terça-feira, 19 de agosto de 2008


O beijo de Judas (na Sagrada Família) - Barcelona - Espanha 2008

Segundo a teoria mais difundida, aquele gesto do discípulo de Jesus de Nazaré não passou de pura hipocrisia, pois atrás de Judas, no jardim de Getsêmani, supostamente, estava uma multidão de romanos que aguardavam o beijo para capturar Yeshua. Quem não sentiu já um beijo desse tipo? E quantos beijos já deu assim? O pior não é a traição, é a desconfiança que nos mina.

No entanto, recentemente foram encontrados pergaminhos do "Evangelho de Judas", nos quais é apresentada uma versão muito diferente da actual. Nesta nova versão (não reconhecida pela Igreja), Judas Iscariotes estava apenas a atender a um pedido do seu mestre de forma a cumprir a profecia da sua morte. Nessa perspectiva, não se tratou de traição mas sim de um gesto de compreensão e puro afecto. Existem ainda outras versões que defendem que quem foi crucificado foi Judas no lugar de Jesus.

Mas... sinceramente não interessa o que aconteceu realmente. Interessam apenas os simbolismos daquilo que as diferentes situações nos transmitem.

A meu ver o catolicismo nasceu assim. A crucificação bárbara de alguém inocente é suficientemente dramática para apelar aos nossos mais profundos sentimentos de justiça e compaixão. E de esperança. É suficientemente forte para nos tocar, e nos fragilizar, e tornar-nos muito mais abertos a dogmas, porque em situações de desespero é necessário ter regras e histórias feitas a que nos possamos agarrar, é necessário sentir que não se está sozinho. Isso tem tanto de bom como de mau, como em tudo na vida, tem de ter certa medida. Porque é que não se acredita simplesmente no bem, na saúde, no amor, na boa energia só por si? Porque é que se precisa de ir buscar isso a acontecimentos dos outros, porque é que se precisa de encontrar um rosto que nos lembre disso? Porque é que é preciso regras se intuitivamente todos sabemos o que se deve ou não fazer?

Não digo que acredito, nem deixo de acreditar. As histórias bonitas também me comovem, mas apenas a história, como tantas outras coisas que podem simplesmente acontecer a qualquer momento, em qualquer lugar, a alguém. Porque sei, que cada um desses acontecimentos não passam de ínfimas partículas daquilo a que realmente pertencemos. A nós próprios, ao nosso coração e espírito, ao nos querermos dar e ao sabermos receber, ao um todo de que tudo e todos fazem parte, sem distinção nem diferença. Essa é a minha religião, que em muitos aspectos pode coincidir com algumas religiões escritas no mundo. É sentir que mesmo nunca podendo ser perfeitos, se formos honestos connosco próprios e com os outros, somos livres e só podemos estar bem em qualquer momento e em qualquer parte.

terça-feira, 12 de agosto de 2008


(parte de um candeeiro, na Casa Batló) Barcelona - Espanha 2008

Quando quiseres voar
lembra-te que as únicas asas que precisas
são as tuas.


Estive recentemente em Barcelona. Gostei muito.

O que trago da cidade é a dimensão, a amplitude das avenidas, a rapidez dos acontecimentos, a animação de rua, o movimento contínuo de gente para cima e para baixo, os ingleses os franceses os italianos os chineses os japoneses os islâmicos, os novos e os velhos, os assim assim, os de olhar cansado e os de brilho no olhar, o antigo e o moderno numa oferta sem igual, o Bairro Gótico.... a zona do Born... a genialidade de Gaudi... a simpatia dos catalães (alguns), o andar sem parar, os acordes terapêuticos do guitarrista no MNAC a vista sobre a cidade, Let it Be, os andaimes na Sagrada Família, os grafitis nos sítios mais inesperados, as risadas com a Rita R, as conversas e os uiui, as recordações do que ainda sinto saudades, as descobertas inesperadas, o sumo doce de melancia, o não conseguir dormir, o cd que procurava há anos dos escoceses Fairground Attraction, Find my Love, o inesquecível Mercado La Boqueria, Perfect, a mensagem que deixei na Casa Batló, as mil x mil infinitas fotos, o barulho e o silêncio onde se queira estar. Sente-se vida neste lugar. Gosto disto.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Só palavras

