terça-feira, 19 de março de 2013

Momento no dia: "lagrimita no canto do olho"

As crianças às vezes são hiperactivas, cansativas, irritantes, insuportáveis (estes dois últimos adjectivos são mesmo só para exagerar porque na verdade nunca achei isso de nenhuma criança que me tenha cruzado o caminho! até à data claro!) e conseguem ser como que possuídas por valentes doses de teimosia. Mas... mas não sei quem o disse e tinha realmente toda a razão: as crianças são mesmo o melhor do mundo! Na sua pureza, ingenuidade, generosidade e alegria. Porque são elas que nos colocam mais perto do que realmente importa e tem valor, coisas que parece que vamos perdendo ou esquecendo à medida que os anos vão passando.

Soube deste episódio do X., um dos meus sobrinhos:

"conversa na terça à noite:

X: "sabes mãe, eu pensei casar com a clarinha, mas ela não quer.."
Mãe do X: "então porquê? ela tem outro namorado?"
X: "não sei.. o que eu gostava mesmo era que a tia nana e a mãe fossem mais pequeninas!"
Mãe do X: "então para quê?"
X: "casava com as duas."

(a clarinha é uma colega da escola)

Este episódio tem meandros um tanto-ou-quanto incestuosos (!!) e até poligamicos, eu sei :D, mas o que conta é a intenção, e essa é linda!
E... a Tia Nana sou eu! A orgulhosa e badadíssima tia dos meus lindos sobrinhos. Dois rapazes e uma rapariga. Um deles é a coisa mais malandreca à face da terra. Gosta... portanto.... de utilizar todo o tipo de objectos que encontra para atirar ou bater nos que o rodeiam e ri-se à gargalhada com isso. Adora fazer as coisas de gente grande e às vezes coloca-se em verdadeiros apuros e provoca sobressaltos à tal gente grande, e depois também adora tudo o que tenha a ver com limpezas da casa (ninguém sabe explicar mas a coisa que ele mais gosta é de um paninho do pó e do aspirador!!! é tão lindo...). O outro, o X. é um amor. É meiguinho, muito curioso, inteligente e sensível. Não é muito afectuoso, isso dos beijos e dos abraços é uma coisa que... blhac! ... mas é tão bonito e querido que tem a (in)felicidade da gente só lhe querer estar a dar beijinhos e amassos o tempo todo! E depois ela.... a super desenvolvida. alegre e tagarela. Quando nos vê grita e pula e se for preciso atira-se ao chão de contente. Ora isto faz com que qualquer mísero mortal se sinta o mais importante dos deuses!! E depois é fofa fofa... canta, faz observações sobre as coisas e emprega palavras que nos deixam boquiabertos.... como que estupefactos de como é que uma coisa daquele tamanho já fala como adulta. Adora meninisses, princesas e tudo que seja girly, e tem uma alegria contagiante. A gente ganha vida só de olhar para ela. E são assim os meus sobrinhos... três lindas prendas!! Sou uma tia feliz e orgulhosa por tê-los na minha vida.


quinta-feira, 7 de março de 2013

História... de Portugal! - I

Não sei porque "carga de água" andam a sair tantas publicações sobre a História de Portugal (ainda se estivéssemos em Junho e respectivas comemorações do Dia de Portugal... bem...). Seja por que for acho muito bem. Por acaso sempre foi uma área que senti saber muito pouco, com pena, talvez na escola não me tenham sabido despertar o interesse (sim a culpa é sempre dos outros!!lol) e fui sempre colocando estas leituras mais "densas" para depois disto e depois daquilo... enfim, passou o tempo e continuou e cresceu a minha santa ignorância sobre a história deste pedacinho de terra à beira-mar plantado e o seu povo. Só a história nos pode dar a conhecer como somos, o que somos e por que somos assim.
De povo destemido e aventureiro, houve qualquer coisa na evolução dos nossos genes porque hoje em dia o povo português é, maioritariamente, submisso e acomodado.

Aqui vai o meu resumo dos resumos (!!) que tenho andado a ler, sobre o início do nosso País:

