domingo, 30 de agosto de 2015

Boa semana!


Bem verdade! A realidade não existe! Não existe certo nem errado. Existe apenas a forma como decidimos olhar e ver as coisas.

Beijinhos e boa semana!

Leituras - "As Noivas do Sultão"

de Raquel Ochoa. 2015.


Este livro veio parar-me às mãos de uma forma absolutamente curiosa e inovadora para mim! Pois... que sou grande fã da autora/escritora e sem grandes expectativas resolvi participar num pequeno passatempo que aquela criou numa rede social por altura do lançamento do livro: "O primeiro a adivinhar de que reino chegou o barco que aportou inusitadamente em Lisboa e é o centro do meu próximo romance histórico "As Noivas do Sultão", recebe um livro em casa. Simpatia da editora Parsifal". Depois de alguma pesquisa, podiam ser muitos os reinos. E tinha de ser árabe. Portanto arrisquei em Marrocos! E acertei! E ganhei o livro! E fiquei super super feliz! :)

Este livro é um romance histórico que aborda um acontecimento que foi praticamente esquecido, abafado ou quem sabe negligenciado na História disseminada de Portugal. Percebe-se que a autora investiu numa profunda investigação histórica para desenterrar e desenlear este acontecimento das teias do tempo. 
1793. Marrocos estava em guerra, com os filhos do imperador em luta pelo poder. A família real e as concubinas (são tão importantes quanto a mulher do imperador...) foram colocadas num navio e contrariamente ao planeado, desviam-se da rota. Após sobreviver a um naufrágio chegam a território português. Neste, são recebidos com o maior dos cuidados e preceitos porque o país tem interesse estratégico em manter a amizade e boas relações com Marrocos. O que não se esperava era a dificuldade em concretizar essa ajuda. A diferença de culturas, o melindre diplomático, e o facto de não se falar a mesma língua, tornou este episódio numa autêntica epopeia! Com muito suspense, reflexão, e arrepios à mistura... gostei bastante deste livro. Fez-me recuar no tempo. E nos modos de abordar as coisas...
Conclui que... no fundo... o que define um homem não é a sua cultura, é sempre a sua índole, qualquer que seja o país onde tenha nascido e qualquer que seja a circunstância em que se encontre...

Frases, palavras ou ideias de que gostei particularmente ou que simplesmente me fizeram pensar e reflectir:

"Não naufragar, naufragando."

"Escrevo para obrigar a minha memória a conviver comigo."

"Quando não falamos a língua materna, deixamos de ser tão emocionais para sermos mais práticos e eficazes, mas perdemos a emoção."

"Se os tradutores fossem os reis da Europa, existiriam menos guerras e mais pão."

"... num desses dias que começa torto e já nunca se endireita."

"... para a direcção contrária, que tantas vezes é a mais criativa do destino."

"Cultura é abertura... Não investir na ciência e na arte é o melhor caminho para tudo ficar como está."

"Encontrava ânimo ao deixar-me acalmar pelas recordações saudosas..."

"... aquele barco é um desfile de problemas. Os que se veêm e os que estão por trás dos véus e sombras."

"Frei João atingira a época da vida em que toda a fuga à rotina é agonia e tudo o que é novo, uma severa moléstia."

"Há assuntos que não se perguntam, que, mesmo tendo estado vivos, foram sempre mortos."

"Naquele dia acordara contra o mundo e nada pode chatear mais um indivíduo do que os seus pensamentos."

"Como se a vida lhe quisesse demonstrar que ter tudo é também o risco de tudo perder..."

"... a atitude que se espera dos monarcas grandiloquentes..."

"intróito" (princípio, entrada)

"... e longe de si deixar-se cair na vil soberba, esse apetite de ser preferido aos outros, sempre disfarçado de vanglória, propulsor de brigas, de discórdia, com sede de prosápia."

"... a poeira fulva e irreal da memória em nada tinha atenuado a dor que o assombro crava no espírito."

"Num estranho pacto, um crime perfeito, não se percebendo autoria nem culpa."

"Acolhera os ensinamentos religiosos de livre vontade, mas sem traquejo para os ter presente nas horas críticas. Tudo era uma aprendizagem."

