terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Produto nacional


(foto DR)

Então uma portuguesa ganhou o prémio de melhor actriz estrangeira e ninguém diz nada? Agora a sério! De uma falam porque aparece numa série policial da tv e tem sucesso nos States e vá de entrevistas e sessões fotográficas e do que é que dizem os teus olhos (que a propósito são esquisitos!!), outra é porque é uma das modelos escolhidas da victoria secret e vá de grandes elogios na impressa da área, outra porque é a cara e corpo da calzedonia e tem imenso sucesso no mundo na moda e vá de globos e afins, outra é porque usa óculos fundo-de-garrafa e é feia pra caraças mas é uma grande vá-se-lá-saber na área da biomédica e toma de vénias e reportagens, outro é porque etc e tal, e esta ganha este reconhecimento internacional e em todos (que são poucos) os artigos a respeito percebe-se que há um certo tom irónico e até de escárnio. Pois é, a jovem Érica Fontes, de 21 anos, foi a primeira portuguesa a conquistar o prémio XBIZ, o óscar do cinema para adultos. Sim, a rapariga dedica-se à industria pornográfica e pelos vistos bem porque já conquistou este reconhecimento. Agora muito a sério, acho que esta miúda, por fazer aquilo que gosta e em que acredita, tem tanto mérito pelo óscar que ganhou como qualquer outra ou outro que tem tido sucesso além-fronteiras e que por isso costumam ser notícia e motivo de orgulho nacional.
É isto que eu não suporto nas pessoas. 90% dos que vêm ou lêem a notícia e gozam e "olha esta que anda hrum hrum a fazer poucas-vergonhas agora ganhou um prémio pois sim diz que é boa nos broches", são bem capazes de ser consumidores ávidos deste tipo de produto (filmes para adultos) mas não têm tomates para dizer isso abertamente e não conseguem ultrapassar o tabu imposto pela sociedade, e perceber que isso  não tem mal nenhum e cada um é livre de fazer o que quiser desde que não prejudique os outros (afinal de contas a liberdade de cada um termina onde começa a do outro não é?...lembro-me numa aula de Direito o professor falar disto e das esferas que cada um tem à sua volta...adorei essa aula...), e que a indústria do sexo, desde que seja regulada, sem escravatura ou tráfico de pessoas (ou seja desde que por livre e espontânea vontade das pessoas) é uma área comercial como qualquer outra na indústria do entretenimento.
Conclusão da dissertação: Parabéns à rapariga pelo prémio, e abaixo os hipócritas que aproveitaram para gozar ou desprezar a notícia mas que na verdade e na sua intimidade não passam sem bater uma à custa do filmezinho para "adultos". So what?!

http://p3.publico.pt/cultura/filmes/6251/erica-fontes-21-anos-e-melhor-actriz-porno-estrangeira
Fiquei a saber disto aqui:
http://mentedepravada.blogspot.pt/2013/01/erica-fontes.html

sábado, 26 de janeiro de 2013

Diz-se «Iqueia» ou «I quê à»? - Ricardo Araújo Pereira


Por norma adoro os textos do Ricardo Araújo Pereira. Porque acho que ele consegue escrever coisas estúpidas de forma estupenda! Sim... acho que para mim essa é mesmo a melhor definição do que ele faz. Às vezes são uma data de parvoíces pegadas, e nem sempre têm piada mas são sempre subtis e ligeiramente irónicas. E muitas vezes escreve muito bem, no meu entender, sobre assuntos muito polémicos ou caricatos da sociedade. Ando a ler as Mixórdias de Temáticas e hei-de falar disso aqui também porque me mato a rir com aquelas mini-histórias, se é que assim se podem chamar, das personagens todas elas de apelido Ribeiro. O Ricardo Araújo Pereira é uma das mentes que admiro. Tem de ser muito inteligente e simultaneamente simples para inventar as coisas que ele inventa e cria. É genial!
Este texto não foi excepção e quis partilhá-lo convosco. Aqui vai:


