sexta-feira, 26 de maio de 2017

Bom fim-de-semana!


O tempo anda meio maluco mas é fim-de-semana! Há que aproveitar! Nem que seja para descansar!

Bom fim-de-semana!
Beijinhos

Reflexões aleatórias de mim para comigo própria... #4

1 - Acerca da saudade e do saudosismo. Na verdade (ou as saudades de verdade) são tão maiores quanto menor o tempo decorrido e mais vívidas e presentes forem as recordações dos momentos sentidos. Essas são as mais verdadeiras porque ainda se baseiam na realidade/verdade. À medida que o tempo passa, as recordações dos momentos vão ficando mais difusas e aquilo de que achamos sentir saudade pode até nem ter ocorrido ou existido alguma vez. Saudade, saudade tem-se de verdade da realidade recente e tem validade na sua autenticidade primária. Aquilo que se vai sentido depois, com o passar do tempo, é uma mistura de coisas que a nossa mente vai construindo e que nos faz acreditar que devemos sentir falta, algo que está mais relacionado connosco e menos com os acontecimentos ou factos, que depende das nossas expectativas, desejos e do nosso estado espírito, e não necessariamente algo que tenha acontecido ou sido na realidade;

2 - Tomé, o Príncipe! (?!);

3 - A maior ou menor facilidade/fluidez do amor reside precisamente no seu grau de realidade.


quinta-feira, 25 de maio de 2017

Londres, ao som de...




Chuva. Janeiro. Londres. Noite. 

Enquanto esperamos, um doce murmúrio
Embala e aquece a noite fria e chuvosa
Fecho os olhos e deixo-me levar
De repente já não há cansaços nem preocupações
Não há cidade nem trânsito nem confusões
Tudo isso se esfuma e se desvanece
A realidade sustem o seu próprio respirar
Só para nos contemplar
Num abraço melodioso com sabor a amor
Marcamos o nosso ritmo ao som do teu cantar
E assim ficamos, e nele continuamos... a dançar.


Murmullo - Buena Vista Social Club

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Boa semana!


Depois de um fim-de-semana Portugalmente (?!) grandioso e feliz para o país, com a vinda do Papa Francisco, a vitória do Salvador Sobral no Festival da Eurovisão (com uma música linda!), e ainda o Tetra do Benfica que conquistou este ano o seu 36.º título de campeão e encheu o Marquês em Lisboa com milhares de adeptos e simpatizantes... (Sim, gosto do Papa Francisco e da pessoa que ele é e nos inspira a ser, Sim gosto do Salvador Sobral e da sua genuinidade, simplicidade e clareza de espírito, e  e Sim sou do Benfica!!!!!)... resta sentirmo-nos orgulhosos, confiantes mas nunca desligarmos o foco num caminho de bem, verdade e trabalho.

Beijinhos!

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Lisboa - Perspectiva da Ponte 25 de Abril


Bom resto de semana a todos! ;)

http://deumlado-outrolado-fotos.blogspot.pt/2017/05/ponte-25-de-abril-lisboa.html

Desafio

Há alguma coisa de errado com esta foto?


"...foto de Donald Trump a discursar após a Câmara de Deputados dos Estados Unidos aprovar o fim do sistema público de planos de saúde no país. Ainda não descobriu o que há de errado nesta imagem que data da semana passada? Olhe para os rostos dos políticos atrás do presidente norte-americano. São todos iguais.
A ideia de editar a imagem para mostrar todos os políticos com a face do senador Mark Meadows veio de uma administradora do siteBuzzfeedAmanda Holland colocou a foto editada na rede social com a pergunta: "Terias notado se eu não dissesse nada?".
Muitos utilizadores das redes sociais assumiram que não teriam notado.
A presidência de Trump é alvo de críticas pela falta de representatividade das minorias no Governo. A brincadeira é um exemplo de como todas as decisões nos Estados Unidos são tomadas por homens com os mesmos ideais políticos."

Surrealidades do meu dia-a-dia #47

Conversa sobre o jogo da Baleia Azul com uma "pirralha" de 6 anos:

Ela - Se te convidarem para o jogares o jogo da baleia azul, por favor não aceites! É que primeiro as pessoas fazem cortes nos braços, depois atiram-se de sítios altos, e depois matam-se a elas próprias!!!

Eu - Pois é. Tens toda a razão. Esse jogo não presta. Não traz nada de bom. Nem sequer é interessante! E também qual a piada de se matar a si próprio?! Depois deixa-se de poder brincar, fazer anos e festas, viajar, conhecer novas novas, e aproveitar a vida! Que parvoíce esse jogo... realmente! Não tem mesmo sentido nenhum!

Ela - Sim sim, eu também acho isso. E aqueles que chegam ao final, a matarem-se a eles próprios... esses de certeza que ficam magoados e se os voltarem a convidar  acho que vão pensar muito bem antes de aceitar outro convite!

Eu - .... ahhhh... pois... nem que seja porque já não estão cá para receber o convite!... :(

Ela - Olha, se um dia qualquer me perguntarem se quero participar num jogo ou até mesmo num torneio (?!?!?!?) da baleia azul eu cá digo logo que não!

Muito bem. Lição bem aprendida!

:)

E efectivamente... não sei que mente retorcida inventou um "jogo" destes. É altamente perverso e assustador que alguém se divirta a explorar as fragilidades e o desespero dos outros, levando-os à morte auto-infligida. Espero que acabem com esta rede rapidamente, sejam castigados e punidos os responsáveis, e que as pessoas (os utilizadores da internet e das redes sociais) comecem a pensar por elas próprias. Vivemos num mundo com acesso tão facilitado a tanta informação... seria de esperar que as novas gerações fossem mais informadas, conscientes e pensantes. Mas não... parecem ser mais baralhadas e influenciáveis. Essa sim é a grande raiz do problema, porque sem esse combustível o resto da fogueira não chegaria a arder... !

terça-feira, 9 de maio de 2017

Surrealidades do meu dia-a-dia #46

Há cinco tipos de pessoas que vão assistir a uma conferência/debate:

1 - os que organizaram a coisa (conferência/debate) e portanto costumam estar super entusiasmados e a querer absorver tudo, a participar e a fazer para que corra tudo bem;

2 - os que vão e, obrigados ou não, dão atenção ao que se está a falar e por vezes descobrem que o tema é interessante e lhe ensinou algo. É a chamada (chamo-lhes eu!) plateia construtiva e educada;

3 - os que vão mas levam o tempo todo a falar com o vizinho do lado sobre temas tão interessantes como a apanha do gambuzino e afins, não só não ouvindo patavina do que se está a falar/debater, como ainda atrapalhando os que gostariam de ouvir mas não conseguem devido ao barulho que estão a fazer. São a plateia incomodativa e indesejada;

4 - os que vão e que agarram no telemóvel, põem aquele ar sério e compenetrado na cara, tipo "estou a fazer apontamentos de tudo o que se está aqui a passar" mas depois na prática estão a fazer scroll no facebook, a ver os mails ou a jogar jogos (passo o pleonasmo!). São a plateia vim-só-descansar-um-bocadinho-aqui-sentado. Bem... ao menos estes não estão a incomodar quem quer ouvir o debate. Estão mesmo só a ocupar cadeiras;

5 - os que vão, estão ali, estão a olhar para os conferencistas, mas a cabeça está longe, estão a pensar noutras coisas mais importantes para eles naquele momento. São a chamada plateia aluada ou lunática (de uma forma ou outra são... coisas da lua.... ahahahahaah). Por vezes, conseguem ouvir ou apanhar excertos do debate e quem sabe ter alguma ideia do que se discute;

Conclusão desta importante e pertinente análise de plateias?!?!?

