quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Sensing a sense

After all these years
Something slightly spreads into my ears
That it will continue.
This unstoppable task. The persue.

The reason and simultaneously the path.
To have this constant, latent and maddening idea.
That it must always has to be a sense. The Sense.
I keep searching for it. For it and the sense of it, too!
And so i sense that this is just an infinite journey.
Sometimes i feel getting along with it.
Sometimes i feel getting away from it.
Some other times i just feel getting in the middle of it!
As i go through and further, as i setback
I realise what it seems to be educating me...
Teaching me. Coaching me. Clearing my sight.
That, in fact, everything has its own purpose.
But we do not need to understand it right away.
The beauty in it is exactly its demand and not the destination itself.

And so i reiterate... Life has a strange and funny sense of humor.
Destiny, they say.
Tons of...

Conceição/Concepção


Amanhã é feriado! Dia da Imaculada Conceição (Virgem Maria, Mãe de Deus... livre de todos os pecados). É também rainha e padroeira de Portugal e de todos os povos de língua portuguesa.

Sem nódoa. Sem mancha...

Bom feriado!

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Bom fim-de-semana


Bom fim-de-semana a todos.

Beijinhos

Leituras - "As noites das mil e uma noites"

de Naguib Mahfouz. 1981.



Naguib Mahfouz é o único escritor árabe galardoado com o Prémio Nobel da Literatura (em 1988). Confesso que comecei a lei este livro por engano. Achei que finalmente (mas ainda não foi desta!) ia ler os famosos contos da Xerazade ao seu sultão Shariar, mas este livro começa precisamente no dia seguinte à última história contada.  A verdade é que essas histórias tiveram um efeito directo no coração do sultão, que passou de um homem frio e sangrento, a um homem carregado de sensibilidade e contemplação, vergado pelo arrependimento, em busca de um sentido da vida e da verdade das coisas.
A história passa-se numa cidade medieval islâmica. Os acontecimentos, as relações entre as pessoas e o desenrolar do dia-a-dia são controlados pelas hierarquias, pelo medo e pela coragem, pela luta interna entre o que se é e o que se deve ser, e claro... acima de tudo pela religião.
Fica-se com uma ideia bastante clara de como decorria a vida numa sociedade deste tipo. Os valores que regem as pessoas, a forma como lidam entre si e o que parecem procurar na vida. Talvez ainda hoje seja exactamente assim que a vida decorre em territórios muçulmanos.
Percebe-se no crente/não crente uma luta interna muito grande. Como se aquilo a que se agarra como salvação fosse aquilo que simultaneamente o oprime e reprime. Muitas vezes levando-o exactamente ao extremo oposto daquele que almeja.
Põe a nu as fragilidades humanas. O quão mau e quão bom um mesmo homem pode ser. Os medos, as inseguranças, a falta de fé, a ambição desmedida, a inveja, a opulência, a cobiça, a corrupção, a ganância, o despotismo, a injustiça, a violência, a perturbação e a confusão mental e espiritual, a falta de perseverança... E no meio disso tudo tenta encontrar-se um caminho... através de Deus, que dê sentido a todas as alegrias e a todas as aparentes tristezas.


“… pelo facto de um homem poder morrer sem deixar de viver ou poder viver estando morto.”


“… o mundo da piedade aparente e corrupção latente.”

“Conheci três tipos de discípulos. As pessoas que aprendem os princípios e se esforçam no mundo, as pessoas que aprofundam o conhecimento e dominam as coisas, e gente que persevera no caminho recto até à estação espiritual do amor...”

“… em breve as exigências da vida se impuseram aos acontecimentos da História…”

“O caminho de Deus era claro e não devia misturar-se com sentimentos de ódio ou de orgulho, porque a base da estrutura se desmoronaria.”

«O melhor favor é o que se faz o mais depressa possível.»

“Gostava da comida e da bebida da mesma forma que gostava da mulher, e com a passagem do tempo já gostava mais da comida e da bebida.”

