retraída se é que me entendem.... E agora aqui estou eu... uma miúda que sofre de "Ailurofobia" (fiquei agora a saber este palavrão - significa medo irracional de gatos) que adoptou um gato.... Oh my God! O que me havia de acontecer.
Já foi ao veterinário e está confirmado: é um macho, não tem raça definida e... é arisco! Mesmo muito muito malandro!

Tive a ler alguns artigos, todos falam do efeito benéfico anti-stress que um gato pode ter na vida de uma pessoa... pois no meu caso ando num estado de nervos que nem vos conto. Até porque a todo o momento me assaltam dúvidas sobre como cuidar dele e ensiná-lo, como conviver com ele na mesma casa, como perceber o que fazer.... Enfim, tenho de admitir que não sei nada sobre cuidar de animais e a única arma que tenho para fazê-lo é tratar o animal com o todo o amor possível. Será que vou conseguir? Pode ser que nos entendamos. Eu a ele e ele a mim. Vamos ver como correm os próximos dias. Uma coisa é certa.... tem um focinho e uns olhinhos tão fofos que é impossível não lhe responder sempre que ele chama, dar-lhe o colinho que ele adora e muitas festinhas. Sempre com cuidado.

Ainda não tem nome mas talvez venha a ser..... MALANDRO! Nos dias bons pode ser que seja malandrinho. :)))

Assim que consiga coloco aqui uma foto da fera!

ADENDA: O Malandro manda agradecer publicamente ao baby-sitter que corajosamente ficou com ele na primeira noite e nos dois dias seguintes. :) Diz que foi tratado com muito carinho e que isso lhe tirou o medo e a angústia que trazia da rua. Foram momentos decisivos para ganhar confiança e começar a acreditar que estava tudo bem... e a brincar que nem um doido! Também lhe agradece ter tido parte na escolha do seu nome (que de qualquer forma ele não liga nenhuma por orgulho mas gosta de tê-lo...). :) Obrigado! Miaaau!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Mistérios de Lisboa


Já terminei de ver o filme que é realmente uma longa (muito longa mesmo!) metragem (4h26m), com base no "trágico e intemporal" romance de Camilo Castelo Branco (1854). Gostei, acho que vale a pena pela estória intrincada e principalmente por conseguirmos ter percepção de como eram as coisas naquele tempo, para os ditos nobres. As conversas, os interesses, os saraus, os duelos, as relações, as roupas e a própria maneira das coisas acontecerem.

Frase que me ficou do filme quase a terminar:
"Descobre-se depressa que não é difícil desaparecer aos olhos dos outros, mas os nossos próprios olhos seguem-nos por todo o lado".

Dá que pensar. Podemos fugir dos outros mas nunca de nós próprios e às vezes nós representamos para nós mesmos os nossos maiores perseguidores e os nossos maiores medos. Há enfim que aceitar isso e enfrentá-lo.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Ta excelente! Adorei!

(recebi isto por mail e não resisti a colocar aqui. Ah....e passo a publicidade para as marcas que são referidas!! :))

Um sujeito está numa entrevista para emprego. O psicólogo dirige-se ao candidato e diz:
- Vou fazer-lhe o teste final para a sua admissão.
- Perfeito! - diz o candidato.
 O psicólogo pergunta:
- Você está numa estrada escura e vê ao longe dois faróis emparelhados a virem na sua direcção. O que acha que é?
- Um carro. - diz o candidato.
 - Um carro é muito vago. Que tipo de carro? Um BMW, um Audi, um Volkswagen?
- Não dá para saber, não é?
 - Hum... - diz o psicólogo, que continua - Vou fazer-lhe outra pergunta: Você está na mesma estrada escura e vê só um farol a vir na sua direcção. O que é?
- Uma mota - diz o candidato.
- Sim, mas que tipo de mota? Uma Yamaha, uma Honda, uma Suzuki?
- Sei lá, numa estrada escura, não dá para saber... (já meio nervoso)
 - Hum..., diz o psicólogo. Aqui vai a última pergunta:
- Na mesma estrada escura você vê novamente um só farol, menor que o anterior, e você apercebe-se que vem mais lento. O que é?
 - Uma bicicleta.
 - Sim, mas que tipo de bicicleta? BTT, estrada, passeio...?
 - Não sei.
- Lamento, mas reprovou no teste! - diz o psicólogo.

Aí o candidato dirige-se ao psicólogo e fala:
- Interessante esse teste. Posso fazer-lhe uma pergunta também?
 - Claro que pode. Pergunte.
-Você está à noite numa rua iluminada.Vê uma mulher com maquilhagem carregada, vestidinho vermelho bem curto, a girar uma bolsinha... o que é?
 - Ah! - diz o psicólogo - é uma puta.
 - Sim, mas que puta? A sua irmã? A sua mulher? Ou a puta que o pariu?