Os 3, 4, e 5 vão. É certo. Mas vão lá fazer o quê? Acima de tudo os 3 e os 4? E porquê? Ninguém sabe. A Humanidade ainda não descobriu a resposta a esta importante questão! 
Eles vão, sim... mas não precisavam mesmo mesmo ter ido.

E tu, que tipo de plateia és tu?

(sim sim... é que isso diz muito de ti... e também do tema do debate... vá!)

Surrealidades do meu dia-a-dia #45 (Ditadura do telemóvel ou... Prioridades invertidas!)

Hoje em dia parece que vivemos na ditadura do telemóvel, vulgo prioridades invertidas, vulgo... passo a explicar. O som alto ou inesperado actua no nosso cérebro como um alarme, uma situação urgente que desperta em nós uma sensação de urgência ou até mesmo de emergência. Até aí... ok, mas não levemos isso ao limite, ou melhor,  tentemos controlar essa nossa reacção natural quando sabemos que não de adequa ao momento em que ocorre. Uma coisa é termos uma ambulância a soar atrás de nós, sinalizando que alguém está em perigo de vida, e isso nos faz automaticamente (e ainda bem) ajudar ou pelo menos não empatar o seu caminho. Outra bem diferente são situações banais do dia-a-dia que surgem no normal decorrer da nossa lidação uns com os outros (e porque é que lidamos uns com os outros?! Porque efectivamente somos seres sociais, temos necessidade de partilhar e não só conseguimos mais facilmente sobreviver e viver num ambiente de entre-ajuda e cooperação como isso acaba por potenciar tudo o que fazemos, em comum, gerando sinergias em que o todo é sempre mais do que a soma isolada das partes. Há pouco tempo ouvi algures que o ser humano é o único animal cujo parto precisa que a mãe e o bebé tenham ajuda, exigindo por isso a presença e auxílio dos nossos pares. Só por aí podemos reflectir e concluir que de facto não somos nada sozinhos e que nos organizamos e vivemos em sociedade por alguma razão, a começar pelo começo da vida!...). Voltando ao pensamento anterior, falava eu sobre situações banais que despertam em nós sentimentos de urgência sem de facto o serem.

Isto podem parecer mesquinhices mas se pensarmos bem, não são. É nos pequenos actos que nos revelamos e nos respeitamos. Por exemplo, é comum estarmos a falar com alguém ou a fazer algo que consideramos importante, e se de repente o nosso telefone toca... é imediato (em 99% dos casos) que interrompemos a nossa conversa inicial ou paramos de fazer o que estamos a fazer, para... atender o dito cujo, que toca insistentemente como que a exigir, a ordenar que o atendam. E nós, fazemos continência e... atendemos! Parece ridículo descrever assim este tipo de situação mas já pensaram bem no que é que este "pequeno" gesto significa verdadeiramente?
Significa que por momentos não temos mão naquilo que fazemos e a quem fazemos, e portanto naquilo que somos, aos nos deixamos comandar por prioridades invertidas, abdicando de marcar a diferença e fazermos o que é mais difícil mas correcto.

Se há coisa que detesto que me façam (e eu própria também já o fiz uma ou outra vez...) é estar a falar com alguém e o telefone dessa pessoa toca, ela atende, e interrompe a nossa conversa, ficando eu ali (que por norma ando sempre cheia de pressa!), especada feita parva a olhar para o meu interlocutor (que entretanto me descartou ou despriorizou) a decidir para com os meus botões se devo ser paciente e tolerar uma coisa que me enerva ou fazer um tchau à pessoa e abalar?! É irónico que se optar pela segunda opção eu seja considerada a antipática da cena quando em primeira mão foi a outra pessoa que primeiro o fez, ao atender o telefone e a deixar-me ali "em espera". Considero isso uma enorme falta de respeito. 

Há situações e situações. Telefonemas e telefonemas. Pessoas e pessoas. Por vezes estamos simplesmente à espera de uma resposta urgente, ou alguém que não costuma ligar-nos ou a determinada hora o faz significa que pode haver algum problema, ou por motivos de trabalho estamos dependentes das chamadas que nos fazem.... mas no geral, e não me venham dizer que não, porque todos sabemos muito bem distinguir este tipo de "prioridades", não se trata deste tipo de urgências. São, por norma, coisas banais, tipo uma amiga ou amigo a combinar um café ou a comentar o que viu na tv ou leu no jornal, etc etc.

Há dias entrei eu numa loja. Tinha o carro mal estacionado. Disse ao senhor vendedor que eu estava com pressa, mas que sabia o que queria, portanto seria mesmo só "pagar e levar". Muito bem, disse o simpático senhor. Esta é uma daquelas lojas antigas de pequenos electrodomésticos, daquelas que já não há muitas, muito sui generis e tradicional. O senhor, na casa dos oitenta anos, atrás de um balcão velho de madeira também ela velha, sentado, com um certo ar prostrado e de marasmo, boina poisada sobre a mesa. Penso que dá para perceber a envolvência... Ora eu peguei no que queria, dirigi-me rapidamente ao balcão e disse que queria pagar. O senhor vendedor acenou vagarosamente com a cabeça, sorriu, disse que eram x€ (que eu já levava na mão para pagar) e começou a passar o recibo. Num daqueles blocos antigos com papel químico, em, que o recibo é preenchido integralmente à mão e depois o vendedor dá-me o original, guarda outro para si e outro para a contabilidade. O momento de passar o recibo foi moroso... já esperava que assim fosse e nada referi, pus-me apenas a esperar. Nisto toca o telemóvel do senhor. O que é que ele fez? Este senhor já velhote e a quem eu sempre associo uma atitude de cordialidade, respeito e decoro. Ora... Ele... parou de me passar (a merda do recibo... sorry! foi o que pensei naquele momento!) o recibo e atende o telefone. (eu cerrei os lábios e não disse nada...) A conversa era de chacha, "ah sim sim passa cá amanhã, já há tempo que não nos vemos, sempre pomos a conversa em dia...", e eu ali a sentir-me como uma daquelas panelas que se vendem também nesta loja (sim... uma panela de pressão!), mas não lhe disse nada. Cúmulo dos cúmulos, enquanto decorria o dito telefonema, toca o telefone fixo da loja. O que é o senhor faz? Faz-me sinal com os olhos como quem diz "não dou conta de tanta solicitação!!!" e diz à pessoa com quem estava a falar no telemóvel que espere um bocadinho, e... atende o telefone fixo. Ora bem, deixou-me primeiro a mim à espera, que sou cliente dele e lhe disse que estava com pressa e estava a pagar, deixou depois também à espera o tal amigo no telemóvel, e ali estamos nós naquela situação ridícula. Dei comigo a pensar que realmente há qualquer coisa de errado e incorrecto nisto. Algo que me incomoda solenemente. Porquê? Porque significa que nos desrespeitamos uns aos outros por nada. E isso, é gravíssimo! 
Para que conste, a conversa no telefone fixo também era de chacha, ou seja não urgente.
Terminou esse telefonema, depois o outro e depois então o senhor lá acabou de me passar a factura-recibo. Exactamente por esta ordem. Que está ou não invertida, analisada à luz das prioridades das coisas deveras importantes?!
Eu nada disse. Esperei. Pensei. Reflecti. Aprendi. E vim embora, com o recibo numa mão e a compra na outra.

