domingo, 23 de setembro de 2012

Aí está ele!

Sim, já chegou o Outono. E não, não tem nada que enganar! Afinal de contas chove a potes lá fora...

Adoro o Verão, sol, calor mas o Outono tem-me sempre algo de especial. Talvez porque nele nasci. Fico sempre a apreciar de sorriso meio escondido e triste (porque tenho pena de deixar de ver o sol todos os dias) as primeiras chuvas, a forma como tudo parece acalmar, um baixar de toda a poeira, um novo ar, a água a correr pelas ruas como que a lavar a época que passou, um "já cheguei" contente porque sabe a falta que faz.

Bem-vindo!

PS: Às vezes acho que devo ter alma de índia ou pessoa muito ligada à terra e à natureza, ou quem sabe agricultora dos tempos modernos!! Devo ter participado em imensos rituais de dança da chuva porque sinto -a como uma recompensa, e interiormente agradeço aos céus. E fico feliz como a terra que a recebe. Pois é. E já agora conto um segredo do qual muitas vezes me ri, e continuo a rir, mas cá dentro percebo e sei porque faz sentido para mim: naqueles testes psicotécninos que nos fazem na escola para nos ajudarem a escolher áreas de estudo e profissões o meu principal resultado foi "guarda florestal ou outra actividade ligada à terra e à natureza". Até tinha uma certa vergonha de mostrar isto aos meus colegas. Eles tinham vocação (segundo o mesmo teste) para professores, advogados, et cetera, e eu não. Mas a função de proteger a terra e a Terra, seja através de que profissão for, não é menos nobre nem menos importante, é vital porque nela e dela vivemos. Hoje percebo isso. Não segui aquele caminho específico mas entendo o resultado daquele teste.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Bombeiros

Sempre dei importância à figura e ao papel dos bombeiros na sociedade, porque associo a sua actividade (ou a sua profissão se preferirem) como estando e sendo realmente a mais próxima das pessoas (comparando-os com os corpos de segurança e a assistência médica), porque em caso de aflição, perigo, doença, acidente são realmente estas pessoas que primeiro contactam com o doente/vítima. Muitas vezes não lhes damos valor porque, no meu entender eles não têm, ao longo dos tempos, monopolizado a sua actividade, ou seja, não tem havido intenção de aproveitamento da infelicidade alheia e com maior ou menor demora na chegada estão sempre presentes no local. Isso faz com que quase não lhes prestemos atenção... porque estão sempre lá. Infelizmente é assim que funcionam as coisas na realidade.

Ultimamente tem-se ouvido mais a sua voz devido aos cortes anunciados, e aplicados, na área da Saúde, ao nível dos transportes através dos quais os bombeiros trazem as pessoas para as instituições de saúde para serem consultadas, fazerem exames, etc. Esses transportes têm vindo a custar muito dinheiro ao Estado e portanto a orientação é a redução drástica nesta despesa. Não creio que seja a melhor solução porque, em última mas mais importante análise, é o doente (esse ser desgraçado para quem o serviço de saúde público devia estar unicamente direccionado) que fica a perder. Pessoas idosas e/ou comprovadamente sem recursos ou que não saibam como utilizar os transportes públicos deixam de poder comparecer às consultas, deixam de fazer análises e exames, deixam de ter acesso aos cuidados de saúde, ou seja perdem direito ao seu direito constitucional à saúde enquanto cidadãos portugueses. Enfim....em nome da crise muitos são os direitos que vamos perdendo e pior, vamos deixando que nos façam perdê-los abdicando deles.

O texto já vai longo quando apenas queria fazer uma referência aos Bombeiros. No mesmo noticiário anunciaram a morte de uma jovem bombeira de 25 anos, e mostraram as imagens de um outro fogo que estava a deflagrar na zona de Coimbra. Quando ouvi aquelas palavras e depois vi estas imagens a única coisa que consegui sentir foi uma enorme gratidão para com estas pessoas, que recebem mal, não têm o devido mérito na sociedade, e afinal de contas são os que dão a sua vida para salvar os outros ou para salvar as coisas dos outros. São humildes heróis... Não acho que qualquer pessoa consiga fazer isso. Não é qualquer um que perante um monstro aterrorizador de chamas (como vi nestas imagens) coloca a sua vida em risco e o encara e combate não sendo a sua família ou casa que estejam em perigo. Há que ter um coração e um espírito muito especial para isso. Bem-hajam.

Imagens noticiadas do incêndio de Coimbra - Set./12

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Provérbio africano


Foto: (tirada da net... não me recordo de onde)

"Se queres ir rápido vai sozinho. Se queres ir longe vai em grupo."

