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Casos... de polícia!

O famoso e chocante caso de homicídio e mutilação genital que está em todos os nossos jornais, revistas e tv, e portanto toda ou quase toda a gente já ouviu falar, também me tem dado que pensar. Não pelas pessoas que estão envolvidas pois pouco me dizem (embora não deseje a ninguém o que aconteceu, tanto de um lado como do outro, e tenho pena das famílias e amigos respectivos), mas pelo desafio que é para a respectiva investigação criminal e também pelo abanão que provoca nas nossas mentes e convenções. Adoro casos deste tipo, muito sinceramente delicia-me tentar perceber o que aconteceu e porquê. Gosto do enigma que envolvem e do desafio para decifrá-lo. Porque tudo terá uma explicação/ justificação... ou talvez não. Talvez existam actos que surgem fruto de explosões momentâneas, esporádicas ou até únicas na vida.
Perante determinada situação temos o poder de decidir o que fazer. Se não tivermos esse poder, há que apurar a razão disso, e resolver o problema. Existirão com certeza um conjunto de factores que propiciam os actos realizados. Antes, durante e após.
A mim o que mais me fascina é tentar perceber a mente de quem comete o crime, as circunstâncias em que o consumou e porque o fez. E também o que pode, na outra parte, ter despoletado isso. Muitas vezes já há conduta irregular antes que descamba num desfecho assim.
Acabei por não enveredar por esse caminho mas durante alguns anos planeei seguir Psiquiatria, principalmente para entrar em contacto e poder estudar esse mundo que ainda em muito desconhecemos: a nossa mente. Na altura tive de optar (e continuo a achar que aos 15 e depois aos 18 anos é demasiado cedo para limitarmos o nosso rumo profissional, como acontece actualmente ao sermos "obrigados" a escolher primeiro uma área de estudo e posteriormente um curso específico). Foram diversos os factores que me fizeram colocar de parte a opção de Medicina - Psiquatria mas não nego que ainda hoje penso nisso e quem sabe um dia recupero esse sonho.
Acerca do caso de homicídio que comecei por falar, li recentemente numa revista algo sobre "Egodistonia". Segundo apurei é o palavrão dado a uma situação em que uma pessoa entra em auto-revolta ao aperceber-se que gosta de pessoas do mesmo sexo, que é homossexual. Acontece quando as suas crenças e educação são de tal maneira fortes que reprimem a pessoa, que não aceita a sua condição, acredita estar doente e portanto é frequente entrar em violência. Há portanto nessa situação um choque entre o que somos e que achamos que deveríamos ser. No artigo referia-se que é essa a explicação para o que o jovem homicida fez.
Na minha opinião, e com a informação actualmente disponível, o rapaz mantinha um esquema de vida dupla, um para os amigos e familiares e outro no seu mundo profissional. Isso não deve ser difícil de fazer quando os amigos e família vivem longe e estão à parte desse mundo.
Ainda na minha opinião, talvez por ambição o rapaz tenha começado a fazer coisas que, não aguentando mais, o fizeram entrar num estado de repulsa e revolta. Também não sabemos o que despoletou concretamente isso e até mesmo se não haveriam drogas à mistura.
Um caso muito interessante e que ainda deve dar muito que falar. Veremos.

Comentários

João Bento disse…
Ninguem me tira da cabeça que ele sabia bem o que era e senta... Mas que naquela noite em questão algo o fez revoltar-se! Tal como uma mulher numa relação pode ser violada... Ele seria diferente?! Hum... Só ele o saberá!
Quanto a psiquiatria, nunca é tarde demais para concretizar sonhos!;).
@LU.
Muito interessante, gostei de ler...sinceramente cada vez mais acontecem casos destes ou parecidos com...A conclusão que tiro disto é que nós nunca chegamos a conhecer realmente uma pessoa, há sempre enigmas por desvendar...até mesmo pessoas com quem convivemos diariamente e por vezes até debaixo do mesmo "tecto"...
Bjs e abraços

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