“… debatia-se na cela da sua permanente aflição.”

“O medo é o tributo dos culpados, não dos inocentes.”

“… como um adolescente… ficou absorto em sonhos de raparigas virgens.”

“Não era Deus capaz de tudo?”

“… alaúde…”

“A oportunidade era única, nunca mais voltaria a acontecer, e tudo acontece como Deus quer.”

“Todos saímos da costela de Adão…”

“… Expiaria os seus pecados através da peregrinação, da esmola e do arrependimento.”

“ Refugio-me em Deus da violência da beleza quando ela domina.”

“Nada destrói mais um homem do que ele próprio… E ninguém o pode salvar senão ele a si próprio.”

“A depravação é um pecado secreto, que se comete enquanto nos ocupamos a perseguir os xiitas e os carijitas.”

“…foi julgado e decapitado…”

“Era uma tentação só para os sãos, não para os loucos.”

“Vejo-os com os corações cheios de vergonha depois de terem experimentado a debilidade humana.”

“… oração da manhã… oração da tarde… oração da noite”

“Verdadeiramente somos de Deus e a Ele voltamos.”

“O dever antes da compaixão…”

“Estás em mãos seguras, podes sorrir.”

Sultão, vizir, xeque, mestre, governador, secretário particular, chefe da polícia.

A lei islâmica. Os muçulmanos.

Sufismo.

«A corrupção dos homens doutos realiza-se através da negligência, a corrupção dos príncipes através da injustiça e a dos sufis através da hipocrisia.»

“Gostaria de te ver como um dos soldados de Deus, não como um dos seus dervixes… A lógica da fé é perdurável e eterna. O Caminho a princípio é um, depois divide-se inevitavelmente em dois. Um deles leva ao amor e à submissão do eu e o outro à guerra santa. Os primeiros dedicam-se a si mesmos, em compensação os da guerra santa consagram-se ao serviço de Deus.”

“… esperava sair da sua confusão para a espada da guerra santa ou para o amor divino.”

…” talvez seja o haxixe…”

“Deus tem a sua Sabedoria própria na Sua Criação. Quanto a nós, temos a lei islâmica.”

“Não faça o que lhe ditar a consciência mas também não cometa más acções… Há muitas coisas que não são boas nem más.”

“… enquanto a brisa primaveril levava à profundidade do seu ser uma mistura de perfumes de flores sob um céu brilhante de estrelas.”

“É em Deus que procuramos ajuda”

“… enquanto há vida não há razão para o desespero…”

"... não alcançarás o grau de devoto senão quando superares seis obstáculos. O primeiro e fechar a porta da comodidade a abrir a da dureza. O segundo consiste em fechar a porta da fama e abrir a da insignificância. O terceiro, fechar a porta do descanso e abrir a do esforço. O quarto exigir-te-á fechar a porta do sono e abrir a da vigília. O quinto, fechar a porta da riqueza e abrir a da pobreza, e o sexto obstáculo é fechar a porta da esperança e abrir a da preparação para a morte."

«Uma prova do receio da verdade é que não facilita a ninguém um caminho até ela nem priva ninguém da esperança de a alcançar. Deixa as pessoas a cavalgarem pelos desertos da perplexidade e a afogarem-se nos mares da dúvida. Quem acredita que a alcançou é porque se separou dela, e quem acredita que se separou dela foi porque perdeu o seu caminho. Não se pode chegar a ela sem fugir dela, é ineludível.»

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Bom fim-de-semana!


Bom fim-de-semana a todos!

Beijinhos

Sei-te... sabendo-o.


Escrevo-te, sobre a pele, sabendo que não lês
Digo-te, sussurrando, sabendo que não ouves
Toco-te, sem tocar, sabendo que não sentes

Escuto-te, sem te ouvir, não sabendo tu o quanto assim me falas e me dizes
Sinto-te, sem te ter por perto, não sabendo tu o quanto estás presente e te fazes sentir
Vejo-te, sem te olhar, não sabendo tu que estás sempre comigo e eu estou contigo

Nesse iminente e profundo silêncio
Rimos. Copiosa e ruidosamente
E dançamos
Um com o outro
Um para o outro
Um no outro

Sei-te, sem o saberes.
Sabes-me, sabendo-o.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

A bola de cristal dos... Simpsons!

