quinta-feira, 31 de março de 2011

mais uns versos...

Para não fazeres ofensas e teres dias felizes, não digas tudo o que pensas, mas pensa tudo o que dizes.

Entre leigos ou letrados, fala só de vez em quando, que nós, às vezes, calados, dizemos mais que falando.

Nada direi, mas, enfim,vou ter a grande alegria de a Arte dizer por mim tudo quanto eu vos diria.

A arte em nós se revela sempre de forma diferente: cai no papel ou na tela conforme o artista sente.

do poeta António Aleixo

Quem sabe se não será este o fds que volto às minhas pinturas e afins... Quem sabe... ando a sentir essa vontade novamente após tão longo período de ausência.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Transição


Caída no chão - Mina - Portugal 2011

Antoine Laurent de Lavoisier, químico francês do século XVIII, descobriu, entre outras coisas, a lei da conservação da massa. Segundo essa lei num sistema químico completamente fechado e em reacção a massa total permanece constante. No seu Tratado Elementar de Química defende que em todas as operações naturais ou experimentais nada se cria. Uma quantidade igual de máteria existe antes e depois do experimento. A qualidade e quantidade dos elementos permanecem as mesmas. Daqui se criou depois a famosa frase "Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma".

Esta tangerina caiu no chão, está a apodecer e assim a transformar-se para novamente alimentar a terra que um dia a fará novamente brotar da árvore.

Penso que inerente a este pensamento está que existe um ciclo de vida que se cumpre continuamente, de forma perfeita.

Por um lado é reconfortante pensar assim, que as coisas apenas mudam de forma mas nunca o seu propósito ou a sua verdadeira essência ou conteúdo, e assim se assegura a sua continuidade, mas por outro lado isso indica também que de alguma forma todas as coisas estão, para além de intimamente ligadas, limitadas.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Estorvo, de Chico Buarque

Terminei a leitura deste que foi o 1.º romance (data de 1991) escrito pelo compositor, músico, dramaturgo e escritor brasileiro Chico Buarque há relativamente pouco tempo. Tenho andado a tentar arranjar palavras para descrever o que achei deste livro e da estória, mas não consegui encontra-las porque agora sim me apercebi que o livro não contém popriamente uma estória da qual se possa falar (!), divagar ou simplesmente comentar. Engraçado por vezes queremos tanto falar de algo e parecemos não conseguir encontrar as palavras para fazê-lo... talvez aí devêssemos aceitar que não há nada para ser falado! Mas eu sou teimosa na 5.ª quinta casa e como tal não descansei enquanto não arranjei umas quantas palavritas sobre o assunto.
Acabei de ler a última frase no livro... e... e... e?!?!! e o quê?!.... pois foi assim que fiquei... como que à toa, porque não encontrei sentido no que li. E que zanga que isto me dá! Porque não gosto de sentir que perdi tempo a fazer algo que não me ensinou ou acrescentou qualquer coisa!!... Tenho portanto andado às turras com este livro. Tem sido um autêntico estorvo na minha cabeça! Mas isto não fica assim.... e portanto aqui vai a minha interpretação do que li:
O livro está escrito na primeira pessoa. Esta personagem, um homem não muito jovem mas também não é velho, desempregado, desorientado, sozinho, alienado, assombrado, atormentado, com raros momentos de reflexão lúcida, perdido algures entre o sonho e o real, entre os seus pensamentos e os acontecimentos, portanto um ser que vive intensamente a solidão, sente-se como um estorvo para a sua abastada e desestruturada família, vive entre o não ter nada que comer e as festas sumptuosas e luxuriantes na casa da irmã, tenta regressar às suas origens à casa da família no campo mas aí nada encontra senão o inesperado do abandono e da criminalidade. Este homem anda perdido em si. Não tem objectivos e arrasta-se entre um acontecimento e outro. O que somos nós sem o amor à, e, da família, amigos, companheiro/a, trabalho, objectivos? Somos nada, mas uns nadas que andam por aí a roubar ar aos outros que vivem de verdade. Creio que este homem se sentia assim. Um qualquer mais consciente ter-se-ia apercebido do sem-sentido da sua vida e teria tomado uma decisão. Mas este homem não.
Uma frase que ficou:
"Vejo a multidão fechando todos os meus caminhos, mas a realidade é que sou eu o incômodo no caminho da multidão."
Outra coisa que valeu a pena.... o ler a escrita brasileira, acho divertidos termos como o orelhão para a cabine telefónica, a chácara para a propriedade rural (casa de campo), o ônibus para o autocarro... e outras que aqui irei acrescentando à medida que me vá delas lembrando...