Ora toma lá!! :D

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Strauss-Kahn - armadilha?!

(Desconheço o autor e a fonte original deste desenho pelo que não posso referi-lo aqui como deveria. Se alguem souber, por favor avise-me.)

Dominique Strauss-Kahn (DSK) foi, no passado dia 14 de Maio, preso e acusado de tentativa de violação, sequestro e abusos sexuais (agressão sexual) a uma empregada de hotel em Nova Iorque, nos EUA.
Um caso que dava um filme, e parece-me que bem empolgante! Porque não obstante aquilo que realmente aconteceu surgem agora discussões sobre se terá sido ou não uma armadilha...

Pontos a desfavor desta teoria:
- Alegada vítima (mulher de origem senegalesa) é tida como uma empregada exemplar, uma "mulher recatada e uma muçulmana devota";
- DSK parece ser conhecido entre os amigos e conhecidos como um predador sexual, com especial gosto por mulheres negras;
- Episódios de infidelidade são publicamente conhecidos;
- Foram encontrados e confirmados vestígios de ADN de DSK na roupa da vítima.

Pontos a favor da teoria (da conspiração):
- Não era suposto a empregada entrar no quarto de hotel para efectuar a limpeza se este não estivesse vazio;
- Se DSK sabia ter cometido um crime e estando em território americano sabia também que se fosse apanhado não poderia vir a ser extraditado, porque é que não teve problemas em ligar para o hotel antes do avião com rumo a Paris partir do aeroporto JF Kennedy para pedir que lhe levassem o telemóvel de que se tinha esquecido no hotel, dando-lhes assim indicação do seu paradeiro?; 
- Americanos com interesse em afastar DSK da direcção do Fundo Monetário Internacional (FMI);
- Franceses com interesse em afastar DSK das próximas eleições presidenciais em 2012, às quais consta que poderia vir a ser um forte candidato pelo Partido Socialista;
- Notícia da detenção de DSK foi publicada no twitter de um membro do partido de Sarkozy uma hora antes de ser publicada nos meios de comunicação social;
- DSK terá dito há pouco tempo que sabia que quereriam eliminá-lo da corrida às presidenciais, nem que para isso "pagassem 1 milhão de dólares a uma mulher para esta dizer que ele a violou".

Entretanto DSK já pediu a demissão de director-geral do FMI. Foi aceite.
A defesa vai agora alegar que se tratou de sexo consentido, e até ao julgamento e decisão final DSK está a viver luxuosamente, em regime de prisão domiciliária, no TriBeCa.

Qual a vossa opinião deste caso?

Eu acho que o senhor não é propriamente um anjinho e muito provavelmente é mesmo um "predador" sexual. (Mas) E muito provavelmente também praticou sexo consentido com a tal mulher. Não acho que seja impossível ou pouco provável simular um caso de agressão sexual com base em vestígios que tenham sido adquiridos via consensual.

Quem é que agora sabe ao certo o que aconteceu se não eles os dois?

ah.....e parece-me haver aqui uma outra coisa também a investigar!! este caso tem demasiadas siglas e acrónimos!!! DSK, EUA, JFK, FMI, TriBeCa.... hummmmmmmmmmm

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Biutiful

"Biutiful is a love story between a father and his children. This is the journey of Uxbal, a conflicted man who struggles to reconcile fatherhood, love, spirituality, crime, guilt and mortality amidst the dangerous underworld of modern Barcelona.  His livelihood is earned out of bounds, his sacrifices for his children know no bounds.   Like life itself, this is a circular tale that ends where it begins.  As fate encircles him and thresholds are crossed,  a dim, redemptive road  brightens,  illuminating the inheritances bestowed from father to child, and the paternal guiding hand that navigates life’s corridors, whether bright, bad – or biutiful."
http://www.biutiful-themovie.com/

"... He must deal with his loving but unreliable, reckless, and bipolar wife (from whom he is separated and who poses a threat to the safety of their children), and a large group of illegal immigrants for whom he obtains material so that they may not be deported. In the middle of all of this, he is diagnosed with terminal cancer, which he tries to hide from his two children."
http://en.wikipedia.org/wiki/Biutiful

