quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Muito, muito interessante!


Estudo da Cinesia, Paralinguística, Proxémica e Morfologia/Morfopsicologia.

Alguém sabe o que são e para que servem estas coisas?!

Pois bem, assim "muito por alto" parece-me que:

Estudo da Cinesia - inserido na área da Cinésica trata-se do estudo da linguagem corporal, dos gestos e movimentos corporais, das expressões faciais, dos movimentos oculares e da postura enquanto representantes da mente e emoções do indivíduo. Estuda a comunicação não-verbal.
ex. ao falarmos de algo que estamos a tentar recordar, se o nosso olhar se direccionar para cima então a nossa memória é essenciamente visual, se se direccionar para o lado então será uma memória mais auditiva...

Paralinguística - estuda os aspectos não-verbais que acompanham a comunicação verbal, isto é, presta atenção à forma como se dizem as coisas (à voz, entoação, ritmo, pausas e afins), mais do que propriamente ao conteúdo das palavras utilizadas. Tenta apurar as emoçoes por detrás das palavras e do discurso.
ex. Se estiver a tentar afirmar algo em que não se acredite verdadeiramente é muito provável que se hesite e até que haja enganos nas palavras...

Proxémica - um conceito criado por um antropólogo, cujo estudo incide sobre o que o indivíduo faz do espaço enquanto produto cultural específico. Estuda o espaço/distância entre os indivíduos e como estes gerem o "seu" território.
ex. a distância dita "íntima" é de cerca de 45 cm. Isto quer dizer que se deixamos, por vontade própria, alguém aproximar-se esse perto de nós então é alguém em quem confiamos, de quem gostamos e com quem partilhamos intimidade...

Morfopsicologia - "O rosto diz quem somoS". Estuda as emoções, capacidades, tendências e personalidade do indivíduo de acordo com os seus traços fisionómicos, fruto de factores genéticos e da própria vivência do indivíduo.
ex. pessoas com a boca demasiadamente grande face às proporções do seu rosto são pessoas que gastam energia a mais, ou seja, são pessoas que têm tendência a dispersar-se e falam muito. Possivelmente não sabem guardar segredos...

Exemplos: http://gabinetedemorfopsicologia.blogspot.pt/

Não sabendo muito acerca destas coisas, interessam-me e sempre me interessaram muito. Porquê? Porque têm como objectivo conhecer as pessoas sem que elas precisem sequer falar (e se falarem não interessa o que dizem mas apenas como o dizem), apenas pela sua forma de ser e estar. Isso exige concentração e aceitação de quem está a analisar o outro. Gosto disso!
Penso que existem pessoas com talento natural para descodificar os outros mas também acredito que se tratam de um conjunto de técnicas que estão na sua maioria identificadas e portanto podem ser estudadas.
Obviamente que este tipo de conhecimento tem imensas aplicações mas talvez as mais conhecidas sejam a nível criminal no traçar de perfis psicológicos e a nível social, na caracterização de figuras públicas de diversas áreas.
E obviamente também que existirão pessoas com maior capacidade de dissimular e portanto confundir os outros. E há também que referir as cirurgias estéticas que, principalmente, no estudo da cinesia e morfopsicologia, podem invalidar algumas conclusões. 

Tenho um livro sobre morfopsicologia e já li bastante sobre os outros itens mas gostava de saber mais.
Sei que há uma série televisiva sobre estes temas ("Lie to me" - já estou a ver e é EXCELENTE!). Onde é que podemos estudar estas coisas? E livros/artigos sobre isto, recomendam? Se alguém souber avise!
E já agora deêm mais exemplos e opiniões também!!

domingo, 18 de setembro de 2011

Leituras - "Sputnik, Meu Amor"

de Haruki Murakami. 2002.

 "A 4 de Outubro de 1957, a União Soviética lançou, a partir do Centro Espacial de Baikonour, na República do Cazaquistão, o primeiro satélite artificial do mundo, o Sputnik I. Media 58 cm de diâmetro, pesava 83,6 kg e completou a órbita da Terra em 96 min e 12 segundos.
A 3 de Novembro do mesmo ano, o Sputnik II foi por sua vez lançado com êxito. A bordo seguia a cadela Laika, que se tornou a primeira criatura viva a sair da atmosfera da Terra, mas o satélite nunca foi recuperado, e Laika foi assim sacrificada em nome da pesquisa biológica no espaço". (in The Complete Chronicle of World History")

É interessante como o autor faz paralelismo entre coisas que à partida não parecem ter nada a ver. O livro trata de um triângulo amoroso em que K ama S, S ama M, e M anda perdida entre dois mundos. Trata de amizade, amor, relações homossexuais, existencialismo, realidade versus sonho, solidão, escrita e música clássica. Creio que muito resumidamente é isto.

