terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Notícias bizarras mas esperançosas.

"A mulher cega que mudou de personalidade e de repente conseguiu ver"...
"Uma mulher com múltiplas personalidades é cega em certos casos mas não noutros. O que se passará no seu cérebro que possa explicar esta bizarra situação?" in PÚBLICO/The Washington Post
 
Achei esta notícia fantástica e colorida :)... percebam porquê. Aborda a importância e a dificuldade do diagnóstico vs o quanto ainda desconhecemos acerca da mente, o que, pode ser positivo porque significa que há sempre esperança, mesmo.

"Há mais de uma década que B.T. não via nada.
Na sequência de um acidente traumático quando era nova, os médicos tinham-lhe diagnosticado uma “cegueira cortical”, causada por lesões nos centros cerebrais do processamento visual. Portanto, arranjara um cão-guia e habituara-se à escuridão.
Para além disso, B.T. tinha de lidar com outros problemas de saúde – nomeadamente, mais de dez personalidades completamente diferentes que se disputavam o controlo do seu corpo. E foi enquanto procurava tratamento para a sua perturbação de identidade dissociativa que recuperou de repente a capacidade de ver. Mas não foi enquanto B.T., uma alemã de 37 anos, mas na “pele” de um rapaz adolescente que ela por vezes “vestia”.
Após meses de terapia, todas as personalidades de B.T., excepto duas, recuperaram a visão. E como B.T. oscilava entre personalidades, a sua vista ligava-se e desligava-se como um interruptor eléctrico na sua mente. O mundo aparecia para depois voltar a mergulhar na escuridão.
Num artigo na revista Psych, os médicos de B.T. explicam que a sua cegueira não foi causada por lesões cerebrais, como fora inicialmente diagnosticado. Trata-se, pelo contrário, de algo mais parecido como um problema psicológico e não fisiológico.
O estranho caso de B.T. revela muitas coisas acerca da extraordinária força da mente – sobre como ela pode controlar o que vemos e quem somos."

ver notícia completa aqui.

"Elogio ao Amor"

Aqui vai... um texto lindíssimo e um valente murro no estômago. Bom-apetite!
 
ELOGIO AO AMOR
Miguel Esteves Cardoso

"Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de  conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.

O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.

A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Boa semana!

Anaïs Nin

Somos tanto e tão pouco

Já pensaram em quantos eus o nosso eu se consegue repartir? Quantas pessoas conseguimos ser ao mesmo tempo sem nunca, paradoxalmente, deixarmos de ser a mesma pessoa? Quantos papéis desempenhamos a cada segundo, a cada dia, a cada ano em cada situação e para cada pessoa? Cada um é de facto um mundo. Um mundo em constante mudança e crescimento. Um mundo que fervilha e a todo o momento está a ser e a fazer algo.

Desafiei-me a mim própria a pensar (por alto) nas várias coisas que sou, e eis que a lista é interminável...

Sou mulher, mãe (felina), filha, irmã, tia (babada!), sobrinha, prima, amiga, amante, companheira, portuguesa, cidadã, estudante, trabalhadora, condutora, sensível e sensitiva, curiosa, (muito) mau-feitio, hortelã, blogger, vizinha, dona de casa, gestora, pseudo-música-pintora-escritora-fotógrafa-poeta-filósofa, pseudo-pseudo, pensante e pensadora, reflexiva, cantadeira que julga ser cantora, colega, amante de gatos, apreciadora de arte nas suas variadas formas, sonhadora, leitora, confidente (as pessoas por norma gostam de desabafar comigo e contar-me coisas mais ou menos profundas das suas vidas, nunca percebi porquê...), sou ligada à natureza, sou corpo, alma e mente, às vezes sou neurótica e obsessiva e perfeccionista, por vezes também um pouco inconstante e problemática comigo própria, sou uma gota de água no oceano, sou organizada, disciplinada, educada, sou peão, princesa em sonhos, atleta, domadora de pensamentos negativos, optimista, aventureira, corajosa, insegura em algumas situações muito segura noutras, sou tímida mas simpática, sou.... um sem fim de coisas.

