quinta-feira, 30 de junho de 2016

Leituras - "Nenhum Caminho será Longo"

 de José Tolentino Mendonça. 2012.


José Tolentino Mendonça é padre, poeta, teólogo e professor. É todas essas coisas para além de, presumo, muitas outras mais. Percebo-o como uma pessoa extremamente interessante e culta, ainda que dotado de uma enorme humildade e simplicidade que se percebe pela forma como consegue transmitir as suas ideias e raciocínios de forma clara e despretensiosa. E percebo-lhe também alegria, brilho na forma de ser, aliados a alguma inquietude e curiosidade/dúvida sobre as coisas. Condição necessária a quem se dedica a reflectir e dissertar sobre a vida, sobre a condição humana e sobre Deus, através da religião e espiritualidade.
Este livro é uma reflexão profunda e religiosa sobre a amizade. Essa "coisa" de inestimável valor, que por vezes se mescla ou confunde com o amor, e que dá sentido ao caminho que cada um percorre na vida, tornando-o mais leve ou curto, sendo por isso essencial a uma existência mais feliz.
O autor faz imensas referências bibliográficas ao longo de todo o livro, desde escritores, poetas, filósofos, teólogos, modernos e antigos, cujas contribuições são o início de reflexões ou a sua conclusão ou reforço de raciocínios. Muito interessante... ao lê-lo estamos simultaneamente a ler (e no meu caso a conhecer!) muitos outros autores. Para além disso, o fio condutor dos vários capítulos e pontos é a Bíblia. É através da história de Jesus Cristo e das personagens bíblicas que vão sendo dados exemplos, vão sendo colocadas questões e apresentadas possíveis respostas.
Gostei imenso. É aquele tipo de leitura que nos faz sentir crescer por termos aprendido muito a diversos níveis. Foi isso que eu senti.

Frases ou ideias de que gostei particularmente (...ou  que, por alguma razão, me chamaram à atenção...):

«Ao lado do teu amigo, nenhum caminho será longo.» Provérbio japonês

"... E isso serve-nos de desculpa para não fazermos a única coisa que Deus espera realmente de nós: sermos nós próprios."

"Projectamos em Deus expectativas que Ele não pode ter a nosso respeito, porque respeita a nossa liberdade, aceita o desconhecido que há em nós, o estranho que nos habita, o enigma que somos."

"Ele não é o espião metafísico, pronto a contabilizar as nossas falhas e desvios, ou então a condecorar-nos pelas nossas boas ações e piedade."

"Por vezes, a ânsia que temos de ser poupados aos sofrimentos do presente torna a religião uma coisa muito confortável, feita à nossa medida, como se a religião fosse um clube de escapistas. ... O caminho da amizade com Deus, porém, é outro. É necessário amar a Deus sem ser por nada. Amá-lo, simplesmente. «A rosa não tem porquê./ Floresce porque floresce./ Não cuida de si mesma./ Nem pergunta quem a vê...», ensina Angelus Silesius. Ou, como escreveu Gertrude Stein, «uma rosa é uma rosa é uma rosa»."

«Não é preciso falar» ..."Como é que percebemos que duas pessoas que não conhecemos são amigas? Pela forma como conversam? Certamente. Pela forma como riem? Claro que sim. Mas ainda mais por nitidamente abraçarem, com serenidade e alegria, o silêncio uma da outra."

"amigo (réa, em hebraico)..."

"Os amigos não defendem apenas o nosso sorriso: oferecem-nos o tempo para chorarmos o que temos de chorar."

"O desejo do amor confunde-se com a nostalgia de reencontrar a unidade perdia: na origem, fomos cortados em dois e, de um só, ficaram duas metades. Assim, através do amor, cada metade procura a que lhe corresponde."

"... para Platão (em O Banquete), o amor é também uma passagem do sensível ao inteligível, da beleza dos corpos à beleza das ideias, do eros à amizade. ... na voz de Diotima... «Corre por aí um ditado que diz que amar é andar em procura da sua metade... Todavia, em meu pensar, não existe amor de uma metade ou de um todo. (...) O amor é desejo de possuir o Bem para sempre»... Por um processo que nos leva do particular ao universal, do físico ao espiritual, do belo ao bom. É uma via de ascese intelectiva que nos faz passar da beleza de um corpo à de todos os corpos, dos corpos belos à beleza da virtude e do conhecimento, até que, a verdade do belo, levada às últimas consequências, nos abra ao bem e à sabedoria."