Biutiful... está beautiful! Mas não de uma beleza das coisas ditas bonitinhas, e sim de uma beleza quase cruel de tão real e chocante. É um filme de 2010 do realizador mexicano Alejandro González Iñárritu (que realizou também o famoso Babel - 2006).
Para além de extenso tem um ENORME peso dramático, mas é um filme que recomendo para quem gosta de ver coisas que podem custar de ver para quem não convive com elas de perto (e até para quem convive!) mas que são coisas reais, palpáveis e são a vida de muitas pessoas. Fez-me lembrar filmes como "Cidade de Deus", que no caso retrata a vida de miséria, crime e violência nas favelas brasileiras. Biutiful fala do underground de Barcelona. Retrata esta cidade mas podia ser qualquer outra grande cidade europeia ou americana porque os meandros são os mesmos.
A enorme quantidade de imigrantes ilegais que vivem em condições miseráveis, a sua exploração, os subúrbios que os turistas não vêem, o mercado negro e as relações de corrupção com a polícia, o dia-a-dia como uma luta árdua e constante, e num constante alerta... mas ainda assim sempre com um mínimo de esperança que as coisas melhorem. O filme fala também da bondade e amor quando tudo parece desmoronar-se em volta. E da inevitabilidade da morte....e fala de tantas coisas diferentes que se cruzam.... que só mesmo vendo... e mais uma vez refiro: recomendo!
A interpretação de Javier Bardem é magnífica.

Quando estive em Barcelona há alguns anos atrás lembro-me dos negros a vender malas e óculos de sol nas ruas perto das ramblas, lembro-me de vê-los a arrumar tudo num ápice e a fugir com a trouxa às costas assim que a polícia apareceu. Assisti a um cena muito semelhante à que aparece no filme, mas com menos violência.
Num dos dias em que lá estivémos apeteceu-nos caminhar um pouco mais. Percorremos as ramblas, entrámos no bairro gótico, avançámos até à zona do born e continuámos a caminhar.... é incrível como de repente o ambiente muda e parecemos estar noutra localidade. Fomos ter a um bairro que nunca fiquei a saber o nome, mas isso também não me interessava, o que recordo é que aqui as personagens eram diferentes... de diferentes etnias e todos com cara de poucos amigos, cara de revoltados e a olhar para nós directamente como quem avisa que não há problema nenhum em haver problemas... pareciam perguntar-nos "o que é que vocês estão aqui a fazer?!?" Começámos a perceber isso mas não querendo fugir apressámos o passo e voltámos em sentido contrário. Que alívio chegar novamente ao território overground. Para quem não vive nos subúrbios não convém muito, como devem imaginar, aparecer por lá com tiques de turista e máquinas fotográficas ao pescoço. Porque aquelas pessoas estão desesperadas e não têm medo de nada... porque na verdade também não têm nada a perder.

Vejam o filme.

sábado, 28 de maio de 2011

If I Should Fall Behind

Vista a caminho do castelo - Mértola - Portugal 2011

Esta foto foi tirada no sábado em Mértola, e a serenidade a que as suas cores me inspiram transporta-me até uma música de que não me lembrava nem ouvia há imenso tempo e que agora, curiosa e aparentemente vinda do nada, voltou a aparecer na minha cabeça. Costumava cantá-la vezes sem fim quando comprei o cd. É uma das músicas que fiquei a conhecer a partir de um álbum de Bruce Springsteen - Lucky Town - (1992), e para além da melodia que é super calma, tem, e isso é o que mais gosto nela, uma letra lindíssima.... lindíssima, tal como o céu neste fim de tarde da fotografia. E o candeeiro aceso tem qualquer coisa de romântico!
A letra fala de um sentimento de segurança, paciência, amor.... um "be there no matter what".

"We said we'd walk together baby come what may
That come the twilight should we lose our way
If as we're walkin a hand should slip free
I'll wait for you
And should I fall behind
Wait for me
We swore we'd travel darlin' side by side
We'd help each other stay in stride
But each lover's steps fall so differently
But I'll wait for you
And if I should fall behind
Wait for me
Now everyone dreams of a love lasting and true
But you and I know what this world can do
So let's make our steps clear that the other may see
And I'll wait for you
If I should fall behind
Wait for me
Now there's a beautiful river in the valley ahead
There 'neath the oak's bough soon we will be wed
Should we lose each other in the shadow of the evening trees
I'll wait for you
And should I fall behind
Wait for me
Darlin' I'll wait for you
Should I fall behind
Wait for me"
video

quinta-feira, 26 de maio de 2011

6.º Festival Islâmico - Mértola



(Estátua equestre de Abu al-Qasim Ahmad ibn al-Husayn ibn Qasi - sufi em tempos governador de Mértola)