Quando comecei a enumerar apercebi-me de duas coisas: Somos seres com características intermináveis e essas características podem repartir-se por categorias várias e quiça também elas próprias intermináveis, infindáveis e ainda infinitas! Somos portanto fruto de combinações mais ou menos aleatórias de genética, ambiente, cultura, experiências e... de algo mais inexplicável! Isto não quer necessariamente dizer que tenhamos multi-personalidade (que podemos ter) mas sim que somos seres altamente complexos, ricos e especiais!

E vocês? São o quê?!

Surrealidades do meu dia-a-dia #38

Uma adivinha.

Quem é que um destes dias se lembrou de ultrapassar o jipe da GNR (sim... o jipe da GNR!!!!) num sítio em que a estrada afinal tinha "linha longitudinal contínua separadora de sentidos de trânsito" (vulgo traço contínuo), sendo multada imediatamente a seguir?!?! Quem é? Quem é?!

Sim, a resposta certa é... sou EU!

Fi-lo de forma completamente inadvertida e fruto de um conjunto de situações que me induziram em erro. Acontece... Um sinal de fim de proibição de limite de velocidade em simultâneo com um trajeçado descontínuo que era a entrada/saída de uma propriedade rural. Chovia e a água da chuva acumulou-se na estrada fazendo bolsas de forma a que, ao longe, o traço parecia descontínuo. Naquele sítio há algum tempo atrás o traço era descontínuo que foi entretanto pintado..... etc etc... em resumo, deve ter sido a multa mais estúpida da história!!! E eu fui a personagem principal... Yup! Palmas par mim que agora tenho uma contraordenação muito grave em cima do lombo (vulgo carta de condução), da qual vou obviamente tentar recorrer e fazer figas para que me compreendam, caso contrário incorro numa sanção acessória de 2 a 24 meses sem poder conduzir...

Oh my oh my... :(


 PS: Agora o meu pessoal brinca comigo a toda a hora... Sempre que vou de viagem há sempre alguém que diz no gozo: "Ana, já sabes! Se vires a GNR não hesites! Ultrapassa-os logo! E se no meio disso conseguires uma multa melhor!" ou então tenho o pessoal preocupado que mal vêm a GNR na estrada me ligam logo a avisar que eles estavam no tal sítio às tantas horas, para eu ter cuidado... Enfim... ou como dizem os franceses...enfin! Aguenta e não chora!

Verdade inegável. (Se é verdade é inegável...)



"Feliz aquele que transfere o que sabe, e aprende o que lhe ensinam”. 
Cora Coralina   (escritora e poeta brasileira)

Vi esta frase algures na internet e chamou-me a atenção, precisamente por dizer de forma tão directa uma grande verdade e que tem imensa importância na nossa vida. Não somos nada se não conseguirmos aprender e partilhar o que somos. Ou seja, só crescemos em termos de conhecimento através de uma mistura perfeita entre curiosidade, humildade e generosidade, e claro... capacidade cognitiva. Sempre ouvi dizer que os grandes e efectivos génios não são aqueles que desenvolvem fórmulas complicadas na solidão dos seus gabinetes. Esses são só inteligentes. Os génios verdadeiros e completos são aqueles que aprendem e desenvolvem sim fórmulas e raciocínios muito fácil e rapidamente mas que também conseguem transmitir/partilhar/transferir o que sabem de forma simples e acessível, tal que aqueles que os ouvem chegam até a pensar que afinal tudo é bastante simples, desde o entendimento filosófico do mundo à fórmula mais (aparentemente) complexa da matemática, entre tantos outros temas e assuntos. Isso sim são génios, os que têm a felicidade de saber partilhar.

domingo, 27 de dezembro de 2015

Bom som. In a light mood.

Buika - Carry your own weight Feat. Jason Mraz 


Skrillex and Diplo - "Where Are Ü Now" with Justin Bieber 


Richie Campbell - I Feel Amazing

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Feliz Natal e Próspero Ano Novo!