"A escolha dos amigos, não sendo simples, deve ser igualmente criteriosa."

"Sem amizade a mulher ou o homem viveriam como exilados."

"Um amigo é um outro eu de mim."

"Os amigos são paralelas que só no infinito se encontram."

Aristóteles «Aquele que tem muitos amigos, não tem nenhum amigo.»

Rimbaud «Eu sou um outro.»

"Muitas vezes o nosso conflito e a nossa dor nascem de um impasse: por um lado, não somos capazes das linhas de continuidade que idealizamos e, por outro, não estamos muito preparados para valorizar, de um ponto de vista espiritual, as modificações permanentes pelas quais passamos."

"... essa dimensão silenciosa e submersa..."

"O quotidiano é o que nos revela mais intimamente..."

"Os antropólogos dizem que, quando se sabe onde se come, como se come, com quem se come e o que se come, sabe-se o mais portante acerca de um grupo humano."

"A autoconsciência da sua fragilidade era também o motor da sua abertura à amizade..."

Romano Guardini «Para mim mesmo, eu não sou simplesmente uma coisa evidente. Sou também um estranho, sou enigmático, poderei mesmo dizer que sou um desconhecido.»

Marcel Proust «tornámo-nos semelhantes a esse fidalgo que, partilhando desde a sua infância a vida dos ladrões de estrada, não se lembrava mais do seu nome.»

Santo Agostinho «Só não perde nenhum ente querido aquele para quem todos são queridos naquele que nunca se perde.»

«animi custos» alma custódia; «animi consors» alma gémea

"... certas situações que começam por ser uma tão arrebatada e exclusiva comunhão de almas que terminam numa confusa e banalizada confusão de corpos."

Um homem entra num mercado e lembra-se que não prendeu a sua bicicleta que deixou à porta do mercado. Corre aflito e angustiado já augurando que lhe a tinham roubado. Diz a Deus que se a bicicleta ainda lá estiver ele correrá até ao templo mais próximo para rezar e agradecer-Lhe. Assim o fez. Quando saiu do templo, tinham-lhe roubado a bicicleta... "A amizade é uma arte de desprendimento."

"O amigo dedicado" de Oscar Wilde... Hans e Hugo... a farinha e a amizade...


Jacques Ellul «é necessário profanar o dinheiro"

... a gratuidade e a felicidade...

... A vida antes da morte...

... zonas silenciosas, territórios de fronteira do nosso ser...

"... o alaúde foi construído à navalha e depois solta uma música incrível. Muitas vezes, é a dor que escava em nós profundidades que, depois a alegria vai encher..."

Bonhoeffer «Deus não realiza todos os nossos desejos, mas é fiel a todas as suas promessas.»

Filho de Sara e Abraão... Isaac significa "Deus sorri."

Wislawa Symborska «Devo tanto àqueles que não amo»

"Nenhum golpe nos fere tão fundo como aqueles que nos chegam de um amigo, de um irmão" "Só quem me ama me pode trair."

"É verdade que temos de perguntar-nos se as nossas deceções não se prendem demasiado a uma visão narcísica da amizade ou a uma confortável projeção de expectativas no outro, das quais nem todas serão legítimas ou sensatas."

"... a mais emblemática história de traição de um amigo: a protagonizada por Judas..."

Evangelho de Judas - "Em vez de um traidor, Judas é descrito como um discípulo obediente, executor fiel de uma ordem do próprio Jesus que precisaria desta colaboração para consumar o seu projecto de salvação. Sem o gesto de Judas, Jesus não alcançaria afinal a sua Páscoa. Por isso, o próprio Jesus convence Judas a entregá-lo" «Levanta os olhos e observa a nuvem luminosa e as estrelas em redor. A estrela que indica o caminho é a tua estrela.»

Nikos Kazantzakis - A última tentação de Cristo (1951) «Nós temos de salvar o mundo, ajuda-me.»

Judas - «o Predilecto», em hebraico. (o amado)

Judas Iscariotes beija o seu mestre... entregando-o. "Salve, Mestre!"

Ish - homem, em hebraico

"Judas era o único discípulo natural da região da Judeia, visto que os outros onze eram galileus."

"Judas traiu porque se sentiu traído."

Fernando Pessoa na primeira página do livro do desassossego «A alma é um abismo obscuro...»

"Ser só é diferente de estar sozinho. Todos nós somos sós, mas ficar sozinho é a consumação, ainda que temporária, de um corte. Passamos a viver numa bolha insonorizada, cada vez mais isolados."