(A igreja matriz, antiga mesquita, considerada Monumento Nacional)
Mértola - Portugal 2011
Aqui fica um cheirinho da minha perspectiva do Festival Islâmico. Gostei muito, este ano, ao contrário de há 2 anos atrás não apanhámos nenhuma valente molha (coisa que hoje recordada até é bastante engraçada....:)), o tempo esteve excelente e foi bom ver tanta gente, tanta animação, muita oferta não apenas de bujiganguisses (que eu ADORO!!! ver....e às vezes comprar) mas também de comidas, chás, e outros produtos, acho que esteve muito bom em termos de variedade num ambiente em que quase tudo é diferente... é um banho de cor e de cheiros. A única coisa que lhe aponto é mesmo a falta de espaço porque as bancas estão distribuídas ao longo das ruas estreitas da vila e com tanta afluência de pessoas houve ali momentos de "engarrafamento", coisa que quando se trata de multidões pode ser perigoso. Mas por outro lado, o facto de estar nessas ditas ruas é também o que dá um carisma especial a este evento pois é diferente e não se trata de mais uma daquelas feiras em que entramos para um pavilhão ou percorremos não sei quantos m2 de terra batita a que damos a voltinha de reconhecimento e já está. Eu gosto mais assim, mais pessoas, mais reboliço e mais confusão de trapos e afins.
Um passeio que vale muito a pena. 
Outra coisa que para quem sabe vale também muito a pena é comprar aquelas chanatas de enfiar no dedo... várias cores, e mais não digo!! :D:D our little secret! e também não vou estar aqui a contar tudo pela 25.ª vez... :)

terça-feira, 24 de maio de 2011

A cantar de voz quebrada


Tradição - Mértola - Portugal 2011

Das inúmeras modas alentejanas há uma que sempre me fica no ouvido desde há anos, e de vez em quando dou comigo a cantá-la cá dentro como música de fundo que mais ninguém está a ouvir senão eu, e em algumas dessas vezes vou-lhe também alterando o ritmo e acrescentando rimas sobre coisas que me digam algo na altura...tudo e mais qualquer coisa! Como uma espécie de catarse.


"Eu ouvi um passarinho
às quatro da madrugada,
Cantando lindas cantigas
à porta da sua amada.

Ao ouvir cantar tão bem
a sua amada chorou.
Às quatro da madrugada
o passarinho cantou.

Alentejo quando canta,
vê quebrada a solidão;
traz a alma na garganta
e o sonho no coração.

Alentejo, terra rasa,
toda coberta de pão;
a sua espiga doirada
lembra mãos em oração."

...há pouco na televisão
discursos e mais sondagens
pouco me diz do que falam
suas palavras e imagens...

Considero uma autêntica vergonha no nosso país não a situação de crise em que estamos porque muito provavelmente, face à crise a nível internacional, qualquer que tivesse sido o partido político no poder não teria de qualquer forma conseguido evitar este momento (porque Portugal não tem poder comercial, económico nem financeiro a nível mundial), mas sim a falta de valor e de valores nos nossos políticos, que ao fim ao cabo são ou deveriam ser a representação do povo portugûes na gestão do país. Não os consigo ouvir nem ver mais do que meros minutos, e tenho pena que não exista um único que pelo menos parecesse.... honesto e cujas intenções fossem só e apenas o bem do país.


Claro que que diz que criticar é fácil tem razão, mas não esqueçamos que cada um no seu cantinho, cada um na sua profissão. A mim pagam-me para fazer o que faço, a eles também. E quem lhes paga... somos nós. Se lá estão, seja por vontade/aptidão ou até por obrigação tanto me faz, desde que trabalhem bem.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

"O preço da Borrega"

Já alguém leu? "O Preço da Borrega" de A.M. Galopim de Carvalho?

Se não leram aconselho a fazerem-no. Retrata a vida no Alentejo - puro mundo rural - nos anos 40 e 50 do século passado, utilizando termos muito próprios. Fala do trabalho na terra, da relação entre empregados e patrões. Fala dos costumes e tradições, das crenças. O peso que a igreja tinha na vida das pessoas e como conduzia a vida das famílias. Das festas de aldeia e do orgulho das casas caiadas. Do saber no fazer do queijo, dos doces e marmeladas. Nos gaspachos e nas migas... Nos presuntos e chouriços... Na pobreza das gentes mas na sua humildade, honestidade e gosto pelo asseio. Na "venda" que era simultaneamente taberna, loja, mercearia, talho...e local de convívio dos homens. Onde ao ritmo dos copinhos de vinho e bagaço e dos jogos de sueca se afogavam mágoas e tristezas.


Mas o que eu nunca tinha ouvido falar era no preço da borrega. Sabem o que era? Nas famílias muito pobres havia casos em que a mãe vendia a virgindade das filhas a senhores ricos ou filhos destes por cerca de 15 contos... Nesta estória uma rapariga engravida do patrão. Apaixonou-se por ele e chegou a acreditar que este também a amava. A partir daí a vida dela está marcada. É o medo e desespero de contar à família, o decidir se faz ou não um aborto, o receio de ser mal falada, colocada à parte na sua aldeia, o ser gozada... e ser esconjurada...o estar amaldiçoada para o resto da vida! Pois é.... mas o que ela não estava à espera era de que quando finalmente arranja coragem para contar à mãe percebe pela reacção que esta tem que afinal não lhe está a dar nenhuma novidade. Tudo havia sido arranjado. E a solução? A que o patrão e mãe lhe arranjam não é bem aquilo que ela estava à espera. E por isso decide tomar uma atitude. Descubram qual ao ler o livro.