"... cada cultura tem as suas leis... São fiéis aos costumes, não são como certas coisas que me chocam aqui, como aquele livro de Verney, que advoga que as mulheres deviam estudar, imagine-se, e depois sobra-khes tempo para quê senão o ser instruídas. Os filhos, o marido, a casa, tudo passaria para segundo plano? Como se a mulher tivesse nascido para se realizar com outra coisa."

"Não encontro nenhum texto na lei, na sagrada e na profana, que obrigue as mulheres a serem tolas."

"«a sapiência na mulher quer-se como o sal nos temperos, nem muito, nem pouco, regradinho»"

"... pela candura da manhã, tão total na esperança como no peso da responsabilidade de todo um dia ainda por viver. Lisboa queria ser feliz e não conseguia, algo lhe travava a alegria. Uma reverberação das entranhas da terra, das profundidades do Tejo, um temor que se instalara na cidade desde o terramoto e a aprosionava na iminência da desgraça, adiada mas nunca desvanecida.
Quantos anos seriam precisos para erradicar aquela sensação de vulnerabilidade?"

"... quanto mais proibido o fruto, mais vinha ao de cima a humanidade do homem..."

"... a carruagem partiu a toda a brida..."

"A amizade, se mantém muitos segredos, não é amizade."

"... as rodas dentadas da engrenagem por esta altura tinham atingido a velocidade imparável do destino já escrito."

"... a vida é dada a voltas de cento e oitenta graus..."

"... com a atenuante de não ser visto, mas com a agravante de não ser convidado."

"Inundava-o a sensação de estar numa antiga praça marroquina, só, silenciado, por ninguém mais ali haver, perante as cabeças dos condenados ao patíbulo expostas, quando eram pregadas às grandes portas da cidade."

"O burburinho instalou-se, o burburinho provindo do escândalo, o som da quebra de regras que faz o mundo avançar de era em era."

"É uma roda a rolar monte abaixo, nunca tem fim este apresentarse de respeitos."

"Há homens que compreendem os valor das mulheres."

"Meu irmão, o tédio ou o aborrecimento dos exercícios de piedade são uma forma de preguiça. O ódio, a ira, são um pecado ainda maior. Pergunte-se a si mesmo se se deixou vencer pela tibieza na observância dos mandamentos ou dos seus deveres. Fui inconstante nas boas obras, ou as não acabei, podendo? Desconfiei das tentações? Tive rancor ou ódio contra pessoas boas, porque a sua virtude era para mim uma exprobração? Perdi o tempo? Empreguei-o em distracções, conversacões inúteis, jogos, etc?"

"Toda uma série de filosofias iluministas chocavam directamente com a Igreja e ele próprio reconhecia na confissão uma certa desmesura na sede de querer penetrar no íntimo do indivíduo. O mundo científico, o religioso e o filosófico colidiam como nunca."

"Somos cúmplices e havemos de ser amigos. - Os seus olhos tinham a mesma verdade do mar e nesse momento, mesmo antes de ele lhe dizer o que lhe diria de seguida, o monge percebeu que estava certo."

"Eu nem sei o que me pergunta. Achei-a bonita. É só isso."

"... o convívio forçado, sempre na vida, desgasta as réstias de sinceridade a custo sobrevivendo nos seres humanos."

"... as palavras entendem-se no que atingem, não no que dizem."

"... viajante capaz de compreender o grande perigo da solidão."

"... a vulnerabilidade excitante de quaqluer mulher por, sem querer, ser o centro do mundo."

"... faziam-lhe sobressair o tumulto que existe nessas pessoas sem medo de nada."

"Eles só dão o rosto, mas quem dá o rosto não escreve a história. E quem a escreve não dá o rosto."

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Porque sim.

Gosto muito.

James Taylor - Fire and Rain, Live 1970

ames Taylor - Sweet Baby James (Live: BBC - 1970)

James Taylor - "Carolina in My Mind "

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Boa semana!


Boa semana a todos!

O Malandro parece-me estar melhor... :)

Beijinhos

Receitas - Gelado de morango caseiro

Receita mais simples e saborosa do que esta para gelados não deve haver! :)
Eu usei morangos biológicos, da minha horta, mas claro que também se podem usar outros... e outras frutas!


Ingredientes:

- 1 kg morangos 
- 4 iogurtes gregos naturais açucarados

Lavam-se muito bem os morangos, retira-se o pé, e faz-se polpa de morango com a varinha mágica. Adiciona-se esse preparado aos iogurtes gregos naturais açucarados e já está!
Basta colocar dentro de formas de gelado específicas para ir ao congelador.