... mistagogia - entrada progressiva no mistério...

Pseudo-Dionísio, teólogo e filósofo neoplatónico, por finais do séc. V desenvolverá a mística do silêncio. 

A importância do silêncio.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Surrealidades do meu dia-a-dia #44

O edifício onde vivo está a ser pintado. O objectivo é contratar um pintor, pagar-lhe, e daí a um certo tempo ter as paredes todas pintadinhas e bonitas. Ponto. Sem trabalhos ou despesas acrescidas. Não é pedir muito pois não?! E de facto, o edifício está a ficar lindo mas desde, e à conta de, que as pinturas começaram, só me têm acontecido peripécias:

1 - Os senhores pintores precisaram lavar as paredes antes de rebocar e pintar. Muito bem. Utilizaram a canalização da minha cozinha. Tentaram na saída de água para a máquina de lavar loiça... parece que não estava com muita pressão... e entretanto fecharam-na de tal maneira que a máquina deixou de funcionar e não davam a torneira aberta outra vez... portanto passaram para uma segunda torneira, também na cozinha. Esta já serviu para o efeito. Mas houve ali uns percalços e... a cozinha inundou! Sim, inundou! Tiveram de desmontar os móveis para não incharem e apodrecerem com a água e tirar tudo de dentro dos armários junto ao chão... Sim... uma bela tarde cheguei a casa, pensando no quão bonito o edifício estaria a ficar e tive uma experiência apocalíptica quando chego a casa. Fiquei um bocadinho... só um bocadinho... chateada...;

2 - Os senhores pintores tiveram de desmontar um estendal que tenho de parede. Depois de pintar a parede, voltaram a colocá-lo no sítio. Sim, foi mesmo só colocar... não foi montar. Porque aqui a lavadeira foi estender a roupa lavada e cheirosa e eis que ela caiu direitinha no chão, que estava cheio de massa de reboco. Maravilha! Em seguida, fiz um exercício de respiração... longo, muito longo. Peguei no estendal. Montei o estendal. Voltei a lavar a roupa e lá a estendi. Agora bem. Entretanto reparo que o corrimão de uma das varandas já tinha sido pintado. Está muito bonito... e para mais tarde recordar tem também as impressões digitais e manuais e braçais de um deles ou de vários (os pintores), que andaram lá a mexer quando a tinta ainda não estava seca. Mantive a calma. Mas já a sentir a pressão na panela....;

3 -  Certo dia de manhã chego ao carro. Parecia que tinha nevado e todo, mas todo mesmo, (capot, tejadilho, vidros, laterais, espelhos... até a traseira!) o carro estava sarapintado de branco. Gelei. Logo logo nem queria acreditar. Passei os dedos pelas pingas de tinta e não saiam. Experimentei com a unha. Saiam mal.... Fui portanto em modo emergência até à lavagem mais próxima, antes que a tinta secasse mais, e após uma boa quantidade de € e paciência a lavar e a insistir nalgumas zonas em que a tinta parecia já fazer parte da pintura do carro... lá consegui tirar. Não tudo. E o brilho das pingas ainda se nota noutras partes... Nesta fase passei de chateada, piurça... a rir-me com a situação. Mas um rir triste. Porque... o que é que podia acontecer mais?!?;

4 - Já um bocadinho temerosa... enquanto estas pinturas durarem parece-me que a cada dia vou ter uma (desagradável) surpresa... lá vou levando um dia de cada vez, e a rezar para que esta m... acabe rápido! Eis senão quando... tan tan tan... fui abrir uma persiana de uma das janelas e... parti a dita cuja. Porquê? Porque do lado de fora (que eu não via porque a persiana estava fechada!!!) os senhores pintores resolveram encostar um vaso enorme e pesadíssimo que tenho com um cacto aloe vera mesmo junto à persiana, de tal forma que quando a tentei subir... o vaso veio atrás e como era muito pesado... desencaixei e parti o tubo da persiana!!! Ficou inutilizável. Nem para cima nem para baixo! Respirei fundo e sim... senti raiva e frustração.
Lá arranjei um senhor que arranja (passo o pleonasmo!) persianas. Olhou para a situação e soprou, soprou... disse logo que o caso era muito complicado. Ainda por cima não se consegue aceder directamente ao tubo porque a construção da janela não o permite (e por essa razão ainda levei uma valente "chazada" do senhor... como se eu tivesse algum tipo de responsabilidade da janela ter sido construída assim). Mas depois de tanto soprar lá arranjou forma de remendar (não de emendar!) a situação. A persiana já voltou a subir e a descer. Mas de forma provisória!! Ou seja, pode deixar de conseguir utilizar-se ainda hoje, amanhã ou daqui a um qualquer tempo indefinido! 
O meu estado de espírito actual? Zen. A aguardar a próxima!