"Não digo que os móveis do IKEA não sejam baratos. O que digo é que nãosão móveis. Na altura em que os compramos, são um puzzle. A questão, portanto, é saber se o IKEA vende móveis baratos ou puzzles caros. Osproblemas dos clientes do IKEA começam no nome da loja.
Diz-se «Iqueia» ou «I quê à»? E é «o» IKEA ou «a» IKEA»?
São ambiguidades que me deixam indisposto. Não saber a pronúncia
correcta do nome da loja em que me encontro inquieta-me. E desconhecer o género a que pertence gera em mim uma insegurança que me inferioriza perante os funcionários. Receio que eles percebam, pelo meu comportamento, que julgo estar no «I quê à», quando, para eles, é evidente que estou na «Iqueia».
As dificuldades, porém, não são apenas semânticas mas também conceptuais.
Toda a gente está convencida de que o IKEA vende móveis baratos, o que não é exactamente verdadeiro. O IKEA vende pilhas de tábuas e molhos de parafusos que, se tudo correr bem e Deus ajudar, depois de algum esforço hão-de transformar-se em móveis baratos. É uma espécie de Lego para adultos.
Há dias, comprei no IKEA um móvel chamado Besta. Achei que combinava bem com a minha personalidade. Todo o material de que eu precisava e que tinha de levar até à caixa de pagamento pesava seiscentos quilos.
Percebi melhor o nome do móvel. É preciso vir ao IKEA com uma besta de carga para carregar a tralha toda até à registadora.
Este é um dos meus conselhos aos clientes do IKEA: não vá para lá sem
duas ou três mulas. Eu alombei com a meia tonelada.
O que poupei nos móveis, gastei no ortopedista. Neste momento, tenho
doze estantes e três hérnias. É claro que há aspectos positivos: as
tábuas já vêm cortadas, o que é melhor do que nada. O IKEA não obriga os clientes a irem para a floresta cortar as árvores, embora por vezes se sinta que não faltará muito para que isso aconteça. Num futuro próximo, é possível que, ao comprar um móvel, o cliente receba um machado, um serrote e um mapa de determinado bosque na Suécia onde o IKEA tem dois ou três carvalhos debaixo de olho que considera terem potencial para se transformarem numa mesa-de-cabeceira engraçada.
Por outro lado, há problemas de solução difícil. Os móveis que comprei chegaram a casa em duas vezes.
A equipa que trouxe a primeira parte já não estava lá para montar a
segunda, e a equipa que trouxe a segunda recusou-se a mexer no
trabalho que tinha sido iniciado pela primeira.
Resultado: o cliente pagou dois transportes e duas montagens e ficou
com um móvel incompleto. Se fosse um cliente qualquer, eu não me
importaria. Mas como sou eu, aborrece-me um bocadinho. Numa loja que vende tudo às peças (que, por acaso, até encaixam bem umas nas outras) acaba por ser irónico que o serviço de transporte não encaixe bem no serviço de montagem. Idiossincrasias do comércio moderno. Que fazer, então? Cada cliente terá o seu modo de reagir. O meu é este: para a próxima, pago com um cheque todo cortado aos bocadinhos e junto um rolo de fita gomada e um livro de instruções. Entrego metade dos confetti num dia e a outra metade no outro.
E os suecos que montem tudo, se quiserem receber.

Ricardo Araújo Pereira"

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Pergunta (ou questão...) existencial do dia

Há algum estudo de mercado que ateste se o sexo masculino consome mais gelados do que as mulheres? É que.... há aqui qualquer coisa que me anda a fugir e eu não consigo apanhá-la porque não sei o que é! Ora vejamos... já repararam que as publicidades dos gelados são maioritariamente miúdas/raparigas/mulheres/gajas boas com pouca roupa a segurar sugestivamente no dito...gelado claro....com olhar meloso, e língua estendida a saborear a gulosice?! Isto é marketing evidentemente direccionado aos miúdos/rapazes/homens/e assim coisos e tal... porque apela a um dos seus maiores desejos e aspirações. Que...sim...é mesmo isso que estão a pensar:  comprar gelados de qualidade a um bom preço! Foi isto que pensaram certo?!
Isto é ainda mais notório quando a par das imagens nos outdoors e publicidade das marcas a mensagem principal e as palavras utilizadas são prazer e semelhantes. É certo e sabido que comer não é apenas a satisfação de uma necessidade básica de sobrevivência, e pode muito bem ser um prazer, mas não vejo porque razão tem de ter unicamente conotação sexual. Será que os homens são mais susceptíveis de ser influenciados por este tipo de publicidade e abordagem? Oh si cariño...agora pensando bem acho que sim.... qual é o homem que consegue ser indiferente a tal alusão? Língua, gelado, chupar, boca e saborear são todo um conjunto de itens e acções que povoam o cenário paradisíaco da mente masculina.