Sempre adorei Simpsons. Ainda hoje, passados alguns anos, continuo a ver e a achar o máximo. À medida que o tempo passa são cada vez mais as coincidências entre algumas cenas da série e a própria realidade. Não sei se os guionistas e produtores se fazem valer de algum tipo de previsão do futuro... ou se já viajaram na máquina do tempo e têm usado a série para relatar o que viram... ou ainda se eles fumam coisinhas esquisitas e/ou recreativas e aquilo os faz ter um conhecimento dos acontecimentos um pouco (muito!) mais avançados do que a maioria das pessoas... seja lá o que for... dá que pensar! 
Uhhhhhhhhhhhhh Spooky!

Ver AQUI algumas das vezes em que os Simpsons previram o futuro (agora já passado ou presente...) com muita precisão... 
No mínimo interessante!



 

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Nicoletta Ceccoli

Há alguns anos atrás encantei-me (fiquei vidrada a olhar durante muito tempo) numas imagens, que na altura achei enigmáticas, de umas meninas-mulheres maioritariamente góticas, misteriosas, num misto quase perfeito entre darkness e pureza. De uma inocência corrompida. De sonhos. Mas de uns sonhos rendilhados, detalhados, límbicos, ali algures entre as sensações de medo, aversão, por um lado e de atracção e encantamento, por outro.
Hoje, por acaso abri um site com um artigo sobre distúrbios de sono e a imagem que surgia associada era, inegavelmente, da mesma fonte daquelas outras que eu tinha visto há anos atrás. 
Voltei portanto a recordá-las.

Nicoletta Ceccoli é a autora destas imagens. - Site Oficial.

 Um trabalho peculiar e lindíssimo!









segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Boa semana!



Votos de uma excelente semana a todos! Boas perspectivas... ;)

Beijinhos

Leituras - "Somos todos idiotas"

de Diogo Faro. 2016.


Diogo Faro é um jovem humorista (ou antes um humorista jovem!) português. Tem uma perspectiva muito sarcástica e acutilante da nossa sociedade. Gosta de provocar e de chocar.
Gostei da maior parte das crónicas. Houve algumas que achei demasiado sarcásticas para o meu gosto, mas a verdade é que ele até tem razão na maior parte das coisas que satiriza. E realmente mais vale levá-las com boa disposição do que deprimir-mo-nos com elas.
Adorei as crónicas: "Olha-me aqueles calções curtinhos" e "Paranóia".

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Leituras - "As Ondas"

de Virginia Woolf. 1931.

Começar e continuar a ler este livro foi uma autêntica prova de resiliência e de inconformismo, insubmissão, e de não resignação para mim. As Ondas - é considerado o "melhor e mais radical" romance desta conhecida escritora inglesa. Pesquisei melhor sobre a autora e percebi que se tratava de uma personalidade depressiva, contundente, e que... se suicidou aos 59 anos. Percebi que ia ser uma leitura densa e intensa... Acho que já referi isto aqui no blog, que quando leio, não leio apenas o que está escrito. Muito frequentemente consigo sentir a pessoa que escreveu, o seu estado de espírito, as decisões que toma na escrita, e portanto a sua personalidade e ser. E aqui não foi diferente. De repente todos os parágrafos me pareciam sem encadeamento, aleatórios, mas em espiral, e a repentina descrição de cores, cheiros e sensações da natureza introduzidos no meio de trechos que em (aparentemente) nada tinham a ver com a natureza em si, deixaram-me confusa. Não estava a entender. Estava a ler e a perceber as palavras mas não estava a (querer) compreendê-las. Mas algo me dizia que mais à frente, no tempo, iria perceber toda essa dúvida inicial. Insisti. Continuei portanto a ler... e acabei por gostar muito, entendendo o paralelismo da natureza com as coisas da vida mundana e com o fluir dos nossos pensamentos mais profundos, e percebendo a beleza inerente a esse tipo de raciocínio. E em como a vida (nascimento, crescimento e morte) se pode descrever tal como o nascer e pôr-do-sol ou como as ondas do mar.