Aconteceram mais uns quantos dissabores que nem vale a pena estar aqui a descrever...

Pronto. Quero acreditar que isto no fundo só pode ter sido uma forma concreta de eu perceber a evolução entre estados de espírito aparentemente distintos. Serviu para demonstrar que a serenidade e boa-disposição por vezes provêm de uma atitude consciente e resiliente de aceitação e de saber relativizar as situações desagradáveis ou adversas que inicialmente nos induzem em estados de raiva, frustração, irritação, tristeza, cansaço e desespero. Portanto... obrigada senhores pintores por este maravilhoso ensinamento.... (embora eu preferisse não ter de passar por tanto estados menos zen...hummmmm)
Ah! E o edifício está a ficar lindíssimo! :)

Surrealidades do meu dia-a-dia #43

(no meio de um diálogo)

Sobrinha - Tia, eu acho bêim!
Eu - Oh M., não se diz bêim. Diz-se bem! Só assim: bem! Experimenta lá!
Sobrinha - Bem! É assim? Bem! Está bem dito! Bem! Bem!
Eu: Sim, é isso mesmo. Assim já está bêim!

:D :D

Faz o que eu digo, não faças o que eu faço!!

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Surrealidades do meu dia-a-dia #42

Vou buscar a minha sobrinha à escola. Quando me encaminho para a sala da turma dela reparo que está vazia. Aliás, não há crianças em nenhuma das salas! Neste momento passa uma senhora de meia idade que, pela farda que trazia vestida, me fez perceber que trabalhava ali. É uma auxiliar de educação. Perguntei então a esta funcionária onde estavam as crianças. Ela lá me disse que estavam numa sala diferente por causa de uma reunião que ia haver nessa tarde. Entretanto tivemos este interessante diálogo:

Ela - Pois, hoje os meninos estão todos na sala de acolhimento. Quem é que vem buscar?
Eu - Eu venho buscar uma menina, a M., da turma tal!
Ela - Ah sim, estou a ver. Você é-lhe quê?
Eu - Sou tia!
Ela - Ah é a tia! Então e o que é que é aos pais?
Eu - (what?!?!.... Isto será para algum concurso de parentescos?!) Ora, então... sou irmã!... Neste caso, da mãe!

Tipo... isto foi estranhamente... estranho!

Surrealidades do meu dia-a-dia #41

Ir no trânsito a fritar da pipoca, cheia de pressa e a maldizer aquela alminha que segue à nossa frente e que parece ser de uma qualquer família reptilia que faz tudo em câmara lenta, no devagar devagarinho... e eis que... travando em cima da criatura... reparo que ela traz escrito na bagageira uma mensagem muito apropriada para mim:
"Tem pressa?! Acorde mais cedo!"

Toma lá!... vai buscar Ana Di! 
Criatura reptilia do carro da frente 1 - Ana Di 0


segunda-feira, 20 de junho de 2016

Boa semana!


A religião devia ser uma forma de nos elevarmos e portanto de ganharmos consciência de nós próprios e de tudo o que nos rodeia, induzindo-nos num estado de contemplação, aceitação, compreensão, amor e harmonia. Tudo que seja diferente ou desviante disso... pode ser um sem fim de coisas e situações mas religião não é certamente!

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Leituras - "Amor Terapêutico"

de Eduardo Brito Aranha. 2006.


O autor, Eduardo Brito Aranha é um médico português, de clínica geral, de 69 anos. Depreendo do que lhe leio (sim porque eu também leio porque gosto de ler o autor, de tentar perceber a mente que escreveu o que escreveu) que é muito observador, bem-humorado, perspicaz e um tanto ou quanto acutilante. Gosta de sátira, mas sem ofender directamente ninguém. Consegue colocar em palavras e atitudes diferentes tipos de pessoas e personalidades. Consegue captar muito bem o típico espécime portugues(inho/ão). Percebe-se que é alguém que ouve muito. Que escuta muito. E que regista cada pormenor de cada um, e da sua história. Com um misto improvável de generosidade e espírito caçador.
Neste livro, cujos textos surgem de forma encadeada, muito em redor de uma família tanto surreal como usual (!!!), os Sarmento, apresenta diferentes histórias de vida e portanto coloca em comparação diferentes perspectivas de vida. Cujas características se percebem desde a forma de falar e as palavras empregues até à forma como efectivamente se sentem e vivem as situações.
Irónico e sagaz. E também descontraído.
Gostei. Ri. Pensei.