Quando temos muita coisa para dizer e nem sabemos por onde começar... às vezes é mesmo melhor ficar em silêncio. A escutar e a sentir o silêncio. E perceber o quanto ele nos diz. Das coisas em geral e das tais outras coisas que tínhamos para dizer, e que podem afinal ser tão poucas e pouco importantes! Acho que estou num desses momentos. Sinto que tenho tanta coisa (e talvez nada!) para dizer sobre o mundo e a forma como eu o estou a ver. Com alguma preocupação e apreensibilidade. Não estou a conseguir ser muito optimista nem esperançosa como seria expectável nesta altura do ano em que todos se enchem de positividade. Sendo muito sincera, vejo o mundo como um lugar cada vez mais díspar, virtual, intolerante, frio, doente e vazio. Se por um lado temos mais informação e sabemos (ou julgamos saber!) de tudo quanto está a acontecer no mundo e devíamos portanto ser mais evoluídos, por outro lado estamos a anos-luz de viver num mundo harmonioso em que todos se respeitam entre si, a si próprios e à natureza. 

(Ora... quererá isto dizer que estamos perto de um ponto de viragem. Será?! A História é cíclica e parece estar a repetir-se. De tempos a tempos a humanidade incorre num processo de mudança e alteração profundas. De forma drástica e dramática. Sinto que estamos perto disso. E no curto prazo isso não é necessariamente uma coisa boa. A mudança de mentalidades e evolução humana que provoca é boa, a forma de chegar a esse culminar é que não. De facto, nós parecemos só aprender e crescer através do sofrimento. O que é uma pena... Seria tão mais fácil, rápido e bonito se conseguíssemos evoluir através do amor, do bem e da luz! Mas ainda não. Ainda não conseguimos. Por enquanto só a dor é que (ironicamenteabre corações, a longo prazo... Só se é muito bom depois de se assistir ou incorrer ao muito mau...)

Eu sei que o discurso não é muito colorido nem cheio de luzinhas e enfeites como qualquer texto de Natal que se preze devia ser... desculpem... mas é aquilo que sinto neste momento... não obstante o facto de internamente manter a esperança e de vos desejar de todo o coração um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo! Acredito que devemos sempre continuar a sonhar e que cada um de nós pode mudar um pouco o (nosso) mundo, aos poucos, em pequenos gestos e atitudes. 

Feliz Natal! :)

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Right or Wrong?! Who cares... right?! :)

Não ligo a horóscopos (mas leio!), nem a testes de personalidade (mas faço-os!). Gosto de ver o que dizem de nós, e de internamente reflectir se são acertam ou não.

Aqui está um teste de personalidade muito rápido e giro. Fi-lo pelo simples prazer de fazer e não pela resposta em si.

Se quiserem experimentar fica aqui o link:


O que vos deu? Tem a ver convosco? 

A mim, primeiro, deu que eu era uma pessoa muito fofinha e lindinha e amorosa e cor-de-rosinha e toda Love... o que não corresponde inteiramente à (minha) verdade... LOL pelo menos não todos os dias!! ahahahahahah
Depois fiz o teste novamente e deu Confidence. E se repetir vai dar outro resultar qualquer! Enfim.... isto fez-me recuar aos tempos do ensino básico quando estamos a tentar decidir por que área devemos enveredar no ensino secundário. Havia umas psicólogas que nos tentavam ajudar nessa (decisiva) tarefa e portanto, assim como os meus colegas, também eu fiz alguns testes psico-técnicos. Fui uma dor de cabeça para a psicóloga que não sabia muito bem o que me dizer. Fiz muito mais testes que os meus colegas. Tanto me dava para área relacionada com natureza ou agricultura, como números e administração,como arte, etc. Ora eu estava tão indecisa naquela altura... dá para perceber que os testes psico-técnicos não me ajudaram lá muito... Acabei por enveredar, academicamente, pelos números e administração. Mas creio que o que somos vem ao de cima e arranjamos sempre forma, sendo autênticos, de expressar a nossa identidade e vontade. Bastar deixar a vida fluir e seguirmos as nossas intuições, vontades, e sonhos! Não será então por acaso que, ainda que nada tenha sido pensado nem planeado, inesperadamente me lembrei de criar e manter uma horta sozinha (foi surpresa para todos os meus mais chegados e até um pouco para mim própria!!), e que, por outro lado, nunca me desliguei da arte, especialmente da música e escrita, da fotografia e das artes plásticas etc etc.

