quinta-feira, 27 de junho de 2013

Definições

Uma das melhores definições que já li até hoje sobre.... Solidão:

               Solidão  não  é  a  falta  de  gente  para  conversar,  namorar,  passear  ou  fazer  sexo..... 
               isto  é  carência. 

               Solidão   não  é   o sentimento  que  experimentamos   pela  ausência  de  entes  queridos 
               que  não  podem  mais  voltar..... isto  é  saudade. 

               Solidão  não  é  o  retiro  voluntário  que  a  gente  se  impõe,  às  vezes,  para    realinhar 
               os  pensamentos.....isto é equilíbrio. 

               Solidão   não  é  o  claustro  involuntário  que  o  destino  nos  impõe   compulsoriamente 
               para  que  revejamos  a  nossa  vida.....isto  é  um  princípio  da  natureza. 

               Solidão  não  é  o  vazio  de  gente  ao  nosso  lado..... isto  é  circunstância. 
               Solidão  é  muito  mais  do  que  isto. 

               Solidão  é  quando  nos  perdemos  de  nós  mesmos e  procuramos  em  vão  pela nossa 
               alma .....
               Francisco  Buarque  de  Hollanda

Música muita gira!



Este é o vídeo não censurado. O outro tem mamas a dar c'um pau! (agora pensando bem esta expressão talvez não seja a mais apropriada.... lol). Sorry!

2 Days in Paris


O filme já não é recente (é de 2007) mas a estória não deixa de o ser. Marion (francesa) e Jack (norte-americano) são um jovem casal de namorados, com uma relação que já dura há 4 anos, e que já partilham vida e casa juntos em NY. No final de umas férias na Europa decidem passar 2 dias em Paris, a cidade natal de Marion. Mas estes dois dias acabaram por ser muuuuito longos para a relação de Marion e Jack.

Por um lado, Jack não estava à espera de descobrir ou aperceber-se que a sua namorada tinha tido um sem-fim de amantes, que continuam a fazer parte do seu círculo de amigos e que o ambiente neste círculo de amigos fosse tão... liberto, lascivo, demasiado sensual e sexual. Para Marion, habituada àquela forma de viver e de se relacionar com os outros, não havia qualquer problema na naturalidade que Jack tanto estranhava, e acima de tudo ela estava de consciência limpa porque não o traiu nem o estava a fazer na sua maneira de ver as coisas. Para ajudar à "festa" os pais de Marion eram velhos hippies, completamente loucos e tarados. E para culminar Jack começou a aperceber-se que Marion parecia louca e esquizofrénica, começava a gritar e a arranjar confusão nos mais variados sítios e situações com outras pessoas. Havia nisto tudo um pormenor muito importante: Jack não sabia francês e portanto ele construiu opiniões apenas com base no que via, no que lhe parecia que estavam a dizer e no que a cabeça dele lhe indicava ser o mais provável de estar a acontecer. Que muitas vezes pode estar a anos-luz da realidade!

Por sua vez, Jack é um hipocondríaco nato, e por isso muito chato e muito tendente a criar macaquinhos na cabeça sem confrontar directamente a sua namorada. A viagem resumia-se a muita discussão e desentendimento e a pouco passeio e namoro.

Jack chega à conclusão de que não conhece Marion.... (ainda muito bem sem saber se gosta disso ou não) e o interessante é que acaba por reconhecer que o problema tem sido dele grande parte do tempo porque ele é que não se deu a conhecer verdadeiramente ao longo do tempo, por medo e insegurança. É curioso como muitas vezes é tão mais fácil (e destrutivo também) apontarmos o dedo aos outros precisamente para os nossos maiores problemas. Não sei se é um mecanismo de defesa mas acontece.
Ora, com muitos mal-entendidos à mistura e alguma falta de comunicação, é óbvio que estes dois dias foram como uma prova (de esforço...ou mesmo de fogo!) para eles enquanto casal. Chegaram ao limite de se questionarem se realmente se conheciam um ao outro e mais importante.... se estavam dispostos a aceitarem-se ou não. Resistirá o amor a uma sova destas?