domingo, 3 de abril de 2011

Martina Topley Bird



UAU!!! Que voz fantástica.
Foi por acaso que na passada 6.ª feira, dia 1, fui assistir ao concerto desta cantora britânica, em Beja (a propósito..... obrigada Mary ;)!!!!). Não sabia quem era a artista, fui com aquela atitude de "se não gostar venho-me logo embora" mas fui apanhada de surpresa!
Começa o espetáculo... em palco duas pessoas e uma série de instrumentos. Ela, não percebi logo se branca se negra, cabelo afro mas loiro, de sweat azul bebé e saia roxa bailarina, calças justas e saltos altos. Ele vestido de ninja, negro. Logo aqui gostei deles... qualquer coisa naquele aspecto meio nonsense e descontraído adivinhava que este concerto ia ser diferente. E foi muito especial.
Quando ela começou a cantar percebi que podia estar vestida de Armani ou Valentino,não interessava, podia até trazer um traje tribal, podia até mesmo estar nua... o timbre de voz dela transporta-nos para bem longe daquele patamar em que se perde tempo a fazer juízos sobre a aparência de alguém.
A voz é angelical, maravilhosa. As músicas são bonitas, têm o tal je ne sais quoi...
Aqui coloquei uma música que obviamente não conhecia antes mas entrou logo no ouvido: Lying. Encontrei este vídeo que de certa forma foi o mais aproximado ao que assisti e como era isso que queria transmitir aqui está ele!

Muito bom. Oiçam e deixem-se levar!

quinta-feira, 31 de março de 2011

mais uns versos...

Para não fazeres ofensas e teres dias felizes, não digas tudo o que pensas, mas pensa tudo o que dizes.

Entre leigos ou letrados, fala só de vez em quando, que nós, às vezes, calados, dizemos mais que falando.

Nada direi, mas, enfim,vou ter a grande alegria de a Arte dizer por mim tudo quanto eu vos diria.

A arte em nós se revela sempre de forma diferente: cai no papel ou na tela conforme o artista sente.

do poeta António Aleixo

Quem sabe se não será este o fds que volto às minhas pinturas e afins... Quem sabe... ando a sentir essa vontade novamente após tão longo período de ausência.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Transição


Caída no chão - Mina - Portugal 2011

Antoine Laurent de Lavoisier, químico francês do século XVIII, descobriu, entre outras coisas, a lei da conservação da massa. Segundo essa lei num sistema químico completamente fechado e em reacção a massa total permanece constante. No seu Tratado Elementar de Química defende que em todas as operações naturais ou experimentais nada se cria. Uma quantidade igual de máteria existe antes e depois do experimento. A qualidade e quantidade dos elementos permanecem as mesmas. Daqui se criou depois a famosa frase "Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma".

Esta tangerina caiu no chão, está a apodecer e assim a transformar-se para novamente alimentar a terra que um dia a fará novamente brotar da árvore.

Penso que inerente a este pensamento está que existe um ciclo de vida que se cumpre continuamente, de forma perfeita.

Por um lado é reconfortante pensar assim, que as coisas apenas mudam de forma mas nunca o seu propósito ou a sua verdadeira essência ou conteúdo, e assim se assegura a sua continuidade, mas por outro lado isso indica também que de alguma forma todas as coisas estão, para além de intimamente ligadas, limitadas.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Estorvo, de Chico Buarque

Terminei a leitura deste que foi o 1.º romance (data de 1991) escrito pelo compositor, músico, dramaturgo e escritor brasileiro Chico Buarque há relativamente pouco tempo. Tenho andado a tentar arranjar palavras para descrever o que achei deste livro e da estória, mas não consegui encontra-las porque agora sim me apercebi que o livro não contém popriamente uma estória da qual se possa falar (!), divagar ou simplesmente comentar. Engraçado por vezes queremos tanto falar de algo e parecemos não conseguir encontrar as palavras para fazê-lo... talvez aí devêssemos aceitar que não há nada para ser falado! Mas eu sou teimosa na 5.ª quinta casa e como tal não descansei enquanto não arranjei umas quantas palavritas sobre o assunto.
Acabei de ler a última frase no livro... e... e... e?!?!! e o quê?!.... pois foi assim que fiquei... como que à toa, porque não encontrei sentido no que li. E que zanga que isto me dá! Porque não gosto de sentir que perdi tempo a fazer algo que não me ensinou ou acrescentou qualquer coisa!!... Tenho portanto andado às turras com este livro. Tem sido um autêntico estorvo na minha cabeça! Mas isto não fica assim.... e portanto aqui vai a minha interpretação do que li:
O livro está escrito na primeira pessoa. Esta personagem, um homem não muito jovem mas também não é velho, desempregado, desorientado, sozinho, alienado, assombrado, atormentado, com raros momentos de reflexão lúcida, perdido algures entre o sonho e o real, entre os seus pensamentos e os acontecimentos, portanto um ser que vive intensamente a solidão, sente-se como um estorvo para a sua abastada e desestruturada família, vive entre o não ter nada que comer e as festas sumptuosas e luxuriantes na casa da irmã, tenta regressar às suas origens à casa da família no campo mas aí nada encontra senão o inesperado do abandono e da criminalidade. Este homem anda perdido em si. Não tem objectivos e arrasta-se entre um acontecimento e outro. O que somos nós sem o amor à, e, da família, amigos, companheiro/a, trabalho, objectivos? Somos nada, mas uns nadas que andam por aí a roubar ar aos outros que vivem de verdade. Creio que este homem se sentia assim. Um qualquer mais consciente ter-se-ia apercebido do sem-sentido da sua vida e teria tomado uma decisão. Mas este homem não.
Uma frase que ficou:
"Vejo a multidão fechando todos os meus caminhos, mas a realidade é que sou eu o incômodo no caminho da multidão."
Outra coisa que valeu a pena.... o ler a escrita brasileira, acho divertidos termos como o orelhão para a cabine telefónica, a chácara para a propriedade rural (casa de campo), o ônibus para o autocarro... e outras que aqui irei acrescentando à medida que me vá delas lembrando...

