segunda-feira, 17 de março de 2008


Beja (IP2) - Portugal - Março 2008
Palavras para quê?!
O Alentejo às vezes faz destas...obriga-nos a fazer paragens repentinas a meio de viagens só para que o adoremos. E valeu a pena...
Palavras para nada.
Não digas nada, sente apenas.
A imensidão que tens à frente,
Colocando-te no teu devido lugar.

terça-feira, 4 de março de 2008


Albufeira (Marina) - Portugal - Janeiro/2008

A cor não tem existência material. Consiste apenas numa sensação provocada pela acção da luz sobre o orgão da visão. Apenas...e no entanto é algo tão importante.
O estímulo que provoca aquela sensação pode ser Cor-luz ou Cor-pigmento, consoante seja radiação luminosa ou luz colorida, cuja síntese aditiva é a luz branca, ou seja qualquer substância material que conforme a sua natureza absorve, refracta e reflecte os raios luminosos componentes da luz (onda electromagnética) que incide sobre si.
Não consigo imaginar o mundo sem cor. Não só por nos ajudar a conhecer e compreender o meio que nos rodeia, e estabelecermos bases concretas, mas principalmente na importância que tem sobre a nossa mente. Para além de exteriorizar melhor que palavras os pensamentos ou sentimentos mais abstractos, ela tem também um forte efeito (por vezes terapêutico) ao actuar directamente sobre o nosso (in)consciente. Como uma espécie de catarse do espírito. Muitas vezes não nos apercebemos, e muita gente já deve ter ouvido falar que a cor tal significa o que quer que seja, mas a verdade é que a cor, vestida, usada, escolhida, lembrada, carregada, adorada, apercebida e sentida diz muito sobre nós.
Já agora sugiro uma espreitadela ao site http://www.mariaclaudiacortes.com/ "An Animated and Interactive Experience of Color Communication and Color Symbolism", resultado de uma tese da autora Claudia Cortés sobre a Cor. Tem uma forma divertida de aprender os simbolismos das cores.

Qual a tua cor preferida? E porquê?

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008


Museu do Vaticano - Roma - Itália - Julho 2005

Já foi há algum tempo que lá fui mas ultimamente tenho visto muitas vezes e em diferentes sítios fotos desta escada. Pois eu também tenho uma!

É a famosa escada helicoidal, em espiral, que se encontra quando se está quase a sair do museu. Na altura fiquei embasbacada, acho que é lindíssima, e estive para mais de x minutos a olhar de cima para baixo, e quando a desci, de baixo para cima, a tentar registar todos aqueles pormenores daquela coisa gigantesca, que está tão bem feita que até parece simples. Um jogo de braços e abraços que se enrolam e que parecem nunca acabar.

De resto na visita ao museu, é bonita a capela sistina, os corredores, os vitrais, as salas cheias de estátuas, estatuetas e estatuinhas, mas sinceramente cheguei a um ponto em que não conseguia apreciar nem olhar mais para todas aquelas coisas, só me apetecia sair dali. São demasiadas peças, pinturas e histórias por m2. É saturação de Arte, demasiado para absorver em tão pouco espaço e em tão pouco tempo. Foi essa a impressão com que fiquei. Lembro-me de ter pensado e concordado que "o que é demais não presta".

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008


Évora - Portugal 2007
Vai uma lengalenga?
Anani Ananão. Saltas tu e eu não.
Pássaro ou avião?
Fico eu e tu, não.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008


Sintra - Portugal - 2008

"É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
...
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
...
É um estrepe, é um prego, é uma ponta, é um ponto, é um pingo pingando,
É uma conta, é um conto
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
...
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato,na luz da manhã
...
É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
...
Pau, pedra, fim, minho
Resto, toco, oco, inho
Aco, vidro, vida, ó, côtche, oste, ace, jó
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração."
Tom Jobim - Águas de Março

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Feliz Ano Novo!


Albufeira - Portugal 2008
"I Just Want to relax"

Feliz Ano Novo!!