Não é preciso ir viajar ou estar num sítio diferente (embora essas sejam condições que o propiciem) para chegar-se a este ponto numa qualquer relação. Há momentos em que somos confrontados com a realidade do outro e a nossa também, e portanto com os choques que daí advêm. Quando se começa um relacionamento há um sem fim de coisas que não conhecemos acerca do outro (e acerca de nós próprios), há outro sem fim de coisas que pensamos conhecer correspondendo ou não à realidade (podem ser coisas grandes ou muito pequeninas, detalhes apenas) e depois há também um jogo de expectativas que passado o período inicial de encantamento nos faz ir direitinhos àquele sítio (no mapa) da relação em que somos confrontados com a verdade, a nossa (da relação e a de nós próprios). Não que a outra parte nos tenha ocultado algo mas verdade num sentido de retirarmos o véu dos contos de fadas e ideias pré-concebidas e olharmos para a outra pessoa realmente como ela é. Nesse momento temos duas hipóteses: aceitar ou não. Permanecer ou não. Acreditar ou não. É irónico mas a relação evolui após cada um destes momentos. E há muitos. E hão-de sempre haver momentos destes em qualquer relação de verdade, seja aqui seja na China, seja com quem e entre quem for.

Penso que o que torna uma relação interessante é precisamente isto. É constatarmos ao fim de algum tempo que é muito mais intenso e duradouro amarmos uma pessoa por aquilo que ela é (e não por aquilo que pensamos que ela seja) e por aquilo que ela nos faz ser de verdade. Só a verdade assegura a duração e a beleza de uma relação. Eu não gosto nem conseguiria ter uma relação vazia. Prefiro mil vezes estar sozinha até porque é algo de que gosto bastante e quem me conhece sabe bem disso. Gosto de descobrir o outro. Às vezes gosto do que descubro, outras vezes não gosto muito e catrapum! desilusão, o mundo fica naquele momento virado às avessas porque sou muito impulsiva e reajo muito no momento, mas depois apercebo-me que amo essa pessoa assim tal e qual como é e não o suportaria de fosse de outra forma, assim como não suportaria viver sem poder assistir às suas macaquices :D, sem poder fugir aos seus abraços infinitos, olhar para ele, sentir o seu cheiro e o seu toque, apreciar o seu sorriso lindo e especialmente não poder sentir a sua presença e energia, e partilharmos as coisas, sem ouvir as suas explicações sobre temas tão interessantes quanto complicados para mim! Etc Etc...

 É engraçado porque numa relação vamos muitas vezes também descobrindo coisas acerca de nós próprios. E tal como no outro, também há coisas que gosto e outras que não gosto em mim, e aí fico muitas vezes insegura, frustrada e triste... mas depois sinto que sou amada tal como sou e tudo fica em ordem. E faço planos para mudar ou pelo menos tentar mudar naquilo que acho que não estou a ser como gostaria de ser.
 O amor, neste caso entre um casal, é um livro que nos leva a apreender e a aprender parte da vida (essa é a biblioteca), uma relação é a leitura que vamos fazendo desse livro, como uma aprendizagem, ora apaixonados ora chateados, ora muito juntinhos ora mais afastados, com momentos bons e outros mais difíceis, mas no final de cada capítulo estamos juntos. E só isso assegura a continuação da (nossa) história.

(Já agora e quanto à diferença entre "estória" e "história" para que não me chateiem a cabeça com esse assunto...:D  Para mim estória é quando falamos de ficção. História é para quando falamos de acontecimentos passados efectivamente ocorridos, factos portanto! Há diferentes percepções relativamente a isto e esta é a minha! Va benne?!)

Cancro - Células Dendítricas

Há uns dias vi uma reportagem na TV sobre um (relativamente) novo tipo de tratamento para o cancro. Os mais conhecidos e utilizados actualmente na medicina tradicional são, como se sabe, a quimioterapia e a radioterapia (através de substâncias químicas ou radiações ionizantes, respectivamente) que só por si já representam uma resposta capaz de lutar contra vários tipos de tumores malignos, com relativa taxa de sucesso mediante o estadio da doença e resposta do sistema imunitário do doente. O senão deste tipo de ataque (porque se trata efectivamente disso) à doença é a agressão que representa para o organismo em geral e não apenas para a doença em particular. Alegoricamente este tipo de tratamento funciona como uma bomba que se larga num território que se sabe ter sido invadido (estar doente) com o intuito de eliminar os invasores (células cancerígenas ou tumorais), sabendo de antemão que por todo o alcance da explosão se irão sentir efeitos, ou seja, destruir-se-ão as células más (tumorais), mas as boas também (do sistema imunitário). É o preço a pagar pela decisão de enfrentar a doença. Para uns resulta, para outros não. O que é certo é um elevado nível de debilitação do doente aquando e pós-tratamento. Como espectadora dessas situações muitas vezes me questiono se o tratamento é realmente eficiente no sentido em que, em última análise, mesmo nos casos de sucesso (regressão do cancro) condicionam o objectivo primordial de qualquer tipo de tratamento que é devolver ao doente a sua saúde.