Como é que esta importante questão e reflexão surgiu? Ia eu muito bem a conduzir o meu carrinho, a caminho de casa, quando se me depara à frente uma grande carrinha frigorífica. Tive de "gramá-la" e apreciá-la com tempo porque entretanto o sinal ficou vermelho. E lá estavam eles.... os Gelados....  e o Prazer - O Prazer Gelado - ...e a miúda com um corneto de morango na mão, vestido cai-cai, a língua de fora e um olhar de quem  está cheio de sede... e chovia tanto fora do carro que cheguei a pensar: por favor! dêem de beber àquela mocita que isto não há homem nem mulher que aguente e lhe fique indiferente. Bhlac! Não gosto nada deste tipo de publicidade. Se for a preservativos ou a artigos da área tudo bem, agora usar o sexo só por ser a forma mais rápida e fácil de abordar, é rasca! E faz com que comer um gelado deixe de ser...apenas comer um gelado. (ah e nem falei dos calipos....!!!!!) LOL

sábado, 19 de janeiro de 2013

Ténue

Hoje.
Hoje não foi um dia como outro qualquer.
Hoje tive medo de perder a minha mãe.
E portanto senti também o medo de perder cada uma das pessoas que amo e que me são importantes.
Hoje tive medo, por não saber tudo sobre todas as coisas.
Hoje foi mais clara, e senti mais de perto, a fragilidade da vida e do ser.
Tive medo do que possa vir a acontecer.
Tive medo da inevitabilidade da doença e da morte.
Tive medo do sofrimento. E por isso sofri.
Tive medo de não entender porque é que isso acontece.
Hoje senti vontade de cantar, de expressar e libertar como antes.
De regressar à unidade das coisas e ver o sentido dos acontecimentos.
Hoje senti vontade de ir para àquele sítio que só eu conheço, algures em mim.
E de lá ficar quietinha, a pensar calmamente nas coisas e a aprender a aceitá-las de uma vez por todas...
Hoje senti também vontade de chorar. E chorei. Perdida como um bebé.
Hoje muitos cenários e possibilidades me passaram pela cabeça.
Muitos pensamentos e emoções aos encontrões num remoinho de ansiedades.
Hoje dei ainda mais valor a cada momento que passo com as pessoas que amo.
E senti-me eternamente grata por poder viver esses momentos.
Cada cheiro, cada gesto, cada olhar, cada expressão, cada toque, cada beijo, cada palavra e cada conversa são pedras preciosas neste baú de experiências que é a vida.
E a vida mais cedo ou mais tarde tenta ensinar-nos isso mesmo: que não passa de uma experiência, efémera e impressionantemente leve. Como um ténue sopro ou uma suave brisa que sintamos no rosto.
E de nada nos vale preocupar ou cismar, ou tentar antever ou entender as coisas, porque elas sempre acontecem como tiverem de acontecer. E assim sempre será. Será sempre assim em todas as suas vertentes, espectro e gradação evolutiva. O conjunto de todas as perspectivas será sempre a alegria, a união e o consenso.

16/01/2013

Beneath your beautiful - Labrinth feat. Emeli Sandé


Amo esta música. É lindíssima!! Acho-a parecida, no que respeita ao conteúdo, à nossa (salvo seja!!) "Lado
Lunar" do Rui Veloso. Porque todos têm um lado lunar, todos têm defeitos, e a maior prova de amor é podermos ser tal qual somos, e ainda assim sermos aceites e amados.
Enjoy it! ;)

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

O que é o amor?

Um grupo de psicólogos perguntou a um grupo de crianças, entre os 4 e 8 anos de idade, o que é o amor. Estas foram algumas das mais esclarecedoras, e enternecedoras, respostas que alguma vez li acerca da definição de amor:

"Amor é quando ela põe perfume e ele também. Depois saem juntos e misturam tudo..."

"Eu sei que a minha irmã mais velha me ama porque ela deu-me todas as roupas que tinha e depois teve que ir comprar roupas novas." 

"Amor foi quando a minha avó começou a ter atrite e não conseguia pintar as unhas dos pés. A partir daí é meu avô que lhe pinta as unhas, embora ele também tenha artrite."

"Amor é como uma velhinha e um velhinho, que se conhecem já há muito tempo mas continuam amigos."

"Amor é quando alguém te chateia muito e te magoa, mas tu não lhe dizes nada para não ferir os seus sentimentos." 

"Amor é oferecer as minhas batatas fritas e não esperar que ele me as ofereça também as batatas fritas dele."

"Amor é o que te  faz sorrir quando estás cansado." 

"Quando estava a fazer o teatro na escola olhei para as pessoas. Vi o meu pai a sorrir e a fazer adeus, era o único a fazer isso, mas deixei de sentir medo e correu tudo bem." 

"Amor é dizer-lhe que aquela camisa lhe fica bem e a partir daí ele usá-la todos os dias."

"Não se deve dizer amo-te se não se sentir de verdade. Se sentir de verdade deve-se dizer muitas vezes. Às vezes as pessoas esquecem..."