Algumas frases ou ideias:

"...nós, Graças a Deus, aqui em Portugal até nem nos podemos queixar muito, vamos tendo sol e dinheiro para a bica..."

"... Nós gostamos de estar entre os braços de um homem, mas vocês gostam é de estar sempre entre as pernas de uma mulher."

"... os estudos e o vil metal é que contam neste mundo-cão..."

"Infelizmente para ganhar a vida, tenho primeiro de a gastar."

"... já desde a Idade Média que o poder espiritual e o poder político têm andado de braço dado..."

"Vivo num país perigoso para quem tem valor próprio..."

"Não fiz perguntas. Não sou de fazer perguntas para chegar a conclusões. Gosto mais de ir ouvindo o tempo que for preciso, depois juntar os elementos considerados suficientes para poder ter o prazer de concluir."

"O mundo tem evoluído?... Como é que o desenvolvimento científico tem contribuído para a verdadeira liberdade? Ou chamar-se-á liberdade não ter que levantar as nádegas dum sofá para mudr o canal ao televisor? Não sei se na verdade este século não terá contribuído ainda mais para agrilhoar o pensamento, disfarçando hipocritamente as novas algemas sociais em tretas como o fim da escravatura ou da pena da morte. Acabaram realmente?"

"Acabou a guerra de África e a polícia política. Vota-se, lá isso vota-se, mas para quê? Para nos tentarem convencer que o partido em que votamos defende os nossos interesses, quando no fundo, votando, contribuímos ainda mais para apoiar a plutocracia que assim se vai sedimentando." "Sou eu mais inconformado que ele, até talvez mais à esquerda. Mas continuo a perguntar à esquerda de quê e para quê."

"Uma língua evolui através de erros e de aventuras fonéticas, sintácticas e morfológicas, tanto do ponto de vista popular, como erudita."

"Antigamente dizia-se que a dentada de um cão se curava com a saliva de outro, agora chamamos a isso amor terapêutico."

"Muitas vezes compensamos uma perda através de um péssimo ganho, constituindo no fundo uma tentativa auto-terapêutica de compensar o luto. Saltamos um muro - e quanto mais alto ele for, menos vemos o que há do outro lado - e saltamo-lo para o pior sítio. Pode ser mau, mas é do lado de fora e liberta-nos da anterior vedação."

"A teoria de Nietzche acaba por se confirmar. Mesmo os chineses dizem que qualquer civilização que comece por recusar matar os seres inferiores para a sua alimentação, mais tarde ou mais cedo, extingue-se."

"Quando uma sociedade atinge um determinado grau de desenvolvimento, parece deixar de matar para ter comida e ser a comida que a mata a ela."

"Bem sei que tenho uma sanidade mental, nalguns aspectos duvidosa, mas tento que ninguém descubra as minhas idiossincrasias. Penso que nenhuma das mulheres com quem me tenho envolvido desde jovenzinho, ainda descobriu que só as aceito se o seu nome começar por "F". De contrário rejeito-as no navio do amor. Podem ser nomes repetidos, como foram as quatro Fernandas. Ainda nenhum psiquiatra conseguiu compreender a razão de tal parafilia ou comportamento compulsivo. Ou então, tenho sido eu que manobro as conversas ao ponto de eles não conseguirem descobrir."

"Milagres, só os que fazemos uns aos outros."

"Um dia, quando o sol arrefecer, daqui a muitos milhões de anos, poderão existir muitas referências ao passado, mas nunca uma memória suficientemente assertiva para as interpretar de forma adequada."

Bom fim-de-semana!


Olá pessoas!
Está calor. Tudo de repente se dilata e adquire uma saborosa e anestesiante sensação de bem-estar.
 Está um feriado aí à porta.
Está-se num país com locais lindíssimos para se estar e passear.
Está-se num país de praias paradisíacas... portanto(sssss) toca a aproveitar o fim-de-semana grande e curtir este tão aguardado e almejado bom tempo.
 Beijinhos!