Avançar para o conteúdo principal

Surrealidades do meu dia-a-dia #13

Um dia calmo, de calor. Não se vê vivalma na rua. Estacionar o carro perto de uma escadaria. No preciso momento em que coloco a mão no puxador da porta para sair do carro, aparece um homem no cimo da referida escadaria. Reparo que esse homem não estava muito "normal". Vinha cambaleando, agarrado à parede. Não saio logo do carro para deixá-lo passar primeiro. Mas o senhor vem colocar-se mesmo à frente do meu carro, a cambalear, para a frente e para trás. Vi jeitos da criatura me cair em cima do capot. Mas não caiu. Ao invés... ficou simplesmente ali, especado. Bom... dadas as circunstâncias e porque sinceramente não tinha feito planos de passar o resto do dia dentro do carro à espera que o homem abalasse... levei novamente a mão ao puxador da porta.... et voilá... o homem começou a gritar. (e eu comecei a desconfiar que o puxador da porta do meu carro estava ali com algum tipo de interacção com o senhor... coisas do além! vai-se lá a perceber!)
Ele olhava para o carro (não necessariamente para mim, que estava lá dentro um bocadinho amedrontada a olhar para ele) e vá de gritar que "isto nunca mais vai acontecer!!!", "se eu já te tinha dito porque é que voltaste?", e "eu disse-te que quando te apanhasse", e "aperto-te o pescoço", e mais coisas fofinhas do tipo "faço-te em fanicos", "anda cá se queres!!!". 
Olhei melhor para ele... e não, não o conhecia. Então acho que ele também não me conhecia a mim e aquilo não era para mim. Mas a verdade é que não estava ali mais ninguém!!! E simultaneamente reparei que ele olhava para o vazio. Acho que ele nem se apercebeu que estava ali uma pessoa dentro do carro mesmo à frente dele.
Ok... o homem está com uma valente pedrada. Tá com a cabeça feita num oito... ele nem sequer me está a ver e talvez não haja problema sair do carro e proceder naturalmente e ir-me embora.
Respirei fundo (e em fundo ouvia também os berros do homem com ameaças e desabafos)... ok... um, dois.... e levei a mão novamente ao puxador da porta.
Escusado será dizer que aquela coisa do "há uma sem duas, não há duas sem três" funciona sempre. Neste caso, infelizmente. No preciso momento que tento abrir a porta do carro e escapulir-me dali.... o homem.... grita ainda mais alto a seguinte e muito motivadora frase: "AI NÃO VENS AQUI NÃO?!!? POIS A PRÓXIMA PESSOA QUE EU VIR CORTO-LHE O CORAÇÃO E AINDA O COMO A SEGUIR"... isto não me está a acontecer, foi o que pensei.... mais uma vez não me "apeteceu" sair do carro e encarar aquele homem que parecia estar drogado, e muito, mas muito mesmo zangado!

Passaram 15 longos minutos. Eu em silêncio, O homem sempre ali, à frente do meu carro. Ora calado, ora a esbracejar e a gritar ameaças de morte. Ora levantado, ora caído.
Até que passou um senhor. Passou pelo homem e este nada fez. Apenas continuou a andar em frente e assim saiu da minha... frente. Lá levei novamente a mão ao puxador da porta e... agora sem medos... abri a porta e sai.
Ufa! Se foi por parvoíce não sei, mas sempre ouvi dizer que a melhor defesa é não estar lá e portanto, preferi não saber se o homem me faria algum mal caso eu saísse do carro mesmo à frente dele.
Gosto de pensar que aquilo foi para uns apanhados que nunca cheguei a ver ou ali um momento de teatro de rua a que eu tive o prazer (NOT!!) de assistir gratuitamente e sentada! Nada mal heim!? upa, upa!!! ;)



Comentários

Mensagens populares deste blogue

Évora - Portugal 2007 Vai uma lengalenga? Anani Ananão. Saltas tu e eu não. Pássaro ou avião? Fico eu e tu, não.

Leituras - "Equador"

de Miguel Sousa Tavares. 2003. Acho que, até à data, este deve ter sido o livro que li (ou absorvi...) mais rapidamente. Desde a primeira página até à última página prendeu-me e dele não me consigui libertar até terminar. Por variadas, e talvez algumas até inconscientes, razões. Porque estive recentemente no país sobre o qual a história recai - São Tomé e Príncipe. Porque consegui ligar cada detalhe descritivo aos sítios concretos por onde também passei. Porque percebi e senti a história. E por tudo o resto de um conjunto de pontas soltas e aparentes coincidências que aqui se ligaram. Mais não será preciso dizer para concluir que gostei bastante. "Quando, em Dezembro de 1905, Luís Bernardo é chamado por El-Rei D.Carlos a Vila Viçosa, não imaginava o que o futuro lhe reservava. Não sabia que teria de trocar a sua vida despreocupada na sociedade cosmopolita de Lisboa por uma missão tão patriótica quanto arriscada na distante ilha de S. Tomé. Não esperava que o cargo de...