Se não tiverem mais nada que fazer... pensem um bocadinho nisso. E juntem-se a esta grande e hercúlea luta contra o regime ditatorial do telefone a tocar.

Obrigada! 

terça-feira, 18 de abril de 2017

Escrever - Poema disforme à escrita

Escrever. Gosto de escrever. Escrever só porque sim. Gosto de sentir que as palavras me saem pelas pontas dos dedos. A maior parte das vezes sem permissão, sem filtro nem crivo, sofregamente a tentar raiar a luz do dia. Para serem escritas, tocadas, e lidas, pensadas. Elas, as letras e as palavras, chegam tão naturalmente que chega a ser difícil controlar quando chegam e como saem. Mas reparo que chegam de um sítio denso e emaranhado, por vezes escuro, repleto de pensamentos aleatórios e encadeados numa qualquer singular ordem desconhecida e inexplicável das coisas e dos acontecimentos. Mas chegam e querem fazer-se ouvir. Têm sempre tanta e pouca coisa para dizer. Tanto de indirecto, subjectivo e relativo. Pouco, muito pouco, de oferecido. Cá estão elas. A brotarem-me pelos dedos. A deliciarem-me com esse prazer. São no fundo e resumidamente catarse da alma e do ser. 

Disformidade poética disfarçada. Disfarçada de nada.

Imaginary moments

And yet we stayed there, staring, frozen at eachother
Quiet, silent, not a single sound
I watched you slightly move away from my view
I begged no!, please dont go! i missed you so...
And i guess you knew, we needed no words, afertall
We just needed to be aligned again
Looking foward in opposite directions
My eyes on yours, your eyes on mine
And for a moment we travelled together
Revisiting the past, embracing the present
Wondering about the future
Shhhh! Say nothing, dont speak
Just smile.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Leituras - "As Areias do Imperador - Mulheres de Cinza" - Livro Um

de Mia Couto. 2015.


Nunca tinha lido nada de Mia Couto. Sabia que era um poeta e escritor moçambicano, branco, biólogo, e que já tinha ganho alguns prémios. Mais nada. Fiquei a achá-lo profundamente poético.
Comecei a ler as "Areias do Imperador" por curiosidade acerca de Ngungunyane, o último imperador do império de Gaza (dos nguni ou vátuas), o segundo maior império africano, num território que hoje corresponde a metade do sul de Moçambique, e que foi capturado por Mouzinho de Albuquerque em representação da Coroa Portuguesa imperial, em 1895. O Leão de Gaza, como era conhecido Ngungunyane, foi condenado ao exílio e passou os últimos anos da sua vida nos Açores. 

O título "As Areias do Imperador" relaciona-se com o facto de se dizer que, quando Nungunyane morreu não foram os seus ossos que seguiram transladados para Moçambique mas sim apenas uma urna cheia de areia.

Este primeiro volume acerca da história de Ngungunyane e dos portugueses fala de como era a vida numa pequena aldeia autóctone do território que na altura já estava a ser colonizado e explorado pelos portugueses. Fala do medo e da ameaça da expansão dos nguni, que se dizia terem um exército de milhares de homens, destemidos, cruéis e guerreiros audazes. Que espalhavam o massacre e o terror. Fala também da religião cristã e como esta era vivida e sentida no território.

Creio que este Livro Um é isso mesmo, uma primeira abordagem introdutória de como era o ambiente sentido pelos nativos, pelos enviados pela Coroa Portuguesa, e a forma como estes lidavam entre si e simultaneamente com a invasão nguni. Muito focado na terra, e nas cinzas, e na forma como as mulheres sentem e relatam o que vai acontecendo.

O livro consta de dois monólogos que no fundo representam duas visões do mundo, que constroem a história e acabam por ligar-se. Imani, uma jovem africana que retrata os costumes e crenças nativas, de uma forma pura e poética, e do sargento Germano de Melo, um português republicano enviado para o terreno na sequência de uma condenação em tribunal, um homem perturbado pela solidão e pela sua pouca sorte e que se questiona a todo momento da missão para que foi designado.

Entrevista Mia Couto ao Jornal Público sobre a triologia As Areias do Imperador - As Mulheres de Cinza.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

A ti.


Por que me escolheste, não sei
Mas sei que foste tu quem me escolheu
Foste tu quem decidiu chegar e alojares-te em mim, dentro de mim
Foste tu quem decidiu o como e o quando e com quem.
Tenho portanto fé em ti, que pareces saber tudo quanto fazes
Subtil e autoritariamente assim te vais revelando
E eu, de ti vou gostando...
E aceito tudo, a tudo te digo que sim, sem questionar nada
Porque o sentir-te vivo e em mim
Lembra-me que me abençoaste com a tua escolha.

Reflexões aleatórias de mim para comigo própria... #3

1 - Há um aspecto comportamental e emocional nas pessoas (ou em algumas pessoas) no mínimo curioso e intrigante. Quando experienciam uma situação negativa (prolongada ou não no tempo) que as magoa ou faz sofrer, apegam-se de tal forma a esse sofrimento que, quando ele acaba (vulgo, termina a situação que os desagradava), de repente como que passam a gostar e a sentir saudades dessa mesma situação. Porque é que isto acontece? Apegamento à rotina e medo da mudança? Mecanismo de defesa? Não me parece que seja, uma vez que alimenta a dor e impede a libertação e o bem-estar. Isso parece-me tudo menos natural ou saudável. É doença portanto. Só pode!

2 - A pior machadada é de facto aquela que é dada por quem não esperávamos. No fundo tudo se resume e cataloga por expectativas. E nesse sentido, mantê-las baixas (ou mesmo rasas...) é a atitude mais inteligente perante a vida e as pessoas.