terça-feira, 8 de março de 2011

Boss AC



Boss AC esteve em Beja no Teatro Pax Julia no passado dia 5. Conhecia algumas músicas como acho que quase toda a malta das minhas idades também conhece mas saí do concerto super fã. Primeiro porque foi diferente do que seria expectável de um artista de rap e hip hop, foi um concerto acústico, e por outro lado o Boss AC transmite mesmo muito "boa vibe". Falou imenso com o público, contextualizou as músicas, falou de si e das letras, sempre com muito boa onda, toda a gente estava mesmo a curtir aquele momento, houve pessoal a ir cantar no palco com eles, e até houve direito a uns sons cabo-verdianos que puseram todos a dançar. Muito bom. Se tiverem oportunidade para ir ver um concerto dele vão porque vale a pena.

segunda-feira, 7 de março de 2011

O Cisne Negro (Black Swan)

O que dizer sobre este filme?

Tinha uma enorme expectativa e aquilo que me ficou do filme foi ter levado as quase duas horas que este durou contorcendo-me à espera que alguma coisa melhorasse. Por alguma razão senti muito ou deixei-me envolver na psicose da personagem principal.
É um filme triste, angustiante, desesperante. Não gostei da sensação com que fiquei quando acabei de vê-lo. Mostra-nos uma realidade que talvez não esteja muito difundida acerca da vida de um bailarino e da vida nas companhias de bailado.
A pressão que por vezes impomos a nós próprios pode levar-nos à auto-destruição. A busca da perfeição, as lutas interiores entre o que se é e o que se mostra, entre o que se quer e o que se pode ser, e a insegurança que isso gera, desviam-nos de uma vida saudável e portanto só pode acabar em doença e infelicidade. E no final pergunto-me: de que vale ser perfeito se não se é feliz?
Da actriz acho realmente que é fenomenal. O conseguir transmitir tão bem sentimentos e estados de alma completamente opostos, e ainda a exigência a nível físico que o papel teve são de se lhe tirar o chapéu, sem dúvida.

(imagem retirada da net)


E algo que eu (incultamente!!!) ainda não sabia: a história do Lago dos Cisnes.

Com música de Tchaikovsky este ballet estreou em 1895 em São Petersburgo e foi.... um fracasso!! Não se adivinharia naquela altura o sucesso e a imortalidade que a obra alcançou.
A história é a de um príncipe, Siegfried, que se apaixona por uma princesa, Odette, enfeitiçada. Odette vive num lago criado pelas lágrimas da sua mãe e o seu feitiço faz com que seja um cisne branco, assumindo apenas por alguns instantes da noite a forma humana. O feitiço só será quebrado se um jovem puro lhe jurar fidelidade e desposá-la.
Na noite do 21.º aniversário do principe a Rainha pede-lhe que escolha de entre as 6 princesas que seleccionou para ele. Ele não escolhe nenhuma. Entretanto, já no final da festa surge Odile acompanhada de um barão, Rothbart. Odile é em tudo semelhante a Odette, e o príncipe, seduzido e acreditando que se trata da sua amada, não hesita e anuncia que é com aquela mulher que ele deseja casar. Após este anúncio Odile e Rothbart revelam-se feiticeiros e o príncipe corre para o lago. Aí encontra Odette que lhe explica que pretende suicidar-se nessa mesma noite pois prefere morrer a cumprir eternamente o seu feitiço. Decidem atirar-se os dois ao lago e na morte encontram a sua união e amor.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

