quinta-feira, 21 de junho de 2007




"She faced him, waiting.
And Odysseus came,
debating inwardly what he should do:
embrace this beauty's knees in suplication?
Or stand apart, and, using honeyed speech,
inquire the way to town,
and beg some clothing?
In his swift reckoning,
he thought it best to trust in words to please her - and keep away:
he might anger the girl, touching her knees."
(Homer, The Odyssey, Book Six, The Princess at the River)



Estas palavras terão com certeza significados diferentes para diferentes pessoas. Estão como todas as coisas limitadas às circunstâncias e à perspectiva de cada um.
Também não sei o que concretamente terá o poeta grego Homero (séc. VIII a. C.) querido transmitir ao longo de toda a Odisséia, mas sei o que penso quando leio este trecho, de forma isolada. Sei o que me faz lembrar. A mim lembra-me daquele momento crucial em que se decidem as relações humanas. Daquela mistura entre vontade e hesitação, que aproxima ou afasta as pessoas, que ainda não se conhecem, ou já se conhecem mas não "dão" mais.
Eu gosto de conhecer, observar, ouvir, estar e conversar com pessoas. Como toda a gente tenho momentos, momentos em que fazem todo o sentido essas pessoas, outros que não. Mas muitas vezes sinto que, nos dias de hoje em que tudo corre demasiado rápido, o limite que nos separa é tão frágil, que a maior parte das pessoas é desconfiada ou tem medo (medo do outro, dos outros, do presente e especialemente do futuro). E assim, como o homem no texto, aquele momento de "vou não vou", "faço não faço" está cada vez mais dilatado, e a maior parte das vezes não dá em nada, por deixar-se passar. E passam os dias, e os anos, a correr. E nós a fugir atrás de qualquer coisa que não vemos mas que todos afirmam existir. E hoje, quase tudo se subentende e por essa razão, temos medo ou nem nos queremos dar ao trabalho de mostrar o nosso afecto ou admiração por alguém (se é que temos tempo para criá-lo), alguém que podemos conhecer há muito tempo ou conhecemos recentemente, não interessa, porque logo se imagina que essa exposição não é bem-recebida ou pode ser mal-interpretada, ou que criará dependência e maior exigência da outra parte. E muitas coisas se podem perder assim, muitas palavras, muitas imagens, muitos silêncios, muitos outros momentos. Não pode ser. Sou contra essa dormência e limitação demasiado evidentes hoje em dia, esse egoísmo e cobardia. Hoje penso assim....depois de ter tido tempo para pensar numa relação que começou num (com um) daqueles momentos, e ainda bem que assim foi.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Mina de S. Domingos



Quem puder vá conhecer a Mina de S. Domingos (concelho de Mértola). É um local muito especial e bonito. E muito susceptível a fotografias...
Uma mina de cobre e pirite, que foi a maior da Península Ibérica, fez nascer a aldeia que era essencialmente povoada pelos mineiros e respectivas famílias, ou outros profissionais, todos ligados à exploração da mina, no caso, por uma empresa inglesa, e desde 1857 até 1968. Se antes se vivia num autêntico rebuliço, hoje a aldeia está quase deserta, mas cheia de encanto.
Quem lá vai, volta com certeza.
Esta imagem foi tirada na Estalagem São Domingos (uma casa senhorial completamente reconstruída e remodelada, e transformada em hotel), lindíssima também.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Sé - Évora

Sé - Évora



Foram precisos 7 anos a viver em Évora, para me vir embora e ter de lá voltar para conhecer a Sé por dentro. Peguei no carro e na máquina fotográfica, mascarei-me de turista, e fui conhecer o museu, a catedral e os jardins interiores, que tanto gostei. São de uma magnificência, serenidade e perfeição arquitectónica sublimes, mas também de alguma obscuridade... como em tantas outras coisas da Igreja, para as quais haverá por certo uma explicação. (?!)
"A Sé de Évora é a maior Catedral medieval do país. A um primitivo templo construído entre 1186 e os primeiros anos do século XIII, sucedeu-se o grandioso monumento que hoje existe, resultado essencialmente de duas notáveis campanhas da Baixa Idade Média." (in site IPPAR)

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Dia da Criança


Não se vê bem, mas está ali uma menina...e está despenteada!!! :)

Quanto a este dia em especial...gosto de viver acreditando que não há assim tanta diferença entre criança e adulto, que os adultos que conheço mantêm a mesma genuidade, e as crianças a mesma paciência (com os adultos)... :)

"A Vida é Bela", de Roberto Benigni. Um filme excelente. Um pai judeu, no tempo da II GG, é enviado junto com o filho para um campo de concentração. Durante todo o tempo que lá estiveram o menino não chega a perceber a morte, a tortura e a injustiça que o cerca, cada dia é um jogo e uma brincadeira. E todos os dias o pai inventa novas estórias e palhaçadas para manter intacto o mundo de fantasia do menino, num cenário completamente destruidor.
Já que a realidade por vezes é tão dura, e se nem todos os meninos podem ter as mesmas coisas, pelo menos que nunca percam o poder de sonhar e brincar.