3 - Diz-se que quem faz as coisas com alegria raramente encontra dificuldades. É verdade. Chama-se a isso optimismo! Mas por vezes essa força interior pode confundir os outros e levá-los a pensar que, de facto, não se tem noção da realidade ou impacto dos acontecimentos ou não se tem perspectiva a médio/longo prazo das coisas. Mentira. Uma, por si só, não implica nem constitui a outra. Ter fé e seguir o nosso instinto por um caminho de alegria, quietude e serenidade é sempre a melhor de entre todas as opções. Tolo é quem perde tempo a pensar e a fazer o contrário.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Ilha da Madeira







Estive recentemente na Madeira. Foi uma visita muito rápida mas deu para passear e ver paisagens lindíssimas. Já lá tinha estado há cerca de 7 anos. Não me recordava de algumas coisas mas tive a mesma sensação que na altura senti. Que é um destino com muita oferta (coisas para fazer), um clima agradável, boa comida, pessoas simpáticas e paisagens de cortar a respiração. Vale muito a pena!

quarta-feira, 22 de março de 2017

Algures numa parede pelas ruas da cidade de Évora


O que é Arte Urbana/ Street Art? Talvez tenha começado naquilo a que hoje (!!) chamamos de arte rupestre, passando depois pelo muralismo (nos anos 20 e 30), depois ao writing e grafitismo dos anos 70, tendo sempre como alicerce uma certa rebeldia e contra cultura.

Há quem se ache no direito (numa clara atitude abusiva, e portanto desrespeitadora dos direitos dos outros!) de utilizar as paredes públicas (que são de todos e não são de ninguém especificamente) ou privadas (mas não as suas!) para fazer gatafunhos e rabiscos ou escreverem mensagens (muitas vezes com erros ortográficos crassos!) que não interessam nem ao menino Jesus! 

Isto de aperceber determinada beleza ou propósito concreto e justificável num qualquer escrito ou desenho que usualmente vemos nas paredes da cidade é algo subjectivo. Aquilo que para mim pode ser a maior atrocidade contra um bem público e devia ser considerado e punido como crime, para outros pode significar a evolução da sociedade, uma expressão artística de um novo pensamento, o anti-regime e a contra cultura, e ter beleza. O contrário também é possível.
Eu gosto de graffiti. Mas que seja bem feito, pensado, de preferência legal, e que venha valorizar o sítio onde for feito. Aprecio imensos artistas cujo trabalho está nas ruas. Acho-os geniais.
Mas não gosto de ver paredes pixadas/pichadas, com mensagens sem nexo ou individuais, com desenhos mal feitos e mal criados, isso para mim é vandalismo puro e abuso de direito de expressão, na maioria não passam de protestos vazios e desrespeito pelo património. De qualquer forma é muito difícil controlar este tipo de actos. A menos que vivêssemos em locais permanentemente vigiados (e portanto onde teríamos de ceder grande parte do nosso direito à privacidade) é que se conseguiria controlar esses pseudo-artistas-que-não-têm-mais-nada-que-fazer. O eterno dilema. Se queremos mais controlo geral abdicamos de controlo individual. E nessa luta de forças vão tomando expressão a delinquência e outras "coisas" afins...

No sítio onde trabalho foi plantado este pessegueiro há cerca de 3 anos. Este ano começou finalmente a rebentar e a oferecer-nos à vista estas belíssimas e encantadoras flores, estando portanto na fase de quiescência, o que significa que daqui a uns meses há grande probabilidade de termos magníficos pêssegos! Hummmmm nhami! Adoro! E adoro ficar deslumbrada a ver a sua evolução dia a dia. A natureza das coisas e a forma como a vida se desenvolve e cresce continuam a ser os mais belos mistérios. E eu quero, preciso e respiro apreciar tudo isso.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Olá!


 Allô, allô!

Tenho andado desaparecida, eu sei! Tenho andado um bocadinho calada, eu sei! Tenho andado por outros caminhos, eu sei! Há momentos assim. Mas está tudo bem! E mais cedo ou mais tarde volto sempre ao meu Perspectiva.

Bom fim-de-semana!

Beijinhos

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Leituras - "As Guerras Mundiais 1900-1945 As raízes do mundo actual"


"No dia 12 de Dezembro de 1848, Francisco José I subiu ao trono do império austro-húngaro. A electricidade, o motor de explosão, a aspirina, o telefone, a fotografia, o cinema, os automóveis, os aviões, os submarinos, os couraçados, a Itália, a Alemanha, o sufrágio universal ou a Internacional Socialista ainda não existiam quando foi coroado aos 18 nos. Os Estados Unidos ainda não tinham sequer conquistado o Oeste. No Japão, os samurais ainda luziam as suas espadas. Os exércitos exibiam uniformes coloridos e a cavalaria era uma arma temível. O czar, o sultão otomano, o imperador da China e o próprio soberano austro-húngaro representavam poderes com mil anos de história às suas costas." 

"No início do século XX a Alemanha de Guilherme II procurava tornar-se uma potência mundial. Numa época em que a política de massas ganhava força, o nacionalismo estava à flor da pele e a Europa encontrava-se dividida por duas alianças em confronto: Triple Entente (aliança anglo-francesa e anglo-russa) e Tripla Aliança. Esta tensão explodiria nos Balcãs e a agonia do império otomano transformou-se no barril de pólvora da Europa."

"A 1.ª revolução industrial tinha ficado para trás. Sustentada no carvão e no vapor como fontes de energia e no têxtil e no ferro como motores de crescimento económico, tinha permitido à Grã-Bretanha a primazia económica do planeta.
Desde o fim do século XIX produziu-se uma 2.ª revolução industrial, alimentada pelo petróleo, pela electricidade, pelo aço e pela química orgânica.
Como resultado, a Grã-Bretanha cedeu a liderança económica global aos Estados Unidos, que se tornaram a primeira potência industrial do planeta. Em 1913 produziam tanto aço como a Grã-Bretanha, a Alemanha e a França juntas e a sua produção de petróleo nesse ano seria de 65% do total mundial. Na segunda posição encontrava-se a Alemanha (aço e energia eléctrica e a indústria química mais capaz do mundo, uma frota naval que começava a assustar as outras potências)... Na terceira posição a Alemanha... e depois a França..."

"A fé no progresso não era um património exclusivo da burguesia. Também alimentava os movimentos de emancipação dos trabalhadores. Segundo Karl Marx (falecido em 1883), o advento do socialismo era o resultado inevitável das contradições do capitalismo: o poder económico concentrar-se-ia em cada vez menos mãos, enquanto a classe operária não deixaria de crescer até, finalmente, superar a burguesia e instaurar a ditadura do proletariado, último passo até ao socialismo." "... prestes a introduzir massas como protagonistas da vida política."