X Feira do Queijo Alentejano em Serpa


Serpa - Portugal 2011
Não foi uma grande feira no que respeita à sua dimensão mas queijos e enchidos não faltaram e sempre dá para espairecer e passear um pouco. E além disso compram-se bons produtos a bom preço.
No geral penso que são sempre de louvar este tipo de iniciativas na região. Acontecimentos e eventos que quebrem a pasmaceira que parece abater-se por estas bandas especialmente ao fim-de-semana são uma lufada de ar fresco. E como ainda por cima esteve um tempo maravilhoso, cheio de sol, foi ainda melhor!
O nome da feira é que não precisava ser tão limitativo...."queijo alentejano".... até porque estavam lá também, e muito bem, produtos de outras regiões. Mais, quanto ao artesanato achei que estava fraco.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Porque é que...

... a vida nem sempre nos dá o que queremos? Talvez porque o que queremos nem sempre é o melhor ou o mais certo para nós.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Estrela do mar

Quem me dera ser agora uma estrela do mar. Fechar os olhos e deixar-me levar pelo seu embalo aonde quer que ele me levasse. Nem me importa isso. Importa apenas seguir um rumo, seja ele qual for. Quem me dera poder alcançar sempre que desejasse a harmonia que existe nas notas do piano que toca nesta melodia que vos trago. Esta música é especial. E tem qualquer coisa que me acalma imenso porque fecho os olhos e me sinto transportar para perto da beleza das coisas, seja ela como for. Não importa. Importa apenas que ela lá esteja. E nesta música está.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Vi e gostei!


Não se trata de um filme propriamente recente... é de 2004, mas isso não lhe retira qualquer interesse. Conta a vida do pintor italiano Modigliani (1884-1920), retrata a sua maneira apaixonada (e apaixonante...) de ser, as loucuras, os vícios (drogas e álcool), a pobreza extrema em que viveu em criança e adulto. Fala muito sobre uma suposta disputa entre Modigliani e Picasso... que não era bem uma disputa. Era mais um medo do fracasso, como aliás acho que toda a gente sente quando se trata de comparar o que cada um fez e deixar isso à avaliação dos outros. Ao fim ao cabo podemos concluir que a rivalidade que sentiam um pelo outro ajudou ambos porque lhes aguçou e aperfeiçoou a arte.
O filme aborda também a relação e um amor obssessivo da sua mulher (Jeanne) para com Modi (como lhe chamava). Era uma paixão de tal forma "negra" que quando ele morreu (de Tuberculose agravada pelo alcoolismo e más condições de vida), ela suicidou-se no dia seguinte, estava grávida de 9 meses.
Adorei a personalidade de Modigliani (se é que ele seria mesmo assim)... um pouco louco, explosivo, charmoso (esta parte pode em muito ter a ver com o actor.... Andy Garcia!), inóspito, mas com uma enorme sensibilidade perante as coisas mais mínimas. É engraçado sem ter graça nenhuma que infelizmente estas pessoas ditas "especiais", com uma sensibilidade fora do comum, normalmente são pessoas infelizes e têm um lado negro muito vincado. Talvez porque a sua mente vive atormentada entre dois mundos... É assim que vejo e acho que são os grandes artistas, qualquer que seja a sua área. Por um lado abençoados, por outro amaldiçoados.
"Pintarei os teus olhos quando conhecer a tua alma." diz Modigliani a Jeanne...

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Algures no deserto... Beja sem comboios