"Quando amas as tuas pestanas sobem e baixam, e pequenas estrelinhas saem de ti."

"Amor é o meu cão ficar sozinho o dia inteiro mas quando chegamos a casa lambe-nos a cara toda."

Se foram ou não ditas por crianças, ou se foram escritas por adultos, não interessa porque são palavras lindas... E para vocês? O que é o amor?

Rir recomenda-se... Ah as mulheres... essas aves raras

A mulher é ou não um bicho complicado? Eu sou suspeita mas acho que sim, e muito! Ora apreciem (lá) bem:


Somos..... vá (lá)... interessantes... pronto... ;)

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Leituras - "As Cinquenta Sombras de Grey"

de E L James. 2011.

Depois de tanto ouvir falar sobre este livro e respectiva triologia, depois de tanta palavra escrita e falada (e talvez gasta, quiçá?!) sobre o assunto... Uns porque amaram, outros porque odiaram, outros ainda que leram mas tinham vergonha de dizê-lo, outros mais que davam tudo para ler mas "não podem" porque bla bla bla.. de uma coisa não há dúvida: a melhor estratégia de marketing é aquela que leva as pessoas a falarem sobre determinado produto, bem ou mal não interessa, e isso aconteceu com este livro, porque tem tido imensa publicidade.

Tenho um apontamento quanto ao título traduzido para português: "As 50 Sombras de Grey". Eu concordaria mais com o título brasileiro "50 tons de Cinza" porque, embora Grey seja uma das personagens principais e embora a palavra Grey traduzida seja de facto "cor cinza", no meu entender e após a leitura do livro faz muito mais sentido apelar às tonalidades e espectro de cores porque na história elas são frequentemente utilizadas para caracterizar, aí sim, a personalidade e o íntimo das personagens, e para descreverem emoções e sentimentos. Cores escuras, frias e sombrias para os segredos e tabus, para o lado negro da alma. Cores claras para o amor, pureza e bondade.

Gostei do livro mas não fiquei viciada nem desesperada por ler os seguintes. Acho até que nem o vou fazer porque interiormente já conclui a história para mim.
Há pouco tempo vi um episódio dos Simpsons que retrata muito bem aquilo que às vezes penso sobre estes livros escritos por ilustres desconhecidos, histórias bombásticas e êxitos de vendas, que se adaptam perfeitamente ao cinema. Há uma possível e teórica ou paralela realidade sobre estes fenómenos literários que bem vistas as coisas não passam de meros produtos postos nas prateleiras das lojas que somos levados a desejar ter e logo a comprar, porque não nasceram da real inspiração de um escritor que se dedicou à obra e quis partilhar e transmitir uma historia inventada ou contada por si. Este tipo de livros, cujos autores são no mínimo suspeitos (se repararem nunca têm nomes claros, são quase sempre siglas e depois um nome banal) foram pensados e idealizados numa mesa de reuniões de uma qualquer grande empresa ou editora, por um conjunto de comerciais, baseados em estudos de mercado, que produzem e investem em histórias que contenham os ingredientes básicos de sucesso (neste caso tem muito sexo e temas tabus!!!). Depois a história é construída de forma a "fazer render o peixe" como se costuma dizer....palha aqui, um bocadinho de desenvolvimento acolá, mais palha, mais palha, umas quantas passagens mais ou menos descritivas de sexo, palha e pronto...tal qual uma novela, que acaba por prender as pessoas e dá a possibilidade às editoras de obter mais lucros através das triologias e afins, e adaptações ao cinema. Para mim, as 50 shades, o crepúsculo e até o harry potter podem muito bem encaixar nesta "teoria da conspiração" (is it?!). Bem, mas já lido o livro aqui vai o comentário.

