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Surrealidades do meu dia-a-dia #20

Um destes dias. Calmamente a caminhar até ao meu destino. Passei junto de um jardim de infância. Grande azáfama. Era hora dos pais irem buscar os filhos. No meio daquela algaraviada de crianças e pais e carros, reparo num menino com cerca de 5 anos, que vinha de mão dada com a mãe, muito contente, a contar o que tinha feito durante o dia e as actividades da escola. A mãe, com o menino numa e com a mochila do menino na outra mão, vinha a ouvir o filho mas com uma expressão de desdém, lábios em tom de desaprovação e olhos revirados. Achei aquilo tão estranho.
Ela tinha uma expressão, mais do que cansada, de farta. De extenuada, e talvez por isso descrente e também intransigente.
Doeu-me o coração. O menino alegre a reportar as suas descobertas e aventuras, e a mãe completamente alheada do facto de que aquele momento entre eles nunca mais se repetirá. Pode acontecer de forma semelhante amanhã ou no dia a seguir, mas nunca mais ocorrerá aquele preciso (e precioso) momento. Aquela mãe está completamente alheada do valor que tem por ter um filho, saudável, e alegre.
Todas as mães têm filhos. Mas nem todos os filhos têm mães...
Pensei que aquela mãe tinha de ter alguma razão para estar a reagir assim. Mas depressa deixei de querer arranjar-lhe qualquer tipo de justifacção ou atenuação do acto...

No preciso momento em que passei por eles ainda ouvi o seguinte diálogo:

Menino -´Tá aí na mochila um papel da escola por causa de um trabalho para fazermos em casa com os pais! É para trazermos depois de amanhã! :)

Mãe - ... eu logo vi. Essas também só têm ideias parvas. Só se lembram é de merdas para a gente fazer em casa.

E pronto. Posto isto... acho que não há muito mais a dizer correcto?! Não há justificação plausível para uma mãe que tem este tipo de linguagem e reacção junto de um filho, menor.

Depois queixem-se que os filhos são mal-educados, não respeitam os pais e não se sabem comportar...


Comentários

José Luís disse…
Que estupidez... E assim se vão "construindo" filhos, ensinando-os a desvalorizar o que realmente importa. É triste.

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