Avançar para o conteúdo principal

Post-mortem


José Saramago - Fotografado por Sebastião Salgado


A maior parte das mentes geniais do nosso mundo só tiveram o devido reconhecimento pelos restantes mortais... após a sua morte. (!) É verdade... por vezes o mundo anda tão cego que não enxerga o quanto uns quantos seres nos podem ensinar a aprender e assim crescer.
Dizem que na vida um homem tem de escrever um livro, plantar uma árvore e ter um filho. Talvez umas coisas suplantem as outras. O que acontece a um homem que para além de um, escreve muitos mais livros? Saramago deixa-nos inúmeras oportunidades de explorar o seu mundo e perspectivar outra maneira de pensar. Crítica, fundamentada, irónica, sólida, firme e metafórica. Uma quantidade de obras que permanecem para a posteridade. Não será por acaso que foi distinguido com o Prémio Nobel.
Creio que no caso deste poeta escritor pensador houve reconhecimento quando ainda em vida, embora tenha havido, como todos sabem, uma certa repressão religiosa às suas palavras. Não que essas suas mesmas palavras, e muitas vezes a sua mensagem, não seja religiosa e até mesmo espiritual, mas para os puritanistas e mentecaptos que insistem em perpetuar a ideia de separação e repressão entre Deus e o homem, que tentam assegurar o poder que a Igreja tem na sociedade em geral, as tais palavras não são com certeza como o canto de um rouxinol. Bem... Se Deus existe, qualquer que seja a sua história ou forma de certeza que não será um punidor mas sim unidor. E de certeza que não vai levar a mal palavras que não o menosprezam. Essas palavras apenas ironizam, isso sim, a forma como alguns homens controlam os restantes. E nestes casos há quem diga... quem enfiou a carapuça.... ...
Polémicas à parte, sempre admirei as palavras de Saramago, as palavras que tão soberbamente conseguia juntar e fazer magia, fazer com que nunca sentisse ser tempo perdido o tempo que dedicava a lê-las.
Um dos meus poemas preferidos:
Arte de Amar
Metidos nesta pele que nos refuta,
dois somos, o mesmo que inimigos.
Grande coisa afinal é o suor
(assim já o diziam os antigos).
Sem ele a vida não seria luta,
nem o amor amor.
in "Os poemas possíveis".
A minha homenagem a esse Senhor.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Évora - Portugal 2007 Vai uma lengalenga? Anani Ananão. Saltas tu e eu não. Pássaro ou avião? Fico eu e tu, não.

Leituras - "Equador"

de Miguel Sousa Tavares. 2003. Acho que, até à data, este deve ter sido o livro que li (ou absorvi...) mais rapidamente. Desde a primeira página até à última página prendeu-me e dele não me consigui libertar até terminar. Por variadas, e talvez algumas até inconscientes, razões. Porque estive recentemente no país sobre o qual a história recai - São Tomé e Príncipe. Porque consegui ligar cada detalhe descritivo aos sítios concretos por onde também passei. Porque percebi e senti a história. E por tudo o resto de um conjunto de pontas soltas e aparentes coincidências que aqui se ligaram. Mais não será preciso dizer para concluir que gostei bastante. "Quando, em Dezembro de 1905, Luís Bernardo é chamado por El-Rei D.Carlos a Vila Viçosa, não imaginava o que o futuro lhe reservava. Não sabia que teria de trocar a sua vida despreocupada na sociedade cosmopolita de Lisboa por uma missão tão patriótica quanto arriscada na distante ilha de S. Tomé. Não esperava que o cargo de...