terça-feira, 8 de março de 2011

Boss AC



Boss AC esteve em Beja no Teatro Pax Julia no passado dia 5. Conhecia algumas músicas como acho que quase toda a malta das minhas idades também conhece mas saí do concerto super fã. Primeiro porque foi diferente do que seria expectável de um artista de rap e hip hop, foi um concerto acústico, e por outro lado o Boss AC transmite mesmo muito "boa vibe". Falou imenso com o público, contextualizou as músicas, falou de si e das letras, sempre com muito boa onda, toda a gente estava mesmo a curtir aquele momento, houve pessoal a ir cantar no palco com eles, e até houve direito a uns sons cabo-verdianos que puseram todos a dançar. Muito bom. Se tiverem oportunidade para ir ver um concerto dele vão porque vale a pena.

segunda-feira, 7 de março de 2011

O Cisne Negro (Black Swan)

O que dizer sobre este filme?

Tinha uma enorme expectativa e aquilo que me ficou do filme foi ter levado as quase duas horas que este durou contorcendo-me à espera que alguma coisa melhorasse. Por alguma razão senti muito ou deixei-me envolver na psicose da personagem principal.
É um filme triste, angustiante, desesperante. Não gostei da sensação com que fiquei quando acabei de vê-lo. Mostra-nos uma realidade que talvez não esteja muito difundida acerca da vida de um bailarino e da vida nas companhias de bailado.
A pressão que por vezes impomos a nós próprios pode levar-nos à auto-destruição. A busca da perfeição, as lutas interiores entre o que se é e o que se mostra, entre o que se quer e o que se pode ser, e a insegurança que isso gera, desviam-nos de uma vida saudável e portanto só pode acabar em doença e infelicidade. E no final pergunto-me: de que vale ser perfeito se não se é feliz?
Da actriz acho realmente que é fenomenal. O conseguir transmitir tão bem sentimentos e estados de alma completamente opostos, e ainda a exigência a nível físico que o papel teve são de se lhe tirar o chapéu, sem dúvida.

(imagem retirada da net)


E algo que eu (incultamente!!!) ainda não sabia: a história do Lago dos Cisnes.

Com música de Tchaikovsky este ballet estreou em 1895 em São Petersburgo e foi.... um fracasso!! Não se adivinharia naquela altura o sucesso e a imortalidade que a obra alcançou.
A história é a de um príncipe, Siegfried, que se apaixona por uma princesa, Odette, enfeitiçada. Odette vive num lago criado pelas lágrimas da sua mãe e o seu feitiço faz com que seja um cisne branco, assumindo apenas por alguns instantes da noite a forma humana. O feitiço só será quebrado se um jovem puro lhe jurar fidelidade e desposá-la.
Na noite do 21.º aniversário do principe a Rainha pede-lhe que escolha de entre as 6 princesas que seleccionou para ele. Ele não escolhe nenhuma. Entretanto, já no final da festa surge Odile acompanhada de um barão, Rothbart. Odile é em tudo semelhante a Odette, e o príncipe, seduzido e acreditando que se trata da sua amada, não hesita e anuncia que é com aquela mulher que ele deseja casar. Após este anúncio Odile e Rothbart revelam-se feiticeiros e o príncipe corre para o lago. Aí encontra Odette que lhe explica que pretende suicidar-se nessa mesma noite pois prefere morrer a cumprir eternamente o seu feitiço. Decidem atirar-se os dois ao lago e na morte encontram a sua união e amor.