Tudo começou há muuuuito tempo atrás.
Havia um povo a que chamavam Lusitanos que ocupou grande parte daquele que é o nosso território actual, na altura denominado por Lusitânia. Os Lusitanos eram um povo de fibra que, aquando da invasão da Península Ibérica pelos Romanos, e contrariamente aos restantes povos que aqui viviam , resistiram durante séculos para tentar manter o seu território. Os Romanos demoraram mais de 200 anos para conquistar a Lusitânia. Quando o conseguiram fazer (cerca de 139 a.C) trataram de implementar os seus costumes, cultura e religião cristã de forma a assegurar que o seu poder criasse raízes profundas na comunidade e assim se tornasse ainda mais forte. Foram entretanto criadas as cidades de Olissipo (mais tarde Olissipona... e depois Lisboa), Bracara Augusta (Braga), Aquae Flaviae (Chaves) e Aeminium (Coimbra).
Ao longo dos tempos houve sucessivos ataques e tentativas de invasão por parte de diversos povos que tentavam alargar território e poder. Entre esses vieram povos bárbaros como os Suevos e depois os Visigodos (400 - 700 d.C. - séc I). Estes últimos aliaram-se aos Romanos para auxilio na expulsão de outros povos invasores da Hispânia (assim era chamada a Península Ibérica). Fundaram um reino, a monarquia visigótica, sediado em Toledo. Mas tiveram grandes dificuldades em integrar-se na cultura já existente, e também não conseguiram implementar a sua.
Vieram então os Muçulmanos... os mouros, que conseguiram dominar o território em apenas dois anos e estabelecendo acordos com os chefes visigodos. A Península Ibérica passou então a chamar-se Al-Andaluz. Mas o território acabaria por regressar ao domínio cristão. E a preparação desta bem-sucedida ofensiva foi gerada nas Astúrias, que passou a ser um reino, mais tarde conhecido como reino de Leão.
Em 868 o rei das Astúrias enviou soldados para reconquistar aos mouros a região do vale do rio Douro. Nasceu a província de Portucale, integrada na região da Galiza e sob domínio do reino das Astúrias.
Mas os muçulmanos estavam a ganhar força com a ajuda de novos povos invasores. Nessa altura Afonso VI, rei de Leão e Castela, pede auxílio a outros monarcas cristãos europeus. Chegam então os cruzados, entre os quais se destacam dois bravos e vitoriosos cavaleiros franceses: D. Raimundo e D. Henrique de Borgonha. Afonso VI concedeu-lhes a mão das suas filhas D. Urraca e D. Teresa. O primeiro casal ficou com o Condado da Galiza e D. Hentrique e D. Teresa ficaram com o Condado Portucalense.
E o resto é história... nascida da vontade do próprio D. Henrique, e de alguns nobres portucalenses,em tornar este condado independente do domínio do rei de Leão e Castela.
Foi o herdeiro de D. Henrique de Borgonha, D. Afonso Henriques (que veio a ter o cognome de O Conquistador, o Rei Fundador D. Afonso I) que tornou realidade os planos e desejos do pai.


Em 1179 o papa - "o único homem a quem os reis beijavam os pés" - reconheceu Portugal como reino independente.
Vieram depois toda a linhagem monárquica. Uns mais aptos que outros, uns com maior ambição que outros. Uns com histórias mais intensas que outros. Mas na minha opinião, os tempos mais áureos ocorreram no século XV, na altura de D. João I (Mestre de Avis que havia sido escolhido Regedor e Defensor de Portugal). Imaginou-se um mundo novo e tornou-se realidade forma de o conhecer através de mares nunca antes navegados. Deram-se início aos Descobrimentos.... e à marca intemporal dos portugueses no mundo.

Os portugueses foram cruciais no conhecimento geográfico do mundo, e depois no desenvolvimento das ligações entre países e respectivas trocas comerciais. Produtos valiosos e específicos da Ásia, África e Américas foram dados a conhecer à Europa por nós. Fomos nós, os nossos antepassados, que tornaram possível a troca e a partilha a nível mundial. Fomos nós que abrimos essa porta. Isto hoje em dia pode não parecer nada de especial, dado que vivemos num mundo já completamente globalizado em que a troca de informação e bens é feita de forma quase instantânea, onde as culturas já se misturam e onde parece existir, paradoxalmente, uma mistura entre os países, continentes e culturas mas um afastamento cada vez maior entre as pessoas dentro desses mesmos países e continentes. Mas na altura os Descobrimentos foram feitos heróicos, quase sobre-humanos, e isso deu aos portugueses e a Portugal uma justa fama de aventureiros, empreendedores, bravos, nobres, abençoados e iluminados. Tempos idos?!?! Esperemos que não... que continuemos a ser uma "nação valente e imortal".

Depressão

A Depressão. Embora seja uma doença cada vez mais frequente continua a ser incompreendida, pouco explicada e até pouco abordada. A ciência, essa arma de validação socialmente aceite das coisas, ainda não conseguiu destrinçar o porquê da depressão. Sabe-se, ou tem-se ideia que é mais incidente nas mulheres e mais no mundo dito desenvolvido. Ia dizer ocidental mas esse tempo já lá vai.
A depressão pode ser por falta de serotonina, dopamina, endorfinas, pode ser de origem genética, pode ser resultante de um episódio ou vários episódios traumáticos, pode ser fraqueza de espírito, pode até ser uma grande parvoíce, mas a verdade é que é incapacitante, provoca dor espiritual e física, prostração, apatia e tristeza. Enfim, talvez seja pior do que saber que se tem uma dada doença física. As questões e problemas do foro mental são ainda uma grande incógnita para nós. Sabemos que existem porque lidamos com elas, mas não fazemos ideia de como e porque surgem, muito menos de como se podem tratar eficazmente.
A depressão corrói a mente e o corpo. Corrói as relações. Corrói planos e desejos. E dói.