Eu acho que assim ficam muito bons e saudáveis, mas quem gostar de mais doce pode adicionar 2 a 3 colheres de açucar (amarelo de preferência).

Claro que esta receita adequa-se a outras frutas! Basta ter imaginação! Aqui a base é a fruta e a envolvência é o iogurte (normalmente usam-se natas mas pessoalmente não noto grande diferença usando o iogurte grego!). Consoante a fruta assim se podem adicionar e/ou alterar ingredientes. Por exemplo, se fizesse gelado de melancia não lhe adicionaria iogurte mas sim água de côco e hortelã-menta para fazer um gelado mais tipo gelo. Se for com pêssegos já juntava o iogurte e talvez adicionasse um bocadinho de sumo de limão... é tudo uma questão de gostos e imaginação na conjugação de sabores e texturas.


sábado, 8 de agosto de 2015

My precious


O meu malandro, aquele ser de raça felina com olhos cor de jade e feitio rezingão por quem eu sou completamente apaixonada, anda esquisito. Ainda não percebi bem se está doente ou se está triste. Bem vistas as coisas estar triste também se pode considerar estar doente certo?!
Já fomos duas vezes ao veterinário. Fisicamente, e exteriormente, parece estar tudo bem. Mas eu conheço-o. Ele não está bem. E eu ando numa aflição tentando perceber o que se passa com este pedacinho de minha alma-gémea e ajudá-lo. Façam figas por ele por favor!! Toda a energia positiva é bem-vinda!

Bom fim-de-semana :)


Love.
Such a simple and simultaneously complex world... ooops excuse me!... word... :)

Tenham um excelente fim-de-semana, com muito amor. E acrobacias! ahahahah Sim, porque amar também exige que se domine bem essa arte. 

Beijinhos

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Leituras - "Todos os Nomes"

de José Saramago. 1997.



Há muitos factores que nos levam ou não a fazer algo. Normalmente são pequenos (ou aparentemente pequenos!) detalhes que nos fazem mover e tomar decisões. No caso de comprar e ler este livro foi a frase inscrita na contra-capa do livro - "Conheces o nome que te deram, não conheces o nome que tens" - Livro das evidências. Gostei, e foi isso que me fez ter vontade de abrir o livro, folheá-lo e descobri-lo.

É um livro denso, (auto) reflexivo. Com a típica escrita corrida e sem interrupções de José Saramago. Exige que estejamos atentos para nunca deixar de perceber quem está a falar ou a pensar. Se o narrador, a personagem, consigo própria ou com outras personagens, e assim perceber o enredo e a mensagem.
É difícil ler, mas consigo perceber o modo de escrita do autor. É contínuo, mais ou menos fluído, como afinal de contas deve o pensamento também ser. Sem espaços nem quebras, e assim tudo se liga e encadeia entre si.

Quem me vê quando estou a ler pensa que estou a estudar. Normalmente leio de lápis na mão. Desde sempre. E sublinho cada frase ou palavras de que gostei particularmente ou que me fizeram reflectir. Eu leio para aprender coisas novas, externas e internas, e por isso, entruso-me muito no que estou a ler. Leio, sublinho, dobro folhas, releio o que sublinhei e penso sobre aquilo que me despertou essa atenção e o que é que isso me ensinou. Para mim a leitura não é apenas um prazer. É uma possibilidade de viagens infinitas de (auto) conhecimento.

Sobre a história. O Sr. José, personagem principal, é um trabalhador da Conservatória Geral. Vive sozinho, e acima de tudo vive só... Tem uma vida monótona, insípida, com regras para tudo, limitado, contido, e claro.... triste. No fundo ele, e como ele tantos, não vive, ele sobrevive, agarrado à ideia de que é útil no seu trabalho e portanto para a sociedade. Mas para a vida em si, e para a sua própria vida, ele está morto, ainda que a respirar. E é precisamente em mais um desses dias de monotonia e cinzentismo que o Sr. José resolve quebrar algumas regras e fazer uma coisa sem sentido nenhum. Investigar a vida de uma desconhecida cujo verbete lhe foi parar às mãos. E é esse o pequeno passo que leva a personagem a fazer coisas antes impensáveis, a ir, a sair, a ser activo, até mesmo a questionar-se sobre a vida, e a chegar a interessantes conclusões. Basicamente foi abençoado no dia em que decidiu viver e ser quem queria ser. Fazer o que lhe apetecer. Ir em busca do que pensa precisar, mesmo que isso pareça não fazer sentido nenhum! Vê-se por muitas vezes completamente perdido no labirinto que é a sua vida e a sua mente, mas também descobre que pode usar o seu próprio fio de Ariadne...
É incrível o que podemos descobrir quando nos aventuramos a viver... :)