A leitura deste livro, para mim, funcionou como uma porta recreativa que de vez em quando conseguia abrir para um plano subconsciente ou menos consciente. Consegui entrar nesse plano algumas vezes depois de começar a ler. Aquela sub-camada que todos sentimos pulsar mas que frequentemente filtramos ou calamos. O tipo de pensamentos e reflexões e questões que qualquer ser humano pensante e curioso se coloca. Umas mais estúpidas e menos relevantes que outras, como em tudo na vida. Nunca nada é sempre grandioso e contínuo. Não o é a felicidade... mas também não é a tristeza. A nossa vida é feita da junção de momentos avulsos. Embora exista em ritmo imparável e contínuo que rege a vida e a própria morte, que rege as marés, as luas, e o próprio andamento do tempo e do universo... a forma como nós percebemos a vida é como se por ela passássemos a piscar os olhos. Depois dela passar raramente nos conseguimos lembrar ou articular todos os momentos de forma una. A vida surge-nos como vislumbres mais ou menos iluminados (ou escurecidos) de coisas que nos acontecem, que fazemos ou por que passámos e a forma como a nossa mente e espírito registaram esses "flashs".

Registei as seguintes frases/reflexões:

"Mas, quando nos sentamos juntos, fundimo-nos um no outro com frases. Ficamos unidos por uma espécie de nevoeiro. Transformamo-nos num território imaterial."

"... tropeço... Trata-se apenas do começo."

"Odeio os espelhos que mostram o meu verdadeiro rosto. Quando estou só, é com frequência que me deixo cair no vazio. Tenho de ter cuidado... não vá tropeçar na orla do mundo..."

"... desceu sobre mim o sentido obscuro e mítico da adoração, do uno que triunfa sobre o caos."

"... não sou um ser uno e simples, mas antes complexo e múltiplo."

"... concluo que para ser eu mesmo necessito da luz dos olhos de terceiros, e por isso não posso estar completamente seguro daquilo que sou."

"É tão estranho abrir caminho ao longo de multidões que vêem a vida através de olhos vazios..."

"A beleza precisa ser diariamente estilhaçada para permanecer bela"

"Estar-nos-á reservado qualquer tipo de construção, política, empreendimento, quadro, poema, filho, fábrica. A vida vem; a vida vai; somos nós quem a faz."

"Constitui um enorme alívio ter alguém a quem fazer sinais e não pronunciar qualquer palavra. Seguir os carreiros escuros da mente e entrar no passado, visitar livros, empurrar ramos e arrancar alguns frutos."

"... o tempo que, mais não é do que um pasto soalheiro coberto por uma luz trémula..."

"... a verdade é que não pertenço ao género dos que se satisfazem com uma pessoa ou com o infinito."

"... à medida que caminho os pontos e os traços vão-se transformando em linhas contínuas, no modo como as coisas vão perdendo a identidade separada..."

"O meu maior desejo sempre foi o de aumentar a noite para a conseguir encher de sonhos."

"Semelhante à peça de um puzzle, pertenço a um determinado lugar."

"Neste silêncio, parece que nenhuma folha vai cair, nem nenhuma ave levantar voo.  
Tal como se o milagre tivesse acontecido, e a vida se condensasse aqui e agora.
E, já não mais houvesse para viver.
Mas, escutem como o mundo se move nos abismos do espaço infinito. Oiçam-no rugir; a faixa iluminada da história deixou de existir, e com ela os nossos reis e rainhas; deixámos de ser; a nossa civilização; o Nilo; a vida. Dissolveram-se as gotas que nos conferiam individualidade; extinguimo-nos; estamos perdidos no abismo do tempo, na escuridão."

