segunda-feira, 30 de março de 2009

Somehow i found myself lost in my own sanctuary.
How possible is this?
These walls are welcoming me back.
Among frustration, misleading situations and jaded recurrent doubts,
still i don't realize many things. I feel exhausted.
So here i am staring at you, for you to fix me again.
Finally.
You and your wings. And your peaceful understanding words.
You and your soft liberator embracing love.


(em) Salamanca - Espanha 2009

domingo, 15 de março de 2009

Escravos na catedral

Entrei na catedral.
Gigantesca e fria.
Contraditória na distância a que nos coloca de algo que defende estar tão próximo de nós.


Entrei na catedral e eles já lá estavam.
A sua presença permanecia naquele lugar.
Numa contínua repetição de um acontecimento.
Dei três passos e fechei os olhos.
Deixei-me ficar assim por momentos.
E fiquei a senti-los e a ouvi-los chegar.
Vinham de roupa rasgada, pés descalços e raiva no olhar.
Os mais novos sorriam sem perceber o que se estava a passar.
Não sabiam que chegavam para não mais voltar.
E olhei para eles embora não os pudesse ver.
Olhei para as suas caras que na multidão não tinham rosto.
Eram muitos e vieram ainda mais.
Chegavam sem parar.
E ao mesmo tempo ouvi o casco de cavalos.
Ouvi alguém dando uma ordem numa língua que não entendi.
O acontecimento não fora ali mas noutro lugar.
Ali estava apenas a porta e a presença do que à raiva algo mais tarde veio dar lugar.
Não abri os olhos porque só assim os poderia ver.
A cada passo no chão de pedra, História.
E iam ficando. Presos a uma ordem e a um olhar.
E o acontecimento repete-se com outras caras, e outras ordens noutros lugares.

Senti escravidão.