Frases, palavras ou ideias de que gostei particulamente (são muitas mesmo.... o livro ficou praticamente todo sublinhado!):


“A distribuição das tarefas pelo conjunto dos funcionários satisfaz uma regra simples, a de que os elementos de cada categoria têm o dever de executar todo o trabalho que lhes seja possível, de modo a que só uma mínima parte dele tenha de passar à categoria seguinte.”

“... desse perturbador desequilíbrio nervoso a que vulgarmente chamados atracção do abismo...”

“Dar por entendido que sim era uma outra maneira de justificar a indiferença.”

“... o seu espírito metódico se sente desafogado obedecendo a um princípio de igualdade...”

“O Sr. José tem o louvável pudor daqueles que não andam por aí a queixar-se dos seus transtornos nervosos e psicológicos, autênticos ou imaginados...”

“... fazem-no por algo a que poderíamos chamar angústia metafísica, talvez por não conseguirem suportar a ideia do caos como regedor único do universo, por isso, com as suas fracas forças e sem ajuda divina, vão tentando pôr alguma ordem no mundo...”

“... sabido que o espírito humano, muitas vezes, toma decisões cujas causas mostra não conhecer, sendo de supor que o faz depois de ter percorrido os caminhos da mente com tal velocidade que depois não é capaz de os reconhecer e muito menos reencontrar.”

“... todos os nomes...”

“... não há nada que mais casnse uma pessoa que ter de lutar, não com o seu próprio espírito, mas com uma abstracção...”

nec plus ultra” (em latim - o limite, o nada além disso)

“... naquela área a que convencionámos chamar de fronteira.”

“O sábio é sábio consoante o grau de prudência que o exorne...”

“... e este é o modo de olhar de quem, aos poucos, sem desejo nem recusa, se vai desprendendo de algo e ainda não vê aonde poderá deitar a mão para tornar a segurar-se.”

“... o tempo, ainda que os relógios queiram convencer-nos do contrário, não é o mesmo para toda a gente.”
“Já reparou que está a responder a perguntas, Sim, mas não me importa, se calhar é assim que se aprende, respondendo,...”

“... quantas são as pessoas que existem num casamento, Duas, o homem e a mulher, Não senhor, no casamento existem três pessoas, há a mulher, há o homem, e há o que chamo de terceira pessoa, a mais importante, a pessoa que é constituída pelo homem e pela mulher juntos.”

“Entre matar e deixar morrer, preferi matar”

“...não falta mesmo quem sustente que Deus, antes de se pôr a amassar o barro com que depois os fabricou, começou por desenhar com um pau de giz o homem e a mulher na superfície da primeira noite, daí é que nos veio a única certeza que temos, a de que fomos, somos e seremos pó, e que em uma noite tão profunda como aquela nos perderemos.”

“... com o risco de dar um passo em falso e cair desastradamente no abismo de onde viera...”

“... o Sr. José sabe que só precisa de tempo para usar a paciência, desde o princípio que espera que à paciência não venha a faltar-lhe o tempo... fiel à regra de que em todas as operações de busca o melhor é começar sempre por uma ponta e avançar com método e disciplina.”

“... à espera de encontrar no fundo da mina o carbono puro de um diamante.”

“...o que o tempo faz mudar, e não o nome, que nunca varia...”

“Este não pareço eu, pensou, e provavelmente nunca o havia sido tanto.”

“...obediente e cumpridor...paradoxal orgulho de o ser... não rasteiro e subserviente...”

“... só os melhores chefes são capazes de unir de forma harmoniosa sentimentos tão contrários...”

“...pronunciava glúteo mesmo quando tinha de tratar com doentes para quem nádega não passava de um ridículo preciocismo de linguagem e preferiam a variante grosseira de nalga...”