O ano não começou propriamente agora, eu sei, e também sei que não é preciso escrevê-lo para vos desejar tudo de bom, todos os dias se possível todo o dia... Peace ;)

Os anos, o número dias que o faz o ano, as horas que compõem o dia e os segundos que são a hora não existem por acaso, nem são uns números quaisquer. Há explicação física, histórica e racional para isso, mas isso fica outras leituras.
No final do ano o ano faz anos, e toda a gente que vive todas as horas e todos os dias regulado por esse ano comemora esse aniversário. Mas não é um aniversário qualquer, é um muitos parabéns a acabar e outro muitos anos de vida a começar.

É um dia como outro qualquer. Aqui ou no Japão. Na América ou no Sudão. No Iraque ou no Afeganistão. Para o Quénia ou para o Irão. Aqui e na Conchinchina.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007


Alvor - Portugal - 2007

Pior que não ter
é ter
Ter falta.
Pior que não sentir
é sentir
Sentir dormência.
Pior que não saber
é saber
Saber que se sabe pouco.
Pior que acreditar
é não acreditar
Não acreditar em nada.
Pior que escutar
é não escutar
Não escutar a melodia no silêncio.
Melhor que fazer
é não fazer nada
Não fazer nada igual a tudo.
Melhor que ser
é não ser
Não ser só por ser.
Melhor que cantar
só cantar
Bem ou mal tanto faz, mas cantar.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Ogiva I



Vila Viçosa - Portugal - 2007

O que são mundos paralelos e realidades alternativas?

"Now we are free"

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

sábado, 3 de novembro de 2007

Cavalo III


Outubro 2007 - Terreiro do Paço - Vila Viçosa - Portugal
Estátua Equestre de D. João IV

terça-feira, 23 de outubro de 2007

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Cavalo II


Foto II cavalo branco - Mina - Portugal - Outubro 2007
Efeito contorno

Cavalo I


Foto cavalo branco - Mina - Portugal - Outubro 2007
Negativo verde vermelho de foto cavalo branco

terça-feira, 9 de outubro de 2007

"A mente sã mente somente.
Louca a outra desmente."
Há anos atrás recebi de presente um separador de livros muito simples e normal com uns desenhos tipo banda desenhada, em que um homem conversa consigo próprio. As falas nos balões têm estas duas frases que aqui apresento, e que desde essa altura me fazem pensar no que será supostamente aquilo a que chamamos loucura versus razoabilidade ou normalidade. Estarão os conceitos trocados? Será o louco são e o são demente? Será o génio só fruto de loucura ou tem uma percepção acima do normal? Serão as pessoas ditas normais as que vivem no "tudo ao contrário" e sem certo sentido, sem um rumo certo, mas com regras e bóias de salvação? Talvez esta discussão não interesse nem sirva para muito pois cada um será aquilo que quiser. Já diz o provérbio que "de médico e de louco todos temos um pouco", e penso que não precisamos necessariamente de catalogar este e aquele para nos identificarmos e sabermos com o podemos contar.
Há um suposto "sem abrigo", a quem deram uma alcunha igual ao nome de um conhecido filósofo grego, que costumo ver muitas vezes e com quem até já falei. É uma figura que não passa despercebida a ninguém. Magro, alto, cabelos e barbas enormes e brancas. A estória dele, que qualquer dia se transformará em lenda, é que ele era um homem igual a tantos outros, que estudou, casou, trabalhou, até um dia...um dia em que a mulher o deixou e ele deixou também de acreditar no sentido que a sua vida supostamente tinha. Licenciado em Filosofia, com casa própria, começou a viver na rua por vontade própria também...e desde há anos entre outras coisas passa os dias a vaguear pelas ruas conversando com aquilo a que ele chama de entidades superiores, recebendo informações sobre o futuro e arquitectando com os anjos os desígnios de cada um. Mas há uma coisa diferente nesta pessoa. O olhar dele, que de louco não tem nada. E não sei até que ponto o será. Quem encarar a forma como ele vive de forma diferente, como algúem que não vagueia mas que passeia, alguém que não passa fome nem frio mas que sobrevive e faz aquilo que quer, alguém que inventa e teatraliza que é louco para poder viver como vive e saber que "louco é quem diz...eu não, eu sou feliz" (expressão na música "Balada do Louco" de Rita Lee e que se pode ouvir no link abaixo) talvez se pergunte se não será tanto ou mais sanu que outro sanu qualquer...

segunda-feira, 1 de outubro de 2007


Sagres - Portugal - Setembro 2007

África é para ali.
Por ali está África.
África é já ali.
Por aqui ver-se-á, África.