O que a quimioterapia e a radioterapia fazem, no meu entender (e sem lhes retirar a importância que efectivamente têm na diminuição das taxas de morte por cancro) é fazer do organismo do doente um campo de batalha em que mesmo nos casos de vitória sobre a doença muitas vezes implicam o surgimento de co-patologias (agudas ou crónicas) que irão condicionar na mesma a vida e o dia-a-dia do doente. Permitem adiar a morte mas por outro lado retiram vida em vida, se é que me faço entender. Mas isto seria outra discussão ou dissertação sobre se vale a pena viver por viver ou viver com (a mínima) qualidade de vida. Acho que a medicina tradicional por vezes entra em contra-senso quando faz de tudo para salvar um doente sabendo de antemão que se ele sobreviver não tem qualquer tipo de autonomia ou usufruto da própria vida e pode até ser apenas um prolongar de sofrimento. Mas enfim.

Acerca da reportagem que vi, gostei principalmente do facto de saber que está maior o leque de escolhas na abordagem ao tratamento do cancro. Acho que estamos (Humanidade) no bom caminho. Neste caso, e comparativamente à estandardização dos tratamentos que referi acima, e ainda que em dita fase de investigação clínica e de experimentação, a imuno-hemoterapia celular com células dendítricas (Prémio Nobel da Medicina em 2011, a Ralph Steinman) propõe um tratamento individualizado e criado para cada organismo, de cada doente. São criadas vacinas com base no sangue do doente. Isto, à partida, parece-me muito mais eficiente por não se estarem a introduzir agentes externos e sim potenciar as células combatentes do nosso próprio organismo. Actualmente este tipo de tratamento está a ser feito na Alemanha e Inglaterra. Na reportagem foram abordados alguns doentes a tratar-se no Instituto do Tratamento do Tumor, em Duderstadt, Alemanha, e falou o Dr. Thomas Nesselhut (da equipa de Steinman, que entretanto faleceu com cancro no pâncreas, e 3 dias antes do anúncio do Prémio Nobel...).


Não foi falado nesta reportagem mas devem lembrar-se. Em Portugal houve um caso muito mediático, já desde o ano 2010, de uma menina de 4 anos com diagnóstico de um tumor raro no rim (Tumor de Wilms). Os pais recusaram-se continuar a levar a filha às sessões de quimioterapia no IPO, tendo sido processados por isso e tendo-lhes sido retirada a tutela provisória da criança, para a levarem para a Alemanha e investirem no tratamento com células dendítricas. O tratamento acabou por revelar-se eficaz e o tumor desapareceu do corpo da menina. Por essa razão, mais tarde o Tribunal de Família e Menores acabou por arquivar o processo por constatar que afinal não existia negligência no tratamento da criança e que esta estava a ser clinicamente tratada, como se provou. A menina chama-se Safira Íris e deste caso já muito se falou e escreveu.
Aquilo que se pensa é que este tipo de tratamento funciona mais eficazmente com os tumores ditos sólidos (mama, rim, cérebro, pâncreas, útero e cólon) e claro tudo depende do estadio do cancro.

Não obstante ser uma abordagem ainda muito dispendiosa e simultaneamente pouco reconhecida a nível da sociedade em geral penso que é uma mais-valia e quiçá uma oportunidade de esperança para muitos doentes em que os tratamentos convencionais não resultem ou tenham demasiados efeitos secundários.

As Células da Esperança - TVI - 24/06/13

O poder da Educação

"A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo."

Nelson Mandela
 (fui buscar esta frase não apenas porque se adequa perfeitamente ao assunto que exponho mas também para prestar homenagem a uma das figuras mundiais por quem tenho imensa admiração e carinho.)