(Já agora, um aparte. Acho que ter de decidir aos 15 e depois aos 17 anos o resto do nosso percurso académico e por conseguinte profissional, que vai condicionar em todos os aspectos a nossa vida, é muito cedo e completamente limitativo! Não creio que se tenha maturidade nem discernimento suficientes nessas idades para nos apercebermos do quão decisivas e importantes são aquelas decisões. A maior parte dos jovens escolhe quase consoante o que os amigos escolhe, ou pensa em razões mais práticas como grau de empregabilidade e afins. Acredito que se fosse feito um estudo sobre isto creio que cerca de 70% escolhe mesmo ao acaso, sem pensar nem saber muito bem quais as suas verdadeiras aptidões e qual a profissão que lhe irá trazer o maior nível de satisfação. E talvez isto explique futuros baixos níveis de produtividade, elevado absentismo, frustação e depressão, aliadas à ansiedade e stress que já são o comum na selva do mundo do trabalho.
Sinceramente, à medida que os tempos vão passando creio que as novas gerações são cada vez mais imaturas. E portanto aquela questão é tanto mais grave quanto mais recente é a geração. O ritmo de vida é cada vez mais esquizofrénico. Por outro lado os pais tentam proteger cada vez mais os filhos, quase que doentia e obsessivamente. Há tantas actividades e tantos gadjets e tanta informação e parafernália e tanta coisa a acontecer ao mesmo tempo (e ainda tudo e mais alguma coisa) que todos são adultos muito novos em algumas áreas mas crianças autênticas noutras e em simultâneo, e portanto é ainda mais difícil e utópico discernir sobre essa coisa de "futuro profissional". Sinto e acho que falta... mais silêncio e mais tempo. Para se pensar e para se deixar ser o que se é...) (!!!!)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Bom fim-de-semana!

Bom fim-de-semana maltesaria! :)

Há questões importantes que nos devemos colocar se (E SÓ SE...) nos quisermos colocar num estado de inquietação e de dúvida e de desespero (quem é que não quer?!?!?uhhhhhh).... e a questão do comic que aqui coloquei é uma dessas! Bom-apetite! (Boas reflexões! E boas... colocações!!!) :D :D :D

Beijinhos, fiquem bem 

Hachiko

Já tinha ouvido falar no cão Hachiko mas não sabia bem a sua história. 
Não é por acaso que este cão de raça japonesa akita ficou conhecido e foi tão adorado, tendo sido fonte de inspiração para diversas formas de arte, nomeadamente a cinematográfica.
Simboliza na perfeição a lealdade e fidelidade.



Hachiko viveu 11 anos, grande parte dos quais a esperar paciente e fielmente o seu querido dono (entretanto falecido) na estação de comboios onde costumava aguardar diariamente a sua chegada após o dia de trabalho. É uma história tão bonita quanto inspiradora...