Como a mulher no quadro de Dali
estou à janela. Um mar diante dos meus olhos.
Aqui me encontro, calmamente a olhar para o mundo lá fora.
E sinto-me presa. Cá dentro estou presa.
Numa imensa e belíssima mansão, que não deixa de ser uma prisão.
Quieta não posso fazer nada,
e Inquieta com essa preocupação,
Aqui estou, à janela olhando o mar.
Aqui estou, presa a mim e a este corpo
Presa a tudo aquilo que sou.
Presa a momentos e a desejos.
A sonhos e a fraquejos.
A divagações ilimitadas e a ridículas reflexões.
Aqui estou completamente presa,
a estas coisas, a este cabelo e a esta pele,
a este licor de pensamentos e de alguma muito pouca resignação.
Baixa as armas mulher, e acorda.
A vida não foi feita para pensar.
Acorda, e vê o mar lá fora.

Ai esta vida de marinheiro...

quinta-feira, 3 de julho de 2008


Mora - Portugal 2008

Haverá luz ao fundo do túnel? Não somos nada, nem sabemos nada, mas podemos tudo.

Remains... e 1 e 2 e 3

"a mistery to me. we have a greed, with which we have agreed. You think you have to want more than you need, until you have it all you won't be free. SOCIETY, you're a crazy breed, I hope you're not lonely, without me.

When you want more than you have you think you need. and when you think more than you want your thoughts begin to bleed... I think I need to find a bigger place'cos when you have more than you think you need more space. SOCIETY, you're a crazy breed, I hope you're not lonely without me.

There's those thinking more or less, less is more, but if less is more how you're keeping score?Means for every point you make your level drops, kinda like you're starting from the top... and you can't do that...

SOCIETY, you're a crazy breed, I hope you're not lonely without me

SOCIETY, crazy indeed, I hope you're not lonely without me

SOCIETY, have mercy on me, I hope you're not angry if I disagree

SOCIETY, crazy indeed, I hope you're not lonely without me."

Letra da música "Society", escrita por Jerry Hannan, para Eddie Vedder (álbum Into the Wild)

quarta-feira, 11 de junho de 2008


a frescura duma piscina qualquer... - Portugal 2007
No final de tarde, uma tarde de calor.
Sabia bem não sabia?! Não sei... não sei não :)

terça-feira, 3 de junho de 2008

perfeita imperfeição


Évora - Portugal 2008

"Essa profunda imperfeição artística estimula a nossa consciência, desperta os nossos sentidos. Se eu escutar uma interpretação absolutamente perfeita enquanto vou a conduzir, posso cair na tentação de fechar os olhos e querer morrer, ali mesmo. Mas ao escutar a Sonata em D Maior apercebo-me das limitações próprias da capacidade humana e torna-se claro para mim que, até certo ponto, a perfeição pode ser atingida através de uma série de imperfeições... Acho isso inspirador."

...diz Oshima a propósito da música de Suchbert, em "Kafka à beira-mar", de Haruki Murakami.

"A devastação do espaço vital natural, não só destrói o ambiente em que vivemos, mas elimina ainda, no próprio Homem, toda a reverência perante a beleza e a grandeza de uma criação que o ultrapassa."

Konrad Lorenz (1903-1989 - Vienna - Austria) - Um dos pais da moderna Etologia, o estudo comparado do comportamento animal. Prémio Nobel da Medicina em 1973.


Mina - Portugal 2007

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Quero falar de Pobreza. E no entanto sinto-me pobre em palavras para exprimir aquela que considero ser a causa da maior parte dos males da (e na) nossa civilização, na nossa sociedade.