Li numa revista e gostei muito destas palavras. Porque me fazem relembrar que a solidão que muitas vezes procuro levar-me-á rapidamente a um lugar de que me vou rapidamente também fartar por não conseguir partilhá-lo com os outros. A solidão em si não tem qualquer sentido.

Rir recomenda-se... momento mauzinho do dia!

Foto: (tirada daqui)

Acabei de ver um homem cuja cara e aparência no geral não abonam muito a favor da beleza, bem...era mesmo feio, pronto (e gostos não se discutem!!)... e trazia vestida uma t-shirt a dizer em letras garrafais "DRINK UNTIL YOU WANT ME".... Pois amigo no teu caso deve ser mesmo preciso uma medida drástica dessas... mas olha, apeteceu-me dizer-lhe, tens sentido de humor e isso tem muito mais valor e interesse quiçá até do que a beleza à primeira vista!
Este foi um pequeno e relativo exemplo em como a atitude das pessoas perante as suas aparentes dificuldades pode efectivamente transformá-las e reverter esses problemas em soluções.

PS: Alguém sabe que animal tão fofinho (?!?) é este (o da foto)?

domingo, 16 de setembro de 2012

Exemplo da Islândia

Isto foi o que aconteceu na Islândia quando o povo se apercebeu que estava a pagar uma dívida que não era sua! Foi completamente abafado pela comunicação social a nível mundial porque mostra a força da união de um povo, que pensa a sério sobre a sua situação, contra os interesses económicos e financeiros que são no final de contas estas "crises" e "dívidas externas". Eu nunca concordei com recorrer a dívida ou crédito. Apenas em último caso. A até hoje aguardo que me expliquem euro a euro esta "nossa" dívida externa. Foi para comprar o quê? Este tipo de decisões que envolvam milhões de euros não podem ser tomadas de ânimo leve. O povo deve sempre ser consultado porque o dinheiro e os recursos aplicados são o povo, são do povo. Um estado tem de ser gerido como se de uma casa de família se tratasse. Deve incentivar a produção dos bens que necessita (e recorrer o mínimo possível a crédito), deve promover a educação, deve promover a saúde e os comportamentos saudáveis, deve promover o uso eficiente dos recursos (financeiros, ambientais, etc), deve ser racional na gestão financeira (gastar apenas o que é preciso e apostar na qualidade mesmo que à partida isso pareça ser mais "caro"), deve ensinar a saber viver (ter uma mansão, um lcd não sei das quantas na sala, ter um carrão à porta de casa... não são necessariamente condições suficientes de felicidade...), e deve acima de tudo promover a honestidade e integridade nas pessoas entre si (em casa, no trabalho, na rua) e para consigo próprias. Vejam o exemplo da Islândia. Gostava que acontecesse algo semelhante por aqui.
Nunca fui de me expressar nestes assuntos porque de alguma forma confiava que quem estava a tomar decisões tinha capacidade para isso. Mas vejo que não. Vejo uma injustiça tremenda e um assalto de fato e gravata ao País. Não posso ficar calada perante isso.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Cão Cão, Queijo Queijo


Título original: No Collar, No Service
De Paul Gilligan - A Pooch Café Collection, 2006.
Não conhecia esta BD, comprei o livro numa feira porque adoro tiras e normalmente farto-me de rir com elas. Segredo: tenho sempre um livrinho destes na mesinha de cabeceira... my moment zen antes de adormecer (a rir, de preferência!!). Adorei o Poncho (cão/personagem principal) e para quem tem animais em casa ainda acha mais graça porque realmente muita coisa do comportamento dos nossos animais de estimação é apresentada neste livro de uma forma engraçada, e no fim de contas.... real.  :)

Resumo:
«Cão, cão, queijo, queijo» é a mais recente BD da colecção Café Cão criada por Paul Gilligan e editada em Portugal pela Gradiva. Nela se conta a história da vida de um cão, Poncho, que vive com os seus donos, Chazz e Carmen. E como qualquer vida, ela tem uma rotina muito bem definida. Poncho mostra-nos que os cães não têm apenas uma “vida de cão” assente na ligação homem-cão embora seja esse o nosso preconceito. Talvez por isso o Café Cão, um vulgaríssimo café para cães, seja o local predilecto para Poncho e os seus amigos de espécie desabafarem sobre os problemas e as incompreensões resultantes da vida entre humanos. Nele, além de assistirmos a uma catarse canina ao balcão devidamente acompanhada por uma boa cerveja, temos ainda o prazer de assistir a uma conspiração canina de catapultagem de todos os gatos para o sol. Para quem diz que aos cães só lhes falta é falar, este é um bom livro para se espantarem. É que se eles falassem, podia muito bem ser assim como Paul Gilligan nos conta. Porque, afinal, nem tudo é cão, cão, queijo, queijo.
(Na Gazeta Animal de Outubro de 2006)»
 in http://tertulia-cafe.blogspot.pt/2006_10_01_archive.html

Tiras que adorei:

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Leituras - "A volta ao mundo em Oitenta Dias"

de Júlio Verne. 1872.