"... o quadrado em cima do rectângulo..."

"Permanecia isolado, enigmático; um erudito capaz daquela minuciosidade inspirada que tem em si qualquer coisa de formidável."

"Músculos, nervos, intestinos, vasos sanguíneos, tudo o que constituía o revestimento e a mola do nosso ser, o zumbido inconsciente do motor, bem assim como o dardo e o chicote da língua, tudo isto funcionava de forma soberba. Abrindo, fechando; fechando, abrindo; comendo, bebendo; por vezes falando - todo o mecanismo parecia expandir-se e contrair-se, semelhante à mola principal de um relógio."

"Enfiando o chapéu na cabeça, saía para um mundo habitado por multidões de homens e mulheres que também haviam enfiado os chapéus nas cabeças, e, sempre que nos encontrávamos nos comboios e metropolitanos, trocávamos o olhar característico de adversários e camaradas que têm de enfrentar toda a espécie de dificuldades para atingir o mesmo objectivo - ganhar a vida."

"Vi a primeira manhã que ele nunca veria... (morte de Percival). Estava agora coberto de lírios... Algo que confirmasse a nossa determinação de não deixar crescer os lírios..."

"O único objectivo que nos mantém vivos é o esforço da luta, o estado de guerra permanente, o destroçar e voltar a unir - a batalha quotidiana, a derrota ou a vitória."

"A vida é agradável, a vida é boa. A terça sucede-se à segunda e depois daquela vem a quarta."

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Reflexões aleatórias de mim para comigo própria...

Partilho algums dos meus pensamentos aleatórios. Para eventual reflexão também aí desse outro lado...

1 - A Arte pode considerar-se simultaneamente expressão e cura de distúrbio;

2 - Meritocracia seria um sistema de gestão justo e excelente caso não se tratasse apenas de mera... utopia;

3 - O medo desmesurado de morrer e da morte em si pode transformar-se numa doença, que por sua vez, induz ou intensifica... os tão conhecidos prognósticos reservados...;

4 - Trabalhamos para ganhar dinheiro. Mas já pensámos bem naquilo que gastamos para trabalhar? Talvez nessa importante contabilização o nosso rendimento líquido seja ainda menor do que percepcionamos habitualmente. Não sei até que ponto não será mesmo mais vantajoso trabalhar menos, receber menos, mas viver mais e no final do mês ter um rendimento muito semelhante ao que já temos;

5 - Queres saber o que eu quero? Quero acima de tudo que tu saibas o que é que queres!;

6 - "Natureza urbana" vai ser um excelente e ambíguo título de uma série de fotografias que pretendo realizar onde se possa perspectivar a invasão da natureza no meio urbano, o vaticínio do desrespeito e morte anunciada da natureza no meio urbano através da poluição, abuso de recursos e desordenamento do território, e no final disso tudo concluir que a génese do problema começou precisamente quando o meio urbano invadiu a natureza.;

7 - Stop starting. Start stopping! Around and around!;

8 - Sobre a timidez e insegurança.... Apaga as luzes. Deixa-me agarrar a qualquer coisa, como seja a própria escuridão, que me vista e disfarce a insegurança que sinto e que me consome. Eu não quero que tu percebas. Ela está a engolir-me. E esse momento dura até àquele outro momento em que eu percebo que também tu e todos os outros estão a sentir o mesmo que eu, que todos têm inseguranças, e que todos também a tentam ocultar de mim para que eu não as veja. No fundo, no fundo... somos todos muito iguais e igualmente frágeis;

9 - Cantar em e para um público é uma enormíssima prova de coragem e de amor. Porque a nossa voz somos nós. É a nossa identidade. E naquele momento estamos a abrir o nosso mundo interior para que outros o possam ver. Expostos a tudo o que isso implica;

10 - Por vezes o silêncio pode ser uma coisa ensurdecedora. E impossível. Porque o silêncio absoluto só existe quando os nossos próprios pensamentos se apaziguam e emudecem por momentos, o que é praticamente impossível de fazer no dia-a-dia.