Só pode ser. Que males? Violência, morte, doença, poluição, discriminação, corrupção, fim.


Baixos níveis de vida levam inevitavelmente a situações extremas de pobreza e doença, que por sua vez levam a violência, abuso, e em último (mas muito fácil) grau a morte. E pobreza, fome e doença levam a níveis de vida degradantes, à perda de equilíbrio, de conscienciabilidade e de percepção de sustentabilidade. Talvez seja um cliché mas trata-se de facto de um ciclo vicioso. E não vale a pena perder tempo em estudos para identificar culpados. Agora já está. Baixos níveis de instrução, aliados a fracos recursos económicos e sociais (factores de discriminação) e fraco apoio da sociedade em geral (que por norma tapa os olhos), normalmente geram cidadãos não integrados que em jeito de revolta e luta pela sobrevivência entram e atacam a esfera de direitos dos outros. Mas sinceramente tudo vai na complicação que é o ser humano. Existem no mundo recursos suficientes para que todos pudessem viver bem, pelo menos em termos de alimentação e distribuição de riqueza, e esta ideia não é 100% idílica ou romântica. Acredito veemente que é possível. Não acredito que um ser humano SÃO, que esteja bem alimentado, seja bem amado e consiga ser feliz pense sequer em ter de roubar, magoar, matar, abusar, ou ter outros comportamentos desviantes só por desporto. Isso seriam com certeza casos extremos e esporádicos.



Existem outros factores, também fortes, que causam focos de pobreza, sejam históricos, políticos, ou até mesmo climático-ambientais. Mas na essência ela não existiria se todos fosse dada a mesma possibilidade. Muito difícil de colocar em prática. E porquê? Não são os donativos, nem o voluntariado, nem os apoios infinitos, nem a boa acção para o vizinho, nem as conferências internacionais em prol da defesa dos direitos humanos, isso é um transporte para lá se chegar mas não um caminho. Este teria de passar pela mudança nas mentalidades e nos comportamentos, e já agora na educação das gerações vindouras a incutir-lhes ideais de responsabilidade e respeito. ("A Terra não é uma dádiva dos nossos pais, mas um empréstimo dos nossos filhos" um dito índio...)



Incomoda-me que só se fale nos pós e não se queira verdadeiramente encarar a raíz do problema, de só se falar em violência e nos seus efeitos, do excesso de desinformação nas tv e nos jornais, na destruição do ambiente e na forma de tentar tarde demais remediar algo que é impossível de ser reversível, em fome e em doença e epidemias que nascem de condições de vida gastas e desgastantes. Em disputa de territórios e ideais políticos e religiosos, e em rídiculas guerras de preços quando aproximadamente 50 000 pessoas morrem de fome, por dia. Por dia. E a maior parte diz-se serem mulheres e crianças.


Não quero também deixar de lembrar que a pobreza não é só falta de rendimentos e condições de vida, é também a falta de espírito e de amor. Essencialmente por aí. Porque a saúde não é só não ter doença, é viver bem e ter oportunidade para dispôr de si próprio e usufruir do mundo, o nosso mundo, o meu e o teu.
... e ainda pergunto. Deu para perceber alguma coisa disto?!... ... ...

terça-feira, 13 de maio de 2008

sexta-feira, 9 de maio de 2008


Vila Viçosa - Portugal 2007

Com uma personagem destas à porta quem é que não quer entrar?!

segunda-feira, 5 de maio de 2008

(Tini Tiny) Reportagem


a multidão a aguardar, a chamar por ele.



e ele chegou, mas preso...


Eh Touro, Touro, Touro!


Anda cá!


OLÉ!!!