Gostei porque mais uma vez H. Murakami consegue escrever de forma ondulante... o romance ora nos prende ora nos afasta mas quando nos afasta imediadamente recapta a nossa atenção. Gosto disso.

Mais uma vez aqui ficam as frases ou ideias que me ficaram, agora sim por sua vez, deste livro:

Primeiro que tudo o paralelismo. O satélite representa aqui o indivíduo. Lançado ao espaço (realidade) onde nada mais encontra do que escuridão (solidão) e o seu trajecto (vida) a ser bem-sucedido implica manter-se intacto e não se desintegrar ainda que tudo pareça forçá-lo a isso.
A história do cão sacrificado também tem um simbolismo. Antigamente na China as cidades estavam rodeadas por altas muralhas onde se abriam portas enormes e imponentes. As pessoas acreditavam que nelas residia a alma da cidade. Tal como na Europa medieval as gentes consideravam a catedral e a praça como o coração da cidade.
Aquelas portas (sagradas) eram criadas da seguinte forma: as pessoas iam de carroça até aos antigos campos de batalha e recolhiam as ossadas que por lá se encontrassem espalhadas ou enterradas. Depois construíam uma porta enorme à entrada da cidade e deixavam ficar todos aqueles ossos lá dentro. Esperavam dessa forma que os soldados mortos, honrando as suas almas, continuariam sempre a proteger a cidade. Além disso, após a contrução da porta eram também levados até lá cães vivos aos quais se lhes cortava a goela, aspergindo o portão com o sangue ainda morno. Estas gentes acreditavam que só essa mistura de sangue fresco e ossos ressequidos, como que por magia, daria vida às almas dos guerreiros mortos. Um ritual de baptismo mágico que fazia a ligação entre dois mundos.

"...enchi os pulmões de ar e mergulhei no mar da minha consciência... afastando as águas pesadas com a força das mãos fui até ao fundo e agarrei-me a uma pedra... a água fazia uma pressão enorme sobre os meus tímpanos...tentei a todo o custo resistir. Uma vez tomada a decisão, não foi assim tão difícil. Aclimatei-me aos repetidos sinais de caos - à pressão da água, à falta de ar, à escuridão gelada. O tempo invertera-se, andava para trás, desaparecia, reorganizava-se. O mundo expandiu-se infinitamente... Imagens nítidas passavam sem fazer barulho por corredores escuros, como medusas, almas à deriva. Evitei olhar para elas. Se desse sinal de tê-las reconhecido começariam de imediato a fazer sentido. O sentido estava ligado à temporalidade e esta obrigava-me a regressar à superfície das águas. Fechei a mente o mais possível, até a procissão acabar de passar."
Pergunto-me se será assim uma viagem à nossa mente? Um limiar de loucura que nos permita por breves momentos discernir um mínimo de coerência e verdade no total e aparente caos das coisas vividas e das coisas por descobrir.

"Não sou do género de odiar pessoas...
- Isso é porque não esperas nada de ninguém..."
Talvez isto seja verdade. Apenas sentimos ódio após expectativas desfeitas, durante um período de desilusão. Se nada esperarmos, se nada exigirmos e apenas aceitarmos... nunca nos iremos sentir inseguros, feridos ou odientos.

"Porque será que estamos condenados a ser assim tão solitários? Qual a razão de tudo isto? Há tanta, tanta gente neste mundo, todos à espera de qualquer coisa uns dos outros, e, contudo, irremediavelmente afastados. Porquê? Continuará a Terra a girar unicamente para alimentar a solidão dos homens?"
Sim, e talvez por isso mesmo. Porque estamos todos à espera de qualquer coisa uns dos outros...

"Que bom. Estamos ambos a olhar para a mesma Lua do mesmo mundo. Estamos ligados à realidade através do mesmo fio. Só preciso de o ir puxando devagarinho para mim."