terça-feira, 18 de abril de 2017

Escrever - Poema disforme à escrita

Escrever. Gosto de escrever. Escrever só porque sim. Gosto de sentir que as palavras me saem pelas pontas dos dedos. A maior parte das vezes sem permissão, sem filtro nem crivo, sofregamente a tentar raiar a luz do dia. Para serem escritas, tocadas, e lidas, pensadas. Elas, as letras e as palavras, chegam tão naturalmente que chega a ser difícil controlar quando chegam e como saem. Mas reparo que chegam de um sítio denso e emaranhado, por vezes escuro, repleto de pensamentos aleatórios e encadeados numa qualquer singular ordem desconhecida e inexplicável das coisas e dos acontecimentos. Mas chegam e querem fazer-se ouvir. Têm sempre tanta e pouca coisa para dizer. Tanto de indirecto, subjectivo e relativo. Pouco, muito pouco, de oferecido. Cá estão elas. A brotarem-me pelos dedos. A deliciarem-me com esse prazer. São no fundo e resumidamente catarse da alma e do ser. 

Disformidade poética disfarçada. Disfarçada de nada.

Imaginary moments

And yet we stayed there, staring, frozen at eachother
Quiet, silent, not a single sound
I watched you slightly move away from my view
I begged no!, please dont go! i missed you so...
And i guess you knew, we needed no words, afertall
We just needed to be aligned again
Looking foward in opposite directions
My eyes on yours, your eyes on mine
And for a moment we travelled together
Revisiting the past, embracing the present
Wondering about the future
Shhhh! Say nothing, dont speak
Just smile.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Leituras - "As Areias do Imperador - Mulheres de Cinza" - Livro Um

de Mia Couto. 2015.


Nunca tinha lido nada de Mia Couto. Sabia que era um poeta e escritor moçambicano, branco, biólogo, e que já tinha ganho alguns prémios. Mais nada. Fiquei a achá-lo profundamente poético.
Comecei a ler as "Areias do Imperador" por curiosidade acerca de Ngungunyane, o último imperador do império de Gaza (dos nguni ou vátuas), o segundo maior império africano, num território que hoje corresponde a metade do sul de Moçambique, e que foi capturado por Mouzinho de Albuquerque em representação da Coroa Portuguesa imperial, em 1895. O Leão de Gaza, como era conhecido Ngungunyane, foi condenado ao exílio e passou os últimos anos da sua vida nos Açores. 

O título "As Areias do Imperador" relaciona-se com o facto de se dizer que, quando Nungunyane morreu não foram os seus ossos que seguiram transladados para Moçambique mas sim apenas uma urna cheia de areia.

Este primeiro volume acerca da história de Ngungunyane e dos portugueses fala de como era a vida numa pequena aldeia autóctone do território que na altura já estava a ser colonizado e explorado pelos portugueses. Fala do medo e da ameaça da expansão dos nguni, que se dizia terem um exército de milhares de homens, destemidos, cruéis e guerreiros audazes. Que espalhavam o massacre e o terror. Fala também da religião cristã e como esta era vivida e sentida no território.

Creio que este Livro Um é isso mesmo, uma primeira abordagem introdutória de como era o ambiente sentido pelos nativos, pelos enviados pela Coroa Portuguesa, e a forma como estes lidavam entre si e simultaneamente com a invasão nguni. Muito focado na terra, e nas cinzas, e na forma como as mulheres sentem e relatam o que vai acontecendo.

O livro consta de dois monólogos que no fundo representam duas visões do mundo, que constroem a história e acabam por ligar-se. Imani, uma jovem africana que retrata os costumes e crenças nativas, de uma forma pura e poética, e do sargento Germano de Melo, um português republicano enviado para o terreno na sequência de uma condenação em tribunal, um homem perturbado pela solidão e pela sua pouca sorte e que se questiona a todo momento da missão para que foi designado.

Entrevista Mia Couto ao Jornal Público sobre a triologia As Areias do Imperador - As Mulheres de Cinza.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

A ti.


Por que me escolheste, não sei
Mas sei que foste tu quem me escolheu
Foste tu quem decidiu chegar e alojares-te em mim, dentro de mim
Foste tu quem decidiu o como e o quando e com quem.
Tenho portanto fé em ti, que pareces saber tudo quanto fazes
Subtil e autoritariamente assim te vais revelando
E eu, de ti vou gostando...
E aceito tudo, a tudo te digo que sim, sem questionar nada
Porque o sentir-te vivo e em mim
Lembra-me que me abençoaste com a tua escolha.

Reflexões aleatórias de mim para comigo própria... #3

1 - Há um aspecto comportamental e emocional nas pessoas (ou em algumas pessoas) no mínimo curioso e intrigante. Quando experienciam uma situação negativa (prolongada ou não no tempo) que as magoa ou faz sofrer, apegam-se de tal forma a esse sofrimento que, quando ele acaba (vulgo, termina a situação que os desagradava), de repente como que passam a gostar e a sentir saudades dessa mesma situação. Porque é que isto acontece? Apegamento à rotina e medo da mudança? Mecanismo de defesa? Não me parece que seja, uma vez que alimenta a dor e impede a libertação e o bem-estar. Isso parece-me tudo menos natural ou saudável. É doença portanto. Só pode!

2 - A pior machadada é de facto aquela que é dada por quem não esperávamos. No fundo tudo se resume e cataloga por expectativas. E nesse sentido, mantê-las baixas (ou mesmo rasas...) é a atitude mais inteligente perante a vida e as pessoas.

3 - Diz-se que quem faz as coisas com alegria raramente encontra dificuldades. É verdade. Chama-se a isso optimismo! Mas por vezes essa força interior pode confundir os outros e levá-los a pensar que, de facto, não se tem noção da realidade ou impacto dos acontecimentos ou não se tem perspectiva a médio/longo prazo das coisas. Mentira. Uma, por si só, não implica nem constitui a outra. Ter fé e seguir o nosso instinto por um caminho de alegria, quietude e serenidade é sempre a melhor de entre todas as opções. Tolo é quem perde tempo a pensar e a fazer o contrário.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Ilha da Madeira







Estive recentemente na Madeira. Foi uma visita muito rápida mas deu para passear e ver paisagens lindíssimas. Já lá tinha estado há cerca de 7 anos. Não me recordava de algumas coisas mas tive a mesma sensação que na altura senti. Que é um destino com muita oferta (coisas para fazer), um clima agradável, boa comida, pessoas simpáticas e paisagens de cortar a respiração. Vale muito a pena!

quarta-feira, 22 de março de 2017

Algures numa parede pelas ruas da cidade de Évora


O que é Arte Urbana/ Street Art? Talvez tenha começado naquilo a que hoje (!!) chamamos de arte rupestre, passando depois pelo muralismo (nos anos 20 e 30), depois ao writing e grafitismo dos anos 70, tendo sempre como alicerce uma certa rebeldia e contra cultura.

Há quem se ache no direito (numa clara atitude abusiva, e portanto desrespeitadora dos direitos dos outros!) de utilizar as paredes públicas (que são de todos e não são de ninguém especificamente) ou privadas (mas não as suas!) para fazer gatafunhos e rabiscos ou escreverem mensagens (muitas vezes com erros ortográficos crassos!) que não interessam nem ao menino Jesus! 

Isto de aperceber determinada beleza ou propósito concreto e justificável num qualquer escrito ou desenho que usualmente vemos nas paredes da cidade é algo subjectivo. Aquilo que para mim pode ser a maior atrocidade contra um bem público e devia ser considerado e punido como crime, para outros pode significar a evolução da sociedade, uma expressão artística de um novo pensamento, o anti-regime e a contra cultura, e ter beleza. O contrário também é possível.
Eu gosto de graffiti. Mas que seja bem feito, pensado, de preferência legal, e que venha valorizar o sítio onde for feito. Aprecio imensos artistas cujo trabalho está nas ruas. Acho-os geniais.
Mas não gosto de ver paredes pixadas/pichadas, com mensagens sem nexo ou individuais, com desenhos mal feitos e mal criados, isso para mim é vandalismo puro e abuso de direito de expressão, na maioria não passam de protestos vazios e desrespeito pelo património. De qualquer forma é muito difícil controlar este tipo de actos. A menos que vivêssemos em locais permanentemente vigiados (e portanto onde teríamos de ceder grande parte do nosso direito à privacidade) é que se conseguiria controlar esses pseudo-artistas-que-não-têm-mais-nada-que-fazer. O eterno dilema. Se queremos mais controlo geral abdicamos de controlo individual. E nessa luta de forças vão tomando expressão a delinquência e outras "coisas" afins...