Não sou utilizadora frequente do transporte ferroviário e das poucas vezes que o utilizei (em idas a Lisboa) sempre me senti limitada pelos horários disponíveis.
Muito francamente entendo a perspectiva de uma empresa que, visando reduzir custos e manter-se "viva" no mercado, considera encerrar linhas de produção que dão prejuízo. Entendo isso no caso de empresas NÃO públicas que não têm a obrigação de satisfazer necessidades públicas. Quando se fala em bem público a conversa já é outra e não me venham cá falar em redução de custos à custa dos direitos dos cidadãos. As empresas públicas de transporte colectivo são tal como a própria designação induz controladas pelo Estado, que somos todos nós, e existem para satisfazer as nossas necessidades, quer vivamos num atafulhado centro urbano quer vivamos algures no meio do deserto. A verdade é que fazemos todos parte do mesmo país e o Alentejo não pode continuar a ser fustigado e desprezado como sempre.
A CP não pode simplesmente alegar o reduzido número de passageiros da região como justificação para a não modernização das linhas e comboios, a não electrificação da linha, e redução de oferta de serviços. Porque a empresa também nunca teve uma atitude activa na captação de clientes. As coisas sempre foram feitas como se se estivesse a fazer um grande favor à população. Aquilo que está agora a acontecer e que se vai agravar, não apenas no sector dos transportes mas noutros, é o pagamento por tantos e tantos anos de "deixa andar", fazer as coisas por fazer, de não ter visão e uma atitude proactiva... de muita gente pretender apenas encher os bolsos de forma rápida. Infelizmente há um conceito que tem vindo a ser esquecido: SUSTENTABILIDADE!
Existem muitas pessoas para as quais o comboio (com ligação directa a Lisboa, com mais horários e maior conforto) é o meio preferível para as suas deslocações. Os estudantes (que vêm de fora e que vão para fora), os militares, as pessoas que vão a consultas ou fazer exames, os que vão trabalhar... e também os que vão passear. Pois tudo faz parte desta máquina gigante que não podemos deixar parar. Porque parar...é morrer, literalmente.
Muito infelizmente todas estas decisões são pólíticas (não tapem os olhos acreditando que não o são...) e se não existe contrapartida na redução da acessibilidade de Beja (distrito) para outros pontos do país, então nada o justifica em qualquer das instâncias e o resultado é ficarmos mais e mais afastados de tudo. Porque é que vamos a Lisboa estudar, tratar de papeladas ou fazer exames médicos e afins? Porque cá não temos esses serviços!!!! E se não temos esses serviços não podemos deixar que também nos retirem o meio de os alcançar.
Tem de haver pressão política junto do Governo de forma a não permitir que o futuro da CP - Comboios de Portugal - venha a a ser CMP - Comboios de Metade de Portugal.... .... (!!!) Pensem e investiguem sobre este assunto e lutem por aquilo a que acham que justamente temos direito!
Se quiserem ler mais sobre isto vejam por aqui e arredores:
Para assinarem a petição pública vão aqui:

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Casos... de polícia!

O famoso e chocante caso de homicídio e mutilação genital que está em todos os nossos jornais, revistas e tv, e portanto toda ou quase toda a gente já ouviu falar, também me tem dado que pensar. Não pelas pessoas que estão envolvidas pois pouco me dizem (embora não deseje a ninguém o que aconteceu, tanto de um lado como do outro, e tenho pena das famílias e amigos respectivos), mas pelo desafio que é para a respectiva investigação criminal e também pelo abanão que provoca nas nossas mentes e convenções. Adoro casos deste tipo, muito sinceramente delicia-me tentar perceber o que aconteceu e porquê. Gosto do enigma que envolvem e do desafio para decifrá-lo. Porque tudo terá uma explicação/ justificação... ou talvez não. Talvez existam actos que surgem fruto de explosões momentâneas, esporádicas ou até únicas na vida.
Perante determinada situação temos o poder de decidir o que fazer. Se não tivermos esse poder, há que apurar a razão disso, e resolver o problema. Existirão com certeza um conjunto de factores que propiciam os actos realizados. Antes, durante e após.
A mim o que mais me fascina é tentar perceber a mente de quem comete o crime, as circunstâncias em que o consumou e porque o fez. E também o que pode, na outra parte, ter despoletado isso. Muitas vezes já há conduta irregular antes que descamba num desfecho assim.
Acabei por não enveredar por esse caminho mas durante alguns anos planeei seguir Psiquiatria, principalmente para entrar em contacto e poder estudar esse mundo que ainda em muito desconhecemos: a nossa mente. Na altura tive de optar (e continuo a achar que aos 15 e depois aos 18 anos é demasiado cedo para limitarmos o nosso rumo profissional, como acontece actualmente ao sermos "obrigados" a escolher primeiro uma área de estudo e posteriormente um curso específico). Foram diversos os factores que me fizeram colocar de parte a opção de Medicina - Psiquatria mas não nego que ainda hoje penso nisso e quem sabe um dia recupero esse sonho.
Acerca do caso de homicídio que comecei por falar, li recentemente numa revista algo sobre "Egodistonia". Segundo apurei é o palavrão dado a uma situação em que uma pessoa entra em auto-revolta ao aperceber-se que gosta de pessoas do mesmo sexo, que é homossexual. Acontece quando as suas crenças e educação são de tal maneira fortes que reprimem a pessoa, que não aceita a sua condição, acredita estar doente e portanto é frequente entrar em violência. Há portanto nessa situação um choque entre o que somos e que achamos que deveríamos ser. No artigo referia-se que é essa a explicação para o que o jovem homicida fez.
Na minha opinião, e com a informação actualmente disponível, o rapaz mantinha um esquema de vida dupla, um para os amigos e familiares e outro no seu mundo profissional. Isso não deve ser difícil de fazer quando os amigos e família vivem longe e estão à parte desse mundo.
Ainda na minha opinião, talvez por ambição o rapaz tenha começado a fazer coisas que, não aguentando mais, o fizeram entrar num estado de repulsa e revolta. Também não sabemos o que despoletou concretamente isso e até mesmo se não haveriam drogas à mistura.
Um caso muito interessante e que ainda deve dar muito que falar. Veremos.