"Os trinta anos que precederam a IGG foram marcados pelo florescimento exuberante do nacionalismo. Alguns historiadores consideraram-no mesmo a causa principal da contenda. Predominava um nacionalismo de traços agressivos, autoritários e xenófobos, alimentado pelos contenciosos territoriais entre Estados, pelas fricções geradas pela expansão industrial e imperialista e pelo medo de alguns grupos sociais face ao progresso da economia capitalista e da política de massas. Este nacionalismo encontrou terreno fértil numa época na qual a ascensão do socialismo internacional deixava a bandeira do patriotismo nas mãos da direita." "... direita monárquica, católica e anti-semita... contra republicanos, socialistas e gentes da cultura (intelectuais)"

As condições de vida passaram a melhorar. As pessoas passaram a ter tempo para entretenimento, tempo de lazer, e a exigir direitos a educação e saúde. O cinema passou a ter influência na vida das pessoas. A arte em geral, reflexo da sociedade, passou a ser mais presente e considerada. Assim como os meios de comunicação, que moldavam formas de pensar e manipulavam a opinião pública (tornou-se numa arma durante a guerra).

"A França era o Estado que mais rapidamente valorizava o processo da democracia."

"A ideia de uma Grande Sérvia que unisse todos os povos eslavos dos antigos territórios otomanos era uma ameaça para a Áustria-Hungria... "

"A expansão russa na Ásia chocou com algumas ambições do Japão sobre a China. Guerra entre ambos de 1904-1905." 

"O império austro-húngaro não podia ceder nos Balcãs. Se não conseguisse reafirmar o seu poder militar face à Sérvia, o império implodiria sob a pressão dos nacionalismos que o integravam. 
No dia 28 de Junho de 1914 o arquiduque Francisco Fernando José, herdeiro do império, foi assassinado (magnicídio) juntamente com a esposa durante uma visita a Sarajevo, a capital da Bósnia-Herzegovina." "A 28 de Julho de 1914 o império austro-húngaro declara guerra à Sérvia"

De um lado (Impérios Centrais): Áustria-Hungria, Alemanha, (Bulgária), Turquia
Do outro (Aliados): (Sérvia), Rússia, França, (Bélgica), Grã-Bretanha, (Japão), Itália, (Roménia), EUA, (Grécia), (Portugal)

Objectivo da Alemanha - quebrar a Entente, expandir subtilmente o seu império a leste.

A 1 de Agosto de 1914 a Alemanha declara guerra à Rússia, e no dia 3, à França e à Bélgica. No dia 4, a Grã-Bretanha declarou guerra à Alemanha.
A IGG adquiriu uma dimensão geográfica inédita. As duas alianças entraram em conflito arrastando consigo as suas colónias.

No dia 11 de Novembro de 1918 a Alemanha assinou o armistício. Foi intimada a desocupar todos os territórios no leste e oeste, destruir equipamento bélico, entregar locomotivas e submarinos, armamento e aviação e a pagar indemnizações, principalmente à França e Grã-Bretanha.

Conferencia da Paz, em Paris, 1919. Nova ordem mundial. Novas fronteiras. Rédea curta à Alemanha. Controlo da Rússia revolucionária. Princípio da auto-determinação (protegia as reivindicações de novos Estados que correspondessem às nacionalidades dos seus habitantes). Tratado de Versalhes. Sociedade das Nações (SDN) nascida para solucionar futuros conflitos... mas vaticinada à nascença pela falta de meios militares e ausências de países-chave. Viriam a existir muitas queixas à Conferência da Paz, relativamente à "distribuição" de territórios. A nova Europa Central e Oriental tornou-se uma sementeira de discórdias entre os estados sucessores dos impérios desaparecidos. Uma das consequências foi a aproximação entre a Alemanha e a Rússia (Tratado de Rapallo).
 
IGG -1914-1918 - 4 anos de guerra. Morreram mais de 9,3 milhões de combatentes (3,6 dos impérios centrais e 5,7 dos aliados). Por ordem, o maior número de mortes verificou-se nos exércitos russo, alemão, francês, austro-húngaro, britânico, italiano, americano e sérvio. A estes valores ainda acresceram a morte de 12 milhões de civis. Colapso dos impérios russo, austro-húngaro e otomano. A antiga Sérvia foi ampliada para formar o reino da Jugoslávia (os eslavos do sul), incluindo a Eslovénia, Bósnia-Herzegovina (antigos territórios austríacos) e Croácia (antigos territórios húngaros) e o reino de Montenegro.
Saiu uma Alemanha humilhada, enfraquecida, que perdeu, para além do orgulho e os objectivos que tinha com a guerra, território e habitantes. As suas colónias passaram para a França, Grã-Bretanha, Bélgica e Japão.

Alemanha - Lenda da punhalada nas costas - o mito, difundido entre o povo alemão, de que o exército alemão não foi vencido no campo de batalha mas sim atraiçoado pelos socialistas revolucionários e judeus. Acreditava-se numa suposta conspiração que, mais tarde, veio justificar a violência política da extrema-direita.

 "Para pagar o défice criado pelos gastos da guerra, os países não aumentaram os impostos: emitiram mais moeda. O que produziu uma elevada inflação."

Moedas não equiparadas ao padrão-ouro (câmbio do padrão-ouro ou gold exchange standard, adoptado em 1922 na Conferência de Génova, baseava-se no dólar e na libra esterlina como moedas convertíveis em ouro como paridade ou relação fixa. A elas estavam vinculadas as moedas dos restantes países, os quais podiam ter reservas em ouro ou em dólares ou libras) . Exemplo de moeda não equiparada ao padrão-ouro: o papel-moeda, Papiermark alemão. "O valor das notas era inferior ao papel no qual elas eram impressas."

Os americanos não reclamaram "tributos" de guerra à Alemanha mas exigiram à França e à Grã-Bretanha que devolvessem os créditos concedidos durante o conflito.
Plano Dawes - EUA emprestavam à Alemanha que utilizavam o crédito para activar a economia e para pagar as indemnizações à França e à Grã-Bretanha, que por sua vez, pagavam as suas dívidas aos EUA. Aqui se gerou o castelo de cartas financeiro que veio ampliar os efeitos da Grande Depressão. Os EUA tinham um papel de credor mundial e centro financeiro global.

Em Dezembro de 1922 criou-se a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), formada pela Rússia, Ucrânia, Bielorrússia e Transcaucásia. Em 1929 Estaline passou a controlar o Partido PCUS e, por sua vez, o Estado. "Em dez anos, a Rússia transitara do absolutismo czarista para uma nova e mais completa forma de autocracia."

"Em Portugal, as divisões partidárias no seio da Primeira República e o terrível impacto económico provocado pela participação na guerra permitiram a consagração do golpe militar de 1926 e posterior instauração de uma ditadura."

O Feminismo dos anos 20.