terça-feira, 25 de setembro de 2007


Igreja em Arraiolos - Portugal - Abril 2007 - Positivo e Negativo - Pinhole

... and the difference between the the opposites... is only a slight change in perspective.
Qualquer número elevado a infinito é igual a zero. E zero (0), fora teorias revolucionárias, não é positivo nem negativo, é o tudo e o nada simultaneamente, e simultameamente também delimita a fronteira entre um lado e outro. Daqui uma das derivações da perspectiva: um lado e outro lado. Está então parcialmente explicado. No limite, na intersecção de todas as perspectivas, não existem diferenças. O Uno é a sua soma sinergética.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007


Sagres - Portugal - Setembro 2007
Quero ser vento
Para poder ir a todo o sítio e continuar aqui
Para tudo ver, tudo escutar, tudo saber
E continuar assim

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Máscaras



"O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração."
O Poeta é um Fingidor - Autopsicografia (Fernando Pessoa)

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Tempo para pensar


Para quê pedir ao Tempo um pouco de tempo,
se se desperdiça todo o tempo que o Tempo nos dá, a pensar.
Será preciso? Mesmo quando é bom?!... o tempo lá fora?

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Ser livre



Liberdade é nome.
Liberdade é substantivo feminino.
Liberdade tem história e significado.
Liberdade pressupõe ser e ter, dispor de si próprio, e também saber.
Se estar preso é não estar em liberdade, ser livre não é somente não estar preso, ser livre é não estando preso, saber gerir e tomar decisões para continuar nesse estado. Estado físico, emocional, psicológico e mental. Estar preso será diferente de ser preso, consoante o nível de imposição, exterior ou interior.
Estar ou ser preso.... é ter grades que limitam o nosso espaço, é querer e não poder, é conter, é ter rotinas, é ter preconceitos, é ter relógio, é ter ideais, é ter sonhos, é ter desejos, é ter tradições, é ter orgulho, é ter humildade, é não ter amor, é nunca sentir raiva, é ter regras, é ter certezas, é ter medos, é aceitar sem questionar que 1 + 1 = 2, é ter manias, é ter gostos é vícios, é pensar, é ter dinheiro, é ter expectativas e ambição, é tentar desenhar figuras geómétricas perfeitas, é não fazer nada, é nunca trocar o certo pelo incerto, é não tentar, é não acreditar, é chorar, é sorrir, é ter dados adquiridos, é não se surpreender, é ter falta de força, é não ter saúde, é ter frio e fome, é ter inveja, é sentir-se inseguro, é ter saudade, é sentir angústia ou alegria em demasia, é não ter amigos, e ás vezes é ter amigos, é estar aqui e agora, neste espaço e tempo infinitos, ilimitados.
Quem é completamente livre não tem cordas. Cordas que nos prendem mas que também nos seguram e nos ajudam a crescer. Quem é completamente livre não existe. É mas não tem nada.
A foto foi tirada em Julho de 2005, numa rua central na cidade de Roma. Quem quer que tenha sido o "artista" que pintou naquela parede e quem depositou naquele passeio, naquele sítio preciso, aquela carcaça de lambretta deve tê-lo feito para se sentir ou sentido-se muito livre. Mas um livre só de ser contra, preso à necessidade de precisar de mostrá-lo.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Escrevo para ti.
Invento sobre ti.
Imagino-te a ti,
mesmo quando confirmo que não sabes do que escrevo,
e que nem sabes que escrevo.
Mas escrevo.
E escrevo como se estivesses a ler.
Escrevo, mesmo sabendo que já está tudo escrito.


Ti voglio...