11 - Só parte para o debate quem não teme o embate;

12 - Se longe da vista, longe do coração... em última análise não era permitido amar a um cego. O ditado não está portanto correcto. O correcto seria: Longe da vista, do tacto, do olfacto, da audição... longe do coração (?!);

13 - Energia é calor ou calor é energia? E a vida? É energia e calor!;

14 - Existe diferença entre agressão e violência? Será a agressão uma manifestação (física, psicológica ou emocional) da violência? Que outro tipo de manifestações pode ter?;

15 - Curioso e reflexivo. As pessoas que vivem mais (tempo), por norma, são as que gastam/desperdiçam menos energia, que se expõem menos e que se poupam mais e que portanto... vivem menos (efectivamente)!;

16 - O longe e o distante. Estar longe não implica necessariamente estar distante.
       O sozinho e o só. Podemos estar rodeados de gente e sentimo-nos sozinhos;

17 - Por vezes quanto menos se fala, mais se diz. E vice-versa.;

18 - It's curious (or not!) how easily a breakup can lead you into a breakdown...;

19 - And... so what?! We all must die, feel cold and pain, anyway...;

20 - Os cabos eléctricos espalhados pelo chão. Pretos. Enrolam-se uns nos outros, uns pelos outros. Criam formas que se ligam entre si e que nem todos conseguem ver. A constante... pareidolia;

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Why not?

Leituras - "What Every Body is Saying"

de Joe Navarro e Marvin Karlins. 2008.


O que dizer desta leitura?
Que não me desiludiu em nada e que ainda superou expectativas. Adorei.

Creio que o importante a reter de toda a informação que nos é apresentada neste livro interessantíssimo e de aplicação transversal é que se queremos ler os outros e perceber os seus verdadeiros pensamentos, sentimentos e intenções, acima de tudo temos de ser mente-aberta o suficiente para aceitar e compreender que nem todos os gestos de desconforto ou stress indicam necessariamente que a pessoa nos possa estar a mentir. Temos de ser inteligentes e pacientes. Saber localizar e contextualizar. Detectar quais os standards do indivíduo que estamos a observar e a analisar. E deixar que flua a nossa primeira e mais instintiva interpretação. Por norma nós sabemos interpretar os outros. Verbalmente. A sua expressão não-verbal é a mais difícil de ler mas por vezes a mais genuína. É nessa sua primeira reacção, primeira resposta, mais límbica e visceral que nos devemos concentrar. Nós nos outros, sabendo que os outros também o podem fazer a nós.

Recomendo para todo o tipo de pessoas, profissões, situações, idades e relações... O que se aprende com este tipo de matéria ou temática é de aplicação transversal, indiscriminada e válida tanto hoje como amanhã e depois de amanhã e por aí adiante.
O homem, ser humano, é um animal. Todas as suas acções e reacções têm um sentido muito básico e relacionado com instintos vitais de sobrevivência e perpetuação de espécie. No fundo tudo se pode resumir a isso! (Para quê complicar?!) Mesmo vivendo em comunidades que achamos ser complexas e desenvolvidas o homem mantém na sua base biológica e límbica o mesmo tipo de informação que tinham os nossos antepassados... possivelmente desde o australopithecus anamensis de há 4 milhões de anos atrás! As situações de perigo e stress mudaram (já não andamos literalmente a esconder ou a fugir de predadores, etc), mas as reacções a cada novo tipo de situação de stress são iguais ou muito semelhantes às que os nossos antepassados registaram... não há como refutar isso...

Frases ou ideias do livro que me despertaram particular interesse:


"Joe, it turns out, has spent his entire professional life studying, refining, and applying the science of nonverbal communications—facial expressions, gestures, physical movements (kinesics), body distance (proxemics), touching (haptics), posture, even clothing—to decipher what people are thinking, how they intend to act, and whether their pronouncements are true or false."

