segunda-feira, 30 de maio de 2011

Biutiful

"Biutiful is a love story between a father and his children. This is the journey of Uxbal, a conflicted man who struggles to reconcile fatherhood, love, spirituality, crime, guilt and mortality amidst the dangerous underworld of modern Barcelona.  His livelihood is earned out of bounds, his sacrifices for his children know no bounds.   Like life itself, this is a circular tale that ends where it begins.  As fate encircles him and thresholds are crossed,  a dim, redemptive road  brightens,  illuminating the inheritances bestowed from father to child, and the paternal guiding hand that navigates life’s corridors, whether bright, bad – or biutiful."
http://www.biutiful-themovie.com/

"... He must deal with his loving but unreliable, reckless, and bipolar wife (from whom he is separated and who poses a threat to the safety of their children), and a large group of illegal immigrants for whom he obtains material so that they may not be deported. In the middle of all of this, he is diagnosed with terminal cancer, which he tries to hide from his two children."
http://en.wikipedia.org/wiki/Biutiful

Biutiful... está beautiful! Mas não de uma beleza das coisas ditas bonitinhas, e sim de uma beleza quase cruel de tão real e chocante. É um filme de 2010 do realizador mexicano Alejandro González Iñárritu (que realizou também o famoso Babel - 2006).
Para além de extenso tem um ENORME peso dramático, mas é um filme que recomendo para quem gosta de ver coisas que podem custar de ver para quem não convive com elas de perto (e até para quem convive!) mas que são coisas reais, palpáveis e são a vida de muitas pessoas. Fez-me lembrar filmes como "Cidade de Deus", que no caso retrata a vida de miséria, crime e violência nas favelas brasileiras. Biutiful fala do underground de Barcelona. Retrata esta cidade mas podia ser qualquer outra grande cidade europeia ou americana porque os meandros são os mesmos.
A enorme quantidade de imigrantes ilegais que vivem em condições miseráveis, a sua exploração, os subúrbios que os turistas não vêem, o mercado negro e as relações de corrupção com a polícia, o dia-a-dia como uma luta árdua e constante, e num constante alerta... mas ainda assim sempre com um mínimo de esperança que as coisas melhorem. O filme fala também da bondade e amor quando tudo parece desmoronar-se em volta. E da inevitabilidade da morte....e fala de tantas coisas diferentes que se cruzam.... que só mesmo vendo... e mais uma vez refiro: recomendo!
A interpretação de Javier Bardem é magnífica.

Quando estive em Barcelona há alguns anos atrás lembro-me dos negros a vender malas e óculos de sol nas ruas perto das ramblas, lembro-me de vê-los a arrumar tudo num ápice e a fugir com a trouxa às costas assim que a polícia apareceu. Assisti a um cena muito semelhante à que aparece no filme, mas com menos violência.
Num dos dias em que lá estivémos apeteceu-nos caminhar um pouco mais. Percorremos as ramblas, entrámos no bairro gótico, avançámos até à zona do born e continuámos a caminhar.... é incrível como de repente o ambiente muda e parecemos estar noutra localidade. Fomos ter a um bairro que nunca fiquei a saber o nome, mas isso também não me interessava, o que recordo é que aqui as personagens eram diferentes... de diferentes etnias e todos com cara de poucos amigos, cara de revoltados e a olhar para nós directamente como quem avisa que não há problema nenhum em haver problemas... pareciam perguntar-nos "o que é que vocês estão aqui a fazer?!?" Começámos a perceber isso mas não querendo fugir apressámos o passo e voltámos em sentido contrário. Que alívio chegar novamente ao território overground. Para quem não vive nos subúrbios não convém muito, como devem imaginar, aparecer por lá com tiques de turista e máquinas fotográficas ao pescoço. Porque aquelas pessoas estão desesperadas e não têm medo de nada... porque na verdade também não têm nada a perder.

Vejam o filme.

sábado, 28 de maio de 2011

If I Should Fall Behind

Vista a caminho do castelo - Mértola - Portugal 2011

Esta foto foi tirada no sábado em Mértola, e a serenidade a que as suas cores me inspiram transporta-me até uma música de que não me lembrava nem ouvia há imenso tempo e que agora, curiosa e aparentemente vinda do nada, voltou a aparecer na minha cabeça. Costumava cantá-la vezes sem fim quando comprei o cd. É uma das músicas que fiquei a conhecer a partir de um álbum de Bruce Springsteen - Lucky Town - (1992), e para além da melodia que é super calma, tem, e isso é o que mais gosto nela, uma letra lindíssima.... lindíssima, tal como o céu neste fim de tarde da fotografia. E o candeeiro aceso tem qualquer coisa de romântico!
A letra fala de um sentimento de segurança, paciência, amor.... um "be there no matter what".

"We said we'd walk together baby come what may
That come the twilight should we lose our way
If as we're walkin a hand should slip free
I'll wait for you
And should I fall behind
Wait for me
We swore we'd travel darlin' side by side
We'd help each other stay in stride
But each lover's steps fall so differently
But I'll wait for you
And if I should fall behind
Wait for me
Now everyone dreams of a love lasting and true
But you and I know what this world can do
So let's make our steps clear that the other may see
And I'll wait for you
If I should fall behind
Wait for me
Now there's a beautiful river in the valley ahead
There 'neath the oak's bough soon we will be wed
Should we lose each other in the shadow of the evening trees
I'll wait for you
And should I fall behind
Wait for me
Darlin' I'll wait for you
Should I fall behind
Wait for me"
video

quinta-feira, 26 de maio de 2011

6.º Festival Islâmico - Mértola



(Estátua equestre de Abu al-Qasim Ahmad ibn al-Husayn ibn Qasi - sufi em tempos governador de Mértola)