Foto tirada em Julho de 2005, num concerto de Daniela Mercury, no Alandroal.
Música: "Santa Helena" - Daniela Mercury

segunda-feira, 16 de julho de 2007


Foto a sépia.
É parte de uma cama de ferro antiga, cuja estrutura com as cores originais é branca e dourada.
Talvez as figuras marinhas digam algo do acto de dormir. Do mundo profundo e vasto que por lá se encontra, como se de um mar se tratasse. Onde flutuamos e nos deixamos libertar.

terça-feira, 3 de julho de 2007



"Olha que coisa mais linda,
Mais cheia de graça.
É ela a menina que vem e que passa,
Num doce balanço a caminho do mar."
(Música brasileira, Samba Bossa Nova, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, 1962)

quinta-feira, 21 de junho de 2007




"She faced him, waiting.
And Odysseus came,
debating inwardly what he should do:
embrace this beauty's knees in suplication?
Or stand apart, and, using honeyed speech,
inquire the way to town,
and beg some clothing?
In his swift reckoning,
he thought it best to trust in words to please her - and keep away:
he might anger the girl, touching her knees."
(Homer, The Odyssey, Book Six, The Princess at the River)



Estas palavras terão com certeza significados diferentes para diferentes pessoas. Estão como todas as coisas limitadas às circunstâncias e à perspectiva de cada um.
Também não sei o que concretamente terá o poeta grego Homero (séc. VIII a. C.) querido transmitir ao longo de toda a Odisséia, mas sei o que penso quando leio este trecho, de forma isolada. Sei o que me faz lembrar. A mim lembra-me daquele momento crucial em que se decidem as relações humanas. Daquela mistura entre vontade e hesitação, que aproxima ou afasta as pessoas, que ainda não se conhecem, ou já se conhecem mas não "dão" mais.
Eu gosto de conhecer, observar, ouvir, estar e conversar com pessoas. Como toda a gente tenho momentos, momentos em que fazem todo o sentido essas pessoas, outros que não. Mas muitas vezes sinto que, nos dias de hoje em que tudo corre demasiado rápido, o limite que nos separa é tão frágil, que a maior parte das pessoas é desconfiada ou tem medo (medo do outro, dos outros, do presente e especialemente do futuro). E assim, como o homem no texto, aquele momento de "vou não vou", "faço não faço" está cada vez mais dilatado, e a maior parte das vezes não dá em nada, por deixar-se passar. E passam os dias, e os anos, a correr. E nós a fugir atrás de qualquer coisa que não vemos mas que todos afirmam existir. E hoje, quase tudo se subentende e por essa razão, temos medo ou nem nos queremos dar ao trabalho de mostrar o nosso afecto ou admiração por alguém (se é que temos tempo para criá-lo), alguém que podemos conhecer há muito tempo ou conhecemos recentemente, não interessa, porque logo se imagina que essa exposição não é bem-recebida ou pode ser mal-interpretada, ou que criará dependência e maior exigência da outra parte. E muitas coisas se podem perder assim, muitas palavras, muitas imagens, muitos silêncios, muitos outros momentos. Não pode ser. Sou contra essa dormência e limitação demasiado evidentes hoje em dia, esse egoísmo e cobardia. Hoje penso assim....depois de ter tido tempo para pensar numa relação que começou num (com um) daqueles momentos, e ainda bem que assim foi.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Mina de S. Domingos



Quem puder vá conhecer a Mina de S. Domingos (concelho de Mértola). É um local muito especial e bonito. E muito susceptível a fotografias...
Uma mina de cobre e pirite, que foi a maior da Península Ibérica, fez nascer a aldeia que era essencialmente povoada pelos mineiros e respectivas famílias, ou outros profissionais, todos ligados à exploração da mina, no caso, por uma empresa inglesa, e desde 1857 até 1968. Se antes se vivia num autêntico rebuliço, hoje a aldeia está quase deserta, mas cheia de encanto.
Quem lá vai, volta com certeza.
Esta imagem foi tirada na Estalagem São Domingos (uma casa senhorial completamente reconstruída e remodelada, e transformada em hotel), lindíssima também.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Sé - Évora

Sé - Évora



Foram precisos 7 anos a viver em Évora, para me vir embora e ter de lá voltar para conhecer a Sé por dentro. Peguei no carro e na máquina fotográfica, mascarei-me de turista, e fui conhecer o museu, a catedral e os jardins interiores, que tanto gostei. São de uma magnificência, serenidade e perfeição arquitectónica sublimes, mas também de alguma obscuridade... como em tantas outras coisas da Igreja, para as quais haverá por certo uma explicação. (?!)
"A Sé de Évora é a maior Catedral medieval do país. A um primitivo templo construído entre 1186 e os primeiros anos do século XIII, sucedeu-se o grandioso monumento que hoje existe, resultado essencialmente de duas notáveis campanhas da Baixa Idade Média." (in site IPPAR)