segunda-feira, 16 de julho de 2012

E ela diz


Às vezes ela pergunta-me porque é que isto tinha de acontecer.
Eu já lhe disse tantas vezes que não sei, que mais não sei o que lhe hei-de dizer.
Deixa de existir um só sentido e uma só definição para o correcto e para a verdade.
E no decorrer nos dias debatem-se a ferro e fogo a coragem e a saudade.
Sentimento tipicamente português, dizem alguns.
Mas quem sente sabe que a saudade é alheia a países ou culturas.
É uma coisa que vive no coração da gente.
É algo que torna o ausente... presente.

E ela sente.
Sente também que a sua cabeça anda numa tal confusão, que é difícil, tão difícil ouvir o seu coração.
O que mudou ou não, não interessam agora.
Porque é que isto tinha de acontecer? (Pergunta-me ela novamente.)
E eu respondo: Agora não. Não agora. Isso não é pergunta para se fazer a esta hora!

Boa noite.

terça-feira, 3 de julho de 2012

As Aparências

"Hoje acordei e senti-me sozinho
Um barco sem vela
um corpo sem linho.
Amanheci e vesti-me de preto
Um gesto cansado
O olhar no deserto.

Quando todos vão dormir
É + fácil desistir,
Quando a noite está a chegar
É difícil não chorar.

Eu não quero ser
A luz que já não sou,
Não quero ser primeiro
Sou o tempo que acabou.
Eu não quero ser
As lágrimas que vês,
Não quero ser primeiro
Sou um barco nas marés.

Adormeci
Sem te ter a meu lado,
Um corpo sem alma
Guitarra sem fado.
Um sonho na noite
E olhei-me ao espelho.
Umas mãos de criança
Num rosto de velho."

(É Difícil, de Pedro Abrunhosa)


Nem tudo o que parece é, assim como nem tudo o que é parece .
Sempre esta música. Sempre estas palavras. Esta música representa muito bem o que sinto e penso nos momentos de angústia, tristeza e inevitável solidão que tenho de vez em quando. Como acho que toda a gente tem também às vezes, por vezes, de vez em quando.... Um desejar cansado para que chegue a noite e finalmente jogar o pano ao chão e descansar a cabeça ou pensar sem pressas nem desatinos nas coisas como elas realmente são, ou em como eu gostaria que elas realmente fossem. Não o posso fazer durante o dia porque as pessoas que me rodeiam e que gostam de mim não merecem em ocasião alguma que lhes mostre uma ferida que eu saiba que elas não podem tratar ou que, qual doença infecciosa, as contagiasse.
Chegue então a noite.... que antecede mais um dia.