(A igreja matriz, antiga mesquita, considerada Monumento Nacional)
Mértola - Portugal 2011
Aqui fica um cheirinho da minha perspectiva do Festival Islâmico. Gostei muito, este ano, ao contrário de há 2 anos atrás não apanhámos nenhuma valente molha (coisa que hoje recordada até é bastante engraçada....:)), o tempo esteve excelente e foi bom ver tanta gente, tanta animação, muita oferta não apenas de bujiganguisses (que eu ADORO!!! ver....e às vezes comprar) mas também de comidas, chás, e outros produtos, acho que esteve muito bom em termos de variedade num ambiente em que quase tudo é diferente... é um banho de cor e de cheiros. A única coisa que lhe aponto é mesmo a falta de espaço porque as bancas estão distribuídas ao longo das ruas estreitas da vila e com tanta afluência de pessoas houve ali momentos de "engarrafamento", coisa que quando se trata de multidões pode ser perigoso. Mas por outro lado, o facto de estar nessas ditas ruas é também o que dá um carisma especial a este evento pois é diferente e não se trata de mais uma daquelas feiras em que entramos para um pavilhão ou percorremos não sei quantos m2 de terra batita a que damos a voltinha de reconhecimento e já está. Eu gosto mais assim, mais pessoas, mais reboliço e mais confusão de trapos e afins.
Um passeio que vale muito a pena. 
Outra coisa que para quem sabe vale também muito a pena é comprar aquelas chanatas de enfiar no dedo... várias cores, e mais não digo!! :D:D our little secret! e também não vou estar aqui a contar tudo pela 25.ª vez... :)

terça-feira, 24 de maio de 2011

A cantar de voz quebrada


Tradição - Mértola - Portugal 2011

Das inúmeras modas alentejanas há uma que sempre me fica no ouvido desde há anos, e de vez em quando dou comigo a cantá-la cá dentro como música de fundo que mais ninguém está a ouvir senão eu, e em algumas dessas vezes vou-lhe também alterando o ritmo e acrescentando rimas sobre coisas que me digam algo na altura...tudo e mais qualquer coisa! Como uma espécie de catarse.


"Eu ouvi um passarinho
às quatro da madrugada,
Cantando lindas cantigas
à porta da sua amada.

Ao ouvir cantar tão bem
a sua amada chorou.
Às quatro da madrugada
o passarinho cantou.

Alentejo quando canta,
vê quebrada a solidão;
traz a alma na garganta
e o sonho no coração.

Alentejo, terra rasa,
toda coberta de pão;
a sua espiga doirada
lembra mãos em oração."

...há pouco na televisão
discursos e mais sondagens
pouco me diz do que falam
suas palavras e imagens...

Considero uma autêntica vergonha no nosso país não a situação de crise em que estamos porque muito provavelmente, face à crise a nível internacional, qualquer que tivesse sido o partido político no poder não teria de qualquer forma conseguido evitar este momento (porque Portugal não tem poder comercial, económico nem financeiro a nível mundial), mas sim a falta de valor e de valores nos nossos políticos, que ao fim ao cabo são ou deveriam ser a representação do povo portugûes na gestão do país. Não os consigo ouvir nem ver mais do que meros minutos, e tenho pena que não exista um único que pelo menos parecesse.... honesto e cujas intenções fossem só e apenas o bem do país.


Claro que que diz que criticar é fácil tem razão, mas não esqueçamos que cada um no seu cantinho, cada um na sua profissão. A mim pagam-me para fazer o que faço, a eles também. E quem lhes paga... somos nós. Se lá estão, seja por vontade/aptidão ou até por obrigação tanto me faz, desde que trabalhem bem.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

"O preço da Borrega"

Já alguém leu? "O Preço da Borrega" de A.M. Galopim de Carvalho?

Se não leram aconselho a fazerem-no. Retrata a vida no Alentejo - puro mundo rural - nos anos 40 e 50 do século passado, utilizando termos muito próprios. Fala do trabalho na terra, da relação entre empregados e patrões. Fala dos costumes e tradições, das crenças. O peso que a igreja tinha na vida das pessoas e como conduzia a vida das famílias. Das festas de aldeia e do orgulho das casas caiadas. Do saber no fazer do queijo, dos doces e marmeladas. Nos gaspachos e nas migas... Nos presuntos e chouriços... Na pobreza das gentes mas na sua humildade, honestidade e gosto pelo asseio. Na "venda" que era simultaneamente taberna, loja, mercearia, talho...e local de convívio dos homens. Onde ao ritmo dos copinhos de vinho e bagaço e dos jogos de sueca se afogavam mágoas e tristezas.


Mas o que eu nunca tinha ouvido falar era no preço da borrega. Sabem o que era? Nas famílias muito pobres havia casos em que a mãe vendia a virgindade das filhas a senhores ricos ou filhos destes por cerca de 15 contos... Nesta estória uma rapariga engravida do patrão. Apaixonou-se por ele e chegou a acreditar que este também a amava. A partir daí a vida dela está marcada. É o medo e desespero de contar à família, o decidir se faz ou não um aborto, o receio de ser mal falada, colocada à parte na sua aldeia, o ser gozada... e ser esconjurada...o estar amaldiçoada para o resto da vida! Pois é.... mas o que ela não estava à espera era de que quando finalmente arranja coragem para contar à mãe percebe pela reacção que esta tem que afinal não lhe está a dar nenhuma novidade. Tudo havia sido arranjado. E a solução? A que o patrão e mãe lhe arranjam não é bem aquilo que ela estava à espera. E por isso decide tomar uma atitude. Descubram qual ao ler o livro.