No sítio onde trabalho foi plantado este pessegueiro há cerca de 3 anos. Este ano começou finalmente a rebentar e a oferecer-nos à vista estas belíssimas e encantadoras flores, estando portanto na fase de quiescência, o que significa que daqui a uns meses há grande probabilidade de termos magníficos pêssegos! Hummmmm nhami! Adoro! E adoro ficar deslumbrada a ver a sua evolução dia a dia. A natureza das coisas e a forma como a vida se desenvolve e cresce continuam a ser os mais belos mistérios. E eu quero, preciso e respiro apreciar tudo isso.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Olá!


 Allô, allô!

Tenho andado desaparecida, eu sei! Tenho andado um bocadinho calada, eu sei! Tenho andado por outros caminhos, eu sei! Há momentos assim. Mas está tudo bem! E mais cedo ou mais tarde volto sempre ao meu Perspectiva.

Bom fim-de-semana!

Beijinhos

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Leituras - "As Guerras Mundiais 1900-1945 As raízes do mundo actual"


"No dia 12 de Dezembro de 1848, Francisco José I subiu ao trono do império austro-húngaro. A electricidade, o motor de explosão, a aspirina, o telefone, a fotografia, o cinema, os automóveis, os aviões, os submarinos, os couraçados, a Itália, a Alemanha, o sufrágio universal ou a Internacional Socialista ainda não existiam quando foi coroado aos 18 nos. Os Estados Unidos ainda não tinham sequer conquistado o Oeste. No Japão, os samurais ainda luziam as suas espadas. Os exércitos exibiam uniformes coloridos e a cavalaria era uma arma temível. O czar, o sultão otomano, o imperador da China e o próprio soberano austro-húngaro representavam poderes com mil anos de história às suas costas." 

"No início do século XX a Alemanha de Guilherme II procurava tornar-se uma potência mundial. Numa época em que a política de massas ganhava força, o nacionalismo estava à flor da pele e a Europa encontrava-se dividida por duas alianças em confronto: Triple Entente (aliança anglo-francesa e anglo-russa) e Tripla Aliança. Esta tensão explodiria nos Balcãs e a agonia do império otomano transformou-se no barril de pólvora da Europa."

"A 1.ª revolução industrial tinha ficado para trás. Sustentada no carvão e no vapor como fontes de energia e no têxtil e no ferro como motores de crescimento económico, tinha permitido à Grã-Bretanha a primazia económica do planeta.
Desde o fim do século XIX produziu-se uma 2.ª revolução industrial, alimentada pelo petróleo, pela electricidade, pelo aço e pela química orgânica.
Como resultado, a Grã-Bretanha cedeu a liderança económica global aos Estados Unidos, que se tornaram a primeira potência industrial do planeta. Em 1913 produziam tanto aço como a Grã-Bretanha, a Alemanha e a França juntas e a sua produção de petróleo nesse ano seria de 65% do total mundial. Na segunda posição encontrava-se a Alemanha (aço e energia eléctrica e a indústria química mais capaz do mundo, uma frota naval que começava a assustar as outras potências)... Na terceira posição a Alemanha... e depois a França..."

"A fé no progresso não era um património exclusivo da burguesia. Também alimentava os movimentos de emancipação dos trabalhadores. Segundo Karl Marx (falecido em 1883), o advento do socialismo era o resultado inevitável das contradições do capitalismo: o poder económico concentrar-se-ia em cada vez menos mãos, enquanto a classe operária não deixaria de crescer até, finalmente, superar a burguesia e instaurar a ditadura do proletariado, último passo até ao socialismo." "... prestes a introduzir massas como protagonistas da vida política."

"Os trinta anos que precederam a IGG foram marcados pelo florescimento exuberante do nacionalismo. Alguns historiadores consideraram-no mesmo a causa principal da contenda. Predominava um nacionalismo de traços agressivos, autoritários e xenófobos, alimentado pelos contenciosos territoriais entre Estados, pelas fricções geradas pela expansão industrial e imperialista e pelo medo de alguns grupos sociais face ao progresso da economia capitalista e da política de massas. Este nacionalismo encontrou terreno fértil numa época na qual a ascensão do socialismo internacional deixava a bandeira do patriotismo nas mãos da direita." "... direita monárquica, católica e anti-semita... contra republicanos, socialistas e gentes da cultura (intelectuais)"

As condições de vida passaram a melhorar. As pessoas passaram a ter tempo para entretenimento, tempo de lazer, e a exigir direitos a educação e saúde. O cinema passou a ter influência na vida das pessoas. A arte em geral, reflexo da sociedade, passou a ser mais presente e considerada. Assim como os meios de comunicação, que moldavam formas de pensar e manipulavam a opinião pública (tornou-se numa arma durante a guerra).

"A França era o Estado que mais rapidamente valorizava o processo da democracia."

"A ideia de uma Grande Sérvia que unisse todos os povos eslavos dos antigos territórios otomanos era uma ameaça para a Áustria-Hungria... "

"A expansão russa na Ásia chocou com algumas ambições do Japão sobre a China. Guerra entre ambos de 1904-1905." 

"O império austro-húngaro não podia ceder nos Balcãs. Se não conseguisse reafirmar o seu poder militar face à Sérvia, o império implodiria sob a pressão dos nacionalismos que o integravam. 
No dia 28 de Junho de 1914 o arquiduque Francisco Fernando José, herdeiro do império, foi assassinado (magnicídio) juntamente com a esposa durante uma visita a Sarajevo, a capital da Bósnia-Herzegovina." "A 28 de Julho de 1914 o império austro-húngaro declara guerra à Sérvia"

De um lado (Impérios Centrais): Áustria-Hungria, Alemanha, (Bulgária), Turquia
Do outro (Aliados): (Sérvia), Rússia, França, (Bélgica), Grã-Bretanha, (Japão), Itália, (Roménia), EUA, (Grécia), (Portugal)

Objectivo da Alemanha - quebrar a Entente, expandir subtilmente o seu império a leste.

A 1 de Agosto de 1914 a Alemanha declara guerra à Rússia, e no dia 3, à França e à Bélgica. No dia 4, a Grã-Bretanha declarou guerra à Alemanha.
A IGG adquiriu uma dimensão geográfica inédita. As duas alianças entraram em conflito arrastando consigo as suas colónias.

No dia 11 de Novembro de 1918 a Alemanha assinou o armistício. Foi intimada a desocupar todos os territórios no leste e oeste, destruir equipamento bélico, entregar locomotivas e submarinos, armamento e aviação e a pagar indemnizações, principalmente à França e Grã-Bretanha.

Conferencia da Paz, em Paris, 1919. Nova ordem mundial. Novas fronteiras. Rédea curta à Alemanha. Controlo da Rússia revolucionária. Princípio da auto-determinação (protegia as reivindicações de novos Estados que correspondessem às nacionalidades dos seus habitantes). Tratado de Versalhes. Sociedade das Nações (SDN) nascida para solucionar futuros conflitos... mas vaticinada à nascença pela falta de meios militares e ausências de países-chave. Viriam a existir muitas queixas à Conferência da Paz, relativamente à "distribuição" de territórios. A nova Europa Central e Oriental tornou-se uma sementeira de discórdias entre os estados sucessores dos impérios desaparecidos. Uma das consequências foi a aproximação entre a Alemanha e a Rússia (Tratado de Rapallo).
 
