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Surrealidades do meu dia-a-dia #31

A almoçar num restaurante. Um casal na mesa ao lado pede costeletas de borrego grelhadas. O empregado de mesa traz a comida, passa por lá uns momentos após para perguntar se estava tudo do agrado dos clientes (ao que eles respondem que sim. Que a comida estava óptima!). Terminam a refeição. O empregado vem levantar a mesa, recolhe um, depois o outro prato. Sorri. E mesmo antes de ir embora, vira-se novamente para a mesa e solta a seguinte e comovente dissertação para os clientes:

- Ai estavam boas as costeletinhas, estavam? Olhem ainda a semana passada fui à quinta de um amigo meu e ele tem lá muitas ovelhas e carneirinhos. E que fofinhos! É vê-los a brincar, e vêm ter com a gente, são tão especiais! Dá vontade de abraçá-los! As ovelhas são espertas, ainda que muita gente não ache isso. E havia um cordeirinho que gostei ainda mais, parecia um cão, o meu amigo chamava-o pelo nome e ele vinha! Uma maravilha! E o que vão desejar para a sobremesa?!

?!?!?!?!?!??!?!?!?!?!?!?!!?!?!?!?!?!??!?!?!?!?!!?!?!?!?!?!?!?!......?!!?!?!?!?!?!?!?!!?!?!?!?!??!?!?!?!?!??!?!?!?!?!?!?!?

Ahhhhhhh.... e pronto. Okidoki. O empregado ali esteve a falar sobre o quão especiais são os borregos... precisamente ao casal que acabou de comer umas belas costeletas de... borrego. Ora não me parece que após o referido repasto as pessoas quisessem de facto recordar o quão fofinhos são os cordeirinhos, e quão especiais são os borregos em geral. Chamem-lhe fugir ao sentimento de culpa, chamem-lhe incongruências omnívoras... por norma não acho que as pessoas se gostem de lembrar que se teve de matar para que elas pudessem comer. Hipocrisia e véu mental? Sim!!!!!! Mas é assim!

Querem-me portanto parecer muitas de muitas coisas: 

o casal ficou com uma grande azia depois daquela refeição pela qual teve, ainda por cima, de pagar e sorrir no final para não dar parte fraca...; 

o empregado deve receber uma comissão qualquer com a quantidade de pastilhas para a azia que é vendida na farmácia da zona;

o empregado deve ser vegetariano e simultaneamente deve ter muito pouco amor à profissão, ou então é simplesmente... parvo; 

o dono do restaurante nem deve sonhar que o seu querido e simpático empregado que tanta gente cativa para entrar no restaurante, gosta também de ter conversas pouco apropriadas (ao negócio, entenda-se) com os clientes após estes tomarem a refeição.... assegurando que nunca mais lá voltam!!!!

Oki. Doki. Okidoki!

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