"Em 1924, Hachikō foi trazido a Tóquio pelo seu dono, Hidesaburō Ueno, um professor do departamento de agricultura da Universidade de Tóquio. O professor Ueno, que sempre foi um amante de cães, nomeou-o Hachi (Hachikō é o diminutivo de Hachi) e encheu-o de amor e carinho. Hachikō acompanhava Ueno desde a porta de casa até à, não distante, estação de comboios de Shibuya, voltando para encontrá-lo ao final do dia. A visão dos dois, que chegavam à estação de manhã e voltavam para casa juntos na noite, impressionava profundamente todos os presentes. A rotina continuou até maio do ano seguinte, quando numa tarde o professor não voltou como de costume. A vida feliz de Hachikō como animal de estimação do professor Ueno foi portanto interrompida apenas um ano e quatro meses depois de ter sido adoptado. Ueno sofrera um AVC na universidade naquele dia, nunca mais voltando à estação onde sempre o esperara Hachikō.
A 21 de maio de 1925, o professor Ueno sofreu um derrame súbito durante uma reunião do corpo docente e morreu. A história diz que, na noite do velório, Hachikō, que estava no jardim, partiu as portas de vidro da casa e fez o seu caminho para a sala onde o corpo foi colocado e passou a noite deitado ao lado do seu mestre, recusando-se a sair. Outro relato diz como, quando chegou a hora de colocar vários objectos particularmente amados pelo falecido no caixão com o corpo, Hachikō pulou para dentro do caixão e tentou resistir a todas as tentativas de removerem-no de lá.
Depois da morte do dono, Hachikō foi enviado para viver com familiares do professor Ueno, que moravam em Asakusa, no leste de Tóquio. Mas ele fugiu várias vezes e voltou para a sua casa em Shibuya. Foi então dado ao ex-jardineiro do Professor Ueno, que conhecia Hachi desde que ele era um filhote. Mas Hachikō fugiu dessa outra casa várias vezes também. Ao perceber que o seu antigo mestre já não morava na casa em Shibuya, Hachikō ia todos os dias à estação de Shibuya, da mesma forma como sempre fazia, e esperou que ele voltasse para casa. Todos os dias ele ia e procurava o professor Ueno entre os passageiros, saindo somente quando as dores da fome o obrigavam. Fez isso dia após dia, ano após ano. Hachikō esperava pelo retorno do seu dono e amigo.
A figura permanente do cão à espera do seu dono atraiu a atenção de muita gente. Muitos frequentadores da estação de Shibuya já haviam visto Hachikō e o professor Ueno indo e vindo juntos diariamente no passado. Percebendo que o cão esperava em vão a volta do seu mestre, ficaram tocados e passaram, então a trazer petiscos e comida para aliviar sua vigília.
Por dias e anos contínuos Hachikō aparecia ao final da tarde, precisamente no momento de desembarque do comboio na estação, na esperança de se reencontrar com o seu dono.

A sua história foi enviada para o Asahi Shinbun, um dos principais jornais do país, onde foi publicada em Setembro de 1932. O escritor tinha interesse em Hachikō e, prontamente, enviou fotografias e detalhes sobre ele para uma revista especializada em cães japoneses. Uma foto de Hachikō tinha também aparecido numa enciclopédia sobre cães, publicada no exterior. No entanto, quando um grande jornal nacional assumiu a história de Hachikō, todo o povo japonês soube sobre ele e tornou-se uma espécie de celebridade, uma sensação nacional. A sua devoção à memória do seu mestre impressionou o povo japonês e tornou-se modelo de dedicação à memória da família. Pais e professores usavam Hachikō como exemplo para educar crianças.

Hachiko envelheceu, estava frágil, tornou-se muito fraco e sofria de dirofilariose, um verme que ataca o coração. Na madrugada de 8 de Março de 1935, com a idade de 11 anos, morreu numa rua lateral à estação de Shibuya.  A morte de Hachikō estampou as primeiras páginas dos principais jornais japoneses e muitas pessoas ficaram inconsoláveis com a notícia. Um dia de luto foi declarado.
Os seus ossos foram enterrados num canto da sepultura do professor Ueno (no Cemitério Aoyama, Minami-Aoyama, Minato-ku, Tóquio), para que ele finalmente se reencontrasse com o mestre por quem ele havia ansiado por tantos anos. A sua pele foi preservada e uma figura empalhada de Hachikō pode ainda ser vista no Museu Nacional de Ciências em Ueno.