"Desmond Morris, Edward Hall, and Charles Darwin, who started it all with his seminal book The expression of the emotions in man and animals."

"There is an old Latin saying, “Qui docet, discit” (He who teaches, learns)."

"It is my hope that when you come to the end of this book, you too will have gained a profound knowledge of how we communicate nonverbally— and that your life will be enriched, as mine has been, by knowing what every body is saying."

"Nonverbal behaviors comprise approximately 60 to 65 percent of all interpersonal communication and, during lovemaking, can constitute 100 percent of communication between partners this silent medium."

"If you ever wondered why people still fly to meetings in the age of computers, text messages, e-mails, telephones, and video conferencing, it is because of the need to express and observe nonverbal communications in person. Nothing beats seeing the nonverbals up close and personal."

The problem is that most people spend their lives looking but not truly seeing, or, as Sherlock Holmes, the meticulous English detective, declared to his partner, Dr. Watson, “You see, but you do not observe.”

"Becoming aware of the world around you is not a passive act. It is a conscious, deliberate behavior—something that takes effort, energy, and concentration to achieve, and constant practice to maintain."

“the best predictor of future behavior is past behavior.”

"By examining what’s normal, we begin to recognize and identify what’s abnormal."

"Jigsaw puzzle."

"In our modern society, the freeze response is employed more subtly in everyday life. You can observe it when people are caught bluffing or stealing, or sometimes when they are lying. When people feel threatened or exposed, they react just like our ancestors did a million years earlier; they freeze."

"Limbic response: freeze, flight and fight."

"The use of insults, ad hominem phrases, counterallegations, denigration of professional stature, goading, and sarcasm are all, in their own ways, the modern equivalents of fighting, because they are all forms of aggression."

"One of the best reasons for studying nonverbal behaviors is that they can sometimes warn you when a person intends to harm you physically, giving you time to avoid a potential conflict."

"Gavin de Becker was talking about in his insightful book, The Gift of Fear."

"I learned to concentrate on the suspect’s feet and legs first, moving upward in my observations until I read the face last. When it comes to honesty, truthfulness decreases as we move from the feet to the head."

"Nervousness, stress, fear, anxiety, caution, boredom, restlessness, happiness, joy, hurt, shyness, coyness, humility, awkwardness, confidence, subservience, depression, lethargy, playfulness, sensuality, and anger can all manifest through the feet and legs."


"Edward Hall, who studied the use of space in humans and other Animals - proxemics (Hall, 1969)."

"... mirroring of behaviors between two individuals (a comfort sign known as isopraxism)."

"According to Desmond Morris, scientists recognize approximately forty different styles of walking (Morris, 1985, 229–230)"

"How we walk often reflects our moods and attitudes (...) changes in the way people normally walk can reflect changes in their thoughts and emotions."

"There is ample scientific research that suggests that touch is very important for the well-being of humans. Health, mood, mental development, and even longevity are said to be influenced by how much physical contact we have with others and how often positive touching takes place (Knapp & Hall, 2002, 290–301)"

"Because our hands can execute very delicate movements, they can reflect very subtle nuances within the brain."

"The human brain is programmed to sense the slightest hand and finger movement. In fact, our brains give a disproportionate amount of attention to the wrists, palms, fingers, and hands, as compared to the rest of the body (Givens, 2005, 31, 76; Ratey, 2001, 162–165)"

"Because our brains have a natural bias to focus on the hands, successful entertainers, magicians, and great speakers have capitalized on this phenomenon to make their presentations more exciting or to distract us."

"When we interact in person with other individuals, we expect to see their hands, because the brain depends on them as an integral part of the communication process."

"Remember, it is change in behavior that is most significant."

"Research tells us liars tend to gesture less, touch less, and move their arms and legs less than honest people (Vrij, 2003, 65). This is consistent with limbic reactions. In the face of a threat (in this case having a lie detected), we move less or freeze so as not to attract attention."