IGG -1914-1918 - 4 anos de guerra. Morreram mais de 9,3 milhões de combatentes (3,6 dos impérios centrais e 5,7 dos aliados). Por ordem, o maior número de mortes verificou-se nos exércitos russo, alemão, francês, austro-húngaro, britânico, italiano, americano e sérvio. A estes valores ainda acresceram a morte de 12 milhões de civis. Colapso dos impérios russo, austro-húngaro e otomano. A antiga Sérvia foi ampliada para formar o reino da Jugoslávia (os eslavos do sul), incluindo a Eslovénia, Bósnia-Herzegovina (antigos territórios austríacos) e Croácia (antigos territórios húngaros) e o reino de Montenegro.
Saiu uma Alemanha humilhada, enfraquecida, que perdeu, para além do orgulho e os objectivos que tinha com a guerra, território e habitantes. As suas colónias passaram para a França, Grã-Bretanha, Bélgica e Japão.

Alemanha - Lenda da punhalada nas costas - o mito, difundido entre o povo alemão, de que o exército alemão não foi vencido no campo de batalha mas sim atraiçoado pelos socialistas revolucionários e judeus. Acreditava-se numa suposta conspiração que, mais tarde, veio justificar a violência política da extrema-direita.

 "Para pagar o défice criado pelos gastos da guerra, os países não aumentaram os impostos: emitiram mais moeda. O que produziu uma elevada inflação."

Moedas não equiparadas ao padrão-ouro (câmbio do padrão-ouro ou gold exchange standard, adoptado em 1922 na Conferência de Génova, baseava-se no dólar e na libra esterlina como moedas convertíveis em ouro como paridade ou relação fixa. A elas estavam vinculadas as moedas dos restantes países, os quais podiam ter reservas em ouro ou em dólares ou libras) . Exemplo de moeda não equiparada ao padrão-ouro: o papel-moeda, Papiermark alemão. "O valor das notas era inferior ao papel no qual elas eram impressas."

Os americanos não reclamaram "tributos" de guerra à Alemanha mas exigiram à França e à Grã-Bretanha que devolvessem os créditos concedidos durante o conflito.
Plano Dawes - EUA emprestavam à Alemanha que utilizavam o crédito para activar a economia e para pagar as indemnizações à França e à Grã-Bretanha, que por sua vez, pagavam as suas dívidas aos EUA. Aqui se gerou o castelo de cartas financeiro que veio ampliar os efeitos da Grande Depressão. Os EUA tinham um papel de credor mundial e centro financeiro global.

Em Dezembro de 1922 criou-se a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), formada pela Rússia, Ucrânia, Bielorrússia e Transcaucásia. Em 1929 Estaline passou a controlar o Partido PCUS e, por sua vez, o Estado. "Em dez anos, a Rússia transitara do absolutismo czarista para uma nova e mais completa forma de autocracia."

"Em Portugal, as divisões partidárias no seio da Primeira República e o terrível impacto económico provocado pela participação na guerra permitiram a consagração do golpe militar de 1926 e posterior instauração de uma ditadura."

O Feminismo dos anos 20.

Itália fascista de Mussolini (1921), através de movimentos revolucionários da... contra-revolução! Com a aquiescência da Igreja e da opinião católica. (Acordos assinados com o Estado do Vaticano, que impuseram o ensino obrigatório da religião católica. Papa Pio XI)

EUA - "... o desenfreado liberalismo económico e a prosperidade da indústria e das finanças foram contemporâneas de uma dura repressão das greves e da agitação da esquerda. Tal como na Europa, havia um grande descontentamento devido aos altos preços, baixos salários e longas jornadas de trabalho. Muitos americanos relacionavam o conflito social com a chegada de imigrantes do Sul e do Leste da Europa. A esta agitação social somaram-se modificações radicais no equilíbrio étnico do país: milhares de negros abandonaram o Sul segregacionista e dirigiram-se para áreas urbanas do Norte em busca de trabalho na indústria das munições. A população afro-americana de Nova Iorque cresceu 67% e a de Chicago 148%.
Negros, imigrantes e esquerdistas eram vistos como uma ameaça para os valores dos americanos brancos, anglo-saxões e protestantes. (o Ku Klux Klan, criado em 1866, renasceu em 1920's)

"Em 1905 Albert Einstein expôs a sua teoria da relatividade, segundo a qual o tempo e o espaço não eram valores absolutos, mas sim relativos: variavam em função da forma como eram medidos. A concepção do universo cambaleava. E a do homem também com a publicação "A interpretação dos sonhos", em 1900, o neurologista Sigmund Freud abriu a porta ao papel do inconsciente no comporetamento humano. ... Na filosofia, Friedrich Nietzsche anunciara que Deus perdera o seu lugar como alicerce dos códigos morais..."

"O crash da bolsa de Nova Iorque em 1929 gerou uma crise económica mundial, a Grande Depressão. As suas consequências políticas foram transcendentais: favoreceu o avanço do fascismo e do comunismo na Europa, catapultou Hitler para o poder e encorajou a ânsia expansionista do Japão. A ideologia racista e imperialista de Hitler incendiaria o rastilho de uma segunda e mais destrutiva guerra mundial."

"... os dólares americanos em forma de empréstimos à Alemanha alimentavam as finanças do Velho Continente... EUA, Alemanha, Reino Unido e França concentravam em si 72,5% da produção industrial do globo."

"Nos EUA, a mecanização do trabalho e a venda a crédito, encorajada pela primeira idade de ouro da publicidade, conduziram a um aumento da produção de bens duráveis e da concessão de volumes inéditos de crédito a empresas e particulares. A confiança generalizada numa expansão sem limites reflectia-se na bolsa de Nova Iorque, epicentro financeiro do país, onde o capital investido conheceu um crescimento exponencial.""... consumo de massas..." "... prosperidade de bases frágeis com um profundo desequilíbrio entre a procura limitada e o aumento constante da produtividade na indústria e agricultura..." "A bolsa nova-iorquina oferecia remunerações mais elevadas do que qualquer outro tipo de investimento. Toda a sociedade aplicava os rendimentos no mercado de valores que não parava de atribuir benefícios, numa espiral de especulação incontrolável..." "Essa exorbitante valorização gerou receios nos investidores mais especializados de desvalorização dos seus títulos. Em poucos dias, o "novo mundo de fantasia", como Keynes lhe chamou, rebentou."

"No dia 24 Outubro de 1929, a "quinta-feira negra"... o medo transformou-se em pânico... o preço das acções caiu a pique. A bolsa afundou-se e o sistema financeiro infectou a economia com a sua crise." "A própria banca financiara a bolha especulativa. Deixou de conceder crédito e a indústria sofreu a asfixia económica. O medo espalhou-se, o consumo interno retraiu-se, acumularam-se stocks de bens e os preços industriais e agrícolas colapsaram." "As dívidas eram incobráveis e os investimentos irrecuperáveis. Algumas centenas de bancos faliram no próprio ano, levando consigo as poupanças de dezenas de milhares de pessoas. As empresas, sem crédito nem procura, limitaram a sua actividade ou fecharam." "Os salários diminuíram. O desemprego aumentou. A pobreza estendeu-se pelas cidades e campos."

..." os EUA deixaram de importar bens devido à queda do consumo interno e impuseram mesmo taxas adicionais para proteger os seus produtores."

"Por outro lado, a repatriação de capitais norte-americanos para obras públicas nos EUA acabou por asfixiar economicamente a Alemanha e a Áustria, que dependiam destes empréstimos, e levou a crise ao coração da Europa."...

"... a Grã-Bretanha abandonou a paridade libra-ouro... seguindo-se os EUA e a França..."

"... padrão-ouro... a estabilidade associada a esta medida favorecia a prosperidade económica mas era-se obrigado a manter a paridade da moeda e dispor de reservas em ouro e divisas..."

"Na Europa, na década de 1930 assistiu a um avanço imparável do extremismo e de diferentes concepções do anarquismo."