No dia 8 de Março é realizada uma cerimónia solene na estação de comboio, em homenagem à história do cão leal.
A lealdade dos cães da raça Akita já era conhecida pelo povo japonês há muito tempo. Numa certa região do Japão, incontáveis são as histórias de cães desta raça que perderam as suas vidas ao defenderem a vida dos seus proprietários.
Onde quer que estejam e para aonde quer que vão, têm sempre "um dos olhos" voltados para aqueles que deles cuidam. Por causa desse zelo, o Akita tornou-se Património Nacional do povo japonês, tendo sido proibida sua exportação.
Se algum proprietário não tiver condições financeiras de manter o seu Akita, o governo japonês assume sua guarda."

 Quem tem animais de estimação percebe bem o quão fiéis e cegos pelos donos eles podem ser. Além disso, são regulados por hábitos e rotinas que estão tão intrinsecamente gravados no seu modo de viver que é difícil perder esses hábitos ou deixar de fazer as coisas que sempre fizeram, sempre da mesma forma, Quando tratados com amor, carinho, respeito e disciplina (que em si, como forma de educar também é amar!), são parte integrante dos donos e vice-versa. Torna-mo-nos inseparáveis e com uma ligação eterna. 

Iniciação

Um dos meus poemas preferidos de Fernando Pessoa é o poema Iniciação. Já há muito anos que o li pela primeira vez e na altura tirei cópia à página do livro em que o encontrei. Entretanto o tempo foi passando, os papéis foram-se acumulando e esta folha ficou mais ou menos esquecida. Bastou uma arrumação da arrecadação para sacudir o pó das coisas e simultaneamente recordar outras tantas. Peguei num caderno para limpá-lo e eis que esta folha caiu aos meus pés. Sorri. Senti nostalgia. E pensei... "pois é... é aquele poema...o tal. Aquelas palavras em que sempre penso em determinadas ocasiões." Voltei a experimentar a sensação de quando o li pela primeira vez e do quanto me fez pensar e reflectir sobre a vida e a morte. Sobre a alma e o espírito. Sobre o corpo e sobre a efemeridade e fragilidade da vida tal como a pensamos conhecer. É sem dúvida um texto filosófico, esotérico, místico, mágico, e dado a imensas interpretações. Adoro a expressão "teu ser profundo". Todo o poema é profundo. Profundamente lindíssimo.

Partilho-o aqui convosco para que cada um encontre a sua própria interpretação...

"Iniciação

Não dormes sob os ciprestes,
Pois não há sono no mundo.
....................................................
O corpo é a sombra das vestes
Que encobrem teu ser profundo.
Vem a noite, que é a morte,
E a sombra acabou sem ser.
Vais na noite só recorte,
Igual a ti sem querer.

Mas na Estalagem do Assombro
Tiram-te os Anjos a capa :
Segues sem capa no ombro,
Com o pouco que te tapa.

Então Arcanjos da Estrada
Despem-te e deixam-te nu.
Não tens vestes, não tens nada :
Tens só teu corpo, que és tu.

Por fim, na funda caverna,
Os Deuses despem-te mais.
Teu corpo cessa, alma externa,
Mas vês que são teus iguais.
....................................................
A sombra das tuas vestes
Ficou entre nós na Sorte.
Não 'stás morto, entre ciprestes.
....................................................
Neófito, não há morte."

E já agora... se quiserem saber algumas curiosidades sobre Fernando Pessoa (por exemplo que ele era astrólogo, que a ele se deve a inclusão do planeta Plutão nas cartas de astrologia, da sua vida modesta e sem o merecido reconhecimento em vida, a criação de 72 (!!!) hetrónimos - ou alter-egos -, os seus interesses místicos e espitituais, entre tantas outras coisas leiam aqui. Encontrei por acaso (nada é por acaso!!) e achei interessantíssimo.)

domingo, 6 de dezembro de 2015

Boa semana!


Boa semana a todos!

Beijinhos e olhem para as estrelas!