Mais uma história que adorei ler. Gosto de ler Júlio Verne porque os seus livros estão muito bem escritos, gosto das ideias, das personagens e de tudo o que nos ensinam.

A personagem principal é Phileas Fogg e creio que também o seu criado (o francês Passepartout) é igualmente importante na história. Fogg é um inglês fleumático, meticuloso, culto, cheio de regras e rotinas, rico mas.... solitário. Faz uma aposta com os seus companheiros de whist em como é possível dar a volta ao mundo em apenas 80 dias. Nesse mesmo dia (2 de Outubro) começa a aventura, no sentido Este (e isto é algo muito importante como se verificará mais tarde na chegada, a 21 de Dezembro às 8h45m da noite) a caminho de Paris. Após muitas peripécias e uma perseguição serrada por parte do detective Fix (que acha que Fogg é um ladrão que havia assaltado o Banco de Inglaterra), ele consegue ganhar a aposta ainda que inicialmente lhe pareça que a perdeu por um dia. E embora a aposta tivesse por base muitas mil libras Fogg acaba por concluir que ganhou bastante mais do que isso (até porque os gastos que teve na viagem não são compensados pelo prémio): toda a experiência da viagem, a devoção e adoração cega do seu criado e o amor de uma jovem indiana parse (Mrs. Aouda) com quem acaba por casar.

 Ideias e frases que me ficaram desta história:

"O imprevisto não existe" e "Um mínimo chega para tudo."- diz Phileas Fogg quando um dos parceiros de jogo lhe diz que é muito arriscado, os 80 dias são calculados para o mínimo de tempo! 

"os fiéis hindus são inimigos encarniçados do budismo, são sectários ferventes da religião bramânica, que se encarna em três pessoas: Vinexu, a divindade solar; Xiva, a personificação divina das forças da natureza; e Brama, o senhor supremo dos padres e dos legisladores"...banhavam-se nas águas sagradas do Ganges.

"Duas horas bastariam para visitar esta cidade absolutamente americana, e como tal edificada pelo modelo de todas as cidades da União, espécie de vastos tabuleiros de xadrez, de linhas compridas e monótonas, todas cheias de «lúgubre tristeza dos àngulos rectos», segundo a expressão de Victor Hugo. O fundador da cidade dos santos não podia subtrair-se à necessidade de simetria que caracteriza os anglo-saxónicos. Neste país tão singular, onde os homens não estão decerto à altura das instituições, tudo é quadrado, as cidades, as casas e as tolices."... Será?!

"descoroçoado" - pensava que era só a minha avó que usava esta expressão/atributo e que eu sempre achei uma palavra caricata!! Significa desanimado, destroçado.... :P

"Sem o suspeitar, Phileas Fogg ganhara um dia no seu itinerário - e isto pela simples razão de que fizera a viagem à volta do mundo caminhando para o oriente, dia que, pelo contrário teria perdido se houvesse caminhado em sentido inverso, isto é, para o ocidente. Com efeito, marchando para o oriente...caminhava para o Sol, e, por conseguinte, os dias diminuíam para ele na razão de quatro minutos por cada grau que ele percorrera naquela direcção. Ora, na circunferência terrestre contam-se trezentos e sessenta graus, e estes, multiplicados por quatro minutos, dão exactamente vinte e quatro horas, isto é, o dia inconscientemente ganho. Por outras palavras, enquanto Phileas Fogg, caminhando para o oriente, vira o Sol passar oitenta vezes no meridiano, os seus colegas, que tinham ficado em Londres, só o viram passar setenta e nove vezes."

"Phileas Fogg ganhara, portanto, a aposta. Efectuara em oitenta dias a viagem em volta do mundo! Utilizara nela todos os meios de transporte, paquetes, railways, carruagens, iates, navios mercantes, trenós e um elefante. O excêntrico cavalheiro desenvolvera nesta empresa os seus maravilhosos dotes de sangue-frio e de exactidão. Mas afinal, o que tinha ganho nesta deslocação? O que alcançara com a viagem? Nada, hão-de dizer. Nada, era verdade, a não ser uma sedutora mulher que - por muito inverosímil que isto pareça - o tornou o mais feliz dos homens!"

"Em rigor, não se faria por menos ainda a volta ao mundo?"