Roosevelt e o New Deal. Democrata. Eleito em 1932. Reconsolidou o sistema bancário, estimulou as actividades do governo federal, assegurou a liquidez dos bancos solventes, separou a banca de depósitos da banca de investimento, assegurou a cobertura de depósitos de pequenas poupanças, instituiu sistema de créditos e subsídios para os agricultores hipotecados e de cupões para limitar a produção agrícola e evitar a queda dos preços, ajudou os proprietários de imóveis, e fez diminuir o desemprego com programas de grandes obras públicas e repovoação florestal, fixou jornada industrial semanal de trabalho de 40horas e salário mínimo, concedeu direitos de representação sindical nas empresas e negociação colectiva, aprovou a primeira Lei da Segurança Social Americana que cobria a velhice, a invalidez e o desemprego. "Na realidade, foi a II GG que terminou a crise, reduzindo o desemprego para 1% em 1943."

URSS de Estaline. "Na altura mais negra da Grande Depressão, a URSS não conhecia o impacte do desemprego." (colectivação e mecanização do trabalho rural e produção agrícola nas mãos do Estado, industrialização com vista ao rearmamento). Para Estaline, a grande ameaça eram os camponeses, que constituíam a maioria da população e refractário ao socialismo. Gulag - campos de trabalho forçado na URSS. A URSS tornou-se a terceira potência industrial do mundo.
Foi atacada por Hitler em 1941.

Alemanha - Adolf Hitler nascido em 1889, no seio do antigo império austro-húngaro, filho de um guarda fronteiriço e de uma camponesa. Viveu em Viena e planeava ser pintor. Tornou-se anti marxista e anti-semita e seguia a ariosofia (crença mística da superioridade da raça ariana). Acreditava que os judeus e os marxistas tinham sido responsáveis pelo fracasso militar germânico na IGG. Tinha uma extraordinária capacidade oratória e liderança carismática.

NSDAP - Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (extrema-direita alemã)

"Para Hitler, a luta de raças constituía a substância da História."

"... uma visão que implicava igualmente a conquista no Leste da Europa do espaço vital, que abasteceria a Alemanha de recursos agrícolas, matérias-primas e uma população racialmente inferior que trabalhasse para os senhores alemães. Era um modelo imperialista do século XIX..."

No dia 30 de Janeiro de 1933, Hitler foi nomeado chanceler. Mais tarde, com a morte de Hidenburg Hitler acumulou o cargo de presidente do Reich.

França - Vivia-se um clima de guerra civil. Tensão e os distúrbios constantes entre a estrema-direita agrupada em ligas monárquicas, ultracatólicas, anti-semitas e antimaçonicas, para com a esquerda socialista e comunista. Nacionalizou-se a indústria bélica e a banca. Desvalorizou-se intencionalmente o franco para favorecer as exportações e controlar a inflacção.

Grã-Bretanha - Trabalhistas no poder, ainda que relativo, face aos conservadores. País fortemente atingido pela crise.

"Era no fundo, o enterro do Tratado de Versalhes. Em Março de 1936, enquanto a atenção do mundo estava concentrada na invasão da Etiópia, Hitler denunciou os Tratados de Locarno, que ratificavam a desmilitarização da Renânia, e ocupou-a, beneficiando da insegurança francesa." "Quatro meses depois deflagrou a guerra civil espanhola. Hitler e Mussolini (o Eixo) apoiaram os militares rebeldes do general Franco, os conspiradores monárquicos, os sublevados." "... Guernica, de Picasso..."

"Hitler deu o grande passo: a anexação da Áustria à Alemanha. A união foi bem recebida pela maioria da população austríaca... Um plebiscito legitimou-a com 99% dos votos a favor... Uma declaração colectiva do episcopado da Áustria insistira com os fiéis para que votassem afirmativamente por "um sentido de dívida para com a sua raça" e celebrava o "cumprimento do desejo milenar do povo em unir-se a um grande Reich alemão.""

"A queda de Praga implicou o distanciamento da URSS relativamente à França e Reino Unido, dado que Estaline concluiu que as posições dos dois países justificavam-se por uma tentativa de orientação da expansão hitlariana para o Leste. Hitler, com efeito, voltou-se para a Polónia, tradicional objectivo da expansão alemã." "O ministro alemão dos Negócios Estrangeiros assinou em Moscovo um pacto de não-agressão que continha um protocolo secreto pelo qual os alemães e os soviéticos dividiam entre si a Polónia e que concedia à URSS o domínio sobre os territórios perdidos pela Rússia na GG, a Finlândia e os países bálticos."

"Na madrugada de 1 de Setembro de 1939, a Wehrmacht invadiu a Polónia. No dia seguinte, franceses e britânicos enviaram a Berlim um ultimato exigindo a retirada das tropas alemãs do território polaco e, no dia 3, declararam guerra à Alemanha."

"Com a chegada da Primavera, Hitler a alargou a guerra-relâmpago a toda a Europa. No dia 9 de Abril invadiu a Dinamarca e depois a Noruega. A 10 de Maio as suas tropas atacaram a Holanda, a Bélgica, Luxemburgo e dias mais tarde penetraram em França."

Declaração de Guerra da Itália à França e Grã-Bretanha a 10 de Junho. A 14 de Junho as tropas alemãs desfilaram nos Campos Elísios em Paris, donde se seguiu a assinatura do armistício. França desapareceu no caos e na derrota.

"O uso do radar e a capacidade para decifrar as mensagens secretas inimigas, graças ao estudo das máquinas Enigma com as quais os alemães codificavam as suas mensagens, foram trunfos decisivos para antecipar os movimentos nazis."

"O Fuhrer assinou com a Itália e o Japão um acordo de ajuda mútua - Pacto Tripartido, com o qual nasceu o Eixo Berlim-Roma-Tóquio. Ao qual se juntaram a Hungria, Roménia, Eslováquia e Bulgária." "A 6 de Abril de 1941 atacou a Jugoslávia e a Grécia. A 22 de Junho invade a URSS. O frio acabou por ajudar Estaline e Moscovo resistiu à invasão. Mas o Terceiro Reich já se tinha assenhoreado de grande parte da Europa Oriental, incluindo os países bálticos, a Polónia e a Bielorrússia."

EUA tinham proporcionado material bélico aos combatentes do exercito chinês que lutavam contra os japoneses. Em Maio de 1940 transferiram a Frota do Pacífico desde San Diego, na Califórnia, até à base hawaiana de Pearl Harbor. O Japão encarou esta atitude como uma afronta. A 7 de Dezembro o Japão lançou um ataque aéreo de surpresa. Este ataque comoveu profundamente o povo americano e foi o detonador da entrada dos EUA na GG. Nesse mesmo dia declarou também guerra aos EUA e à Grã-Bretanha. No dia seguinte a Alemanha e os países satélites do Eixo declararam guerra aos EUA.

"Ainda hoje constituem uma incógnita as razões pelas quais Hitler se apressou a enfrentar os norte-americanos." "Talvez pensasse que a acção japonesa mantê-los-ia afastados da Europa." "Nestes episódios convergiram numa só contenda as duas grandes guerras lançadas sobre o mundo: do Japão sobre a China em 1937 e da Alemanha sobre a Europa em 1939."

"Durante a primeira metade de 1942 as forças do Eixo pareciam estar prestes a fechar a sua enorme tenaz sobre a Eurásia."

"Para fazer frente ao Pacto Tripartido, no auge do seu poder ofensivo, ergueu-se uma coligação de 26 estados à qual o presidente Roosevelt chamou Nações Unidas e que, naqueles meses decisivos, esforçava-se por resistir à gigantesca investida do Eixo."

1943 - Declínio do Eixo.

"Enquanto a batalha de Estalinegrado se aproximava do seu desfecho, Roosevelt, Churchill e De Gaulle reuniram-se em Casablanca em  Janeiro de 1943. Aí proclamaram a rendição incondicional da Alemanha, Itália e do Japão como principal objectivo bélico; isso implicava que a II GG, ao contrário da I GG de 1914-18, fosse uma batalha até à morte. Dada a dificuldade em abrir uma segunda frente em França, decidiu-se empreender outro ataque no ponto débil do Eixo, o Mediterrâneo. No dia 10 de Julho começou a invasão da Sicília, que contou com a ajuda da máfia e terminou com a ocupação da ilha em Agosto. O avanço aliado implicou a queda imediata de Mussolini (el duce). O poder governativo foi transferido para o rei Victor Emanuel III que negociou a paz."