Surrealidades do meu dia-a-dia #37

Imaginem uma daquelas estradas com duas vias e um separador central. Trata-se de uma estrada larga, com muito trânsito e na qual se deve ter o máximo cuidado ao atravessar a passadeira.
Eu vinha caminhando no passeio de um dos lados dessa estrada. Gosto de caminhar. Gosto de ir observando as coisas, e as pessoas. A forma como caminham. O seu ritmo. A sua expressão facial e corporal. As cores que trazem. E gosto de reparar que muitas vão a pensar e a falar consigo próprias, repetindo ou possivelmente imaginando diálogos e situações. Às vezes, sem se aperceberem, vão falando em voz alta. É engraçado assistir a isso. Possivelmente faço o mesmo e nem me apercebo!

Mas a surrealidade refere-se a outra coisa. Reparo numa rapariga. Ela está no mesmo lado do passeio que eu, à minha frente. Eu estou de costas para o trânsito. Ela coloca-se na passadeira para atravessar a estrada. Na primeira faixa até ao separador central ela olha para a direita e atravessa. Na segunda faixa ela olha para a esquerda e atravessa.

Por sorte naquele preci(o)so momento não passou nenhum carro. E tratou-se de um momento de sorte porque... 

hummmm

A degustar... com os ouvidos!


Wild Soundtrack - El Condor Pasa

Wild Soundtrack - Turn Away

Wild Soundtrack - Don't be cruel

Live - Lightning Crashes

Bush - Letting the Cables Sleep

Silverchair - Ana's Song (Open Fire)

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Assenta que nem uma luva a uma certa pessoa que conheço...

Li algures a expressão/ditado "quem toca muitos burros para a frente algum há-de deixar pelo caminho”... e realmente dei comigo a pensar que esta frase se adequa muitíssimo bem a uma certa pessoa que eu julgo conhecer... eu própria! :D Sim, porque ao longo dos anos acho que, entre outras coisas, me tornei especialista em concentrar (n)a dispersão. Confuso?! Passo a explicar... eu acho piamente que sou especialista (não que isso seja algo de upa upa!!...)  em concentrar-me a fazer/ser/sonhar/relacionar várias coisas ao mesmo tempo, e claro, alguns "burros" vão-se perdendo pelo meio desse caminho... Sempre fui assim, mas antes dispersava-me talvez ainda mais. Hoje tenho noção disso e acho que já consigo gerir melhor essa vontade de fazer muita coisa, investindo apenas naquilo que seja de facto necessário ou me pareça mesmo muito mais importante no momento. Tenho é sempre muitas necessidades ou coisas importantes a cada momento! LOL 
Ou seja, empreendo e concentro energia em várias direcções ao mesmo tempo, o que pode parecer contraditório... Isto significa que ando sempre a mil, sou muitas coisas ao mesmo tempo e tento sempre ser o mais possível em cada uma delas. De tal forma que, inevitavelmente, atinjo níveis de cansaço e exaustão psicológica e física extremos, mas rapidamente dou a volta a isso agarrando-me à ideia de que experimentei muitas coisas. e que isso é bom. Fico mais rica em experiências e pago-o com tempo e energia, e também tenho a plena noção de que esta maneira de viver tipo "roda-viva" implica necessariamente que algumas coisas se vão perdendo pelo caminho. Essa parte incomoda-me imenso. E tenho sempre receio de estar a fazer muito mas com pouco jeito... E às vezes, só às vezes, tenho aquela estranha sensação de fazer tanta mas tanta coisa que no fundo parece que não estou a fazer nada e estou perdida algures num qualquer sítio do vazio, do vácuo ou ainda do nada (são coisas diferentes!). Mas rapidamente me apercebo que esse é um dos "efeitos secundários" de ser-se assim como sou. E de qualquer forma, mesmo que quisesse e devesse (!), não conseguiria mudar esta minha maneira de ser. Sou feliz assim. A fazer muitas coisas, a ser muitas coisas, a planear e a sonhar muitas outras coisas, a viver muitas coisas mais... tudo ao mesmo tempo! Ufa... e só de pensar nisso fico cansada.... portanto o melhor mesmo é nem pensar! :D :D