quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Algures no deserto... Beja sem comboios

Não sou utilizadora frequente do transporte ferroviário e das poucas vezes que o utilizei (em idas a Lisboa) sempre me senti limitada pelos horários disponíveis.
Muito francamente entendo a perspectiva de uma empresa que, visando reduzir custos e manter-se "viva" no mercado, considera encerrar linhas de produção que dão prejuízo. Entendo isso no caso de empresas NÃO públicas que não têm a obrigação de satisfazer necessidades públicas. Quando se fala em bem público a conversa já é outra e não me venham cá falar em redução de custos à custa dos direitos dos cidadãos. As empresas públicas de transporte colectivo são tal como a própria designação induz controladas pelo Estado, que somos todos nós, e existem para satisfazer as nossas necessidades, quer vivamos num atafulhado centro urbano quer vivamos algures no meio do deserto. A verdade é que fazemos todos parte do mesmo país e o Alentejo não pode continuar a ser fustigado e desprezado como sempre.
A CP não pode simplesmente alegar o reduzido número de passageiros da região como justificação para a não modernização das linhas e comboios, a não electrificação da linha, e redução de oferta de serviços. Porque a empresa também nunca teve uma atitude activa na captação de clientes. As coisas sempre foram feitas como se se estivesse a fazer um grande favor à população. Aquilo que está agora a acontecer e que se vai agravar, não apenas no sector dos transportes mas noutros, é o pagamento por tantos e tantos anos de "deixa andar", fazer as coisas por fazer, de não ter visão e uma atitude proactiva... de muita gente pretender apenas encher os bolsos de forma rápida. Infelizmente há um conceito que tem vindo a ser esquecido: SUSTENTABILIDADE!
Existem muitas pessoas para as quais o comboio (com ligação directa a Lisboa, com mais horários e maior conforto) é o meio preferível para as suas deslocações. Os estudantes (que vêm de fora e que vão para fora), os militares, as pessoas que vão a consultas ou fazer exames, os que vão trabalhar... e também os que vão passear. Pois tudo faz parte desta máquina gigante que não podemos deixar parar. Porque parar...é morrer, literalmente.
Muito infelizmente todas estas decisões são pólíticas (não tapem os olhos acreditando que não o são...) e se não existe contrapartida na redução da acessibilidade de Beja (distrito) para outros pontos do país, então nada o justifica em qualquer das instâncias e o resultado é ficarmos mais e mais afastados de tudo. Porque é que vamos a Lisboa estudar, tratar de papeladas ou fazer exames médicos e afins? Porque cá não temos esses serviços!!!! E se não temos esses serviços não podemos deixar que também nos retirem o meio de os alcançar.
Tem de haver pressão política junto do Governo de forma a não permitir que o futuro da CP - Comboios de Portugal - venha a a ser CMP - Comboios de Metade de Portugal.... .... (!!!) Pensem e investiguem sobre este assunto e lutem por aquilo a que acham que justamente temos direito!
Se quiserem ler mais sobre isto vejam por aqui e arredores:
Para assinarem a petição pública vão aqui:

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Casos... de polícia!