Não, não vou falar nem comentar as greves dos professores nem a sua luta em Portugal. Venho falar de Educação de uma forma geral. De Educação enquanto meio único de instrução, formação e desenvolvimento do ser, de uma pessoa, de uma comunidade, de um país, do mundo! Somos o que somos por via daquilo que experienciamos, do meio onde vivemos e acima de tudo pelo que e como somos educados. Esta educação é feita pelos nossos pais, pela nossa família e círculo de amigos, pela escola, e por aí adiante, de tal forma de a comunidade onde vivemos também influencia a forma como vemos e sentimos as coisas. O exterior influencia a nossa perspectiva das coisas, e a nossa perspectiva influenciará o exterior. É nesse sentido que a Educação é a mais poderosa arma que se pode ter para determinar as decisões tomadas e por conseguinte o rumo do mundo. O nosso Mundo!


O direito à educação é um direito universal. Há tantas crianças para quem a escola é uma coisa chata, uma obrigação, um tem de ser porque lhes é dito que é assim e pronto, que nem se apercebem que há outras crianças que gostariam de ir à escola e poder aprender e não podem. Não as deixam ou não há meios para o fazerem. Para os cidadãos do mundo dito desenvolvido ter acesso à educação é uma coisa praticamente garantida e talvez por isso nem nos apercebemos do valor que isso tem, esquecendo-nos muitas vezes que em muitos países do mundo a milhares de crianças é-lhes negado esse direito, marcando e vaticinando definitivamente o seu desenvolvimento, as suas vidas e o seu próprio país. Em última análise será sempre agravado o fosso entre os povos no mundo e nunca conseguiremos utilizar todo o nosso potencial precisamente porque há demasiada disparidade entre pessoas e países. A união permanecerá para sempre uma utopia.

Acredito veemente que a educação de hoje das crianças de hoje será amanhã a justificação do mundo de amanhã.

Vejam então este vídeo muito bonito (sobre um de muitos sítios onde se nega o direito à educação) e já agora aproveitem para ajudar uma causa muito nobre.

A ciência e a espiritualidade - Perspectiva holística

Foi com curiosidade que comecei a ler uma entrevista publicada na Revista do Jornal Expresso do passado dia 15 de Junho. E foi com surpresa que, contrariando o que costumo fazer que é ler na transversal só para não deixar de ter uma ideia sobre o que fala, li a entrevista na íntegra e terminei a leitura com uma agradável sensação de positivismo e compreensão. Esta entrevista fala de um dos temas que acho mais interessantes (e importantes) desde sempre. Ou melhor, desde o tempo em que tive Filosofia na escola e aí já se debatia o racional vs emocional, a cabeça vs coração, ciência vs evidência. Eu nunca achei que tinha de haver debate ou contra-posição, nunca percebi porque é que as pessoas simplesmente não aceitavam que estas coisas se complementavam uma à outra e não se enfrentavam necessariamente. Sempre acreditei, e continuo a fazê-lo, que no limite todas as coisas são unas, que se completam umas às outras precisamente porque pertencem a uma só que em tempos se terá desagregado, para, quem sabe, se voltar a agregar um dia mais tarde. Eu sei que dito assim e disparado desta forma parece uma autêntica frase feita mas eu acredito que tudo no mundo, no universo e quem sabe acima disso, é parte de um sistema aparentemente complexo mas perfeito ao ponto de ser o mais simples mecanismo de relações e ciclos que se explicam uns aos outros e ao todo no geral, de forma infinita. Não, não estou a ficar maluquinha das ideias e a dizer coisas sem sentido ou esotéricas, estou apenas a tentar colocar em palavras uma coisa que penso e sinto já há muito tempo.

A entrevista é com Luís Portela, um "médico, empresário e homem da ciência" que presidiu durante muitos anos uma empresa farmacêutica. Publica agora um livro com um título que adorei "Ser Espiritual - da Evidência à Ciência", pela editora Gradiva. Uma abordagem holística para pensar sobre assuntos espirituais quanto a alma, a telepatia, o sexto sentido, a reencarnação entre outros e o papel da ciência, como meio de explicação, compreensão e aceitação dos fenómenos pela sociedade em geral, na fundamentação daqueles "assuntos".
Vou "linkar" para aqui a entrevista para que tenham possibilidade de ler por vós próprios e tirar as vossas próprias conclusões. Identifiquei-me bastante com as perguntas que este homem já fazia com 13 anos de idade acerca das ideias impostas e ditas inquestionáveis da Bíblia e religião católica. Não necessariamente à figura de Jesus Cristo e a sua doutrina (cristianismo) mas à parte da religião daí criada em que parece ter sido completamente deturpada pelos homens. Jesus tentou difundir amor, simplicidade, união, perdão, harmonia... e a igreja católica com a ideia de inferno, com o pecado e as punições fez precisamente o contrário. Jesus não precisava de sítios para pregar e usava vestes pobres. Então qual a justificação de igrejas imponentes e visível e evidente ostentação na religião católica? A igreja deveria ser um sítio simples que nos fizesse sentir naturalmente mais próximos de nós próprios, um local que nos facilitasse a meditação e nos induzisse simplicidade e serenidade. Enfim, todas essas coisas nunca fizeram sentido para mim. Acredito que Jesus existiu, que foi um Messias, um homem iluminado assim como têm existido outros que se destacam ao longo dos tempos, em diversas áreas. Só nunca percebi porque é que uma data de homens pegaram nessa história e a transformaram numa arma de intimidação e cercadura de rebanhos que é o que fazem aos seus "fiéis". Jesus ou o amor ou essa energia positiva e boa está em nós, está em toda a parte e não necessariamente numa igreja.

