quinta-feira, 21 de junho de 2018

Mais vale tarde...

Já há 1 ano que não publico nada por aqui. Não que faltem as ideias nem as palavras, mas faltou o tempo e a concentração necessária para escrever como gosto de fazer.
Fui mãe entretanto. Isso explica quase tudo. Quis mergulhar sem rede nesse mundo. E assim o fiz.
E sim, não é cliché, afirmar que há um antes e um depois de termos filhos. Se por um lado, e do ponto de vista mais simplista e naturalista existimos para assegurar a espécie e portanto não compliquemos as coisas, por outro, é um acontecimento que nos abre não necessariamente a um novo mundo mas muda a nossa perspectiva do mundo tal como o conhecíamos ou concebíamos antes. E isso altera profundamente a nossa vida. De repente passamos a ter um ser que depende de nós para sobreviver. E nós queremos, visceralmente, fazer de tudo para que ele não apenas sobreviva como viva da melhor forma possível em todos os aspectos que consigamos controlar. A minha atenção virou-se completamente para ele. É isto que para mim vale a pena fazer aqui e agora. E assim continua. Descobri que um amor assim tem tanto de expansividade como de imensurabilidade. Não deixo de ser eu e de ter os meus momentos e pensamentos, mas agora sou eu acrescida do facto de ele existir. Deste ser que de mim proveio. E a quem eu dedico não apenas o meu amor sem limites como a minha força e criatividade. Gosto de brincar com ele, de ver como desenvolve e o que aprende de dia para dia. É uma coisa magnífica termos a possibilidade de assistir e contribuir para  isso. O crescimento e o desenvolvimento de um ser humano é muitíssimo interessante. E desafiante. E divertido. E apaixonante. É uma viagem alucinante (sem bilhete de volta).
Ter um filho é também um processo profundo de auto-conhecimento. Somos postos à prova, sob stress e cansaço por vezes extremos, deixamos de ter tempo para nós, vivemos no dilema e angústia entre querermos sempre protegê-los e que eles tenham o melhor e ao mesmo tempo saber que não conseguimos controlar tudo o que isso implica, o ensinar a nós próprios que amar sem limites é melhor ter limites e disciplina (!), e um sem fim de questões que vão surgindo a cada segundo que passa. Isso traz ao cimo de nós um turbilhão de sentimentos e sensações, conflitos e pensamentos. O que fazer nesses momentos?! Respirar fundo, agradecer ter saúde, não pensar muito nas coisas, e...  ahhhhhh.... ser feliz! Deixar correr... :)

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