A Alemanha cedia terreno em Itália e no Leste. Os russos recuperaram a Ucrânia, e conseguiram acordo de paz com a Finlândia, donde se vieram a retirar as tropas alemãs.

"No Verão de 1944, às derrotas na Itália e no Leste juntou-se um novo motivo de preocupação para Hitler. Na alvorada do dia 6 de Junho de 1944 começou a operação Overlord, o gigantesco desembarque aliado na Normandia."

"No dia 25 de Agosto, Paris foi libertada."

"A 20 de Julho houve um atentado falhado contra Hitler no "Covil do Lobo", o seu quartel-general."

A Oeste os Aliados iam ganhando força, com a ajuda dos resistentes franceses, italianos e belgas. A Este o Exército Vermelho avançava, recuperando a Roménia, Bulgária, Sérvia, Grécia.

Roosevelt, Churchill e Estaline reuniram-se em Ialta, na Crimeia em Fevereiro de 1944, e aí acordaram a divisão da Alemanha em zonas de ocupação e a sua separação da Áustria.

"O império de mil anos prometido pelo Fuhrer reduziu-se às profundezas do bunker da chancelaria, do qual Hitler não voltou a sair desde 20 de Abril, dia do seu 56.º aniversário. No dia 29 casou-se ali com Eva Braun. Suicidaram-se ambos a 30 de Abril de 1945."

"O comandante de Berlim rendeu-se no dia 2 de Maio. Foi assinada a capitulação."

"Embora a guerra tivesse terminado na Europa, continuaria na Ásia. Na Batalha do Golfo de Leyte, iniciada em Outubro de 1944, os EUA desmantelaram a Armada nipónica, o que lhes permitiu avançar e conquistar as ilhas de Iwo Jima e Okinawa. Nesta última ocorreu uma batalha atroz na qual os nipónicos substituíram a inferioridade em armamento e efectivos por uma estratégia que se baseava no suicídio dos combatentes, os kamikazes." "Os ataques culminaram com o lançamento das bombas atómicas sobre Hiroxima no dia 6 de Agosto de 1945 e Nagasáqui no dia 9. Entretanto a URSS declarou guerra ao Japão e invadiu a Manchúria. Os japoneses renderam-se a 2 de Setembro de 1945."

Estima-se que a II GG - 1939 a 1945 - tenha provocado cerca de 38 a 60 milhões de mortos (há várias oscilações de entre os historiadores). Muitos mais civis do que na I GG (de 5% para 66%). Foi uma luta que envolveu três continentes (Europa, Ásia e Oceânia). A Alemanha, com a qual nunca se chegou a assinar um tratado de paz, ficou dividida em zonas ocupadas pela URSS, EUA, Grã-Bretanha e França. 

A NATO nasce em Abril de 1949.

Em 1961 é construído o Muro de Berlim.

 "Sob as ruínas desta Europa devastada... surgiu uma nova ordem dominada pelos vencedores da contenda: EUA a URSS. Dois sistemas políticos e economicamente opostos: o capitalismo e a democracia liberal, por um lado, e o socialismo, por outro. Curiosamente, entre os dois sistemas não aconteceu o choque violento que Hitler previra e que ofereceria ao seu regime uma oportunidade de sobrevivência como militante do bloco anti comunista." O que veio a verificar-se foi a instauração de um clima de tensão, a chamada Guerra Fria, um conflito silencioso, duradouro, travado em laboratório, na retórica dos discursos e em incursões minuciosas em países satélites de cada sistema, sem qualquer declaração de guerra formal. Esta guerra tinha as suas raízes no trauma de 1941 nos inesperados golpes alemães à URSS e no ataque japonês a Pearl Harbor.
Nos anos seguintes os dois blocos prepararam vastos arsenais nucleares para aniquilar o adversário no caso de ser este a arremessar o primeiro golpe, mas tal nunca aconteceu."

Em 1989 o Muro de Berlim é derrubado.  Em 1990 a Alemanha reunifica-se.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Boa semana! E BOM ANO!


Ora então vamos lá a começar... mais uma semana e mais um ano! Bora lá!

Que venha muita luz, cor e alegria!

BOM ANO!

Beijinhos

Filmes - "Amor Impossível"

Sinopse:
"Cristina desapareceu.
Tiago, o seu namorado, afirma que ela foi raptada, mas é uma história em que Madalena e Marco, os dois investigadores da Policia Judiciária responsáveis pelo caso, têm dificuldade em acreditar.
Ao seguir as pistas que antecederam o crime, “Amor Impossível” caminha entre duas narrativas paralelas:
- a de Cristina, uma jovem que busca um amor total e sem limites;
- e a de Madalena, uma mulher que, ao investigar o desaparecimento, é confrontada com as insuficiências da sua própria relação."


É o décimo filme do realizador português António-Pedro Vasconcelos, com produção de Tino Navarro, lançado em 2015. É um drama. Supostamente baseado numa história real de amor e de crime. (ver aqui, e aqui). É chocante quando nos apercebemos que a ficção é apenas um retrato da realidade cruel e dura.

Ela é uma rapariga que sonha ser escritora. Que procura a intensidade e a poesia das coisas e que se questiona frequentemente sobre o amor e a entrega que este exige.
Ele é um rapaz, apaixonado, um pseudo-rebelde mimado, que sonha ser músico. É também muito intenso... e também muito ciumento e agressivo.
Os dois vivem uma relação intensa, com afastamentos e aproximações, com brigas e muita paixão à mistura.
Até ao dia em que ela desaparece e mais tarde se fica a saber que foi ele que a matou.

É uma história que arrepia. Há sempre indícios de agressividade (ainda que passiva), de controlo, manipulação e sentimento de possessão que muitas vezes se ignoram numa relação, em nome daquele sonho de amor total e de entrega total, que, somos levados a acreditar ter sempre de implicar um certo grau de sofrimento (senão, não é amor! Mas será mesmo assim?!?! Não será essa uma visão completamente deturpada do que o amor deve ser e do que nos deve dar?!...).
No filme falam-se de amores impossíveis. E que esses amores parecem ser sempre os mais intensos. Os que valem a pena. Talvez porque a impossibilidade, a proibição ou os obstáculos exarcebem as sensações... mas não necessariamente os sentimentos. Penso que não amamos mais ou menos uma pessoa pelo facto do nosso amor ter obstáculos ou impossibilidades. Isso é um truque preverso da mente. Que nos pode fazer acreditar que aquilo que não temos ou que não podemos ter é o que mais precisamos (!). Mas na minha opinião essa ideia é completamente errada. É uma ilusão romântico-masoquista. Porque ou amamos ou não, e não é a distância ou outros factores que decidem isso. Concretizar esse amor, isso sim já é condicionado por todas as limitações físicas ou outras existentes, mas amar em si não. Nem que seja porque amar, na sua mais pura essência, não implica necessariamente estar com o outro, sempre.

Romeu e Julieta, de Shakespeare. Uma das mais faladas e discutidas histórias de amor. Heathcliff e Catherine Earnshaw do romance Monte dos Vendavais, de Emily Bronte. O que têm em comum? Na minha opinião... foram duas histórias criadas não apenas sobre o amor em si mas principalmente sobre como a impossibilidade de concretização de amor intensifica esse mesmo amor, ou quem sabe, pode até criar a ilusão de um amor que pode nem existir!!
Quer isto dizer que se não houver obstáculos não é amor? Não é intenso e verdadeiro? Que não vale a pena?!
Que mania esta que temos de cultivar o sofrimento e fazer-nos crer que é apenas na dor que nos encontramos...

O filme reflecte sobre este tipo de questões e também sobre a violência e a agressividade nas relações.

A Cristina, a rapariga, conclui que não quer amor em part-time. Que não quer dar sem receber. Tem todo o direito a isso e a seguir a sua vida. Mas quando menos espera, e sob a maior das injustiças, é calada por quem a ensinou a (não) amar. 

Recomendo. Pela reflexão a que nos induz.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Feliz Ano Novo 2017!