Itália fascista de Mussolini (1921), através de movimentos revolucionários da... contra-revolução! Com a aquiescência da Igreja e da opinião católica. (Acordos assinados com o Estado do Vaticano, que impuseram o ensino obrigatório da religião católica. Papa Pio XI)

EUA - "... o desenfreado liberalismo económico e a prosperidade da indústria e das finanças foram contemporâneas de uma dura repressão das greves e da agitação da esquerda. Tal como na Europa, havia um grande descontentamento devido aos altos preços, baixos salários e longas jornadas de trabalho. Muitos americanos relacionavam o conflito social com a chegada de imigrantes do Sul e do Leste da Europa. A esta agitação social somaram-se modificações radicais no equilíbrio étnico do país: milhares de negros abandonaram o Sul segregacionista e dirigiram-se para áreas urbanas do Norte em busca de trabalho na indústria das munições. A população afro-americana de Nova Iorque cresceu 67% e a de Chicago 148%.
Negros, imigrantes e esquerdistas eram vistos como uma ameaça para os valores dos americanos brancos, anglo-saxões e protestantes. (o Ku Klux Klan, criado em 1866, renasceu em 1920's)

"Em 1905 Albert Einstein expôs a sua teoria da relatividade, segundo a qual o tempo e o espaço não eram valores absolutos, mas sim relativos: variavam em função da forma como eram medidos. A concepção do universo cambaleava. E a do homem também com a publicação "A interpretação dos sonhos", em 1900, o neurologista Sigmund Freud abriu a porta ao papel do inconsciente no comporetamento humano. ... Na filosofia, Friedrich Nietzsche anunciara que Deus perdera o seu lugar como alicerce dos códigos morais..."

"O crash da bolsa de Nova Iorque em 1929 gerou uma crise económica mundial, a Grande Depressão. As suas consequências políticas foram transcendentais: favoreceu o avanço do fascismo e do comunismo na Europa, catapultou Hitler para o poder e encorajou a ânsia expansionista do Japão. A ideologia racista e imperialista de Hitler incendiaria o rastilho de uma segunda e mais destrutiva guerra mundial."

"... os dólares americanos em forma de empréstimos à Alemanha alimentavam as finanças do Velho Continente... EUA, Alemanha, Reino Unido e França concentravam em si 72,5% da produção industrial do globo."

"Nos EUA, a mecanização do trabalho e a venda a crédito, encorajada pela primeira idade de ouro da publicidade, conduziram a um aumento da produção de bens duráveis e da concessão de volumes inéditos de crédito a empresas e particulares. A confiança generalizada numa expansão sem limites reflectia-se na bolsa de Nova Iorque, epicentro financeiro do país, onde o capital investido conheceu um crescimento exponencial.""... consumo de massas..." "... prosperidade de bases frágeis com um profundo desequilíbrio entre a procura limitada e o aumento constante da produtividade na indústria e agricultura..." "A bolsa nova-iorquina oferecia remunerações mais elevadas do que qualquer outro tipo de investimento. Toda a sociedade aplicava os rendimentos no mercado de valores que não parava de atribuir benefícios, numa espiral de especulação incontrolável..." "Essa exorbitante valorização gerou receios nos investidores mais especializados de desvalorização dos seus títulos. Em poucos dias, o "novo mundo de fantasia", como Keynes lhe chamou, rebentou."

"No dia 24 Outubro de 1929, a "quinta-feira negra"... o medo transformou-se em pânico... o preço das acções caiu a pique. A bolsa afundou-se e o sistema financeiro infectou a economia com a sua crise." "A própria banca financiara a bolha especulativa. Deixou de conceder crédito e a indústria sofreu a asfixia económica. O medo espalhou-se, o consumo interno retraiu-se, acumularam-se stocks de bens e os preços industriais e agrícolas colapsaram." "As dívidas eram incobráveis e os investimentos irrecuperáveis. Algumas centenas de bancos faliram no próprio ano, levando consigo as poupanças de dezenas de milhares de pessoas. As empresas, sem crédito nem procura, limitaram a sua actividade ou fecharam." "Os salários diminuíram. O desemprego aumentou. A pobreza estendeu-se pelas cidades e campos."

..." os EUA deixaram de importar bens devido à queda do consumo interno e impuseram mesmo taxas adicionais para proteger os seus produtores."

"Por outro lado, a repatriação de capitais norte-americanos para obras públicas nos EUA acabou por asfixiar economicamente a Alemanha e a Áustria, que dependiam destes empréstimos, e levou a crise ao coração da Europa."...

"... a Grã-Bretanha abandonou a paridade libra-ouro... seguindo-se os EUA e a França..."

"... padrão-ouro... a estabilidade associada a esta medida favorecia a prosperidade económica mas era-se obrigado a manter a paridade da moeda e dispor de reservas em ouro e divisas..."

"Na Europa, na década de 1930 assistiu a um avanço imparável do extremismo e de diferentes concepções do anarquismo."

Roosevelt e o New Deal. Democrata. Eleito em 1932. Reconsolidou o sistema bancário, estimulou as actividades do governo federal, assegurou a liquidez dos bancos solventes, separou a banca de depósitos da banca de investimento, assegurou a cobertura de depósitos de pequenas poupanças, instituiu sistema de créditos e subsídios para os agricultores hipotecados e de cupões para limitar a produção agrícola e evitar a queda dos preços, ajudou os proprietários de imóveis, e fez diminuir o desemprego com programas de grandes obras públicas e repovoação florestal, fixou jornada industrial semanal de trabalho de 40horas e salário mínimo, concedeu direitos de representação sindical nas empresas e negociação colectiva, aprovou a primeira Lei da Segurança Social Americana que cobria a velhice, a invalidez e o desemprego. "Na realidade, foi a II GG que terminou a crise, reduzindo o desemprego para 1% em 1943."

URSS de Estaline. "Na altura mais negra da Grande Depressão, a URSS não conhecia o impacte do desemprego." (colectivação e mecanização do trabalho rural e produção agrícola nas mãos do Estado, industrialização com vista ao rearmamento). Para Estaline, a grande ameaça eram os camponeses, que constituíam a maioria da população e refractário ao socialismo. Gulag - campos de trabalho forçado na URSS. A URSS tornou-se a terceira potência industrial do mundo.
Foi atacada por Hitler em 1941.

Alemanha - Adolf Hitler nascido em 1889, no seio do antigo império austro-húngaro, filho de um guarda fronteiriço e de uma camponesa. Viveu em Viena e planeava ser pintor. Tornou-se anti marxista e anti-semita e seguia a ariosofia (crença mística da superioridade da raça ariana). Acreditava que os judeus e os marxistas tinham sido responsáveis pelo fracasso militar germânico na IGG. Tinha uma extraordinária capacidade oratória e liderança carismática.

NSDAP - Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (extrema-direita alemã)

"Para Hitler, a luta de raças constituía a substância da História."

"... uma visão que implicava igualmente a conquista no Leste da Europa do espaço vital, que abasteceria a Alemanha de recursos agrícolas, matérias-primas e uma população racialmente inferior que trabalhasse para os senhores alemães. Era um modelo imperialista do século XIX..."

No dia 30 de Janeiro de 1933, Hitler foi nomeado chanceler. Mais tarde, com a morte de Hidenburg Hitler acumulou o cargo de presidente do Reich.