Anastasia Steele é uma estudante de literatura. É jovem, bonita mas muito insegura, fechada e inexperiente. Christian Grey é jovem, rico, poderoso e apaixona-se por Anastasia. (oh a sério?!! como é que isso foi possível!?!) Os dois são muito diferentes. É um amor à partida sem chance de vingar porque cada um pertence a um mundo oposto. Ele seduz-la e basicamente abre-lhe a porta para o mundo do sexo, das sensações e do prazer. E ela, abre-lhe (as pernas e não só!!...:D), e sem saber, a porta para a normalidade e para o amor enquanto partilha e cura. Surge como background desta história a diferença entre foder e fazer amor. A diferença na forma de amar e desejar. A diferença entre o cérebro do homem e da mulher. A diferença de necessidades (e não apenas sexuais). A procura no outro de algo que complete o ser. O dar para receber. O partilhar e o sentido que isso tem.
Outro dia ouvi na tv que este livro tem sido considerado pornografia para mamãs. Credo! Isso dá-me vontade de rir. Não acho que o livro tenha nada de especial. Principalmente para mamãs (é que as outras ainda podem ser púdicas ou até pseudo-virgens mas mamãs deste mundo! se já têm filhos não me venham dizer que os seus bebés vieram numa cegonha...
 Esta é apenas uma história, um romance que conjuga, como tantas outras histórias que prendem a atenção das pessoas, factores que se ligam entre si e por acaso (ou talvez não) inclui algumas descrições sexuais e aborda o sadismo e o bondage/fetichismo. Ele, Grey, é o experiente e malévolo mas acabamos por perceber que é ele que mais precisa aprender, a dar-se e abrir o coração. Caso contrário consome-se no buraco negro que é a sua alma, magoada e fria.
Aparte dos encontros e das coisas que eles fazem (que não deixam de ser interessantes mas também não são nada de acima de extraordinário!!), na cama entenda-se (e noutros sítios... :))), para mim interessava-me, ao longo da história, saber ao certo o passado dele, donde vieram as cicatrizes que tinha no peito, porque não gostava que o tocassem, porque se afastava (superiorizando-se) dos outros, porque é que apenas conseguia sentir prazer com dominância e violência. Queria acima de tudo saber que passado foi construído para esta personagem, que explicasse as suas atitudes e forma de ser. Cheguei ao final do livro e só fiquei a saber que ele tinha sido adoptado, a mãe era uma prostituta  (isto subentendi...) , uma viciada em crack, que o maltratou e marcou para a vida, física e psicologicamente.
Numa das últimas passagens, e ainda que a autora não conclua isso no livro, Anastasia "portou-se mal" e foi castigada severamente pelo seu senhor (Christian Grey, o dominador). A punição/correctivo foi de tal forma violento e inesperado que ela fica realmente magoada. De tal forma que, após ter levado uma valente sova, tem uma reacção normalíssima: afasta-se, contrai-se e não deixa que lhe toquem, nem que seja para lhe fazer uma festa ou um carinho. Por isso para mim é óbvio que ele não gosta e não deixa que os outros se aproximem dele não é porque é rico, culto e bem sucedido, mas sim porque foi muito magoado, está traumatizado de forma severa e portanto assume uma postura dominadora e ilusoriamente controladora. Interiormente ele está um caos e portanto precisa de sentir que controla algo, como um bote salva-vidas perdido algures no meio do oceano. Acho que isso é o que faz mais sentido.

Palavras ou ideias que me ficaram do livro:

...(acerca de liderança)... Trata-se mesmo de ter as pessoas certas na equipa e de direccionar adequadamente as energias delas."
 "O crescimento e desenvolvimento das pessoas é a forma mais nobre de liderança" - Harvey Firestone

"...de noite já muito tarde ou de manhã ainda muito cedo..."

"apaixonado, hipnótico, obsessivo, bárbaro,..."

"existe uma linha muito ténue a separar o prazer da dor. São dois lados da mesma moeda e um não existe sem o outro. Posso mostra-te o prazer que existe na dor."

"confias em mim?"

" porque não gostas que te toquem? - susurrei olhando para os seus olhos cinzentos claros.
Porque estou lixado da cabeça em cinquenta sombras."

"o discurso era muito claro....tudo preto no branco e não nas vagas e intangíveis nuances de cinzento que coloriam o meu mundo."

"pela primeira vez na vida, sentia-me infeliz na minha própria companhia"

Estar só é muito diferente de ser só. Muito....

"fiquei chocada por me sentir excitada" e "a minha deusa interior sorriu para mim" mas "o meu subconsciente não deixava". "A deusa interior raramente usa o cérebro para pensar."
A luta entre o que nos ensinam e o que experimentamos.
Só pensamos com o cérebro?!

"pelas luzes de néon dos candeeiros de rua, o seu rosto aparecia e desaparecia intermitentemente na luz e na escuridão" "...ele era um homem com sérias e profundas lacunas emocionais... arrastando-me para a escuridão"

concupiscente - cobiçar, desejar ardentemente.

"Quais são as palavras de segurança, Anastacia?" " Amarelo" e " Vermelho".... as cores....sempre as cores...

"Christian tocava piano, envolto pela escuridão sentado numa bolha de luz, a tocar... e o seu cabelo brilhava com nuances lustrosas, acobreadas". "Parecia perdido, triste e dolorosamente só."

"tento desesperadamente manter as minhas emoções empilhadas à distância".... Será isso possível? Empilhar emoções? Precisamente porque se tratam de... emoções...