Sei que me repito mas realmente o tempo passa a correr... não concordam?! Já estamos no final do ano!! Acho que a Terra deve ter encontrado uma trajectória mais curta para rondar o sol e portanto está a demorar menos tempo a fazê-lo e os anos estão a ficar mais curtinhos. (Esta é a minha teoria... a par de uma outra que defende que nós vivemos atafulhados de cada vez mais dados e informação e coisas para fazer e saber e ser, de tal forma que precisaríamos que os dias passassem a ter mais de 24h para conseguirmos fazer tudo a que nos propomos... ou que somos levados a pensar que temos de fazer. Raia um pouco a esquizofrenia e a paranóia... enfim.)

Outro dia falava-me uma amiga que se aproxima o final do ano e portanto todos entramos numa fase de balanços sobre o ano que está a findar e ao mesmo tempo estabelecemos objectivos para o ano vindouro. Eu respondi que não é bem assim. Pelo menos comigo não. Eu faço balanços/reflicto sobre as coisas com regularidade. Gosto de reviver algumas, analisar outras. Porque ao fim ao cabo de que interessa passarmos pelas coisas se não pensarmos sobre elas, sobre o que nos fizeram sentir e sobre o que nos ensinaram? Resposta: de nada! E também porque sou uma sonhadora que leva a vida a reviver momentos de que gostei e a imaginar outros tantos que planeio viver. :)

Este ano ensinou-me sobre "o que tem de ser, tem muita força", sobre destino, sobre como não vale a pena planear nada porque tudo pode mudar de um dia para o outro, sobre coincidências e sinais, sobre como o equilíbrio da vida exige que não haja felicidade sem tristeza, não haja ganho sem perda, e o contrário de tudo isso também. Que tudo tem um reflexo. E tudo se alinha, mais cedo ou mais tarde. Todas as coisas acontecem com um propósito e uma razão. E no meio disso tudo... acho que a(s) única(s) coisa(s) que podemos e devemos fazer é sermos fortes, resilientes, dedicados, coesos, honestos, sinceros, abertos, alegres, humildes, positivos, amigos, generosos, e cultivarmos o bem, porque isso há-de assegurar que sigamos pelo melhor caminho possível com genuinidade e sentido de verdade. Com a suavidade e a beleza de uma pluma.

Encontrei uma pluma branca! Sinal de luz. :)

Feliz Ano Novo 2017! Sejam felizes! Saúde! :)

Beijinhos

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Reflexões aleatórias de mim para comigo própria... #2

1 - Como é que um ser com uma presença tão silenciosa pode fazer tanta companhia? Ou, como é que um ser tão silencioso pode ter tanta presença?
(pensei isto recentemente ao olhar para a minha gata, que me segue para todo o lado em casa e que não perde uma oportunidade de aninhar-se em mim) A resposta é: o amor não tem necessariamente de exprimir-se por sons e palavras. Bastam o ser e o estar.

2 - Queremos mais o que não podemos ter ou simplesmente só queremos por não conseguirmos/podermos ter?

3 - Dividir e partilhar são coisas diferentes. Esta última tem um retorno infinitamente maior.

4 - Soube ontem da tua existência. Hoje debato-me entre as nuvens de dúvida e receio e a luz da alegria e da esperança, no amanhã.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Boa semana!

O Natal

Estamos a dias do Natal. O que significa esta quadra? Para mim significa estar com a família, a azáfama das preparações de comidas e decorações para a consoada, a alegria dos miúdos e graúdos a abrir os presentes, as filhoses da minha mãe, o bacalhau que sou sempre eu a fazer, o lume aceso, os gorros de pai-natal na cabeça, o alguém "mascarar-se" de pai natal e os miúdos quase sempre descobrirem ou pelo menos desconfiarem e dizerem que o pai natal parece alguém conhecido (hummmmm!!), e é simplesmente estarmos ali todos juntos, a conversar, a partilhar aquele momento. Isso para mim é que é o Natal. Podiam chamar-lhe outra coisa qualquer. Não o associo a religião (na verdade a forma como comemoramos o Natal já não é puramente religiosa nem meramente espiritual. Já tem muitas outras influências e variações... por vezes um pouco ou talvez demasiado consumistas e vazias de sentido para o meu gosto...), e portanto associo-o simplesmente a um momento. Que no meu caso e da minha família é feliz e de união.
Mas nunca me esqueço que se é privilegiado por se ter uma família, por se terem amigos, amor, saúde, ter o que comer e onde viver... Eu sei muito bem o que é que tem valor na vida e não me esqueço que há muitas pessoas, muitas crianças e muitos adultos, que não têm a mesma coisa. Pelas mais variadas razões. Não sou hipócrita. Não vou dizer aqui que vou ajudar todas essas pessoas e que vou ter um papel activo na luta pelo seu bem-estar. Até porque não consigo fazer isso de forma individual e sem um projecto concreto (e concretizável!!) Eu, como tantos outros, muitas vezes só podemos contribuir com pequenos gestos e iniciativas de curto-prazo (a solução seria ensinar a pescar e não apenas a dar o peixe...). No resto do tempo estamos de mãos atadas, a observar passivamente e a desejar que não me/nos aconteça o mesmo. Porque na verdade ninguém está livre disso. A eles... desejo o melhor Natal possível e que no seu sapatinho tenham o mais importante: saúde, serenidade e uma pitada de alegria sonhadora que ajude a ver a vida com uma perspectiva mais positiva.

Beijinhos a todos!

Criativismo fonético, semântico-lexical ou... Surrealidades do meu dia-a-dia #28 (actualização)

São inúmeras as vezes que oiço palavras ou expressões distorcidas. Ou raciocínios mirabolantes! E se algumas vezes me consigo conter, outras há em que me desato a rir na hora. E de todas as vezes tento registar essas palavras ou expressões ou raciocínios para a eternidade ou.... pronto vá eu confesso... para me voltar a rir à grande depois quando os releio! :)

Atenção que o facto de reparar nisto no discurso dos outros não faz de mim nenhuma sábia utilizadora da língua portuguesa e afins, que se acha no direito de corrigir os outros! Eu própria também digo coisas destas! E portanto não é com arrogância que noto nestas coisas e as transcrevo para aqui, mas sim com um enorme espírito de partilha, esperando que desse lado provoque um sorriso, uma gargalhada... o mesmo que a mim! :)

Vou passar a actualizar este post sempre que surja uma nova e criativa expressão, bem como o contexto em que foi dita. Por isso, se houver interesse aí desse lado faz favor de irem dando aqui uma espreitadela. :)

1 - Diz uma rapariga acerca da amiga da amiga (todos sabemos o que isto quer dizer right?!?!?)... "ela anda muito triste. Acho até que o que ela tem mesmo é um grande desgostamento!"
(Acho que ela queria dizer... Esgotamento...mas inventou ali uma mistura entre depressão, desgosto e esgotamento!)

2 - "isto é inadmissível! É claro que me sinto desfraldado!"
(Excuse me sir... acho que queria dizer... Defraudado... porque caso contrário vamos entrar em pornografias a tirar a roupa e tal hummmm... LOL)

3 - "Ah mas é para devolver? Isso dos devolutivos é noutro sítio!"
(Talvez fosse Devoluções não?! Who knows!! Ou então é dos prédios.... devolutos:D)
(Agora a sério... devolutivo existe mas é raro alguém perceber/saber (eu não sabia!!) portanto acho que foi mesmo por engano! Gotcha!)

4 - "O professor diz que não posso ficar com a Mariana ao pé de mim na sala de aula. Ela está sempre a descontrair-me! Fico muito descontraído!"
(ahhhhh..... não era mau sinal a miúda fazer isso, podia haver ali uma certa química LOLOL... mas acho que aqui era mesmo... Distraído!)

5 - Na praia... "Claro que a Bolacha Americana é mais cara do que a Bola de Berlim! Tem que se ir buscar à América! É muito mais longe!"
(.... ahhhhh.... okey.... a pessoa que disse isso não estava a brincar.... :P)

6 - "pode-se aquecer a comida no maricondas"
(LOLOLOLOL.... microondas...)