... book Telling Lies, Dr. Paul Ekman

"Research has shown that once we move beyond a startle response, when we like something we see, our pupils dilate; when we don’t, they constrict."

"This type of blocking behavior is very ancient in origin and hardwired in our brains; even babies innately eye block within the womb when confronted with loud sounds. Even more amazing is the fact that children who are born blind will cover their eyes when they hear bad news (Knapp & Hall, 2002, 42–52)"

"Contrary to pupil constriction, contentment and positive emotions are indicated by pupil dilation. The brain is essentially saying, “I like what I see; let me see it better!”"

"Conversely, when we gaze away during a conversation, we tend to do so to engage a thought more clearly without the distraction of looking at the person with whom we are talking. This behavior is often mistaken as rudeness or as personal rejection, which it is not. Nor is it a sign of deception or disinterest; in fact, it is actually a comfort display (Vrij, 2003, 88–89). When talking to friends, we routinely look in the distance as we converse. We do this because we feel comfortable enough to do so; the limbic brain detects no threats from this person. Do not assume someone is being deceptive, disinterested, or displeased just because he or she looks away. Clarity of thought is often enhanced by looking away, and that is the reason we do it."

"In all cultures in which it has been studied, science validates that those who are dominant have more freedom in using eye-gaze behavior. In essence, these individuals are entitled to look wherever they want. Subordinates, however, are more restricted in where they can look and when."

"Just as permanent smile lines may develop from a lifetime of positive nonverbals and signify a happy life, a person with a wrinkled brow likely has had a challenging life in which he engaged in frequent frowning."

"If you are confused as to the meaning of a facial expression, reenact it and sense how it makes you feel."
  
"By mirroring another person’s behavior, we are subconsciously saying, “I am comfortable with you.”"
"We show discomfort when we do not like what is happening to us, when we do not like what we are seeing or hearing, or when we are compelled to talk about things we would prefer to keep hidden. We display discomfort first in our physiology, due to arousal of the limbic brain. Our heart rate quickens, our hairs stand on end, we perspire more, and we breathe faster. Beyond the physiological responses, which are autonomic (automatic) and require no thinking on our part, our bodies manifest discomfort nonverbally. We tend to move our bodies in an attempt to block or distance, we rearrange ourselves, jiggle our feet, fidget, twist at the hips, or drum our fingers when we are scared, nervous, or significantly uncomfortable (de Becker, 1997, 133)."

"When making false statements, liars will rarely touch or engage in other physical contact with you. I found this to be particularly true of informants who had gone bad and were giving false information for money. Since touching is more often performed by the truthful person for emphasis, this distancing helps to alleviate the level of anxiety a dishonest person is feeling."

"Keep in mind that predators and habitual liars actually engage in greater eye contact than most individuals, and will lock eyes with you. Research clearly shows that Machiavellian people (for example, psychopaths, con men, and habitual liars) will actually increase eye contact during deception (Ekman, 1991, 141–142). Perhaps this increase in eye contact is consciously employed by such individuals because it is so commonly (but erroneously) believed that looking someone straight in the eye is a sign of truthfulness."

"...stress indicators followed by pacifying behaviors..."

"Observing emphasis is important because emphasis is universal when people are being genuine. Emphasis is the limbic brain’s contribution to communication, a way to let others know just how potently we feel."

"Gravity-defying gestures are emblematic of emphasis and true sentiment, something liars rarely display."

"The palm-up position is not very affirmative and suggests that the person is asking to be believed."

"In extreme circumstances, distressed people may fold their arms and legs into their own body, assuming an almost fetal position."

"A person who is not comfortable, not emphasizing, and whose communication is out of synchrony is, at best, communicating poorly or, at worst, being deceptive."

"This book is about signs, too. When it comes to human behavior, there are basically two kinds of signs, verbal and nonverbal."

"...through an understanding of nonverbal behavior, you will achieve a deeper, more meaningful view of the world around you—able to hear and see the two languages, spoken and silent, that combine to present the full, rich tapestry of human experience in all of its delightful complexity."