Aqui vai um texto que li num blog e que acho ser de grande coragem e cuja descrição está muito de acordo com a realidade de quem tem a doença ou vive/conhece alguém (os tais amigos dos amigos dos amigos...) que sofre desta enfermidade. Leiam não apenas o post mas também os vários comentários de pessoas a contarem um bocadinho da sua experiência. Para que quem não saiba consiga perceber um pouco desse estado.

http://apipocamaisdoce.clix.pt/2013/03/e-agora-para-algo-mais-serio.html#comment-form


domingo, 3 de março de 2013

...

“Nos anos 70, Marina Abramovic viveu uma intensa história de amor com Ulay. Durante 5 anos viveram num furgão realizando performances. Quando sentiram que a relação já não valia, decidiram percorrer a Grande Muralha da China, dar um último grande abraço e nunca mais se ver. 23 anos depois o MoMa de NY dedicou retrospectiva à obra da artista. Nela Marina compartilhava 1 minuto de silêncio com cada estranho que sentasse à sua frente. Ullay chegou sem ela saber, e foi assim.” Maeve Jinkings


Amar... "Amo-te" é algo que se pode pôr em palavras, ditas ou escritas. Sentidas ou não. Mas no silêncio de um olhar que se reencontra diz-se e sente-se muito, e muito mais intensamente, o amor.

Cinza

O dia hoje amanheceu sem muita claridade. Acordou cinzento. Frio, e a chover. Este tempo convida e induz-nos a um outro tempo de que às vezes na vida vamos necessitando. Ao tempo do recolhimento, à introspecção e reflexão. Porque é assim que as coisas crescem e evoluem. É assim que se nasce e por vezes se renasce. Como o feto que precisa do abrigo do ventre materno para se manter e crescer, assim o nosso espírito e coração também precisam de ser por vezes resguardados e protegidos, para se curarem, se alimentarem e se recomporem.
Estes dias de cor cinza são frios e tristes, mas também são calmos. Parecem até manter no ar uma sensação tranquila de assentamento. Ou será de vazio? Essas sensações por vezes podem confundir-se. Prefiro pensar que são de calma. Como as cinzas após um intenso e crepitante fogo. Essas mesmas cinzas, que são no presente uma versão condensada do que se queimou e assim se transformou, não são apenas cinzas, elas continuam a ter os minerais necessários que a terra precisa para continuar a fazer nascer as mesmas coisas que crescem e se desenvolvem e um dia se transformarão novamente nas cinzas que perpetuam e asseguram que o ciclo da vida se cumpra.
O meu coração hoje está triste e chora como o dia. Mas de uma forma calma e tranquila, como o dia também. Preciso de me reencontrar porque algures no tempo me perdi. Sem dar por isso fui-me transformando em algo que tenho a consciência que não quero ser. Por essa razão também magoei e fiz sofrer. Mantenho o vislumbre de como era e como sei que consigo ser e é a esse ser que quero e hei-de voltar. Para estar em paz comigo e com o mundo. Para fazer bem as coisas que quero fazer, para viver a vida como ela merece ser vivida: a ser feliz e a fazer felizes o que amamos e que nos amam e nos acompanham. Que nos amam e acompanham de maneira contínua ou interrupta, isso não interessa, porque no final somos produto de tudo o que vivemos. E tudo acontecerá como quisermos e como tiver de acontecer.
Temos a mania e acho até que somos ensinados infelizmente a deixarmos de fazer as coisas que realmente gostávamos de fazer em prol de responsabilidades que nos dizem essas sim ser importantes na vida. Mas não são. O que importa mesmo na vida é fazermos sim todas as coisas que nos apeteçam e que gostemos, porque esse bem-estar e essa felicidade vão alastrar-se a todos os outros campos da nossa vida. E assim se resolve esse enigma. Não precisamos ter nem ser isto ou aquilo para sermos felizes. Precisamos isso sim de sermos felizes para depois então termos e sermos o que quisermos e darmos realmente valor a isso. Eu quero... quero e sempre quis fazer tanta coisa... talvez por isso me disperso. Mas continuo a sonhar e quem sabe agora seja altura de concretizar essas vontades e esses sonhos. Quero viajar, quero aprender, conhecer, quero ajudar, quero compreender, se conseguisse queria até experimentar outras profissões, viver noutro país por uns tempos quem sabe, ter objectivos. Não viver uma vida que no final de cada semana nos faz perguntar para que serve tudo isto, para que andamos todos a correr de um lado para o outro a gastar gasóleo, palavras, neurónios, recursos e afins. A chatear-mo-nos uns com os outros. A viver de forma vazia. Eu não quero isso, muito menos viver isso tendo consciência disso! Não quero isso para mim nem para ninguém. Quero encontrar o meu caminho, só isso.