Largada de Touros - Beja - Portugal 2008

Largadas e Vacadas, até na Tourada... Cowboiada, Mão na anca, Copos e Diversão.

terça-feira, 29 de abril de 2008

"Waking up I see that everything is ok
The first time in my life and now it's so great
Slowing down I look around and I am so amazed
I think about the
little things that make life great
I wouldn't change a thing about it
This is the best feeling
This innocence is brilliant, I
hope that it will stay
This moment is perfect, please don't go away, I need you now
And I'll hold on to it, don't you let it pass you by
I found a place so safe, not a single tear
The first time in my life and now it's
so clearFeel calm I belong, I'm so happy here
It's
so strong and now I let myself be sincere
I wouldn't change a thing about it
This is the best feeling
This innocence is brilliant, I hope that it will stay
This moment is perfect, please don't go away, I need you now
And I'll hold on to it, don't you let it pass you by
It's the state of bliss you think you're dreaming
It's the
happiness inside that you're feeling
It's so beautiful it makes you wanna cry
It's the state of bliss you think you're dreaming
It's the happiness inside that you're feeling
It's so beautiful it makes you wanna cry
It's so beautiful it makes you want to cry
This innocence is brilliant, it makes you want to cry
This innocence is brilliant, please don't go away
Cause I need you now
And I'll hold on to it, don't you let it pass you by
This innocence is brilliant, I hope that it will stay
This moment is perfect, please don't go away, I need you now
And I'll hold on to it,
don't you let it pass you by".

Letra "Innocence" - Avril Lavigne
Que bonita esta música. Hoje acordei com esta letra na cabeça, as notas do piano a acompanhar, e estas palavras a ribombar, suavemente, à medida que o Sol subia. Eu chamar-lhe-ia harmonia.

quarta-feira, 23 de abril de 2008


Lisboa - Portugal 2007

Sabem que vos digo?
Não há certezas de nada nesta Vida nem neste Mundo
....
talvez e apenas que não existam nem só esta Vida nem só este Mundo. Agora.

Alter-ego


Marina de Albufeira - Portugal 2007

O nosso ego é prisão.

Não gostamos dos outros por aquilo que são,

mas somente pelo que conseguem despertar em nós.


(directly from bed...) - Portugal 2007

How do i miss you?!
So so so much...

quarta-feira, 16 de abril de 2008


Sintra - Portugal 2008

Hoje descobri esta frase e concordo completamente com ela. Diz assim:

"To Take a photograph is to align the head, the eye and the heart. It's a way of life."

(Henri Cartier-Bresson - 1908 a 2004 - Fotógrafo fundador da agência fotográfica Magnum, também conhecido como o "pai" do Fotojornalismo)


É raro eu aparecer em fotografias. Normalmente sou eu a tirá-las, e prefiro que posem para mim. Na minha cabeça e a quase todo o momento compõem-se imagens, cores e figuras. Às vezes até se torna difícil controlar isto. Chega a ser uma corrente forte repleta de remoinhos.


Em quase tudo e quase todos vejo uma boa fotografia. Imagino a luz, o sítio e a posição ideal. E não menos importante a expressão facial (no caso de fotos a pessoas) para conseguir transmitir o que quero. Só quero transmitir qualquer coisa, passar uma mensagem, falar sem dizer a quem me me olha e me vê. Uma vezes coisas boas, outras nem tanto. Mas que despertem algo.


Hoje em dia é apenas um hobbie, ao qual talvez até nem dedique tanto tempo quanto desejasse...mas pensando sobre esse sonho muitas vezes me pergunto se não terá tanto valor por isso mesmo. Por não ser banal. Por não ser obrigação. Por ser espontâneo e natural.

segunda-feira, 7 de abril de 2008


Vila Viçosa - Portugal - Outubro 2007

"Hoje acordei e senti-me sozinho Um barco sem vela Um corpo sem linho.
Amanheci e vesti-me de preto... Um gesto cansado O olhar no deserto.
Quando todos vão dormir É mais fácil desistir.
Quando a noite está a chegar É difícil..."
(letra de Pedro Abrunhosa - É Difícil - Tempo -1996)

Caça


(em) Portugal- Outubro 2007

"O que não se compreende não se possui."

Goethe (1749-1832)