“... sentido e significado nunca foram a mesma coisa, o significado fica-se logo por aí, é directo, literal, explícito, fechado em si mesmo, unívoco, por assim dizer, ao passo que o sentido não é capaz de permanecer quieto, fervilha de sentidos segundos, terceiros e quartos, de direcções irradiantes que se vão dividindo e subdividindo em ramos e ramilhos, até se perderem de vista, o sentido de cada palavra parece-se com uma estrela quando se põe a projectar marés vivas pelo espaço fora, ventos cósmicos, perturbações magnéticas, aflições.”

“... a melhor maneira de defender os segredos próprios ainda é guardar respeito aos segredos alheios...”

“Habituado à relacionação das causas e dos efeitos, que nisso consiste, essencialmente, o sistema de forças que rege desde o princípio dos tempos a Conservatória Geral, lá onde tudo esteve, está e há-de continuar a estar para sempre ligado a tudo, aquilo que ainda é vivo àquilo que já está morto, aquilo que vai morrendo àquilo que vai nascendo, todos os seres a todos os seres, todas as coisas a todas as coisas, mesmo quando não parecem ter a uni-los, eles e elas, mais do que aquilo que à vista os separa...”

“... aliás a pele é tudo quanto queremos que os outros vejam de nós, por baixo dela nem nós próprios conseguimos saber quem somos...”

“...frustantes sucessos...”

“O imaginário e metafísico diálogo com o tecto servira-lhe para encobrir a total desorientação do seu espírito...”

Entre o medo e o temor. “... àquele difuso temor do oculto e ignoto a que tem humaníssimo direito mesmo a mais corajosa das pessoas...”

“Homem, não tenhas medo, a escuridão em que estás metido aqui não é maior do que a que existe dentro do teu corpo, são duas escuridões separadas por ema pele, aposto que nunca tinhas pensado nisto, transportas todo o tempo de um lado para o outro uma escuridão... tens de aprender a viver com a escuridão de fora como aprendeste a viver com a escuridão de dentro...”

“... imaginar um círculo quadrado...”

“... a memória, que é susceptível e não gosta de ser apanhada em falta, tende a preencher os esquecimentos com criações de realidade próprias, obviamente espúrias, mas mais ou menos contíguas aos factos de cujo acontecer só lhe havia ficado uma lembrança vaga, como o que resta da passagem duma sombra.”

“... in mente...” (em latim - na mente, no espírito)

“... a tradição, que é, como tal, tanto no seu conjunto como no seu sentido, imutável. Ninguém irá viajar ao tempo passado para mudar uma tradição que nasceu no tempo e que pelo tempo foi alimentada e sustentada. Ninguém nos virá dizer que o existente não existiu, ninguém ousará querer, como uma criança, que o que aconteceu não tivesse acontecido. E se o fizessem estariam a perder o seu próprio tempo. Estes são os alicerces da nossa razão e da nossa força, este é o muro por trás do qual nos foi possível defender, até aos dias de hoje, quer a nossa identidade quer a nossa autonomia.”

“... a morte definitiva é o fruto último da vontade de esquecimento, assim a vontade de lembrança, poderá perpetuar-nos a vida.”

“... como alguém que, tendo subido a uma montanha para alcançar as paisagens de além, resiste a ver regressar ao vale enquanto não sentir que nos seus olhos deslumbrados já não cabem mais vastidões.” (tão eu....)

“... como quem se resolveu curar a mordedura do cão com o pêlo do mesmo cão...”

“... é nas ocasiões de mais extremo apuro que o espírito dá a autêntica medida da sua grandeza...”

“... meditar profundamente na irremessível precariedade da existência, na vacuidade de todos os sonhos e de todas as esperanças, na fragilidade absoluta das glórias mundanas e divinas.”

“... hipótese irónica em que a mentira, parecendo estar a repetir-se a si mesma, tornaria a ser verdade. As obras do acaso são infinitas.”

“Morto o bicho, acabou-se a peçonha.”

“Há quem diga... que quanto mais se olha menos se vê...”

“O que está para além da morte, nunca ninguém viu nem verá, de tantos que para lá foram, nunca nenhum voltou cá.”

“... este homem pertence à multidão dos que sempre vão deixando o mais importante para depois.”

“... a verdade é que a situação, a lei aconselhando o crime, lhe deu um certo prazer subversivo...”

“A metáfora sempre foi a melhor forma de explicar as coisas.”

“O espírito humano é o lugar predilecto das contradições.”

“... deseja e teme o que deseja...”

“O melhor guarda da vinha é o medo que o guarda venha.”