7 - "Tens o cabelo tão mas tão grande que.... chega ao tecto!" 
(desenganem-se os estúpidos terráquios que achavam que o cabelo crescia para baixo! Crescer é sempre para cima! Ou isso ou é mesmo falta da força da gravidade! Ou então é afro-style! eheheheh)

8 - "Dá cá a máquina que eu vou retiro a fotografia".
(Está bem... fotografia envolve retrato, e... retrato envolve tirar a foto em si. Mas daí a fazer um retiro (espiritual quicá!?!lol) e/ou retirar a dita cuja através da máquina.... é obra!!! E não diz respeito à Fotografia!)

9 - É muito teimoso, tem uma personagem muito forte! (aqui queria dizer-se "personalidade" parece-me!!!)

10 - Estava tão doente que tomou tibietes! (a pessoa desenvolveu... diabetes!!!)

11 - (Acerca de igrejas...) É uma questão de região e pronto! (.... era religião..., mas pensando bem também pode ser de região! hummmm)

12 - Não te posso contar os meus desejos porque depois eles não se concisam!
(ora bolas... não queremos cá desejos consisos/ pequeninos e pior... que não se realizem!!! LOL)

13 - Já está a comida a loirar no forno! (ao que eu corrijo... é Alourar!!!, e ele responde:) Sim pois é! Aloira-se no forno e louram-se os cabelos. Ou aloiram-se os cabelos e aloura-se a comida?!
(eh pa.... confesso que também já não sei!!!!)

14 - Não gosto de casas com muitas escadas. A minha casa é plena. (hummm... espero que sim, que seja plena e amor e afins.... mas parece-me que a sujeita queria dizer "plana"!)

15 - Antes eram as amas, agora chamam-lhe bebésitas! (lololololololol.... são babysitters!!!)

16 - Tia ajuda-me aqui a dar um salto daqueles maiúsculos!! (Sim a titi ajuda mas olha que isso dos maiúsculos é mais para as letras ok?!!) :D

17 - Com a idade os ossos vão ficando desclassificados. (... des-cal-ci-fi-ca-dos uma vez que vão é perdendo cálcio, e não propriamente perdendo... classificação!!!)

18 - Tem de tomar essa medicação para ver se se estabelece a infecção. (ora bem... é bom que a medicação estabilize e se possível trate a infecção, nunca o contrário. :D)

19 - Esta é da filhota do amigo Zé Luís... "Pai faz lá aí um buraquinho com o furaquim!!"... ihiihih ta demais!

20 - Esses das motas. Chamam-se motoqueiros ou motários! (oooops!!! é motards!! Com todo o respeito... não se tratou de uma ofensa mas apenas de um deslize de linguagem....)"

21A dívida já está soldada. (amigos... não precisamos de levar a dívida para a oficina a soldar, nem precisamos estar cá com militarisses de soldados e afins... As dívidas saldam-se e pronto! :D)

22 - Houve um acidente. O carro ficou todo amarrotado! (uuhhhhh... seria amachucado? ou amolgado???)

23 - "Estás aí toda concentrada, muito atenciosa" - Sim, estava concentrada, mas não estava a dar beijinhos ao que estava a fazer!! Estava só... com atenção!

24 - Fulano foi preso. Diz que fez um fruto! (erhhh... seria um furto?! É só uma questão de r's...) 

25 - (Estou a sair do mar e tenho o corpo cheio de algas...) Diz alguém: Ehhhhh!! Vens toda algaliada! (LOL... LOL... LOOOOOOOL. Algas está bem... agora algálias... é MUUUITO diferente!!)

26 - Aquelas pessoas que acompanham doentes chamam-se.... Ocupantes! Sim porque estão ali só a ocupar espaço!... Mas se calhar são acompanhantes não acham?!

27 - "Tens um ar assim altivo, imperial... pareces uma meretriz!" (Oi?! Deve haver aí algum engano... Queria dizer imperatriz?... É que meretriz... bem... vão pesquisar no dicionário... são coisas mesmo muuuuito diferentes!)

28 - "Estive a pintar a minha casa. Estou muito satisfeito. É uma tinta indolor." Ainda bem! Acho que o senhor queria dizer inodor(a) mas assim como assim... ainda bem que não ficou com dores de pintar a casa toda! É que, parecendo que não, pode dar-se o caso de... coiso... e depois... e tal... ah esqueçam! LOL

to be continued...

(post iniciado a 15/07/2015)

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

O olhar e a visão


Afastando tudo o que nos turve o olhar, vemos. A verdade esclarece. O entendimento. Mas por vezes perturba o olhar. Assim como quando olhamos directamente para a luz. Ela está lá. Envolve-nos. É total. Nós fazemos parte dela. Mas é de tal forma forte que nos consegue, por vezes, ofuscar o olhar. Embora nunca a visão. Porque, passado esse primeiro instante de atordoamento, começamos a vislumbrar e depois a ver com clareza.
Acredito na verdade. Na genuinidade das coisas. Acredito que o tempo e a verdade caminham de mãos dadas. E portanto, mais cedo ou mais tarde, ela, a verdade, virá sempre ao cimo.

Leituras - "Maddie - A Verdade da Mentira"

de Gonçalo Amaral. 2008.


Recentes notícias - I:  Uma adolescente inglesa com supostas semelhanças físicas com Maddie - pele branca, cabelo loiro e olhos claros -  foi vista a deambular pelas ruas de Roma, em Itália. Mais tarde confirmou-se o falso alarme, tratando-se de outra pessoa; II: A Scotland Yard recebeu recentemente um financiamento extra para continuar com as investigações do caso Maddie - fizeram-me voltar a pensar no assunto. Toda ou quase toda a gente se lembra deste caso e terá uma opinião (ou bitaite...) sobre ele. 
Lembrei-me  que nunca tinha lido o livro escrito pelo - entretanto afastado - coordenador operacional de investigação do caso - na altura Gonçalo Amaral. Não gosto de opinar sem conhecimento de causa e por isso decidi ler e inteirar-me sobre a sua versão dos factos. Tendo sempre presente que, tratando-se de um caso complexo como é este, há tantas outras versões igualmente legítimas ou supostamente credíveis...

Madeleine Beth Mccann, 3 de Maio de 2007, Aldeia da Luz, Lagos. Uma menina estrangeira de 4 anos desaparecida em território português, não se tendo, até à data, obtido quaisquer conclusões claras e específicas de um caso que, por essa razão, permanece um mistério. 

Um caso que, como esteve sempre e desde o início sob o olhar permanente da comunicação social e consequente escrutínio público, trouxe à tona a forma como uma investigação criminal é levada a cabo pela Polícia Judiciária portuguesa e os meios de que dispõe, por outro lado a forma como actua a polícia inglesa sob orientação do governo britânico, as relações diplomáticas entre dois países que partilham entre si História (períodos de  tensão e períodos de amizade) em comum, fazendo os dois parte (na altura!) da União Europeia, as relações comerciais actuais, o impacto sobre umas das nossas mais importantes áreas económicas - o Turismo- e acima de tudo o quão difícil continua a ser saber a verdade sobre o que realmente aconteceu e onde, e como, está a menina.

A verdade.
Coisa tão simples, permanente e íntegra, e no entanto, tão difícil de encontrar como deveria ser de esconder.

Este livro constitui a argumentação de Gonçalo Amaral. Fiquei com a percepção de que algumas coisas correram menos bem na investigação. Não apenas pelos meios de que se dispunham na altura (em termos equipas técnicas, equipamento tecnológico, burocracias do processo, cumprimento da lei e devidas limitações de acção, entre outros), mas porque o mediatismo e a pressão em redor do caso, o melindre para não ferir as relações entre os dois países, de certa forma atrapalharam o inquérito e instrução do processo e perturbaram o raciocínio (que se pretende nestas situações ser frio, rápido, imparcial e claro) dos investigadores. No livro, a tese que tem mais força é a de que a menina morreu no apartamento 5A do Ocean Club e houve ocultação de cadáver. Os pais foram constituídos arguidos. Mas não se conseguiu dar como provado e a verdade é que não se encontrou o corpo.

Uma coisa é certa. Existia uma menina que desapareceu e que até hoje não foi encontrada, nem morta nem viva.