França - Vivia-se um clima de guerra civil. Tensão e os distúrbios constantes entre a estrema-direita agrupada em ligas monárquicas, ultracatólicas, anti-semitas e antimaçonicas, para com a esquerda socialista e comunista. Nacionalizou-se a indústria bélica e a banca. Desvalorizou-se intencionalmente o franco para favorecer as exportações e controlar a inflacção.

Grã-Bretanha - Trabalhistas no poder, ainda que relativo, face aos conservadores. País fortemente atingido pela crise.

"Era no fundo, o enterro do Tratado de Versalhes. Em Março de 1936, enquanto a atenção do mundo estava concentrada na invasão da Etiópia, Hitler denunciou os Tratados de Locarno, que ratificavam a desmilitarização da Renânia, e ocupou-a, beneficiando da insegurança francesa." "Quatro meses depois deflagrou a guerra civil espanhola. Hitler e Mussolini (o Eixo) apoiaram os militares rebeldes do general Franco, os conspiradores monárquicos, os sublevados." "... Guernica, de Picasso..."

"Hitler deu o grande passo: a anexação da Áustria à Alemanha. A união foi bem recebida pela maioria da população austríaca... Um plebiscito legitimou-a com 99% dos votos a favor... Uma declaração colectiva do episcopado da Áustria insistira com os fiéis para que votassem afirmativamente por "um sentido de dívida para com a sua raça" e celebrava o "cumprimento do desejo milenar do povo em unir-se a um grande Reich alemão.""

"A queda de Praga implicou o distanciamento da URSS relativamente à França e Reino Unido, dado que Estaline concluiu que as posições dos dois países justificavam-se por uma tentativa de orientação da expansão hitlariana para o Leste. Hitler, com efeito, voltou-se para a Polónia, tradicional objectivo da expansão alemã." "O ministro alemão dos Negócios Estrangeiros assinou em Moscovo um pacto de não-agressão que continha um protocolo secreto pelo qual os alemães e os soviéticos dividiam entre si a Polónia e que concedia à URSS o domínio sobre os territórios perdidos pela Rússia na GG, a Finlândia e os países bálticos."

"Na madrugada de 1 de Setembro de 1939, a Wehrmacht invadiu a Polónia. No dia seguinte, franceses e britânicos enviaram a Berlim um ultimato exigindo a retirada das tropas alemãs do território polaco e, no dia 3, declararam guerra à Alemanha."

"Com a chegada da Primavera, Hitler a alargou a guerra-relâmpago a toda a Europa. No dia 9 de Abril invadiu a Dinamarca e depois a Noruega. A 10 de Maio as suas tropas atacaram a Holanda, a Bélgica, Luxemburgo e dias mais tarde penetraram em França."

Declaração de Guerra da Itália à França e Grã-Bretanha a 10 de Junho. A 14 de Junho as tropas alemãs desfilaram nos Campos Elísios em Paris, donde se seguiu a assinatura do armistício. França desapareceu no caos e na derrota.

"O uso do radar e a capacidade para decifrar as mensagens secretas inimigas, graças ao estudo das máquinas Enigma com as quais os alemães codificavam as suas mensagens, foram trunfos decisivos para antecipar os movimentos nazis."

"O Fuhrer assinou com a Itália e o Japão um acordo de ajuda mútua - Pacto Tripartido, com o qual nasceu o Eixo Berlim-Roma-Tóquio. Ao qual se juntaram a Hungria, Roménia, Eslováquia e Bulgária." "A 6 de Abril de 1941 atacou a Jugoslávia e a Grécia. A 22 de Junho invade a URSS. O frio acabou por ajudar Estaline e Moscovo resistiu à invasão. Mas o Terceiro Reich já se tinha assenhoreado de grande parte da Europa Oriental, incluindo os países bálticos, a Polónia e a Bielorrússia."

EUA tinham proporcionado material bélico aos combatentes do exercito chinês que lutavam contra os japoneses. Em Maio de 1940 transferiram a Frota do Pacífico desde San Diego, na Califórnia, até à base hawaiana de Pearl Harbor. O Japão encarou esta atitude como uma afronta. A 7 de Dezembro o Japão lançou um ataque aéreo de surpresa. Este ataque comoveu profundamente o povo americano e foi o detonador da entrada dos EUA na GG. Nesse mesmo dia declarou também guerra aos EUA e à Grã-Bretanha. No dia seguinte a Alemanha e os países satélites do Eixo declararam guerra aos EUA.

"Ainda hoje constituem uma incógnita as razões pelas quais Hitler se apressou a enfrentar os norte-americanos." "Talvez pensasse que a acção japonesa mantê-los-ia afastados da Europa." "Nestes episódios convergiram numa só contenda as duas grandes guerras lançadas sobre o mundo: do Japão sobre a China em 1937 e da Alemanha sobre a Europa em 1939."

"Durante a primeira metade de 1942 as forças do Eixo pareciam estar prestes a fechar a sua enorme tenaz sobre a Eurásia."

"Para fazer frente ao Pacto Tripartido, no auge do seu poder ofensivo, ergueu-se uma coligação de 26 estados à qual o presidente Roosevelt chamou Nações Unidas e que, naqueles meses decisivos, esforçava-se por resistir à gigantesca investida do Eixo."

1943 - Declínio do Eixo.

"Enquanto a batalha de Estalinegrado se aproximava do seu desfecho, Roosevelt, Churchill e De Gaulle reuniram-se em Casablanca em  Janeiro de 1943. Aí proclamaram a rendição incondicional da Alemanha, Itália e do Japão como principal objectivo bélico; isso implicava que a II GG, ao contrário da I GG de 1914-18, fosse uma batalha até à morte. Dada a dificuldade em abrir uma segunda frente em França, decidiu-se empreender outro ataque no ponto débil do Eixo, o Mediterrâneo. No dia 10 de Julho começou a invasão da Sicília, que contou com a ajuda da máfia e terminou com a ocupação da ilha em Agosto. O avanço aliado implicou a queda imediata de Mussolini (el duce). O poder governativo foi transferido para o rei Victor Emanuel III que negociou a paz."

A Alemanha cedia terreno em Itália e no Leste. Os russos recuperaram a Ucrânia, e conseguiram acordo de paz com a Finlândia, donde se vieram a retirar as tropas alemãs.

"No Verão de 1944, às derrotas na Itália e no Leste juntou-se um novo motivo de preocupação para Hitler. Na alvorada do dia 6 de Junho de 1944 começou a operação Overlord, o gigantesco desembarque aliado na Normandia."

"No dia 25 de Agosto, Paris foi libertada."

"A 20 de Julho houve um atentado falhado contra Hitler no "Covil do Lobo", o seu quartel-general."

A Oeste os Aliados iam ganhando força, com a ajuda dos resistentes franceses, italianos e belgas. A Este o Exército Vermelho avançava, recuperando a Roménia, Bulgária, Sérvia, Grécia.

Roosevelt, Churchill e Estaline reuniram-se em Ialta, na Crimeia em Fevereiro de 1944, e aí acordaram a divisão da Alemanha em zonas de ocupação e a sua separação da Áustria.