Quanto à entrevista muito do que penso sobre a ciência e sobre a espiritualidade e relação entre ambas está nas respostas do entrevistado. A razão por que decidi colocar isto num post foi precisamente essa: eu penso tal e qual este homem no que respeita a estes assuntos. E se não me sei exprimir assim então pelo menos consigo perceber que é assim que gostaria de o fazer. Aqui vai.


E.... quero muito ler o livro! hrum hrum (dicas....) eheh :)


quarta-feira, 5 de junho de 2013

Joana Vasconcelos no Palácio Nacional da Ajuda

Já era uma exposição que tinha marcado na agenda como "a não perder". E a ida neste dia por acaso não estava programada... mas lá fomos e fora a subida que tivemos de fazer a pé sob um sol abrasador que nos fez chegar ao palácio com "os bofes de fora", valeu muito a pena. O palácio é muito bonito e tem muitas peças e mobiliário da monarquia, é giro ver como e com o que é que aquela gente vivia naquela altura e dada a sua condição de realeza. A exposição da Joana Vasconcelos está super interessante, não apenas por estar inserida no ambiente e no próprio mobiliário e espólio do palácio mas por ser de facto tão criativa, colorida, sensorial. Ela é uma artista de que gosto muito e admiro pela forma como consegue colocar em prática ideias simbólicas através de objectos que deixam de ser apenas coisas e passam a ser
arte. A forma como tudo está estruturado e os próprios materiais utilizados revelam enorme sentido estético, abstracto e.... voilá.... prático! Genial!

Aqui ficam algumas imagens da exposição e do palácio. E da exposição no palácio! ;)

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Um convite... à reflexão!

Recentemente fui convidada para fazer parte de uma lista. Uma lista política. Neste caso para as autárquicas.
A minha primeira reacção foi "oi?!" porque eu não sou nada ligada à política. Para mim aquilo a que actualmente designam de política não passa, na generalidade obviamente, de uma farsa, um embuste, uma forma que alguns encontraram de ter poder e dinheiro.
Pois bem, mas dada a consideração que tenho pela pessoa que me convidou fiquei de pensar e pedi algum tempo para dar resposta. Para mim, e como hoje em dia, não há uma efectiva diferença entre os partidos no que respeita à prática da sua ideologia (quero com isto dizer que no bla bla bla são diferentes mas na prática são todos iguais), e não querendo nunca deixar de exercer o meu direito ao voto, guio-me pelas pessoas. Pela confiança que me inspirem, pelo trabalho que tenham desenvolvido, por aquilo que eu saiba e tenha julgado delas. Para mim pouco me interessa se o Manel ou o Zé são dos laranjas, dos rosas, dos azuis, dos verdes, dos vermelhos ou do raio que os parta. (já viram como é irónico pensar que a cada partido/ideologia está associada uma cor. E que, artisticamente falando, um quadro será tão mais belo quão harmonioso for na forma como as cores estejam proporcionadas, misturadas ou colocadas entre si. Para mim, que gosto de coisas coloridas acho que um bom "quadro" da sociedade seria aquele em que houvesse oportunidade ao entendimento entre as várias linhas de pensamento. Mas não para a discussão, sim para um diálogo aberto e construtivo. As sociedades nunca evoluirão verdadeiramente se não for dada oportunidade à união e esforço sincero e colectivo que usufrua das diferenças.)
Bem... mas voltando ao que estava a escrever. Para mim importam as pessoas. Não me interessa a cor que o Manel defenda, apenas me interessa que tipo de pessoa é o Manel e por que tipo de pessoas se rodeia, que tipo de gente tem a sua equipa.
E foi precisamente isto que me fez dizer obrigada mas não ao convite que recebi. Porque seria para fazer parte de uma lista encabeçada por uma pessoa por quem eu não tenho o mínimo respeito a nível profissional (pessoal não posso dizer porque não tenho contacto propositadamente). É uma pessoa por quem sinto um certo desprezo e não me desperta um pingo de confiança. Por ser uma pessoa que eu sei não olhar a meios para atingir fins. Por não ser rigorosa, por não ter brio no que faz e acima de tudo por ser corrupta. E posto isto ficou bastante claro que eu não me meto em coisas em que não acredite.

