domingo, 26 de fevereiro de 2012

O Horizonte na viagem do saber.

A profundidade do olhar. Até quão (pro)fundo conseguimos ver e apercebermo-nos das coisas? Onde fica o horizonte?

Diz-se que o Horizonte é aquela linha invisível a partir da qual deixamos de conseguir exergar as coisas com nitidez. Há até quem o defina como o resultado da intersecção entre a terra e o céu. O horizonte é por isso mesmo, e por si só (!), conceito de algo muito distante, o sempre além das nossas capacidades... o "mais longe".
Foi ao contemplar um magnífico horizonte na planície, daqueles em que o azul do céu parece fundir-se perfeitamente no verde e amarelo dos campos, que me assaltou a questão: Qual é então a profundidade do olhar? Do nosso limitado olhar? Qual o limite das nossas limitadas capacidades? Não apenas do olhar para as coisas, mas sim de vê-las e percebê-las. 
Cada pessoa é única e tem o seu próprio horizonte. Cada um é o resultado do seu código genético, da sua educação, do meio em que vive e das experiências por que passou, e assim o limite de visão ou percepção é variável de pessoa para pessoa. Obviamente que, cientificamente aceita-se que consigamos observar com alguma definição até 5 km de distância e isso aplica-se ao humano normal, mas não é esse olhar que estou aqui a falar. Aquilo que me pôs a pensar é o gostar de conseguir definir visualmente também o "espaço de manobra" de cada um.
Olhar para o horizonte é algo que induz serenidade.
Se tentarmos fixar o olhar por algum tempo naquilo que pensamos ser o horizonte, o antes infinito (de todas as perspectivas) passa gradualmente a transformar-se num pequeno ponto que resulta do nosso esforço de concentração. Quererá isto dizer que quanto mais queremos ver e perceber menos nos é mostrado, ou, por outro lado, se conseguirmos ir mais além, chegamos a um ponto que, ainda que ínfimo, nos revele que mais além...é apenas mais além (não é diferente do aqui e agora). Vale então a viagem, o esforço e o conhecimento adquirido.

Tenho cá para mim que o horizonte do nosso olhar é o limite da nossa percepção. E que a nossa percepção é mais abrangente do que a nossa visão. Assim, o que encontramos no nosso horizonte já corresponde a tudo aquilo a que não conseguimos chegar.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Leituras - "Vida Sem Limites"

de Nick Vujicic. 2010.


Foi já há alguns meses (aquando do meu aniversário...) que me foi oferecido um livro cuja capa assim que lhe pus os olhos em cima não consegui conter espanto e horror... pensei até que se deveria tratar de uma história de terror. A imagem é a de um homem sem braços nem pernas, apenas com um pequeno pé como membro inferior, está numa praia.... e algo não fazia muito sentido... talvez afinal não se tratasse efectivamente de uma história de terror. Este homem até é bonito e tem um sorriso cândido. Ok.... pensei então: deve ser daqueles livros de auto-ajuda, pensamento positivo, mensagem de esperança. E na realidade é isso mesmo. E não obstante a constante (!) referência a Deus e à Igreja (porque essa é a convicção e crença deste homem, e tem todo o direito a isso) e eu não costumo simpatizar muito com essa lavagem (embora a respeite e quem sabe um dia venha a aceitá-la), agora que já terminei de lê-lo acho que me ensinou o seguinte: mesmo que a nossa primeira impressão seja a de repudiar ou afastar certas coisas, nunca devemos fazê-lo totalmente. Não sem minimamente sabermos ao certo o que são e o que afinal podem representar para nós. Sempre que tomamos a atitude de conhecer e dar esse passo em frente saímos sempre a ganhar: porque aprendemos e às vezes até podemos mudar a nossa própria forma de pensar à conta disso. Enriquece-nos aprender a ver o mundo de diferente perspectivas. 
Aquele homem é Nick Vujicic, um australiano que vive nos Estados Unidos, descendente de sérvios e que nasceu com Focomelia, que neste caso significa nascer sem membros. Os pais, mesmo sendo cristãos devotos, tiveram um período inicial de repulsa, choque e petrificação. Com o passar do tempo foram-se agarrando à sua Fé e o facto do bebé não apresentar qualquer outra anomalia (para além das entretanto descritas) deu-lhes força, porque cognitivamente o bebé era normal e iria desenvolver-se normalmente, embora sem braços nem pernas. Imagino o fardo que os pais de uma criança assim deve sentir, porque esta iria ser uma criança sem mobilidade, iria ser gozada, discriminada, e muito possivelmente iria ser uma pessoa triste. E ele teve alguns períodos assim chegando a tentar o suicídio, mas hoje em dia é um bem-sucedido gestor, e orador motivacional, que percorre o mundo espalhando uma mensagem de amor e esperança.

Ideias ou frases ou palavras que me ficaram deste livro:

Irrevogabilidade ou Irrevocabilidade. Não interessa.... é Definitivo.

"A ideia não é atingir a perfeição durante a vida, é procurá-la."

"Há muitas limitações piores do que não ter braços e pernas... o medo é uma delas". O medo paralisa. No entanto o medo não é real, é apenas um humor, um sentimento, e por isso podemos e devemos controlá-lo. O Nick conheceu uma rapariga cujos pais discutiam muito e acabaram-se por se divorciar. Esta rapariga, já adulta, tem medo de relações e medo de casar. Nunca consegue ter uma relação duradoura porque tem medo que não resulte (e assim, pois claro, não resulta mesmo!!). Este não é um medo saudável, é completamente doentio e por isso tem de ser enfrentado, reconduzido e posto de parte. Isso é algo muito difícil para que o sente, mas não é impossível se as pessoas tiverem acesso a ver as coisas de forma diferente.

"Sem a minha dor nunca seria capaz de ajudar alguém a lidar com a sua própria dor."

"...muitas pessoas mostram resistência a mudanças que melhorariam substancialmente as suas vidas porque têm medo de mudar para algo que não lhes seja familiar... Recusam-se a aceitar a responsabilidade pelas suas próprias vidas."

"Mantém as pessoas que amas tão próximo quanto possível, durante tanto tempo quanto conseguires."

"O risco não é apenas uma parte da vida, é a vida. O lugar entre a tua zona de conforto e o teu sonho é onde a vida decorre. É a zona de alta ansiedade mas é também onde descobres quem tu és."
"Estar na corda bamba é viver, tudo o resto é espera". 

"Quer tenhas muito ou pouco para oferecer, lembra-te apenas de que pequenos actos de bondade podem ser tão poderosos quanto grandes doações de dinheiro. Se fizeres a diferença apenas numa vida, terás prestado um grande serviço, porque a simples bondade pode desencadear reacções em cadeia de acções semelhantes..."