"O império de mil anos prometido pelo Fuhrer reduziu-se às profundezas do bunker da chancelaria, do qual Hitler não voltou a sair desde 20 de Abril, dia do seu 56.º aniversário. No dia 29 casou-se ali com Eva Braun. Suicidaram-se ambos a 30 de Abril de 1945."

"O comandante de Berlim rendeu-se no dia 2 de Maio. Foi assinada a capitulação."

"Embora a guerra tivesse terminado na Europa, continuaria na Ásia. Na Batalha do Golfo de Leyte, iniciada em Outubro de 1944, os EUA desmantelaram a Armada nipónica, o que lhes permitiu avançar e conquistar as ilhas de Iwo Jima e Okinawa. Nesta última ocorreu uma batalha atroz na qual os nipónicos substituíram a inferioridade em armamento e efectivos por uma estratégia que se baseava no suicídio dos combatentes, os kamikazes." "Os ataques culminaram com o lançamento das bombas atómicas sobre Hiroxima no dia 6 de Agosto de 1945 e Nagasáqui no dia 9. Entretanto a URSS declarou guerra ao Japão e invadiu a Manchúria. Os japoneses renderam-se a 2 de Setembro de 1945."

Estima-se que a II GG - 1939 a 1945 - tenha provocado cerca de 38 a 60 milhões de mortos (há várias oscilações de entre os historiadores). Muitos mais civis do que na I GG (de 5% para 66%). Foi uma luta que envolveu três continentes (Europa, Ásia e Oceânia). A Alemanha, com a qual nunca se chegou a assinar um tratado de paz, ficou dividida em zonas ocupadas pela URSS, EUA, Grã-Bretanha e França. 

A NATO nasce em Abril de 1949.

Em 1961 é construído o Muro de Berlim.

 "Sob as ruínas desta Europa devastada... surgiu uma nova ordem dominada pelos vencedores da contenda: EUA a URSS. Dois sistemas políticos e economicamente opostos: o capitalismo e a democracia liberal, por um lado, e o socialismo, por outro. Curiosamente, entre os dois sistemas não aconteceu o choque violento que Hitler previra e que ofereceria ao seu regime uma oportunidade de sobrevivência como militante do bloco anti comunista." O que veio a verificar-se foi a instauração de um clima de tensão, a chamada Guerra Fria, um conflito silencioso, duradouro, travado em laboratório, na retórica dos discursos e em incursões minuciosas em países satélites de cada sistema, sem qualquer declaração de guerra formal. Esta guerra tinha as suas raízes no trauma de 1941 nos inesperados golpes alemães à URSS e no ataque japonês a Pearl Harbor.
Nos anos seguintes os dois blocos prepararam vastos arsenais nucleares para aniquilar o adversário no caso de ser este a arremessar o primeiro golpe, mas tal nunca aconteceu."

Em 1989 o Muro de Berlim é derrubado.  Em 1990 a Alemanha reunifica-se.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Boa semana! E BOM ANO!


Ora então vamos lá a começar... mais uma semana e mais um ano! Bora lá!

Que venha muita luz, cor e alegria!

BOM ANO!

Beijinhos

Filmes - "Amor Impossível"

Sinopse:
"Cristina desapareceu.
Tiago, o seu namorado, afirma que ela foi raptada, mas é uma história em que Madalena e Marco, os dois investigadores da Policia Judiciária responsáveis pelo caso, têm dificuldade em acreditar.
Ao seguir as pistas que antecederam o crime, “Amor Impossível” caminha entre duas narrativas paralelas:
- a de Cristina, uma jovem que busca um amor total e sem limites;
- e a de Madalena, uma mulher que, ao investigar o desaparecimento, é confrontada com as insuficiências da sua própria relação."


É o décimo filme do realizador português António-Pedro Vasconcelos, com produção de Tino Navarro, lançado em 2015. É um drama. Supostamente baseado numa história real de amor e de crime. (ver aqui, e aqui). É chocante quando nos apercebemos que a ficção é apenas um retrato da realidade cruel e dura.

Ela é uma rapariga que sonha ser escritora. Que procura a intensidade e a poesia das coisas e que se questiona frequentemente sobre o amor e a entrega que este exige.
Ele é um rapaz, apaixonado, um pseudo-rebelde mimado, que sonha ser músico. É também muito intenso... e também muito ciumento e agressivo.
Os dois vivem uma relação intensa, com afastamentos e aproximações, com brigas e muita paixão à mistura.
Até ao dia em que ela desaparece e mais tarde se fica a saber que foi ele que a matou.

É uma história que arrepia. Há sempre indícios de agressividade (ainda que passiva), de controlo, manipulação e sentimento de possessão que muitas vezes se ignoram numa relação, em nome daquele sonho de amor total e de entrega total, que, somos levados a acreditar ter sempre de implicar um certo grau de sofrimento (senão, não é amor! Mas será mesmo assim?!?! Não será essa uma visão completamente deturpada do que o amor deve ser e do que nos deve dar?!...).
No filme falam-se de amores impossíveis. E que esses amores parecem ser sempre os mais intensos. Os que valem a pena. Talvez porque a impossibilidade, a proibição ou os obstáculos exarcebem as sensações... mas não necessariamente os sentimentos. Penso que não amamos mais ou menos uma pessoa pelo facto do nosso amor ter obstáculos ou impossibilidades. Isso é um truque preverso da mente. Que nos pode fazer acreditar que aquilo que não temos ou que não podemos ter é o que mais precisamos (!). Mas na minha opinião essa ideia é completamente errada. É uma ilusão romântico-masoquista. Porque ou amamos ou não, e não é a distância ou outros factores que decidem isso. Concretizar esse amor, isso sim já é condicionado por todas as limitações físicas ou outras existentes, mas amar em si não. Nem que seja porque amar, na sua mais pura essência, não implica necessariamente estar com o outro, sempre.

Romeu e Julieta, de Shakespeare. Uma das mais faladas e discutidas histórias de amor. Heathcliff e Catherine Earnshaw do romance Monte dos Vendavais, de Emily Bronte. O que têm em comum? Na minha opinião... foram duas histórias criadas não apenas sobre o amor em si mas principalmente sobre como a impossibilidade de concretização de amor intensifica esse mesmo amor, ou quem sabe, pode até criar a ilusão de um amor que pode nem existir!!
Quer isto dizer que se não houver obstáculos não é amor? Não é intenso e verdadeiro? Que não vale a pena?!
Que mania esta que temos de cultivar o sofrimento e fazer-nos crer que é apenas na dor que nos encontramos...

O filme reflecte sobre este tipo de questões e também sobre a violência e a agressividade nas relações.

A Cristina, a rapariga, conclui que não quer amor em part-time. Que não quer dar sem receber. Tem todo o direito a isso e a seguir a sua vida. Mas quando menos espera, e sob a maior das injustiças, é calada por quem a ensinou a (não) amar. 

Recomendo. Pela reflexão a que nos induz.