Há bastantes vantagens em dar a cara e tal.... pois claro que há. Toda a gente o faz porque é que não o hás-de fazer também?! Pois... é precisamente por se pensar assim, e por saber que a maior parte das pessoas que "dão a cara" o fazem para proveito próprio e por interesse pessoal que as coisas estão como estão. Mal, muito mal!
Pessoas com valor E de valor precisam-se. "Num governo perto de si."

De qualquer forma o meu muito e sincero obrigada à pessoa que me convidou. Pelo voto de confiança e amizade.

Nunca direi que não vou ou não quero entrar para a política. Não nego que gostaria de pertencer a essa classe que acaba por definir o futuro do país. Gostaria de contribuir activamente para isso, com as minhas opiniões e estudos, com o meu gosto pela discussão e pelo debate, com o meu empenho pessoal e profissional na esperança de mais justiça e bem-estar na vida dos cidadãos. Cidadãos que são pessoas, seres humanos complexos mas com necessidades básicas. Um dia quem sabe. Mas só entro por uma porta que eu muito goste e em que acredite.

sábado, 1 de junho de 2013

Leituras - "Na Patagónia"

de Bruce Chatwin. 1977.

"Patagónia ou "Terra do Fim do Mundo" é uma região geográfica que abrange a parte mais meridional da América do Sul. Localiza-se na Argentina e no Chile, e integra a secção mais ao sul da cordilheira dos Andes, rumo a sudoeste até o oceano Pacífico, e, a leste, até aos vales em torno do rio Colorado até Carmen de Patagones, no oceano Atlântico. A oeste, inclui o território de Valdívia, através do arquipélago da Terra do Fogo.
"O nome Patagónia vem da expressão Patagón, usada pelo português Fernão de Magalhães que, no século XVI e ao serviço da Espanha, alcançou este território e denominou os autóctones por patagóns/pés grandes. Os patagóns (que hoje se acredita serem os tehuelches) tinham uma altura média de 1,80m. Muito acima da média dos espanhóis da época que mediam cerca de 1,50m."
in wikipedia