O famoso e chocante caso de homicídio e mutilação genital que está em todos os nossos jornais, revistas e tv, e portanto toda ou quase toda a gente já ouviu falar, também me tem dado que pensar. Não pelas pessoas que estão envolvidas pois pouco me dizem (embora não deseje a ninguém o que aconteceu, tanto de um lado como do outro, e tenho pena das famílias e amigos respectivos), mas pelo desafio que é para a respectiva investigação criminal e também pelo abanão que provoca nas nossas mentes e convenções. Adoro casos deste tipo, muito sinceramente delicia-me tentar perceber o que aconteceu e porquê. Gosto do enigma que envolvem e do desafio para decifrá-lo. Porque tudo terá uma explicação/ justificação... ou talvez não. Talvez existam actos que surgem fruto de explosões momentâneas, esporádicas ou até únicas na vida.
Perante determinada situação temos o poder de decidir o que fazer. Se não tivermos esse poder, há que apurar a razão disso, e resolver o problema. Existirão com certeza um conjunto de factores que propiciam os actos realizados. Antes, durante e após.
A mim o que mais me fascina é tentar perceber a mente de quem comete o crime, as circunstâncias em que o consumou e porque o fez. E também o que pode, na outra parte, ter despoletado isso. Muitas vezes já há conduta irregular antes que descamba num desfecho assim.
Acabei por não enveredar por esse caminho mas durante alguns anos planeei seguir Psiquiatria, principalmente para entrar em contacto e poder estudar esse mundo que ainda em muito desconhecemos: a nossa mente. Na altura tive de optar (e continuo a achar que aos 15 e depois aos 18 anos é demasiado cedo para limitarmos o nosso rumo profissional, como acontece actualmente ao sermos "obrigados" a escolher primeiro uma área de estudo e posteriormente um curso específico). Foram diversos os factores que me fizeram colocar de parte a opção de Medicina - Psiquatria mas não nego que ainda hoje penso nisso e quem sabe um dia recupero esse sonho.
Acerca do caso de homicídio que comecei por falar, li recentemente numa revista algo sobre "Egodistonia". Segundo apurei é o palavrão dado a uma situação em que uma pessoa entra em auto-revolta ao aperceber-se que gosta de pessoas do mesmo sexo, que é homossexual. Acontece quando as suas crenças e educação são de tal maneira fortes que reprimem a pessoa, que não aceita a sua condição, acredita estar doente e portanto é frequente entrar em violência. Há portanto nessa situação um choque entre o que somos e que achamos que deveríamos ser. No artigo referia-se que é essa a explicação para o que o jovem homicida fez.
Na minha opinião, e com a informação actualmente disponível, o rapaz mantinha um esquema de vida dupla, um para os amigos e familiares e outro no seu mundo profissional. Isso não deve ser difícil de fazer quando os amigos e família vivem longe e estão à parte desse mundo.
Ainda na minha opinião, talvez por ambição o rapaz tenha começado a fazer coisas que, não aguentando mais, o fizeram entrar num estado de repulsa e revolta. Também não sabemos o que despoletou concretamente isso e até mesmo se não haveriam drogas à mistura.
Um caso muito interessante e que ainda deve dar muito que falar. Veremos.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Serra da Estrela e arredores













Serra da Estrela - Portugal 2011

Na viagem de ida as expectativas de neve eram muito poucas. Feliz acaso nevou nessa mesma noite, e no dia seguinte a serra estava cheia de neve e de pessoas a divertirem-se e a apreciar. É de facto uma visão muito bonita, ver tudo coberto de branco. Mas também não vou negar que senti um pouco de medo, não apenas pelas curvas e contra-curvas e o gelo à vista, mas também porque mesmo nas brincadeiras há que ter muito cuidado pois facilmente escorregamos ou caímos sem saber bem onde, o que se agrava consoante a altura da neve.
Para mim foi a primeira vez que me vi rodeada de neve e gelo. Gostei da sensação.

Silêncio

Às vezes é preciso parar. E calar.
Por vezes é preciso ouvir o silêncio. E sentir.
Nem sempre convém pensar.
E quase nunca é frutífero planear.
Porque a vida dá voltas.
E nessas damos mais voltas a nós próprios.
E na volta... não voltamos ao que éramos.
É portanto no silêncio que te comunico quanto sinto.
Porque não existem palavras capazes de competir com isso.
Com o que te consigo dizer num beijo ou num abraço.
E assim te digo que aqui estou e que assim sou.
Não serei perfeita nem perto disso.
Serei até bastante complexa, e complicada.
Mas anda daí, anda cá, não penses nisso.
Escuta o silêncio mesmo que não oiças nada.
Estou aqui e amo-te.