Nunca compreendi muito bem todo o mediatismo que este caso teve, e continua a ter. Não que não concorde com ele. Acho que tudo o que sirva para tentar encontrar esta e outras pessoas desaparecidas nunca é em vão e tem todo o sentido. Mas não consigo encadear por A + B a forma rápida e exponencial como este caso em concreto sensibilizou milhões de pessoas, canalizou milhares de euros na procura da Maddie, e teve intervenção directa de altas patentes dos estados português e britânico. Foi pela imagem da Maddie, o seu ar angelical, belo e puro? Mas não o são assim todas as crianças? Foi porque se tratava de uma menina que desapareceu em território estrangeiro? Foi... porquê?! 

Qual é, afinal, a seriedade disto tudo e onde está a verdade? Onde está Maddie... afinal?

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Sensing a sense

After all these years
Something slightly spreads into my ears
That it will continue.
This unstoppable task. The persue.

The reason and simultaneously the path.
To have this constant, latent and maddening idea.
That it must always has to be a sense. The Sense.
I keep searching for it. For it and the sense of it, too!
And so i sense that this is just an infinite journey.
Sometimes i feel getting along with it.
Sometimes i feel getting away from it.
Some other times i just feel getting in the middle of it!
As i go through and further, as i setback
I realise what it seems to be educating me...
Teaching me. Coaching me. Clearing my sight.
That, in fact, everything has its own purpose.
But we do not need to understand it right away.
The beauty in it is exactly its demand and not the destination itself.

And so i reiterate... Life has a strange and funny sense of humor.
Destiny, they say.
Tons of...

Conceição/Concepção


Amanhã é feriado! Dia da Imaculada Conceição (Virgem Maria, Mãe de Deus... livre de todos os pecados). É também rainha e padroeira de Portugal e de todos os povos de língua portuguesa.

Sem nódoa. Sem mancha...

Bom feriado!

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Bom fim-de-semana


Bom fim-de-semana a todos.

Beijinhos

Leituras - "As noites das mil e uma noites"

de Naguib Mahfouz. 1981.



Naguib Mahfouz é o único escritor árabe galardoado com o Prémio Nobel da Literatura (em 1988). Confesso que comecei a lei este livro por engano. Achei que finalmente (mas ainda não foi desta!) ia ler os famosos contos da Xerazade ao seu sultão Shariar, mas este livro começa precisamente no dia seguinte à última história contada.  A verdade é que essas histórias tiveram um efeito directo no coração do sultão, que passou de um homem frio e sangrento, a um homem carregado de sensibilidade e contemplação, vergado pelo arrependimento, em busca de um sentido da vida e da verdade das coisas.
A história passa-se numa cidade medieval islâmica. Os acontecimentos, as relações entre as pessoas e o desenrolar do dia-a-dia são controlados pelas hierarquias, pelo medo e pela coragem, pela luta interna entre o que se é e o que se deve ser, e claro... acima de tudo pela religião.
Fica-se com uma ideia bastante clara de como decorria a vida numa sociedade deste tipo. Os valores que regem as pessoas, a forma como lidam entre si e o que parecem procurar na vida. Talvez ainda hoje seja exactamente assim que a vida decorre em territórios muçulmanos.
Percebe-se no crente/não crente uma luta interna muito grande. Como se aquilo a que se agarra como salvação fosse aquilo que simultaneamente o oprime e reprime. Muitas vezes levando-o exactamente ao extremo oposto daquele que almeja.
Põe a nu as fragilidades humanas. O quão mau e quão bom um mesmo homem pode ser. Os medos, as inseguranças, a falta de fé, a ambição desmedida, a inveja, a opulência, a cobiça, a corrupção, a ganância, o despotismo, a injustiça, a violência, a perturbação e a confusão mental e espiritual, a falta de perseverança... E no meio disso tudo tenta encontrar-se um caminho... através de Deus, que dê sentido a todas as alegrias e a todas as aparentes tristezas.


“… pelo facto de um homem poder morrer sem deixar de viver ou poder viver estando morto.”


“… o mundo da piedade aparente e corrupção latente.”

“Conheci três tipos de discípulos. As pessoas que aprendem os princípios e se esforçam no mundo, as pessoas que aprofundam o conhecimento e dominam as coisas, e gente que persevera no caminho recto até à estação espiritual do amor...”

“… em breve as exigências da vida se impuseram aos acontecimentos da História…”

“O caminho de Deus era claro e não devia misturar-se com sentimentos de ódio ou de orgulho, porque a base da estrutura se desmoronaria.”

«O melhor favor é o que se faz o mais depressa possível.»

“Gostava da comida e da bebida da mesma forma que gostava da mulher, e com a passagem do tempo já gostava mais da comida e da bebida.”

“… debatia-se na cela da sua permanente aflição.”

“O medo é o tributo dos culpados, não dos inocentes.”

“… como um adolescente… ficou absorto em sonhos de raparigas virgens.”

“Não era Deus capaz de tudo?”

“… alaúde…”

“A oportunidade era única, nunca mais voltaria a acontecer, e tudo acontece como Deus quer.”

“Todos saímos da costela de Adão…”

“… Expiaria os seus pecados através da peregrinação, da esmola e do arrependimento.”

“ Refugio-me em Deus da violência da beleza quando ela domina.”

“Nada destrói mais um homem do que ele próprio… E ninguém o pode salvar senão ele a si próprio.”

“A depravação é um pecado secreto, que se comete enquanto nos ocupamos a perseguir os xiitas e os carijitas.”

“…foi julgado e decapitado…”

“Era uma tentação só para os sãos, não para os loucos.”

“Vejo-os com os corações cheios de vergonha depois de terem experimentado a debilidade humana.”

“… oração da manhã… oração da tarde… oração da noite”

“Verdadeiramente somos de Deus e a Ele voltamos.”

“O dever antes da compaixão…”

“Estás em mãos seguras, podes sorrir.”

Sultão, vizir, xeque, mestre, governador, secretário particular, chefe da polícia.

A lei islâmica. Os muçulmanos.

Sufismo.

«A corrupção dos homens doutos realiza-se através da negligência, a corrupção dos príncipes através da injustiça e a dos sufis através da hipocrisia.»

“Gostaria de te ver como um dos soldados de Deus, não como um dos seus dervixes… A lógica da fé é perdurável e eterna. O Caminho a princípio é um, depois divide-se inevitavelmente em dois. Um deles leva ao amor e à submissão do eu e o outro à guerra santa. Os primeiros dedicam-se a si mesmos, em compensação os da guerra santa consagram-se ao serviço de Deus.”

“… esperava sair da sua confusão para a espada da guerra santa ou para o amor divino.”

…” talvez seja o haxixe…”

“Deus tem a sua Sabedoria própria na Sua Criação. Quanto a nós, temos a lei islâmica.”

“Não faça o que lhe ditar a consciência mas também não cometa más acções… Há muitas coisas que não são boas nem más.”

“… enquanto a brisa primaveril levava à profundidade do seu ser uma mistura de perfumes de flores sob um céu brilhante de estrelas.”

“É em Deus que procuramos ajuda”

“… enquanto há vida não há razão para o desespero…”

"... não alcançarás o grau de devoto senão quando superares seis obstáculos. O primeiro e fechar a porta da comodidade a abrir a da dureza. O segundo consiste em fechar a porta da fama e abrir a da insignificância. O terceiro, fechar a porta do descanso e abrir a do esforço. O quarto exigir-te-á fechar a porta do sono e abrir a da vigília. O quinto, fechar a porta da riqueza e abrir a da pobreza, e o sexto obstáculo é fechar a porta da esperança e abrir a da preparação para a morte."

«Uma prova do receio da verdade é que não facilita a ninguém um caminho até ela nem priva ninguém da esperança de a alcançar. Deixa as pessoas a cavalgarem pelos desertos da perplexidade e a afogarem-se nos mares da dúvida. Quem acredita que a alcançou é porque se separou dela, e quem acredita que se separou dela foi porque perdeu o seu caminho. Não se pode chegar a ela sem fugir dela, é ineludível.»