Já há muito tempo que tinha este livro em casa mas não sei porquê ainda não lhe tinha "pegado". É nitidamente um livro/relato de viagens e aventuras. Neste caso o autor "pegou" num pretexto, um pedaço de pele que existia na casa da sua avó e fez justificar a sua ida à Patagónia, diz ele que para "tentar desvendar a origem  exacta daquele pedaço de pele espesso com pêlos avermelhados" que até aí todos lhe diziam ser de brontossauro. Acontece que o brontossauro era um réptil, não tina pêlos mas sim escamas. Pensou-se que talvez pertencesse a um mamute. Mas Bruce sentia que não. Acaba por concluir-se que se tratava de uma preguiça-gigante. Os únicos restos de pele e osso destes animais extintos existiam apenas no Museu Britânico e essa colecção tinha sido enviada da Patagónia chilena. Este pretexto de busca da verdadeira origem do pedaço de pele que conhecia desde pequeno e o gosto por geografia o o desejo de fuga no período da guerra fria e da eminente ameaça de bomba de cobalto fizeram com que Bruce quisesse ir para um canto perdido da Terra. Estudou o atlas e percebeu que o local mais seguro seria a Patagónia. Acho que ele queria simplesmente evadir-se de tudo o que o rodeava mas na sua mente não fazia sentido fazê-lo só porque sim então encontrou uma mão-cheia de pretextos. Porque a mente limita mas também é criativa.
Parte para a Patagónia e vai caminhando (umas vezes a pé, sozinho, outras de boleia, acompanhado) por todo o território. Reconstruindo histórias, e a própria história da Patagónia. Dos povos autóctones, índios, das conquistas, do deserto, do gado, das guerras e mortes, da infinidade de imigrantes que recebeu. De como todos eles sempre tentaram ter as mesmas tradições e as mesmas coisas que tinham nas suas terras-natal, tão longe que ficavam no mapa. Quase como se por mais longe que vamos ou nos queiramos mudar havemos sempre de pertencer e até querer estar perto do sítio onde  tivermos nascido, por mais árido ou agreste que ele seja. Penso que nisso se manifesta o equilíbrio da natureza. Não deveríamos deixar a nossa terra. A mobilidade de que gozamos é uma afronta aos planos da mãe-natureza que colocou cada coisa no seu sítio certo.
Este livro é uma excelente companhia. Lermos os pensamentos de alguém que viajou sozinho é reconfortante e ensina-nos muito. Por mais irónico que seja.
Bruce Chatwin era homossexual. Eu não sabia isso, mas houve uma (uma única) passagem no livro que me fez pensar isso pela forma como ele descreveu um homem que se cruzou com ele. Descreveu-lhe os olhos e as palavras, de a forma lânguida. Não achei muito natural para a altura em que o livro foi escrito. E mais tarde li sobre o autor. Inglês, bissexual, estudioso, creio que triste e complicado por viver numa época que o obrigava a sentir-se reprimido e por ser uma pessoa muito concentrada e muito pensante sobre as coisas.
Contraiu VIH e morreu na sequência de SIDA, com 49 anos.

Frases ou ideias que retive do livro:
"...acaba por concluir que os que andam pelo deserto descobrem neles próprios uma tranquilidade primordial (igualmente experimentada pelo mais primitivo dos selvagens) que talvez muito se assemelhe à paz divina."

"As estrofes da epopeia de Ercilla sobre as indomáveis tribos do Sul do Chile.
Robustos e imberbes,
os corpos tensos e musculosos,
membros fortes, nervos de aço,
ágeis, brônzeos, joviais,
vivazes, valentes, temerosos,
endurecidos pelo trabalho,
suportam o frio mortal, a fome e o calor."

Há uma aldeia do País de Gales chamada Llanfairpwllgwygyllgogerychwyrndrobwllllantysiliogogoch?!?!?!?! Parece que sim! Qual otorrinolaringologia qual pipapapígrafo ou trava-línguas qual quê!!

"os seus dedos apertaram-me o braço e fixou-me com um olhar intenso e luminoso. - Patagónia! É uma amante possessiva. Enfeitiça. Uma autêntica sedutora. Envolve-nos nos seus braços e nunca mais nos deixa partir."... "A chuva tamborilava no telhado de lata. Durante as duas horas que se seguiram, ele foi a minha Patagónia."

O sábio Padre Palacios... e o unicórnio da Patagónia. 

"Caminhos diferentes mas a mesma divindade."

"...águas verde-jade de um rio... estratos vulcânicos às listas cor-de-rosa e verde como um estandarte de cavaleiro medieval... quatro montanhas, quatro cumes, uma bossa púrpura, uma coluna alanranjada, um feixe de agulhas rosadas e o cone conzento de um vulcao extinto coroado de neve. O rio desaguava nas águas turquesas de um lago, o lago Ghio. As margens eram de um branco ofuscante e as falésias da mesma cor, ou listadas horizontalmente de castanho-avermelhado. Ao longo da margem norte, uma faixa de ervas separava as águas azul-safira das lagunas de água opalina do lago. Milhares de cisnes de pescoço negro salpicavam a sua superfície e os baixios estavam cobertos de flamingos. Paso Roballos tinha verdadeiramente o aspecto de um eldorado e talvez o fosse.".... com uma descrição assim.... a Patagónia só pode ser uma terra mágica.

"..os índios chamavam-se a eles próprios yámana. Verbo: viver, respirar, ser feliz, restabelecer-se de uma doença ou ser são. Substantivo: gente por oposição aos animais. O território de uma tribo era sempre visto como um paraíso imutável." Os homens rosados também eram humanos" ... lembram-se agora os que na altura os mataram como se fossem bichos.

e já agora..."o milodonte era uma preguiça-gigante, maior que um touro, pertencente a uma espécie exclusivamente sul-americana.

Gostava de ir lá. À Patagónia.