terça-feira, 18 de abril de 2017

Escrever - Poema disforme à escrita

Escrever. Gosto de escrever. Escrever só porque sim. Gosto de sentir que as palavras me saem pelas pontas dos dedos. A maior parte das vezes sem permissão, sem filtro nem crivo, sofregamente a tentar raiar a luz do dia. Para serem escritas, tocadas, e lidas, pensadas. Elas, as letras e as palavras, chegam tão naturalmente que chega a ser difícil controlar quando chegam e como saem. Mas reparo que chegam de um sítio denso e emaranhado, por vezes escuro, repleto de pensamentos aleatórios e encadeados numa qualquer singular ordem desconhecida e inexplicável das coisas e dos acontecimentos. Mas chegam e querem fazer-se ouvir. Têm sempre tanta e pouca coisa para dizer. Tanto de indirecto, subjectivo e relativo. Pouco, muito pouco, de oferecido. Cá estão elas. A brotarem-me pelos dedos. A deliciarem-me com esse prazer. São no fundo e resumidamente catarse da alma e do ser. 

Disformidade poética disfarçada. Disfarçada de nada.

Imaginary moments

And yet we stayed there, staring, frozen at eachother
Quiet, silent, not a single sound
I watched you slightly move away from my view
I begged no!, please dont go! i missed you so...
And i guess you knew, we needed no words, afertall
We just needed to be aligned again
Looking foward in opposite directions
My eyes on yours, your eyes on mine
And for a moment we travelled together
Revisiting the past, embracing the present
Wondering about the future
Shhhh! Say nothing, dont speak
Just smile.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Leituras - "As Areias do Imperador - Mulheres de Cinza" - Livro Um

de Mia Couto. 2015.


Nunca tinha lido nada de Mia Couto. Sabia que era um poeta e escritor moçambicano, branco, biólogo, e que já tinha ganho alguns prémios. Mais nada. Fiquei a achá-lo profundamente poético.
Comecei a ler as "Areias do Imperador" por curiosidade acerca de Ngungunyane, o último imperador do império de Gaza (dos nguni ou vátuas), o segundo maior império africano, num território que hoje corresponde a metade do sul de Moçambique, e que foi capturado por Mouzinho de Albuquerque em representação da Coroa Portuguesa imperial, em 1895. O Leão de Gaza, como era conhecido Ngungunyane, foi condenado ao exílio e passou os últimos anos da sua vida nos Açores. 

O título "As Areias do Imperador" relaciona-se com o facto de se dizer que, quando Nungunyane morreu não foram os seus ossos que seguiram transladados para Moçambique mas sim apenas uma urna cheia de areia.

Este primeiro volume acerca da história de Ngungunyane e dos portugueses fala de como era a vida numa pequena aldeia autóctone do território que na altura já estava a ser colonizado e explorado pelos portugueses. Fala do medo e da ameaça da expansão dos nguni, que se dizia terem um exército de milhares de homens, destemidos, cruéis e guerreiros audazes. Que espalhavam o massacre e o terror. Fala também da religião cristã e como esta era vivida e sentida no território.

Creio que este Livro Um é isso mesmo, uma primeira abordagem introdutória de como era o ambiente sentido pelos nativos, pelos enviados pela Coroa Portuguesa, e a forma como estes lidavam entre si e simultaneamente com a invasão nguni. Muito focado na terra, e nas cinzas, e na forma como as mulheres sentem e relatam o que vai acontecendo.

O livro consta de dois monólogos que no fundo representam duas visões do mundo, que constroem a história e acabam por ligar-se. Imani, uma jovem africana que retrata os costumes e crenças nativas, de uma forma pura e poética, e do sargento Germano de Melo, um português republicano enviado para o terreno na sequência de uma condenação em tribunal, um homem perturbado pela solidão e pela sua pouca sorte e que se questiona a todo momento da missão para que foi designado.

Entrevista Mia Couto ao Jornal Público sobre a triologia As Areias do Imperador - As Mulheres de Cinza.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

A ti.


Por que me escolheste, não sei
Mas sei que foste tu quem me escolheu
Foste tu quem decidiu chegar e alojares-te em mim, dentro de mim
Foste tu quem decidiu o como e o quando e com quem.
Tenho portanto fé em ti, que pareces saber tudo quanto fazes
Subtil e autoritariamente assim te vais revelando
E eu, de ti vou gostando...
E aceito tudo, a tudo te digo que sim, sem questionar nada
Porque o sentir-te vivo e em mim
Lembra-me que me abençoaste com a tua escolha.

Reflexões aleatórias de mim para comigo própria... #3

1 - Há um aspecto comportamental e emocional nas pessoas (ou em algumas pessoas) no mínimo curioso e intrigante. Quando experienciam uma situação negativa (prolongada ou não no tempo) que as magoa ou faz sofrer, apegam-se de tal forma a esse sofrimento que, quando ele acaba (vulgo, termina a situação que os desagradava), de repente como que passam a gostar e a sentir saudades dessa mesma situação. Porque é que isto acontece? Apegamento à rotina e medo da mudança? Mecanismo de defesa? Não me parece que seja, uma vez que alimenta a dor e impede a libertação e o bem-estar. Isso parece-me tudo menos natural ou saudável. É doença portanto. Só pode!

2 - A pior machadada é de facto aquela que é dada por quem não esperávamos. No fundo tudo se resume e cataloga por expectativas. E nesse sentido, mantê-las baixas (ou mesmo rasas...) é a atitude mais inteligente perante a vida e as pessoas.

3 - Diz-se que quem faz as coisas com alegria raramente encontra dificuldades. É verdade. Chama-se a isso optimismo! Mas por vezes essa força interior pode confundir os outros e levá-los a pensar que, de facto, não se tem noção da realidade ou impacto dos acontecimentos ou não se tem perspectiva a médio/longo prazo das coisas. Mentira. Uma, por si só, não implica nem constitui a outra. Ter fé e seguir o nosso instinto por um caminho de alegria, quietude e serenidade é sempre a melhor de entre todas as opções. Tolo é quem perde tempo a pensar e a fazer o contrário.